⋆。˚ ◉ Capítulo 36
Capítulo 36
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— Eu adoraria, mas primeiro eu tenho que perguntar para o meu tio.
Cahaya morava na Indonésia antes, mas dizia que nunca tinha viajado dentro do país. Sempre que Seowoon perguntava sobre a Indonésia, ele só dizia que morava no interior.
— Se o seu tio disser não, quer que eu te empreste uma grana?
— Você tem dinheiro?
Cahaya puxou uma cadeira para perto da carteira de Seowoon.
— Por quê? Eu tenho bastante guardado.
Seowoon tinha ficado acordado até tarde jogando sem o pai saber, então tinha usado a carteira como cama improvisada a manhã inteira. Mesmo quando Cahaya cutucava a cabeça dele de brincadeira, Seowoon só apoiava o queixo no braço como se não se incomodasse.
— É verdade. Eu estou cheio da grana.
— Eu sei que o Cha Seowoon é rico pra caralho. Você sempre me paga comida boa e cobre a conta na lan house.
Seowoon usava o cartão de débito que o pai dava, então na verdade não tinha muito dinheiro em espécie. Ainda assim, a mesada que ele ganhava dos pais dos amigos era grande o bastante para cobrir os gastos com lan house.
Mas se alguém ouvisse isso, podia achar que Seowoon estava comprando Cahaya com dinheiro.
Seowoon já sabia que as pessoas fofocavam sobre a relação deles. Alguns diziam que Cahaya não tinha vergonha na cara, enquanto outros diziam que Seowoon era ingênuo demais. Mas ele não tinha certeza se eles sabiam de uma coisa.
As habilidades do tio de Cahaya em fazer kimchi eram comparáveis às de qualquer artesão, e o arroz frito com kimchi de Cahaya era digno de restaurante. Seowoon tinha certeza de que qualquer um que provasse o arroz frito com kimchi especial de Cahaya pelo menos uma vez estaria disposto a jogar dinheiro por ele.
— Estou com vontade de arroz frito com kimchi.
— Eu preparo um para você quando eu chegar em casa mais tarde.
— Com ovos.
— Você não disse que não gostava dos ovos lá de casa porque tinham cheiro de peixe?
— De jeito nenhum. Eu gosto.
Agora Seowoon se sentia mal pelas palavras que tinha dito sem pensar.
Graças à mãe ser exigente com ingredientes, Seowoon vinha mastigando alimentos com selo orgânico desde criança. Ele sempre recebia ovos de granjas em que as galinhas ficam soltas, então as cascas eram bem firmes.
Mas os ovos na geladeira de Cahaya rachavam com a menor batidinha. E não só isso, as gemas eram moles e sem consistência, se espalhando por toda a frigideira.
Seowoon tinha se perguntado” Tem alguma coisa errada com esses ovos? Acho que estragaram, mas quando quebrou outro, aconteceu a mesma coisa. Cahaya estava cozinhando arroz ao lado e só conseguiu rir daquilo.
— Ei! Como vocês vão resolver a divisão dos quartos da excursão?
Han Donhee apareceu do nada, jogando os braços por cima da carteira de Seowoon e emboscando ele por trás.
— Droga, você veio correndo até aqui? Sai. Está quente.
— Eu preciso enxugar o meu suor no Cha Seowoon.
— Han Donhee, seu desgraçado. Eu odeio isso pra caralho.
— Relaxa, cara. Isso não é suor. É a água que eu joguei na cara.
— Provavelmente misturada com o seu suor.
— É a água benta do Han Donhee.
Han Donhee esfregou a testa molhada no ombro de Seowoon. Seowoon, ficando de saco cheio, empurrou Han Donhee e se sentou direito.
— Ei, não fica bravo. Ouvi dizer que hoje vão servir sopa de pescada seca. Quer ir à cantina?
Mesmo o almoço sendo sempre ruim, Seowoon não estava muito a fim de ir à cantina. Além disso, ele não queria ser um peso para Cahaya.
— Não, eu vou só almoçar. E você, Cahaya?
Foi um gesto atencioso perguntar a Cahaya, mesmo Seowoon estando ciente da situação financeira dele.
— Eu gosto de sopa de pescada seca.
— O que você está falando? Você não precisa esconder.
Para Cahaya, os limites entre gostar e não gostar eram nebulosos. Ele não gostava realmente de nenhuma comida ou pessoa específica. Mesmo agora, seria mais preciso dizer que ele não se importava com sopa de pescada seca em vez de gostar. Cahaya frequentemente confundia as pessoas com o jeito vago de falar, igual a antes.
Ontem, quando uma garota da sala perguntou “Ei, a cor do meu batom está boa?”, Cahaya respondeu: “É, está bonita.”
Seowoon não conseguia esquecer o rosto da garota corado de vergonha. Cahaya só quis dizer que estava razoável, mas era uma atitude bem de merda dar um pouco de esperança a alguém e depois destruí-la.
Mas Seowoon não conseguia entender porque aquilo o incomodava tanto.
— Ah, é. A minha mãe disse que você devia aparecer lá qualquer hora. Ela está preocupada que possa esquecer a sua cara.
Mesmo depois de lavar o rosto, Han Donhee ainda sacudia a barra da roupa, ainda sentindo o calor.
— Quando eu tiver tempo…
Seowoon respondeu, com um aceno de cabeça.
A mãe de Han Donhee era professora de canto numa universidade conhecida. Seowoon sempre admirava abertamente o cabelo dela, farto como a juba de um leão. Ela também gostava de Seowoon e sempre resmungava que gostaria de poder trocar o filho nojento dela, por ele. No entanto, esse sentimento acabou se dissipando.
Seowoon não conseguia lembrar por que ele e Cahaya tinham visitado a casa de Han Donhee no dia de folga. Talvez a lan house que eles frequentavam ficasse perto da casa de Han Donhee, então eles naturalmente passaram lá.
A mãe de Han Donhee ficou feliz de ver Seowoon e também recebeu bem Cahaya. Mas a alegria dela virou uma careta quando ela notou a camisa velha que Cahaya vestia. Embora as roupas de Cahaya sempre estivessem limpas, os sinais de desgaste não podiam ser escondidos. O cheiro da pobreza, incrustado na aparência dele, geralmente vinha à tona nas roupas simples.
Igual ao pai de Seowoon, a mãe de Han Donhee fez perguntas a Cahaya sobre onde ele morava e no que os pais dele trabalhavam. Cahaya sempre respondia com sinceridade e com o mesmo sorriso.
A cabeça de Seowoon latejava ao lembrar como a mãe de Han Donhee foi ficando gradualmente mais fria.
“Cahaya? Esse é o seu nome de verdade?”
No começo, Seowoon também tinha suposto que o sobrenome de Cahaya fosse “Cha” e o nome dele fosse “Haya”. Já que era um nome incomum, mas nem um pouco difícil de pronunciar, ele só o chamava de Cahaya.
“Sim, senhora, mas não é um nome coreano.”
Ela estalou a língua diante do rosto sorridente de Cahaya e ficou em silêncio. Até Han Donhee ficou constrangido naquele dia, se perguntando por que a mãe tratava Cahaya de forma diferente sendo ela normalmente tão alegre.
— Quando você tem tempo?
— Não sei.
Seowoon respondeu com frieza, a lembrança desagradável ainda fresca na cabeça.
— Cha Seowoon, você está de sacanagem comigo? Você está me dizendo que não quer aparecer lá em casa porque a minha mãe odeia aquele cara?
Han Donhee apontou diretamente para Cahaya, que ainda conversava com alguém. Cahaya só olhou para trás com uma expressão confusa quando Han Donhee o apontou.
— A sua mãe me odeia?
— Dá para ver só de olhar. Você realmente não percebeu?
— Ela dá um dinheirinho para comprar roupa para as pessoas que ela odeia?
— ……Hã? Dinheirinho? — Seowoon perguntou surpreso.
— É, ela me deu no dia em que eu fui na casa desse cara.
— A minha mãe te deu dinheiro?
— É, mas eu não gastei com roupa. Usei para pagar as contas da lan house.
Como Cahaya disse, houve uma época em que ele pagou todas as contas da lan house por um tempo. Seowoon ficou pasmo ao saber que aquilo vinha da mãe de Han Donhee e não do tio de Cahaya.
— Uau……. Eu me sinto traído pra caralho.
Han Donhee chutou a carteira de Cahaya como se demonstrasse a incredulidade dele.
— Eu levei uma bronca braba quando disse para ela que você era bom nos estudos. Aquela velha é uma hipócrita.
Num mundo em que as notas tinham importância máxima, Han Donhee entrou pela porta dos fundos. Ele admitia abertamente que não tinha cabeça para estudar e que, por mais que se esforçasse, os resultados não sairiam como ele queria.
Nesse meio-tempo, Seowoon ficou se perguntando sobre a sensação desagradável girando dentro dele.
Até então, ele tinha se afastado da mãe de Han Donhee por saber que ela odiava Cahaya, apesar de ser gentil com ele.
Mas agora parecia que a consideração dele tinha sido desperdiçada, igual ao lenço amassado que Cahaya jogava casualmente na lixeira. No entanto, Cahaya nunca tinha pedido esse tipo de consideração. Seowoon se sentiu traído, já que tinha tocado tambor e janggu sozinho, ele era um bobo mesmo.
— Por que você não me contou?
— Contar o quê?
— Que você ganhou dinheiro da tia.
— Está com ciúme, seu desgraçadinho fofo?
“Ciúme? Do Cahaya? Ou da tia?”
O comentário brincalhão de Cahaya deixou Seowoon perplexo.
Enquanto isso, Cahaya deu uma olhada rápida no celular, formando um “oh” com a boca.
— Eu vou na excursão.
— O seu tio deu o ok?
— Nada, eu decidi arrumar um bico no fim de semana.
— Que tipo de bico?
— Servindo tamboril cozido apimentado.
Seowoon franziu a testa diante da escolha inesperada de bico de Cahaya.
— O salário por hora de modelo de prova é melhor que isso, sabia?
Embora incomparável a Cahaya, Seowoon frequentemente recebia cartões de agências de entretenimento. Geralmente de lugares duvidosos de nomes desconhecidos, mas às vezes de conhecidos. Por isso, parecia natural considerar a modelagem de prova como um trabalho bem pago.
— Dá trabalho demais, com coisas demais para se preocupar. Eu me viro bem com um bico normal.
Um mês antes, um representante de uma grande empresa de entretenimento tinha seguido Cahaya de perto, pedindo o contato dele. Cahaya recusou de forma direta, dizendo que tinha a pior combinação de desafinação, falta de senso rítmico e atuação ruim.
Seowoon ficou decepcionado ao ouvir aquilo, mas ainda assim tentou pedir a Cahaya que guardasse o contato da empresa. Mas como conhecia bem a personalidade de Cahaya, decidiu ficar calado. Cahaya não era do tipo que fazia média para impressionar os outros.
— Você fala como se fosse nobre viver uma vida de merda.
— Vem cá, hora de lavar os lábios do Cha Seowoon.
Quando Cahaya se aproximou, Seowoon se levantou e pulou para dentro do armário dele.
— Seu babaca do caralho, os meus lábios estão todos inchados por sua causa.
— Ficou mais fácil de segurar de algum jeito.
Cahaya fez biquinho. As garotas da sala reviraram os olhos, dizendo “Lá vão eles de novo”, mas algumas acharam divertido e riram. Até as que eram brutalmente honestas quando Cahaya namorou Minji da sala ao lado.
“Cahaya, acho que o mundo estaria em paz se você simplesmente continuasse patrimônio público.”
Agora que Cahaya não tinha namorada, Seowoon se sentia aliviado e não precisava mais se preocupar.
Depois de um impasse tenso, Cahaya finalmente conseguiu agarrar os lábios de Seowoon, mas o toque dele foi gentil como sempre.
Foi antes Seowoon quem mordeu com força a mão do cara que se deliciava com aquelas brincadeirinhas gentis.
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— Como você conseguiu 500 mil wons?
Seowoon, que tinha cochilado de novo pela manhã, finalmente acordou depois do meio-dia. Ele fez essa pergunta absurda assim que acordou.
— 500 mil wons?
Cahaya, recém-saído do banho, secava a cabeça com uma toalha.
— No restaurante de tamboril cozido apimentado…….
Seowoon estava sentado na cama, incapaz de apagar a expressão aturdida.
Pensando bem, Cahaya percebeu que Seowoon tendia a dormir muito de manhã. Até durante a excursão da escola, ele ficava dizendo que acordaria em 5 minutos, mas acabava cochilando por 30.
— Ninguém está te forçando a acordar. Dorme mais um pouco.
— Eu preciso levantar.
A força nos olhos arregalados de Seowoon desapareceu de novo. Cahaya sorriu, oferecendo uma garrafa de água a Seowoon. Os lábios carnudos dele, que pareciam tentadores de agarrar, se grudaram na borda da garrafa.
Seowoon engoliu metade da água que Cahaya tinha bebido ontem. Como uma flor murcha revivida pela água, os olhos roxos dele foram recuperando a clareza aos poucos.
— O que tem o tamboril cozido apimentado? Quer comer isso?
Diante das palavras de Cahaya, Seowoon fez uma cara de dúvida antes de se virar de repente para ele.
— Não, você trabalhava de bico lá.
— Ah, para as despesas da excursão?
Os 500 mil wons eram o valor que ele ganhou depois de duas semanas de bico no restaurante de tamboril cozido apimentado. Ele só trabalhava nos fins de semana, então os dias de trabalho se limitavam a quatro.
— Quanto a como eu ganhei, as gorjetas que eu recebi provavelmente eram equivalentes ao salário do bico. O pessoal do seu bairro gasta bem o dinheiro. Eram bem generosos com as gorjetas também.
Cahaya arrastou as palavras, como se não fosse nada demais.
— Quem diabos dá uma gorjeta tão generosa num restaurante de tamboril cozido apimentado?
Pensando bem, houve só um dia em que Cahaya ganhou uma gorjeta gorda.
— Eu encontrei rapidinho uma noona que morava no seu prédio.
— ……Enquanto você estava trabalhando lá?
— É. Naquele dia, as amigas de faculdade daquela noona apareceram e me deixaram um monte de gorjeta.
— Você até conheceu universitárias?
Seowoon parecia de saco cheio.
— Não a vejo há tempos. Ela foi estudar no exterior depois disso.
Cahaya abriu um sorriso para Seowoon, que olhou para ele. Quando os olhos deles se encontraram, Seowoon estava prestes a dizer alguma coisa, mas imediatamente desviou o olhar para o peito de Cahaya.
Seowoon fazia isso com frequência mesmo antes de os olhos dele virarem roxos. Parecia que ele tinha algo que queria muito dizer, mas no fim não dizia. Sempre que Cahaya perguntava se ele tinha algo na cabeça, na maioria das vezes recebia um “nada” como resposta.
Seowoon normalmente não era de segurar o que queria dizer, então Cahaya achava difícil entender esse lado dele.
Seowoon era ao mesmo tempo simples e complexo.
Ele podia estar carregando muita coisa nos pensamentos, então Cahaya só esperava, achando que ele falaria quando fosse a hora certa. Mas o que ele ganhou?
Seowoon se afastou infinitamente.
Como resultado, esses dias Cahaya se via tendo impulsos estranhos por causa do jeito ambíguo de Seowoon. Ele conseguia até se imaginar mordiscando uma flor de violeta que tinha a mesma cor dos olhos de Seowoon.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello