⋆。˚ ◉ Capítulo 146
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CAPÍTULO 146
— Não tenho certeza, mas sinto que a energia se concentra no meu pau quando eu quero gozar.
— Eu fiz xixi e lavei as mãos!
Seowoon pulou de susto com a voz repentina da criança. Virando-se, viu o pequeno Seoha ali parado, com o cabelo todo embaraçado.
Seoha, ainda esfregando os olhos, parecia ter acabado de acordar. Seowoon olhou de relance, preocupado que ele pudesse ter ouvido algo estranho, mas Seoha hesitava na entrada da cozinha, como se não tivesse certeza de ser bem-vindo. Seowoon rapidamente acenou para que viesse.
— Seoha, você acordou bem na hora. Não tá com fome?
— Sim!
Seoha correu rapidamente até a mesa.
— Posso te contar mais? Sobre como é a sensação?
— Você é louco? Tem uma criança aqui.
Como esperado, aquele cara riu. Não parecia que ele entendia o fenômeno estranho a respeito de seu pau também. Talvez fosse apenas uma resposta fisiológica que ocorria pouco antes da ejaculação.
“Mas pensar que o Cahaya é realmente um asoino que morava em Gazan…”
Lá quando tinham sido isolados em Naraka pela primeira vez, Cahaya não parecia tão chocado quanto todos os outros.
Talvez não fosse só sua personalidade tranquila — talvez ele soubesse mais sobre aquele lugar. Além disso, não se dizia que as pessoas de Naraka nasciam com habilidades como os Mansaengjong? Agora que pensava nisso, a cor dos olhos de Cahaya era normal antes de ele despertar, e ele também não tinha mostrado nenhuma habilidade naquela época.
Enquanto Seowoon estava perdido em pensamentos, Cahaya dividiu o arroz frito em tigelas e cobriu com ovos fritos.
— Arroz frito! Eu adoro arroz frito!
Seowoon voltou à realidade ao som da voz alegre de Seoha. O garoto provavelmente não tinha comido nada desde a noite anterior, então encher sua barriga era a prioridade número um.
Seowoon ergueu Seoha e o colocou numa cadeira à mesa.
Cahaya colocou a tigela de arroz frito da criança ao lado de um conjunto de talheres infantis. Para garantir que não estivesse quente demais, Seowoon dividiu o arroz frito ao meio e, sem dúvida, o vapor subiu dele em fios suaves.
— Assopra antes de comer.
— Tá bom!
Fuu, fuu, Seoha assoprou sua tigela de arroz frito.
Assistir aquela cena fofa clareou um pouco a mente confusa de Seowoon.
— Não é assim, você tem que colocar na colher primeiro, depois assoprar.
Seowoon colocou um pouco de arroz na colher e assoprou antes de entregá-la às mãozinhas de Seoha.
— Ai, tá quente. Até adultos precisam assoprar.
Cahaya, apoiando o queixo numa das mãos, mexia distraidamente seu próprio arroz frito de kimchi.
— Do que você tá falando? Come logo. Aliás… todos os asoinos tinham habilidades como as suas?
— Não, muitos eram pessoas comuns também. E mesmo que você me pergunte, eu não vou conseguir te contar muita coisa sobre quando atravessei de Gazan — ou Naraka — pra Sulawesi. Eu era muito novo, e foi tudo confuso. Tudo o que eu lembrava era que a situação era muito urgente.
O que Cahaya quis dizer com “urgente” provavelmente se referia à destruição de Aso. Ele tinha mencionado antes que seus pais morreram num acidente. Seowoon não tinha investigado como Cahaya acabou sozinho. Ele não queria machucá-lo, e não queria pronunciar a palavra “destruição” na frente de Seoha.
Seowoon comeu uma colherada do arroz frito de kimchi, pegando um pouco de ovo frito junto.
— Sabe, você podia realmente abrir um restaurante de arroz frito de kimchi.
Embora tivesse trazido o assunto para mudar de tópico, seu elogio ao sabor era genuíno.
— Nem pensar, eu só cozinho pra uma pessoa.
Cahaya sorriu e fez contato visual com ele.
O coração de Seowoon flutuou como juncos farfalhando ao vento.
Pensando bem, Cahaya sempre tinha feito esse prato só para ele, nunca para si mesmo. Quando Cahaya estava sozinho, geralmente recorria a algo rápido e industrializado.
No colégio, o armário de cozinha de Cahaya era cheio de nada além de miojo e curry de três minutos. Seowoon sentiu uma pontada de tristeza ao lembrar disso. Claro, houve vezes em que ele secretamente pegava comida feita pela empregada e comia com Cahaya. Ele teve que suar frio quando a empregada ficou intrigada porque metade de uma panela de costelinha braseada tinha desaparecido da noite para o dia.
Teria sido melhor se ele soubesse que Cahaya não era terráqueo naquela época?
Ele teria sido um pouco mais honesto?
A solidão que ele deveria ter suportado sem revelar sua identidade era algo que Seowoon nem conseguia começar a imaginar.
“Se eu tivesse sido mandado sozinho pra outro planeta quando criança depois da destruição da Terra…”
Seu coração afundou. Só de pensar nisso vinha uma onda de solidão profunda que parecia sufocante.
— O melhor de todos! Muito gostoso!
Seoha ergueu a colher bem acima da cabeça.
Mais uma vez, graças à criança, Seowoon conseguiu se livrar de pensamentos desnecessários.
— Tá gostoso, o arroz frito, muuuito bom.
Ver Seoha genuinamente feliz o fez perceber como crianças podiam encontrar alegria nas menores coisas.
Isso o fez lembrar de quando costumava se sentir tão feliz só com o arroz frito de kimchi de Cahaya. Se felicidade fosse uma escala, ele tinha certeza de que agora era muito mais feliz, mas naquela época estava envolvido demais em seu amor não correspondido para ter que encarar todos os problemas que tinha agora.
Seowoon deu tapinhas nas costas de Seoha, incentivando-o a comer mais. Então, o som do celular tocando o fez virar a cabeça. Cahaya se levantou primeiro, pegou o celular de Seowoon do sofá e o trouxe.
— É a gerente.
— É mesmo? Devo colocar no viva-voz?
— Uhum.
Cahaya colocou o celular no meio da mesa e voltou ao seu lugar.
— Sim, Gerente-nim, recebi sua ligação.
[Bom dia, líder da guilda-nim. Parece que os uniformes chegaram mais cedo que o esperado.]
— Ah, é mesmo? Que alívio.
Seowoon imaginou que a ligação não era só para discutir uniformes, então esperou pelo que viria em seguida.
[Vocês ainda estão procurando um professor de jardim de infância para o Seoha?]
Os olhos de Seowoon se arregalaram de surpresa.
— Não tive chance de te contar, mas sim, publiquei uma vaga. Como você soube?
[Na verdade, um jovem amigo meu entrou em contato pra me contar que se candidatou.]
— Sério?
[Sim, e ele atende a todos os critérios que você mencionou. Mas ele é um Mansaengjong de nível inferior.]
Na verdade, Seowoon queria designar uma pessoa comum como professor de Seoha. Mas se preocupava que pessoas comuns pudessem ficar receosas com Seoha.
— Você por acaso sabe qual é a habilidade dele, senhora?
[É do tipo cura, mas ele disse que é de nível bem insignificante…]
Seowoon olhou de relance para Cahaya.
“O que você acha?”, articulou silenciosamente.
— A gente vai conhecer ele pessoalmente primeiro.
[…Certo, vice-líder da guilda-nim.]
A gerente pausou um momento, talvez surpresa com a interrupção de Cahaya, mas respondeu rapidamente.
[Então, que data e horário seria bom?]
— Vamos estar na sede hoje, então qualquer hora esta tarde serve pra gente.
[Entendido, líder da guilda-nim. Vou confirmar o horário e te avisar com precisão. Até mais.]
— Sim, até mais.
Só depois que a ligação terminou é que Seowoon baixou o aplicativo do site de empregos. Depois de fazer login, ficou chocado ao ver que impressionantes 30 candidatos tinham chegado da noite para o dia.
Seowoon comeu seu arroz frito de kimchi enquanto revisava cuidadosamente os currículos dos candidatos. A maioria dos candidatos era de pessoas comuns, mas alguns eram Mansaengjong. Entre eles, só havia uma pessoa que tinha listado cura como habilidade.
Ele rapidamente abriu o currículo e virou a tela para Cahaya ver.
O nome do candidato era Kim Jinso.
Era um homem de 29 anos que morava bem perto. De acordo com seu currículo, tinha trabalhado como professor num jardim de infância público mas tinha deixado o emprego depois de despertar como Mansaengjong. Como era uma instituição pública, não o tinham forçado abertamente a sair, mas parecia que ele tinha decidido sair por conta própria… A presença de um professor Mansaengjong provavelmente teria causado um bom alvoroço entre os pais.
— Deve ser esse o cara que a gerente mencionou, né?
Seowoon bateu levemente na tela do celular.
— O que você acha dele?
Como Cahaya não estava particularmente interessado, Seowoon sentiu que tinha que perguntar diretamente.
— O que importa aqui é a opinião da criança. Cha Seoha.
— Sim!
Seoha, que vinha comendo diligentemente o arroz frito, ergueu a cabeça de repente.
— Olha a cara desse cara.
Cahaya ampliou a foto de Kim Jinso e a ergueu para Seoha ver. Seoha piscou com seus olhos heterocromáticos, parecendo confuso, mas olhou a foto com atenção.
— Tô vendo.
— O que você acha?
— Sobre?
Seoha inclinou a cabeça.
— Essa é a pessoa que vai te ensinar durante o dia. Você acha que ficaria bem com ele?
Seoha olhou de relance para Seowoon e depois de volta para a foto. Embora qualquer um pudesse ver que o homem tinha uma expressão gentil e bondosa, Seoha balançou a cabeça.
— …O Seoha pode só… ficar com vocês?
A criança sutilmente insinuou que queria ficar com Seowoon, Cahaya e Han Donhee.
Seowoon se viu sem saber como explicar. Se Seoha ficasse com eles, enfrentaria mais perigos e acabaria em lugares onde uma criança não deveria estar. Tentar dissuadi-lo não seria fácil.
Snap, snap.
Cahaya estalou os dedos diante dos olhos de Seoha.
— Escuta bem, Cha Seoha. Sua mãe aqui e seu pai ali são pessoas super ocupadas. Olha nossa casa. Não é grande?
Cahaya apontou para si mesmo ao dizer “mãe”, o que deixou a expressão de Seoha levemente incomodada.
— Mas mãe é mulher…
— Ah, Cha Seoha, eu não te criei assim. O gênero de mãe e pai não importa. Existem até mães que são tipo a Cordilheira dos Urais, sabia?
— Cahaya, você é louco? E se ele ficar confuso? Seoha, o Cahaya hyung tá brincando. Só ignora ele.
— Tá bom.
Seowoon não se deu ao trabalho de questionar se Seoha se importava em chamá-lo de “pai”. Ignorando a bronca de Seowoon, Cahaya continuou falando com Seoha.
— Este lugar agora é o lar meu, do Cha Seowoon e seu, Cha Seoha. É super enorme, né? Tem até um balanço lá fora.
— Um balanço?!
— Isso. Mas o que você acha que a gente precisa pra viver numa casa tão legal e grande assim?
Cahaya deu uma dica formando um círculo com os dedos, como uma moeda.
— Círculo…?
— Dinheiro. E pra ganhar dinheiro, o que a gente tem que fazer?
— Trabalhar!
— Correto.
Cahaya apontou para Seoha com o indicador, depois levantou o polegar para ele. Seoha, por alguma razão encantado até com o menor gesto, caiu numa risada sem fim.
— Já que o Seoha acertou a resposta, a gente vai fazer churrasco lá fora no jantar hoje.
— Churrasco, churrasco, hum hum!
Seoha segurava colher e hashi numa mão, acrescentando gestos brincalhões enquanto cantava.
— Como o Cahaya disse, a gente precisa ir trabalhar. Mas como não podemos deixar o Seoha sozinho, decidimos chamar um professor. Mas você ainda vai nos ver de manhã e de noite.
— Ah, nem sempre. Metade da semana, a gente tem que entregar ele pro Han Donhee.
— Eu gosto do tio Donhee! Gosto muuuito dele! Mais que arroz frito!
— Nossa, que ingratidão.
Naquele momento, uma mensagem de Han Donhee apareceu no chat da guilda, pedindo uma foto de Seoha. Seowoon tirou uma foto rápida de Seoha de lado enquanto ele dava outra mordida, e mandou a mais fofa para o grupo.
[Eu: (foto)]
[Han Donhee: fofo pra caralho eu posso morrer de overdose de fofura. quando vocês vêm?]
[Eu: Saindo logo depois de comer. Vocês já estão aí?]
[Kim Yoochan: ah! olha essas bochechas gorduchas! adorável demais!]
[Han Donhee: é a gente já tá todo mundo aqui só esperando vocês. ah e os uniformes chegaram. mas um deles tá meio estranho. provavelmente vamos precisar devolver?]
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello