⋆。˚ ◉ Capítulo 131
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CAPÍTULO 131
Um homem de cabelos longos estava sentado, curvado, em silêncio.
Embora sua aparência externa lembrasse a de um humano, seu corpo não era feito de carne e células, mas parecia consistir da própria essência do universo. A forma do universo deveria ser um círculo, mas, estranhamente, tinha assumido a forma de um homem. Incontáveis estrelas e nebulosas se reuniam e brilhavam entre as camadas escuras e densas de seu corpo, como se a vastidão do universo tivesse sido condensada em forma humana.
Enquanto se erguia de sua posição agachada, um turbilhão caótico de quebra-cabeças se desenrolou ao seu redor. A pura escala dessas peças estava além da compreensão humana, estendendo-se infinitamente, como se resolvê-las levasse bilhões de anos-luz. Os quebra-cabeças que ele reunia eram, em essência, as vidas de todos os humanos da Terra, talvez pudesse ser chamado de um caleidoscópio da humanidade.
Os quebra-cabeças que o homem tinha coletado continham as vidas de incontáveis seres.
Do rebelde de nascimento nobre na fronteira que buscava usurpar um trono, ao camponês nascido numa área rural que morreu sem jamais deixar sua terra, aos pioneiros que alcançaram avanços notáveis na civilização humana. Cada quebra-cabeça era a energia remanescente daqueles nascidos com as coordenadas da Terra impressas em seu próprio ser.
Assim como a humanidade uma vez tentou traçar a história do universo lendo as estrelas, o homem procurava as peças espalhadas do quebra-cabeça, cosmos, deixadas para trás na Terra. Embora corpos físicos possam perecer, o cosmos, grande ou pequeno, sempre permanecia.
Portanto, cada quebra-cabeça continha em si a crônica completa da existência de um indivíduo único.
Do nascimento da vida inteligente até seu eventual fim, o homem tinha passado uma eternidade juntando o quebra-cabeça emaranhado em ordem sequencial, vez após vez.
Quanto tempo tinha se passado?
Era impossível saber.
O conceito de tempo não tinha mais qualquer significado para o homem. Para ele, o tempo era algo observável, algo selecionável.
As peças eram incontáveis, de trilhões a dezenas de quatrilhões a centenas de quintilhões. Ao examinar esses incontáveis fragmentos de tempo, ele esperava montar o ciclo de vida da humanidade.
Acreditava que, no fim, entre essas incontáveis peças, descobriria o planeta onde poderia finalmente respirar.
Enquanto juntava meticulosamente a linha do tempo da humanidade do nascimento à extinção, se perguntava se poderia eventualmente encontrar um deus.
A princípio, tinha pensado que Ouroboros pudesse ser um ser divino. Mas Ouroboros era apenas mais um mutante, uma entidade que se alimentava de minério ju (energia do tempo) para sobreviver.
Ele se lembrou do cadáver de Ouroboros que tinha visto em Cellus.
Aquele desgraçado tinha morrido enquanto absorvia uma vasta quantidade de minério ju, e ao lado do cadáver…
Crunch, crack…!
As estrelas que compunham o corpo do homem tremeram violentamente. Ele não era mais algo que pudesse ser chamado de humano. Tinha se tornado a própria encarnação do cosmos.
Uma vez, ele tinha esperado que absorver todo o minério ju de Ouroboros lhe permitisse reverter o tempo.
No entanto, viajar no tempo não era possível. Nem mesmo Ouroboros, um ser capaz de atravessar o tempo, podia aparecer no futuro após sua morte. Só podia permanecer no tempo anterior ao seu fim.
O homem ponderou mais uma vez.
E se ele absorvesse todo o minério ju de Ouroboros e então morresse?
Talvez pudesse retornar à Terra antes de sua destruição? Se isso acontecesse, talvez tivesse outra chance de salvar aquela pessoa…
Mas isso também era impossível.
O homem podia observar o tempo, mas não podia interferir nele.
Ouroboros existia apenas em um lugar e um tempo, nunca se sobrepondo. E, no entanto, no passado ao qual ele ansiava retornar, ele já existia.
Desde o tempo em que Seowoon viveu até sua morte, ele sempre esteve lá.
O homem se desesperou.
Ele tinha se tornado onisciente, capaz de testemunhar a totalidade da história humana, e ainda assim completamente impotente para intervir em qualquer parte dela.
Só então ele percebeu.
Não havia mais nenhuma necessidade de procurar um deus.
O ser mais próximo de um deus era ele mesmo.
Uma entidade onisciente que observa tudo e ainda assim não pode salvar o mundo não era esse justamente o deus de que os humanos um dia falaram?
No meio desses pensamentos, o “deus” ponderou.
E se o seu eu do passado morresse? Poderia então intervir no futuro e além daquele momento?
Splash, splash…
Os longos cabelos negros do deus balançavam a cada passo, como se agitados pela própria presença do Portal. Logo, da mão do deus, emergiu uma espada, com o cabo envolto em pele de serpente. A lâmina de Matahari, afiada e longa, apontava para baixo.
O deus traçou um círculo no chão, invocando uma serpente imbuída de energia branca. Era Ouroboros, a serpente que morde a própria cauda.
Isso foi possível porque o deus tinha devorado a energia de Ouroboros, então não era uma verdadeira criação.
Quando o deus apontou para algum lugar com a ponta da espada, a serpente se lançou para a extensão negra, mordendo uma das incontáveis peças espalhadas em vez de sua própria cauda. Então mordeu a própria cauda de novo e retornou à sua forma original.
》Este é meu presente para você.《
Acima da cabeça do deus, numerosas peças da vida de Seowoon flutuavam.
Eram peças do quebra-cabeça de Seowoon que ele tinha coletado. Nem mesmo o deus conseguia compreender por que Seowoon não existia como um único quebra-cabeça, mas em peças. Tudo o que podia fazer era vasculhar os inúmeros tempos da humanidade, encontrando e reunindo peça por peça.
Talvez fosse porque ele precisava testemunhar um passado que jamais tinha vivido.
Naraka era um domínio criado pelo próprio deus.
Depois de enviar Ouroboros, o deus começou a caminhar para dentro da escuridão.
Ele assumiu a forma da pessoa que mais tinha amado em sua vida.
》É hora da caçada de novo.《
Um universo escuro fluía dos olhos do deus.
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Cahaya encarava Seowoon, que fitava vagamente o ar.
A energia violeta que Seowoon tinha convocado, cheia de tensão pela luta com os Mansaengjong, agora estava dispersa.
— Ouroboros? Um presente, você diz…?
Seowoon murmurou como se tivesse possuído por algo. Era um comportamento que Cahaya tinha testemunhado várias vezes antes, semelhante ao de Han Donhee quando um mensageiro tinha feito contato com ele.
Se Seowoon também tivesse um ser semelhante a um mensageiro…
Quem poderia ser?
— Cahaya…?
Seowoon o chamou, embora seu olhar permanecesse fixo no ar diante dele. Naquele momento, Cahaya vislumbrou a energia branca envolvendo o corpo de Seowoon. Não havia como ele não reconhecer. Era a mesma energia que a sua. Claro, não podia ser a energia que ele tinha enviado. Ela até se enroscava no corpo de Seowoon do mesmo jeito que uma serpente mordendo a própria cauda — muito parecido com o Ouroboros que tinham encontrado no muro negro do Sudeste.
Antes que pudesse sequer contemplar por que sua energia tinha assumido tal forma, uma sensação de mau presságio o invadiu. Ele rapidamente puxou o cosmos branco que envolvia Seowoon para dentro de sua mão.
TUMP!
A energia disparou em direção ao seu coração, como se estivesse esperando por aquele momento, criando uma ressonância massiva dentro dele.
TUMP! TUMP!
Foi como se uma explosão massiva estivesse ocorrendo dentro de seu coração. Ele sentiu todo o outro cosmos que nadava dentro dele convergindo para o coração. Se não conseguisse contê-lo, explodiria e morreria. Mas o que ele tinha acabado de absorver era realmente sua própria energia?
O cosmos em nível celular se aproximando de seu coração estava se transformando numa quantidade insondável de energia que ele não conseguia mais controlar. A iluminação do Mansaengjong? Não. O cosmos contido em seu coração era de fato seu, mas tinha alcançado um nível de compreensão que ele não conseguia administrar naquele momento. Era um fluxo de cosmos imbuído de energia muito além de sua capacidade atual de lidar.
Milhares, dezenas de milhares, milhões de células surgiram como uma onda gigante, golpeando seu coração. Parecia que seu cérebro estava prestes a explodir.
Expandindo, colidindo, estilhaçando…
Cahaya sentiu cada partícula de seu cosmos dentro dele sendo aniquilada. O cosmos de uma existência maior — que era semelhante a ele, mas além de seu controle — tinha sido absorvido por seu corpo.
Cahaya tentou expelir o cosmos à beira de explodir de seu corpo. Em vez de suor, sangue fluía de cada poro de seu corpo enquanto ele tentava forçadamente separar o cosmos fundido em seu coração.
O mundo ao seu redor pareceu parar.
Ninguém sabia de seu sofrimento. Ele estendeu a mão para Seowoon, que ainda encarava o vazio, mas tudo estava congelado como um mundo fechado.
— AAAARGH!
Um grito insuportável irrompeu de sua boca.
A dor excruciante o atingiu com força suficiente para fazê-lo querer arrancar a própria pele, arrancar seu coração.
Enquanto o tempo parava e todas as coisas se congelavam, era como se dezenas de milhões de pessoas tivessem se reunido para falar diretamente com ele.
Seus tímpanos pareciam estar estourando, sangue fluindo, e a cacofonia de ruído e luz ofuscante o dominava, tornando impossível abrir os olhos.
“…A Tacheon não conseguiu resolver.”
“Como teria sido bom se eu tivesse me apresentado naquela época.”
“Ainda há esperança. O herói…”
“…Se fizermos sacrifícios, haverá uma chance?”
“Quinze mil pessoas morreram hoje.”
Mesmo com as mãos pressionadas contra os ouvidos, as vozes e lamentos de incontáveis pessoas ecoavam em sua mente.
Ele tentou arrancar a energia que se agarrava a ele como sanguessugas, vez após vez, e expeliu todo o cosmos até que seu corpo parecesse se transformar de novo.
Pela primeira vez na vida, Cahaya experimentou a sensação de estar completamente vazio.
O cosmos branco expelido era como névoa, obscurecendo tudo ao seu redor. Ele não conseguia mais dizer se o tempo tinha parado ou se ele já tinha morrido.
Cahaya lutou para erguer o corpo instável. Não conseguia formular o pensamento de caminhar através da névoa, só conseguia ficar ali parado, aturdido.
Ele estendeu a mão, tentando extrair o cosmos, mas nenhuma energia surgiu. Em vez disso, apenas uma única peça de quebra-cabeça permaneceu em sua palma.
A peça parecia estar cheia de cosmos, muito parecida com o minério wu. Cahaya reconheceu que a energia emanando daquela peça era semelhante à de alguém que ele conhecia. No entanto, ele não conseguia compreender o que aquilo significava enquanto instintivamente a apertava na mão. De repente, a névoa que tinha obscurecido sua visão se dissipou num instante, revelando uma figura familiar olhando pela janela bem à sua frente.
Ele sentiu certeza sobre a identidade da pessoa que estava ereta.
Era Cha Seowoon.
Virando-se, o rosto de Seowoon exibia uma carranca clara.
— Chefe.
Cahaya inicialmente não entendeu por que estava sendo chamado de “Chefe”, mas logo percebeu.
A peça de quebra-cabeça que ele segurava estava imbuída do cosmos de Lee Gwanwoong.
Aquilo devia ser uma memória de Lee Gwanwoong.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello