⋆。˚ ◉ Capítulo 145
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CAPÍTULO 145
Seowoon acompanhou Cahaya com os olhos bem abertos.
O cara parecia incomumente animado para uma hora tão cedo da manhã. Depois de jogar uns cobertores recém-lavados na secadora, ele foi para a cozinha e começou a fazer torradas.
Só na noite anterior, Seowoon tinha imaginado que estaria meio morto a essa altura, mas para sua surpresa, se sentia surpreendentemente revigorado. Mais surpreendente ainda, não sentia dor lá embaixo, o que o fez se perguntar se de alguma forma tinha se curado durante a noite.
— Ovos de alta qualidade sem cheiro de peixe.
Cahaya disse, exibindo os ovos para Seowoon, que estava sentado no sofá.
A divisória que separava a sala e a cozinha estava aberta, então Seowoon tinha uma visão clara do que Cahaya fazia. Os ovos pareciam ovos de codorna na mão de Cahaya, graças às suas mãos grandes.
Pensando bem, as garotas estavam sempre tentando comparar as mãos com as dele, maravilhadas com seu tamanho.
Cahaya geralmente puxava a mão de volta, irritado com o alvoroço, mas o olhar de Seowoon se aguçou ao recordar involuntariamente aquela velha memória.
Justo quando esfregava as têmporas, tentando afastar o pensamento, Cahaya se aproximou.
— Tá doendo alguma coisa?
— Não, só quebra os ovos.
Seowoon se levantou de um salto do sofá e caminhou de volta à cozinha com ele. Todas as frigideiras e pratos pareciam novos em folha, sem um único arranhão à vista.
— Você comprou tudo isso?
— Encomendei.
Seowoon virou um ovo e depois vasculhou os armários.
— Nada mal.
— Comprei os mais caros. Tudo no crediário do empréstimo.
Qualquer um que ouvisse poderia achar que ele estava caminhando para a falência com tanto gasto.
Seowoon estendeu a mão e tirou um conjunto de tigelas e pratos. Os pratos brancos tinham padrões que pareciam tinta girando na água, talvez para dar algum charme.
De repente, a imagem do que ele tinha visto na parte íntima de Cahaya na noite anterior surgiu em sua mente, fazendo-o rapidamente pôr o prato de volta.
— Você gostou?
— …É.
Era cedo demais de manhã para perguntar algo como: “O que diabos era aquela coisa, na verdade?”
Além disso, os padrões não estavam lá na segunda vez que ele olhou, certo?
— Ei, que porra era aquela coisa, na real?
Mas ainda assim era cedo demais de manhã, tanto que ele não conseguiu segurar a curiosidade por mais tempo.
— Aquela coisa?
Cahaya riu enquanto despejava arroz na frigideira e o misturava com bacon fresco e kimchi.
Normalmente, seu clássico arroz frito de kimchi era feito com presunto enlatado, mas a variação de hoje era uma mudança agradável.
— Você fez uma tatuagem… ali embaixo?
Dessa vez, Cahaya caiu na gargalhada. Seowoon sabia que não existia tatuagem que simplesmente aparecesse e desaparecesse, então percebeu que tinha dito algo ridículo.
— Para de rir. Então o que era? O que você tá escondendo?
Seowoon abriu de novo seus olhos de corça.
— Eu sempre disse a verdade.
Cahaya pegou um pouco do arroz frito numa colher de madeira e a estendeu para ele provar. Depois de esperar esfriar um pouco, Seowoon deu uma mordida.
O bacon combinava surpreendentemente bem com o arroz frito de kimchi.
— Sem sal demais?
— Não, no ponto. Para de desviar da pergunta. O que era aquilo, na real? Você não disse que foi pego ontem?
Seowoon murmurou, acrescentando que tinha certeza de que não tinha imaginado. Cahaya deu uma mordida no arroz frito de kimchi com a mesma colher que Seowoon tinha acabado de usar.
— Isso acontece quando você tá prestes a gozar?
— O quê?
— É isso que acontece quando você tá prestes a gozar?
Não era uma conversa adequada para a cozinha, mas Seowoon não recuou diante da pergunta de Cahaya.
— Por que você fica me perguntando “o quê”? Quer dizer, quando você tá prestes a… gozar.
— Pensa nisso de forma mais específica.
Bem antes da ejaculação, Seowoon geralmente sentia um formigamento nos testículos, mas claro que não disse isso em voz alta. Em vez disso, deu uma olhada na parte inferior de Cahaya.
Notando o olhar, Cahaya riu e cobriu a virilha com a mão.
— Que pervertido.
— Ei, o verdadeiro pervertido aqui é você.
— Ah, justo.
O jeito como ele admitiu tão facilmente deixou Seowoon sem mais nada a dizer. Ainda observando-o, esperou enquanto Cahaya continuava mexendo o arroz frito.
— Bom, o formato de cada um é um pouco diferente, né? Não sei todos os detalhes, mas aposto que até os padrões variam de pessoa pra pessoa.
— Eu não tenho nada disso, no entanto.
Cahaya estava usando três das quatro bocas do fogão de indução. Uma para os ovos fritos, outra para o arroz frito de kimchi e a última para um refogado de legumes com presunto.
— Musaranhinho, você não tá realmente escutando o que eu tô dizendo, né?
— O que tem?
Seowoon levantou a voz de frustração.
— Eu te falei que sou alienígena.
As palavras “que porcaria é essa?” ficaram na ponta da língua, mas nunca saíram de sua boca.
— Cha Seowoon, o Cha Byeonjong é fofo, né?
— Que aleatório.
— É mesmo.
— Bom, acho que ele é fofo. Muito.
— Ele é alienígena.
— Ei, deixa pra lá. Se você não quer falar sobre isso, esquece.
— Eu também sou alienígena.
Naquela época, Seowoon tinha achado que Cahaya só estava zoando com ele. Estava prestes a explodir, mandando parar com as piadas, mas não conseguia se livrar da imagem que tinha visto no dia anterior.
“Era mesmo só uma piada? Ou…”
Depois de agonizar em silêncio, Seowoon finalmente conseguiu perguntar:
— Tá bom… vamos dizer que eu acredite em você. Então… de onde você é?
Seowoon perguntou com cautela, e Cahaya caiu na gargalhada.
— Viu? Eu sabia que você tava mentindo!
— Não, eu tô falando a verdade. Eu sou de um lugar que você conhece, na verdade.
— Seu desgraçado! Então é a Terra!
Farto, Seowoon agarrou Cahaya pelo colarinho, achando que tinha sido enganado de novo. Cahaya, deixando-se ser puxado, sorriu com um brilho astuto no olhar.
A pintinha sob seu olho acrescentava ao seu ar travesso.
— Não a Terra, mas outro lugar que você conhece.
Seu tom era sério, e Seowoon não pôde deixar de pensar profundamente.
O único outro planeta que ele conhecia era…
— Planeta Craypas…?
— Errado.
— Então o que é?
— Você já sabe.
Cahaya se inclinou e sussurrou: — Você e eu estivemos os dois lá.
Seowoon, que só conseguia pensar na Terra, de repente ergueu os olhos quando a resposta lhe ocorreu.
“Ele não disse que estava bem debaixo do meu nariz o tempo todo?”
— Naraka?!
Cahaya apenas curvou os lábios para cima sem responder.
“Não, eu vou direto pra Gazan pelo muro negro. Cha Seowoon, você fica com meu tio até eu voltar.”
De repente, Seowoon lembrou daquela estranha sensação de déjà-vu que tinha sentido em relação a Cahaya antes. Ele nunca tinha mencionado o nome original de Naraka em voz alta, e ainda assim Cahaya a tinha chamado de Gazan com tanta naturalidade.
— …Gazan?
Seowoon repetiu o nome original de Naraka, ainda incapaz de acreditar.
— Ah, esse é o nome da cidade. O planeta em si se chama Aso.
[Terráqueos, alôôô? A pessoa que também não é da Terra, muito bom ver você. Você desapareceu de Aso, mas eu senti sua falta. Você estava tão delicioso, hehe.]
Por mais estranho que parecesse, as peças começaram a se encaixar assim que ele considerou Cahaya um alienígena.
Isso explicava muita coisa: como ele sabia o nome Gazan, por que tinha uma compreensão mais profunda do Portal e do muro negro do que qualquer outra pessoa. Tudo fazia sentido — porque Cahaya era um asoino.
“A criança mutante-galinha insistiu que era o último sobrevivente, no entanto…”
— Você… veio pra cá quando era criança?
— É, eu era mais novo que o Seoha.
— Por que… Porque você nunca me contou?
Cahaya espalhou o refogado de legumes com presunto uniformemente na panela com a colher, mexendo levemente.
— Você mal acredita até agora.
Cahaya acertou na mosca. Ele tinha razão, no entanto, Seowoon sempre tinha tomado a conversa de “alienígena” de Cahaya como piada ou algum trote. Ele puxou a cintura de Seowoon para perto e beijou sua têmpora.
— Eu fui honesto sobre isso desde o começo, não fui?
— O alienígena diz que gosta muito de você.
— Eu não gosto de coisas que parecem alienígenas. Tentáculos me dão arrepio.
— E se for um alienígena bonito?
— Você quer dizer um bonitinho?
— É, se for um alienígena bonito.
— Bom, talvez eu considerasse.
— Musaranho mentiroso, sem voltar atrás dessa vez, tá?
— O quê? Você viu um alienígena ou algo assim?
— Eu vejo um o tempo todo.
O rosto de Seowoon queimou tão quente quanto o fogão de indução ao seu lado. Ele tinha achado que era tudo besteira, mas surpreendentemente, Cahaya não tinha falado nada além da verdade.
“Eu era tão obtuso assim?”
Seowoon mentalmente se repreendeu por não ter percebido antes mas, sério, quem realmente acreditaria que alguém é alienígena? E, ainda assim, mesmo depois de saber, Cahaya era só… Cahaya. Não havia realmente nada de alienígena nele, exceto… bom, aquela coisa.
— Então, ãh, no seu país — quer dizer, no seu planeta… todo mundo é assim lá embaixo?
— Provavelmente? Mas Cha Seowoon, não é engraçado? Você acha que meu pau é mais importante que o fato de eu ser alienígena?
— Eu só tô curioso, só isso!
Cahaya pressionou o pau meio duro contra a lateral de Seowoon, fazendo-o pular para trás, horrorizado.
Agora que pensava nisso, o Mensageiro tinha dito que os últimos sobreviventes de cada planeta causariam a destruição da Terra.
Cahaya também não era o último sobrevivente do Planeta Aso? Não, já que havia aquela criança mutante, talvez a afirmação de ser o último sobrevivente fosse imprecisa?
Havia tantas perguntas, e ainda assim o Mensageiro não tinha aparecido.
— Por que… é assim, afinal?
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello