⋆。˚ ◉ Capítulo 132
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CAPÍTULO 132
Cahaya notou algo estranho em sua visão, então percebeu que era porque o olho direito de Lee Gwanwoong estava coberto por um tapa-olho.
A partir do momento em que Cahaya reconheceu que ele e Lee Gwanwoong eram entidades separadas, conseguiu se distanciar da situação e observar. O mundo que Lee Gwanwoong vivia ficou claro para ele, como se estivesse olhando de cima do céu. Era como se toda a história de vida de Lee Gwanwoong estivesse sendo naturalmente absorvida por ele.
Chamas irromperam em incontáveis lugares por toda a cidade. Uma névoa espessa e nuvens de poeira amarela enchiam o ar, e a areia que cobria o chão era levantada pelo vento. Aquele lugar… não era o presente nem o passado da Terra, mas o seu futuro.
— Líder da guilda Cha Seowoon.
Cahaya desviou o olhar do mundo diante dele para se concentrar em Seowoon. A sala de reuniões, com sua grande mesa marrom e cadeiras de encosto arredondado, ficava no primeiro andar da sede da Tacheon.
— Chefe, você sabia que armas militares não funcionariam. Mais gente morreu de exposição à radiação do que por causa dos mutantes.
— Havia outras soluções, então?
— A Aliança ainda tem a maioria de suas forças vivas, certo? Mas 20 por cento da população da Terra se foi.
Mutantes tinham surgido em desertos por todo o mundo, e as nações correram para despejar recursos em melhorias militares para combatê-los. Por fim, a proibição de viagens para Mansaengjong foi suspensa, e eles foram autorizados a viajar livremente ao exterior para erradicar aqueles mutantes.
No entanto, o número de Mansaengjong não aumentava, então todos os países estavam desesperados para conseguir mais deles. O governo coreano não tinha o direito de bloquear os pedidos de imigração dos Mansaengjong e, embora muitos esperassem uma onda em massa de naturalizações em outros países, na realidade, apenas algumas dezenas seguiram adiante com isso.
Surpreendentemente, uma barreira forte, na forma de uma Aliança Nacional de Guildas, foi criada para impedir que Mansaengjong de nível médio e superior deixassem o país.
Enquanto armas militares podiam dar conta de mutantes até nível 5, a situação mudava quando enxames, como gafanhotos, apareciam todos juntos. Em resposta, a Aliança rapidamente organizou dezenas de equipes de deslocamento ao exterior, lideradas por ninguém menos que Lee Gwanwoong.
Essas equipes trabalhavam sem buscar compensação, focando exclusivamente em coletar minério wu.
Da perspectiva das nações estrangeiras, parecia que estavam recebendo assistência gratuita, o que as deixava inquietas, mas ninguém ousava questionar as razões por trás disso. No entanto, como “não existe almoço grátis”, as pessoas começaram a suspeitar deles, levando Lee Gwanwoong a tratar pessoalmente da questão.
Ele declarou que os Mansaengjong estavam dispostos a se sacrificar pela humanidade. Pelo bem da segurança da Terra, não recuariam de caçar mutantes.
No entanto, Lee Gwanwoong tinha estabelecido uma condição para auxiliar nas caçadas de mutantes no exterior.
A primeira condição era a proibição da entrada de membros da guilda Tacheon em países estrangeiros. Além disso, qualquer nação que se aliasse à Tacheon não receberia sua ajuda.
Lee Gwanwoong não considerava os mutantes que emergiam do deserto grande coisa. Ele tinha vários Mansaengjong de nível máximo sob seu comando, e pretendia usar isso a seu favor para ganhar imenso poder. Como ex-oficial militar, ele acreditava que os Mansaengjong poderiam ser a chave para fortalecer a nação, e o surgimento de mutantes no exterior não era nada menos que uma oportunidade. Para ele, os Mansaengjong eram sinônimo de força nacional, e a Tacheon, que se recusava a seguir sua liderança, não passava de um espinho em seu pé.
Quando mutantes apareceram no Saara, seguidos pelo Gobi, a Tacheon por fim se curvou à Aliança e foi absorvida por suas fileiras. Lee Gwanwoong decidiu explorar totalmente a Tacheon, já que estava descontente com o motivo pelo qual eles tinham entrado na Aliança em primeiro lugar.
“Assim que todos os mutantes forem eliminados, a gente sai da Aliança de novo.”
Lee Gwanwoong pensou consigo mesmo que, se aquele líder de guilda ingênuo queria bancar o herói, ele teria todo o prazer em satisfazê-lo.
A Tacheon tomou a dianteira em incontáveis caçadas de mutantes, executando cada missão sem qualquer reclamação.
Cha Seowoon, outrora líder da guilda Tacheon, não era mais um executivo, mas apenas mais um peão da Aliança.
Toda vez que Seowoon saía para caçar mutantes, ele reportava à Aliança que a situação estava gradualmente piorando, mas mesmo que a Aliança se sentisse inquieta em relação à Tacheon, confiava na força de combate da guilda. Especialmente quando se tratava de Cahaya, acreditavam que não havia mutante forte o suficiente para representar problema para ele, já que era um Mansaengjong de calibre incomparável.
No entanto, conforme os níveis dos mutantes continuavam a subir e centenas de mutantes nível 6 começaram a enxamear num só local, Cahaya acabou gravemente ferido. Ele caiu num coma que durou mais de um mês.
Quando nem mesmo as forças combinadas da Aliança e da Tacheon conseguiram conter os mutantes, Lee Gwanwoong propôs o uso de armas nucleares às nações com arsenal nuclear. Embora houvesse vozes fortes de oposição dentro da Aliança, todas as opiniões foram ignoradas. Os governos de outras nações também julgaram que armas nucleares eram uma opção mais segura do que arriscar mais Mansaengjong feridos ou mortos.
O resultado foi catastrófico.
Apesar do uso de armas nucleares, os mutantes continuavam a surgir sem fim, e mais pessoas morriam a cada dia.
Na verdade, a Aliança Mansaengjong não era o governo nem o exército de nenhuma nação. A liderança da Aliança, incluindo Lee Gwanwoong, justificou suas decisões dizendo que lançar as bombas nucleares tinha sido puramente decisão de outros governos, eles apenas tinham dado um conselho.
A partir daquele ponto, a Aliança começou a buscar formas de garantir a própria sobrevivência. No processo, a Tacheon se retirou da Aliança e, não muito depois, foi atacada por ela.
A razão era simples: a Tacheon era vista como um obstáculo à recuperação da Terra. Para a Aliança, ter alguém com poder mas não do seu lado era pior do que não ter ninguém.
Lee Gwanwoong tinha certeza de uma coisa.
A razão pela qual a Terra caminhava para a destruição era porque pouquíssimo poder tinha sido concedido a alguém como ele, que fazia de tudo para salvar a humanidade. Se ao menos a Tacheon o tivesse escutado desde o começo, a Terra não teria chegado a esse ponto de devastação. Ele chegou a pensar que, se tivesse possuído as habilidades de Cahaya desde o início, poderia ter salvado o mundo.
—Crack!
Cahaya esmagou a peça de quebra-cabeça que segurava na mão.
A história de vida de Lee Gwanwoong e suas desculpas patéticas para o fracasso eram entediantes demais. Ainda assim, o que fazia o sangue de Cahaya ferver e o enchia de uma raiva incontrolável era o fato de que o homem dele, o seu Cha Seowoon — tinha sido caçado através de eventos tão ridículos e idiotas e, no fim, perdido seu lar, a Terra. E, mesmo depois de tudo isso, Seowoon tinha sido forçado a vagar de um planeta a outro, lutando para sobreviver ao lado dos sobreviventes restantes.
Por que diabos o quebra-cabeça de Lee Gwanwoong tinha ido parar em sua mão?
A coisa era praticamente uma massa concentrada de energia, não diferente do minério wu que teria sido criado após a morte de Lee Gwanwoong.
Tudo o que Cahaya tinha feito era arrancar o cosmos branco que pairava ao redor de Seowoon. Então por quê?
Cahaya…
A pessoa a quem Seowoon vinha chamando no vazio tinha sido ele o tempo todo. Agora, ele finalmente entendia por que quase morreu ao agarrar o cosmos branco girando ao redor de Seowoon. A colisão de energias quase o matou.
Se Seowoon tinha um mensageiro… seria sem dúvida o eu futuro de Cahaya.
Uma versão dele que tinha perdido Seowoon e provavelmente se transformado em algo inimaginável, até mesmo para si próprio. Essa peça de quebra-cabeça talvez fosse destinada a Seowoon, um fragmento de uma memória futura que não era dele para segurar.
“Mas agora que eu vi, o que vai acontecer?”
— Ah… Melhor eu simplesmente matar todo mundo, então.
Cahaya deixou a energia branca florescer de sua mão, substituindo os restos estilhaçados da peça de quebra-cabeça. Ele tinha achado que tudo havia sumido, mas não era vazio, apenas um transbordamento de energia que tinha se derramado.
“Pensando bem, existe alguma necessidade de aprisionar o cosmos dentro do corpo?”
O universo flui e se expande, é antinatural que ele permaneça preso e estagnado. Isso não era algo que ele sabia, era uma verdade tão natural quanto a própria lógica. Cahaya parou de manter o cosmos dentro de si e começou a reconhecer a energia fluindo ao seu redor, espalhada para além de seu corpo.
Por um breve momento, foi como se Cahaya tivesse vislumbrado o caminho que seu eu futuro tinha trilhado.
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Cof.
Seowoon olhou para Cahaya em choque. Do nada, Cahaya começou a ter ânsias violentas.
Além disso, o Mensageiro que acabara de lhe prometer um presente agora estava em silêncio, dizendo apenas que precisava ir para outra caçada.
Cahaya engasgava com tanta violência que parecia que poderia até vomitar os órgãos internos.
Seowoon ficou de pé à frente dele, atento aos Mansaengjong de nível superior que os encaravam como hienas.
Ele não podia nem perguntar se Cahaya estava bem.
Mostrar qualquer sinal de fraqueza diante daqueles desgraçados poderia fazê-los avançar todos de uma vez.
Cahaya continuou tossindo e tendo ânsias, deixando a espada cravada no chão ao seu lado.
“É porque ele se sobrecarregou rápido demais?”
Os Mansaengjong de nível médio, que tinham perdido a vontade de lutar depois de terem seu cosmos varrido, ainda mantinham olhares hostis.
— Cha Seowoon! Vou ganhar tempo pra você, então pega esse moleque e sai daqui!
Uma baforada de vapor branco escapou da boca de Uhm Jigeon enquanto ele cobria o ponto cego deles. Suor e sangue pingando da pele dos Mansaengjong, junto com a umidade flutuando no ar, congelaram, transformando-se em milhares, não, dezenas de milhares de balinhas redondas e minúsculas.
— Nossa. Isso funciona mesmo.
Uhm Jigeon disse com um sorriso no rosto, mas o suor frio continuava escorrendo por sua testa. Seowoon olhou de relance para o Portal, agora transformado num vazio escurecido, antes de amparar Cahaya.
Os olhos de Cahaya escorriam lágrimas de sangue vermelho-vivo. Parecia que ele tinha até vomitado sangue, já que o líquido carmesim pingava por baixo de sua máscara.
Seowoon tentou ao máximo endireitar a expressão, apesar da dor no peito que retorcia seus traços. Seu olhar disparou em direção aos executivos da Aliança de pé sobre o teto de um veículo distante, observando-os de longe. Ele os fuzilou com o olhar, mas rapidamente engoliu sua raiva fervilhante.
— Uhm Jigeon-ssi, se as coisas ficarem perigosas demais pra você também, foge na hora.
— Tô começando a sentir que posso ganhar o título de “assassino em massa” nesse ritmo. Se o estado daquele moleque estiver bom, leva ele e a Kim Hansol de volta pra Terra. Se isso for possível, tem que ser melhor que Naraka, pelo menos.
— Certo.
Seowoon respondeu rapidamente enquanto se abaixava para erguer Cahaya nas costas.
Mas naquele momento, Cahaya cambaleou, empurrando Seowoon para longe antes de soltar um suspiro pesado. O ar frio que Uhm Jigeon tinha convocado fazia baforadas brancas escaparem também de sua boca.
Ele tinha acabado de jorrar sangue do corpo inteiro, mas agora abriu a palma para limpar o sangue do rosto. Achando a máscara incômoda, acabou arrancando-a por completo. Sua postura ainda gritava prontidão para a batalha, fazendo Seowoon gritar com ele.
— Ei, a gente precisa ir!
Mas antes que Seowoon pudesse terminar a frase—
Cahaya disparou para frente, espada em punho, sem nem qualquer preparação, e lançou a energia de sua espada em direção aos executivos da Aliança. Seus movimentos foram tão rápidos que uma pessoa comum sequer conseguiria acompanhá-los, e até Seowoon, um colega Mansaengjong, perdeu a chance de detê-lo.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello