⋆。˚ ◉ Capítulo 37
Capítulo 37
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Se consideração não era a solução, Cahaya achava melhor continuar tentando descobrir o que Seowoon estava pensando.
— O que houve?
— Hã?
Ele decidiu perguntar, mas continuou a mesma coisa. O que exatamente se passava na cabeça de Cha Seowoon? O que ele queria dizer?
— Se você tem alguma coisa na cabeça, desembucha.
— Eu não tenho nada — Seowoon respondeu, balançando a cabeça.
— Você está bravo porque eu não te contei que encontrei aquela noona?
— Hã? Por que eu me importaria?
— Mas por que você está fazendo biquinho, Cha Seowoon?
— Cahaya.
Ele achou que Seowoon fosse retrucar que os lábios dele eram sempre assim, mas, em vez disso, ele só chamou o nome de Cahaya.
— O que foi? — Cahaya provocou.
— Eu só estou feliz que você é rico.
Os olhos de Cahaya se arregalaram.
Depois que Seowoon falou, foi como se um peso tivesse sido tirado dos ombros dele. Ele até soltou um suspiro curto de satisfação, aparentemente aliviado. Então talvez não fosse engano sentir que ele estava aliviado.
Cahaya queria acreditar nisso, mas era só isso mesmo que Seowoon queria dizer?
Por algum motivo, Cahaya não conseguia se livrar da decepção.
— Musaranhinho, você é muito cruel. Você me odiava porque eu era pobre?
— ……Um pouco.
“Ele está cochilando de novo?”
Seowoon parecia diferente naquele dia. Mesmo que resmungasse se fosse atacado pessoalmente com palavras, ele geralmente evitava dizer qualquer coisa que ferisse os outros. Isso fazia dele um bom candidato a vice-líder, hábil em manter o equilíbrio delicado entre os amigos.
— Uau, então você se afastou porque eu era pobre, não por causa do seu pai?
Cahaya inicialmente achava que era por causa do complexo de inferioridade de Seowoon, mas acontece que Seowoon tinha se cansado da pobreza dele e o largado. Ou podia ser as duas coisas. De qualquer forma, era verdade que ele era pobre e que isso afetava um pouco o paladar dele, mas não o machucava tanto.
— Não. Eu não te odiava por ser pobre, eu só odiava a situação.
Sem querer perder mais tempo, Seowoon saltou da cama.
— Que situação?
— É só que……. Até ir à loja de conveniência me deixava constrangido, e eu não conseguia sugerir com tranquilidade que a gente saísse.
Seowoon caminhou à frente de cabeça baixa.
— Mas a gente não comeu junto nenhuma vez desde que eu fiquei rico, né?
Enquanto andava à frente e erguia o olhar, Seowoon se sobressaltou.
— Naquela época…… Já estava esquisita as coisas entre a gente.
Ficou claro que ele estava tentando evitar a situação evitando contato visual.
Seowoon tentou passar por Cahaya, que bloqueava a porta, mas Cahaya baixou o braço e bloqueou a passagem.
Se Seowoon dissesse que o odiava por ser pobre, Cahaya não teria o que contestar, mas ele não tinha continuado mantendo distância mesmo depois de Cahaya ter dinheiro?
O clima esquisito não podia ser o motivo, porque tinha sido Seowoon quem sempre o afastou.
— Por que você foge depois de dar o primeiro soco?
— Eu nunca te dei soco nenhum, tá? Sai da frente.
— Você devia ter falado com franqueza naquela época em vez de me ignorar. Você foi muito cruel, Cha Seowoon.
Seowoon soltou um suspiro ao se virar para Cahaya, que brincava de forma exagerada.
— …Falado com franqueza? Você achava que eu tirava dinheiro do nada? E eu já te disse que não te odiava, tá? Eu estava muito estressado por causa dos estudos, mas todas as situações que eu enfrentava eram irritantes.
— Então que situação você quis dizer?
— Que você é um babaca sem-vergonha que suga a minha carteira, e que eu sou um otário ingênuo. Eu não gostava das pessoas falando merda desse jeito.
Dos dois amigos, um era extraordinariamente rico e o outro terrivelmente pobre.
Os colegas de sala frequentemente achavam, por engano, que Seowoon pagava as contas de lan house de Cahaya, mas isso só aconteceu uma vez, quando Seowoon insistiu em ir. Cahaya também lembrava disso e tentou pagá-lo de volta, mas Seowoon disse que odiava essas situações.
Por algum motivo, o sorrisinho de canto de Cahaya parecia diferente do normal.
— Lembra o que você disse quando veio à minha casa pela primeira vez?
Diante da pergunta de Cahaya, Seowoon ergueu o olhar, cheio de dúvidas e insatisfação.
— Você fez tipo: “As pessoas moram num lugar assim?” e nem queria entrar.
— Não me faz de babaca. Eu nunca quis dizer isso.
— Mas você ainda ia e vinha num lugar daqueles só por minha causa.
Seowoon costumava passar o tempo na casa de Cahaya, no parquinho do bairro ou na mureta. Esses lugares não custavam dinheiro.
— Deixa para lá. Eu falei errado porque estou com sono, então vamos parar.
Seowoon empurrou o peito de Cahaya, mas aquele cara nem se mexeu.
— Eu achava que a gente se divertia muito sem gastar dinheiro, mas você deve ter se sentido desconfortável o tempo todo.
Era necessário torrar a paciência de alguém que já tinha admitido o erro? Mas saber que Seowoon se sentia assim o tempo todo e escondeu de propósito fazia Cahaya não conseguir se livrar da sensação de que o tempo que passaram juntos estava sendo negado.
Ele não ficou tão incomodado quando encontrou Seowoon depois de ele sumir sem dizer nada, mas agora o rosto calmo de Seowoon o irritava por dentro.
— Porra, eu nem sabia disso e ficava me perguntando se eu tinha feito alguma coisa errada. Se ser pobre fosse onde eu errei, eu não teria conseguido consertar. Se eu ainda fosse pobre, nós dois ainda estaríamos distantes?
Se ele não fosse um Mansaengjong do mais alto escalão, restaurar a relação deles uma segunda vez teria sido difícil. A conclusão de Cahaya chegava ali.
— Ei… Eu disse que sinto muito mesmo, tá? Não tira conclusões precipitadas.
Seowoon deu um passo para trás. Mas Cahaya queria agarrá-lo pela gola e fazê-lo olhar de novo.
— Eu vou continuar vivendo como um pobre do caralho. Se eu voltar para a Coreia e doar todo o meu dinheiro, você ainda vai me largar?
— Não seja sarcástico. Você não se importa nem um pouco comigo?
Como Cahaya não engoliu o pedido de desculpas, Seowoon olhou para ele com amargura.
— Eu me importo pra caralho. Mas você está sendo tão cruel que isso está virando um problema.
Os olhos roxos de Seowoon tremulavam de leve antes de se acalmarem.
— Se coloca no meu lugar e pensa. Se eu fosse pobre, você teria se sentido à vontade falando de dinheiro comigo?
— Então me dê todo o seu dinheiro.
— O quê?
— Vamos ver se eu consigo ou não. Ou eu devia te dar todo o meu dinheiro? Tudo bem se eu quiser provar que eu me sinto tranquilo falando de dinheiro?
— Sei.
— Vamos para Seul.
Cahaya agarrou o antebraço de Seowoon.
— Ai!
Seowoon gritou de dor, já que a pegada de Cahaya foi forte demais por causa da raiva. Cahaya soltou o braço de Seowoon rapidamente, confuso.
— Seu desgraçado louco.
Seowoon esfregou o braço, checando se estava tudo bem, e fez uma careta com um gemido de dor. Cada movimento do braço o fazia franzir a testa.
Cahaya, sem saber que a força da pegada dele podia causar um problema daqueles, passou a mão pelo cabelo, nervoso.
Seowoon segurou o braço direito com a mão esquerda, tentando ajeitar de algum jeito.
— Vai se foder. Que tipo de amigo faz uma coisa dessas? Nunca se faz isso com a sua família também.
Seowoon passou por Cahaya.
Cahaya não conseguiu deter Seowoon, assim como tinha acontecido em frente à universidade. Ele simplesmente observou Seowoon passar com um olhar sem expressão.
Ele nunca se importou se alguém apontasse o dedo para a pobreza dele. Mesmo que Seowoon apontasse, tudo bem. Mas por que ele não conseguia suportar agora?
“Dinheiro era mesmo tão importante a ponto de a minha pobreza te manter longe de mim?”
Ele nem se importava em não gastar um centavo desde que estivesse com Cha Seowoon, mas…….
“Eu só gosto muito de estar com você assim.”
De repente, as palavras de alguém passaram pela cabeça dele. Provavelmente era a garota com quem ele tinha namorado no ensino médio.
Cahaya namorou com ela enquanto trabalhava de bico e, como universitária, ela era tão dura quanto ele.
Ela sempre abraçava Cahaya quando vinha passar um tempo com ele. Quando ele se encostava na parede e ficava no celular ou assistindo TV, ela sentava no colo dele. Cahaya sempre deixava, já que ela não era particularmente pesada, e ela dizia toda vez que adorava ficar perto daquele jeito.
No fim, eles terminaram porque ela vivia aparecendo sem avisar e entrando na casa dele sem permissão, mas ele não conseguia entender o que a deixava tão encantada e feliz.
“Você também não gosta de estar comigo?”
— Haa…….
Um canto da boca de Cahaya se contraiu. Parecia que ele tinha despejado em Seowoon todo o ressentimento que não conseguia entender.
A nebulosa de Cahaya era uma bagunça emaranhada.
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O marco do Sudeste estava cheio de coisas.
Era a primeira vez que Seowoon testemunhava o reset. Uma cortina preta, parecida com o Portal, cobriu a loja de conveniência vazia e depois encolheu até virar um pontinho minúsculo pouco depois.
— ……Han Donhee, isso é incrível.
Quando a cortina sumiu até o tamanho de uma partícula de poeira, a loja de conveniência completamente abastecida apareceu.
— O que tem de incrível num mundo com Mansaengjong como a gente?
Assim como a escala de limpeza do escritório, a tarefa de buscar mantimentos também era designada separadamente. Naquele dia, era a vez de Han Donhee e Seowoon. Eles levaram as armas, mas, ao contrário das preocupações de Seowoon, não precisaram usá-las.
Talvez porque outros Mansaengjong já conhecessem as habilidades de combate deles, não houve moradores de rua correndo para a loja de conveniência resetada, mesmo com Seowoon usando uma tala no braço direito.
Han Donhee olhou para trás, para Seowoon, enquanto entravam na loja.
— Isso é obra do Cahaya, hein?
— Não.
Seowoon carregava uma sacola de feira no braço bom. Han Donhee tinha quatro sacolas de cores fluorescentes no sapateiro. Eram mais resistentes que sacolas plásticas e perfeitas para carregar coisas.
— Por que você não trata isso?
— Não é sério o bastante para tratamento.
— Não tem um curador que consiga curar ferimentos causados por alguém do mais alto escalão?
— Eu conheço o meu corpo. É só uma trinca, vai sarar sozinho.
Seowoon já tinha enfrentado trincas piores em lutas contra mutantes, então estava acostumado com a dor ardida.
— Os outros perceberam. A tensão entre vocês dois está como a de um husky siberiano do caralho.
Antes, Seowoon se afastava unilateralmente de Cahaya, mas agora os dois pareciam no limite. Eles não brigavam abertamente, mas a tensão simplesmente deixava os outros desconfortáveis.
Seowoon encheu o carrinho de compras com pizza congelada, cereal e miojo, coisas que duravam bastante. Han Donhee gentilmente abriu uma embalagem de sorvete e colocou na boca de Seowoon. Isso o lembrou do pedido de Kangsan e Yoochan para trazerem sorvete.
O ombro dele ficou pesado ao colocar dez sorvetes na sacola.
“O Cahaya também gosta de sorvete de máquina…….”
Mesmo aquele cara tendo deixado o braço dele daquele jeito, ele ainda levava sorvete de máquina para ele.
Han Donhee disse que a relação deles estava gélida, mas para ele parecia que Cahaya não sabia o que fazer. Quando ele olhava para o braço engessado de Seowoon, a expressão dele ficava complicada, e depois ele sumia para algum lugar.
Mais tarde naquele dia, ele voltou com a máscara encharcada de sangue, como se tivesse saído para caçar mutantes.
Enquanto ficava com Han Donhee, Seowoon ficava de olho na volta de Cahaya.
Cahaya, que tinha saído na manhã anterior, não tinha aparecido até aquele dia.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello