⋆。˚ ◉ Capítulo 38
Capítulo 38
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— Ei, pega leve. Vai reabastecer semana que vem de qualquer jeito. Você não consegue comer a loja inteira.
— Vice-líder-nim, você não conhece os moleques? Só aquele pirralho do Kangsan já devorava essa loja de conveniência inteira.
— A gente é o único que mora no Sudeste?
— Cha Seowoon, eu odeio quando você age desse jeito. Por que eu tenho que me importar com gente que eu nem conheço?
— Só pega o que você precisa, não exagera.
— Senhor, você não conhece a lei da selva?
— Pelo menos a gente pode usar o Portal, mas os de escalão inferior não podem. Você vai deixar eles morrerem de fome também?
— Por quê? Você está com medo de que aqueles desgraçados se revoltem como na Coreia?
— Você sabe que eu e aqueles searchers somos todos redespertos.
— E daí?
Han Donhee pegou até uns guiozas congelados.
— E se um redesperto do mais alto escalão vier dos de escalão inferior? Como você vai se responsabilizar?
— Beleza, senhor, chega da sua compaixão. Eu nem consigo fazer pasta de soja sem me preocupar com larvas.
— Han Donhee, eu quero muito te dar uma surra.
Ele bateu na lateral de Han Donhee com o braço engessado.
— Sei, vamos nessa.
Seowoon deixou para trás alguns kimbaps triangulares que Han Donhee tinha empacotado à vontade.
A moto deles esperava pacientemente do lado de fora da loja. Seowoon deu uma olhada nos de escalão inferior no beco dos fundos, esperando eles saírem. A segurança no Sudeste era ruim, mas Han Donhee era ainda pior, então ninguém ousava encostar nas coisas dele de forma imprudente.
Seowoon sentou atrás de Han Donhee e passou o braço em volta da cintura do cara, o braço direito engessado firmemente pressionado contra as costas dele.
— Dói?
— Nem um pouco. Os meus músculos são fortes para autodefesa.
— Do que você está falando?
Quando ele ligou o motor e saiu, Mansaengjong moradores de rua de escalão inferior correram para dentro da loja. Seowoon evitou de propósito olhar para o pandemônio, se segurando em Han Donhee enquanto seguiam em velocidade constante.
— Você não vai me contar por que vocês dois brigaram?!
Han Donhee gritou por cima do vento e do barulho do motor.
— ……Eu disse a ele que o odiava porque ele era pobre.
— O quê?!
— Eu disse a ele que o odiava porque ele era pobre!
— Vocês brigaram por causa disso?
Han Donhee não conseguia entender. Cahaya vivia fazendo piada sobre estar duro, então ser chamado de pobre não deveria ser um insulto para ele.
— Aquele desgraçado não está nem aí para fatos desse tipo.
— Eu ainda me sinto mal.
— E ele quebrou o braço do vice-líder por isso?
— É só uma trinca!
— Eu acho que tem mais coisa aí. Se ser chamado de pobre fosse importante para aquele desgraçado, ele teria surtado há muito tempo.
Seowoon vinha remoendo aquilo já fazia um tempo, então não tinha mais nada a dizer.
Ele não devia ter dito que estava feliz que Cahaya era rico. Se não fosse por aquele sonho, ele não precisaria ter sido lembrado daquilo. Mas pensando em Cahaya, que nem podia bancar uma excursão escolar…
No começo, Cahaya desconversou com uma piada, mas depois ficou bravo em algum momento, e Seowoon não conseguiu evitar o pânico.
“Vamos ver se eu consigo ou não. Ou eu devia te dar todo o meu dinheiro? Tudo bem se eu quiser provar que eu me sinto tranquilo falando de dinheiro?” [capítulo 37]
Seowoon de fato disse a ele que se sentia desconfortável por dentro mesmo parecendo bem por fora. Será que Cahaya se sentiu traído por isso?
Houve mesmo momentos em que a pobreza dele foi desconfortável, mas a razão de Seowoon se afastar não era na verdade por causa de dinheiro…
Cahaya, eu já tive sentimentos estranhos por você. Foi por isso que eu me afastei de você. Mas agora eu estou tentando consertar as coisas, então não se preocupa.
Como Cahaya reagiria se ele dissesse isso?
Ficaria com nojo ou o consolaria?
Seowoon nem conseguia imaginar como aquilo terminaria. Ele queria esclarecer o mal-entendido, mas, para isso, teria que ser honesto sobre os sentimentos dele. Ele não tinha escolha a não ser se deixar ser mal interpretado.
Assim como não conseguia esquecer o sabor da malangso, ele não podia ter certeza de que conseguiria se afastar de Cahaya de novo. Se fizesse isso, com certeza sofreria com sintomas de abstinência.
Tinha levado uma eternidade para se afastar antes. E como ele tinha passado a maior parte dos anos de ensino médio com Cahaya, remover Cahaya da vida dele o deixou dolorosamente sozinho.
“Que diabos são esses sentimentos que eu tenho pelo Cahaya?”
Mesmo estando em contato próximo com Han Donhee naquele momento, Seowoon só pensava que aquele cara tinha muito músculo. Estava um calor escaldante depois do meio-dia, e o calor do corpo de todo mundo era insuportável, mas se fosse Cahaya em vez de Han Donhee, Seowoon nem teria notado o calor, porque estaria consciente demais do toque o tempo todo.
— Que diabos você está fazendo, sereiazinha louca?
Quando Seowoon esfregou a bochecha no ombro de Han Donhee, isso provocou uma reação de nojo daquele cara. Mas Seowoon não se importou, só pressionou a bochecha com ainda mais firmeza.
— Porra, você está me dando arrepios. Sai de cima de mim logo!
— Quanto mais você manda eu não fazer, mais eu quero fazer, né?
Esse cara podia ter feito algo assim sem hesitar. Han Donhee acelerou, ansioso para se livrar de Seowoon o mais rápido possível.
Seowoon teve que se agarrar com mais força para não cair, fazendo as três sacolas de compras balançarem feito loucas no guidão. O braço em volta da cintura de Han Donhee ficou tenso, impedindo que ele voasse.
Enquanto isso, Han Donhee dirigia feito um maníaco, quase esquecendo por que queria Seowoon longe dele em primeiro lugar. Embora estivessem só a 60 km/h, a sensação de velocidade era emocionante graças às ladeiras abertas.
Só quando chegaram ao esconderijo é que Han Donhee pisou fundo no freio.
— Urgh!
O tronco de Seowoon foi jogado para trás, e as bananas quase se derramaram da sacola.
— Han Donhee, sério, eu estou morrendo aqui. Nem pensa em dirigir assim de novo.
Com a mão áspera, Seowoon jogou a sacola de bananas no ombro.
— O Cha Seowoon não é sereia, é sanguessuga? Cara, eu não achei que você fosse despencar daquele jeito.
— É, eu estava com medo de morrer.
Han Donhee pegou as outras sacolas e jogou um braço por cima do ombro de Seowoon.
— Você está pesado!
— Considera isso um troco.
Os ombros de Seowoon já pendiam sob o peso das sacolas de compras, e agora aquilo. Quem diabos era o verdadeiro sanguessuga ali?
Ele entrou arrastado no esconderijo com um suspiro cansado, sabendo que só perderia energia se continuasse falando. Com Han Donhee acrescentando a carga extra, ele se sentia três centímetros menor.
E ver a escada à frente drenou o pouco de energia que ainda restava.
Ele estava prestes a soltar uma enxurrada de palavrões contra Han Donhee quando alguém desceu as escadas. Era Cahaya, que prontamente tirou as sacolas de feira do pulso de Han Donhee. Depois, puxou as sacolas que Seowoon carregava no ombro esquerdo.
— Han Donhee, você não tem pernas?
A irritação de Cahaya ficou clara como o dia enquanto ele equilibrava as três sacolas fluorescentes.
— Por que você está arrumando briga comigo depois de brigar com o Cha Seowoon?
Cahaya estava prestes a dizer alguma coisa, mas fechou a boca. Ele levou as sacolas até a casa de Abdulaziz, bateu na porta e deixou tudo ali.
Mesmo ele não tendo mandado Han Donhee soltar Seowoon, Han Donhee soltou o ombro dele com um murmúrio confuso.
— Aquele desgraçado, qual é o problema dele? — Han Donhee sussurrou.
Balançando a cabeça, Seowoon seguiu Cahaya escada acima.
— Cahaya.
Seowoon chamou baixinho, fazendo Cahaya parar no meio do caminho. Seowoon rapidamente pescou dois sorvetes de máquina da sacola de feira.
— Sseowoon, cê voltou?
Abdulaziz o cumprimentou ao abrir a porta só naquele momento. Seowoon sorriu para ele com dois sorvetes de máquina na mão.
— Hyung, eu vou pegar só dois desses sorvetes.
— Claro. Come bastante, Sseowoon.
Abdulaziz, que era quem mais cozinhava, também era responsável por distribuir a comida.
— Desconta uma pizza congelada daquele desgraçado — Han Donhee disse, imitando o tom de Abdulaziz. Ele entrou na casa de Abdulaziz como se os dois estivessem cuidando dos próprios assuntos.
Seowoon pensou em se juntar a eles, mas ficou onde estava. Ele correu até Cahaya e ofereceu um sorvete de máquina. Pegando apenas um para si mesmo, ele quase deixou o resto para trás.
— Você pode desembrulhar para mim? — Seowoon perguntou.
Tomando a dianteira dessa vez, Seowoon subiu as escadas. Ele não parou no terceiro andar, mas subiu até o terraço sem olhar para trás. Se Cahaya não o seguisse depois daquilo, Seowoon não ia implorar por reconciliação duas vezes.
Quando ele saiu pela porta de ferro aberta, o sol quente esquentou o topo da cabeça dele.
“Ele realmente não vem……?”
Seowoon não sentia presença nenhuma atrás dele, mas o orgulho o impedia de se virar. Enquanto olhava para baixo, para o prédio quebrado do outro lado, fingindo que não era nada, um casquinha de sorvete de máquina apareceu de repente, bloqueando a visão dele.
Seowoon aceitou a casquinha sem uma palavra de agradecimento. Cahaya ficou em pé ao lado dele, o próprio sorvete quase derretendo.
Se virando, Seowoon subiu no parapeito e deu uma mordida no sorvete.
— Por que você não está comendo o seu?
— O Jo Kyungmin está em Naraka agora.
Seowoon usava a tala não porque estivesse com dor. Fazer isso o impedia de usar o braço, mas ajudava os ossos a se curarem mais rápido. Ele não tinha a intenção de soar sarcástico, mas de alguma forma saiu assim, como se fosse tudo culpa de Cahaya.
— É desperdício de minério wu.
— Eu pago.
— É dinheiro de indenização?
Toc. Seowoon empurrou a base da casquinha de Cahaya com o dedo.
— Só come o seu sorvete.
Cahaya continuou sem expressão. De alguma forma, ele parecia desanimado, insistindo que não havia nada de errado com aquilo.
De qualquer forma, tinha sido Seowoon quem errou, então ele ainda tinha que se desculpar.
— ……Desculpa, eu fui meio insensível naquela hora — Seowoon se desculpou, coçando a bochecha sem graça. — Eu não quis dizer aquilo, então, por favor, deixa passar.
— Você?
— Hã? — Seowoon inclinou a cabeça.
— Você não está bravo comigo?
— Quem pisou na bola fui eu, então por que eu estaria bravo com você?
Ele deu mais uma mordida no sorvete pouco antes de ele começar a pingar. O sabor barato de baunilha explodiu numa doçura gostosa.
— Cahaya, o seu sorvete vai virar sopa.
Seowoon estava sentado do mesmo jeito, olhando para Cahaya desde o começo, então não havia necessidade de mudar de postura. Ele se perguntou se a tensão ainda estava ali, então deu uma olhada furtiva em Cahaya. Havia um arranhão na bochecha dele, logo abaixo da pinta sob o olho.
Se Cahaya tinha um ferimento no rosto, ele devia ter lutado contra um mutante bem forte, mas a noite anterior tinha sido tranquila no Sudeste.
Seowoon poderia ter perguntado por que ele se machucou, mas escolheu ficar calado. Podia acabar surgindo uma conversa sobre dar minério wu a Jo Kyungmin se ele perguntasse aquilo.
“Ele é o cara mais forte do mundo, mas é meio engraçado se preocupar com ele por causa de um arranhãozinho. Para com isso, Cha Seowoon.”
Em primeiro lugar, a briga aconteceu porque ele não foi honesto. Ele achava que as coisas agora eram diferentes de quando estavam no ensino médio e os sentimentos dele por Cahaya estavam crescendo.
Mas ele ignorou o fato de que aquele cara era como malangso e, quanto mais ele comia, mais difícil era parar. Só de voltar a ser amigo, ele já ficava desconcertado com a mera respiração de Cahaya. O efeito estufa era incrível.
“Por que eu gostava dele? Não, por que eu gosto dele?”
— Cahaya, você é bonito pra caralho.
— Isso foi aleatório.
— É.
Ele respondeu do mesmo jeito que Cahaya tinha feito antes.
Mesmo dizendo a si mesmo que não vacilaria dali em diante, ele não conseguiria organizar os sentimentos. Mas pelo menos, se ele se mantivesse firme, a amizade deles poderia durar a vida inteira.
“Qualquer coisa além disso é só ganância. Tem um monte de casais que se casam porque se amam e depois terminam. Então o que a gente faria só porque eu gosto de você?”
》Sexo.《
— Ah, mas que porra…….
— O Cha Seowoon está puto, hein? Eu não vou lavar os seus lábios hoje, então me xinga o quanto precisar para se sentir melhor.
— Não, é só o tempo que está quente.
Seowoon mastigou o sorvete. Cahaya terminou o dele numa mordida grande, metade do formato de montanha sumindo. Diferente de Seowoon, que virava as costas para o sol, Cahaya nem se abalava, os olhos dele absorvendo bem a luz.
“Cahaya? Esse é o seu nome de verdade?”
“Sim, senhora, mas não é um nome coreano.” [capítulo 36]
Aquele provavelmente foi o dia em que Seowoon deduziu que o nome de Cahaya era indonésio.
Até chegar em casa, ele tinha achado natural, pensando que era como Jack para o nome de um estrangeiro. Mas então, por curiosidade, ele conferiu o dicionário de indonésio no caminho depois de se separar de Cahaya.
E quando descobriu o significado, aquilo o atingiu na nuca como um flash.
[cahaya, luz]
O nome daquele cara descrevia ele perfeitamente em apenas uma única palavra.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello