⋆。˚ ◉ Capítulo 126
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CAPÍTULO 126
Han Donhee encarava o quadro branco na sala de reuniões do esconderijo. Ele não estava particularmente focado nos rabiscos que Kangsan e Yoochan tinham deixado. Sua mente estava em outro lugar, perdida em pensamentos.
“Mensageiros…”
Ultimamente, toda vez que Han Donhee olhava para Yoochan, se via consumido por um turbilhão de questões complexas.
Não só sobre o Yoochan do futuro, mas também sobre Kangsan, Namgung Jun e Uhm Jigeon. Todos estavam supostamente mortos e tinham sido enviados de volta como mensageiros. Então isso significava que os eus futuros dele, de Cha Seowoon e de Cahaya sobreviveram?
Se eles conseguissem impedir a destruição da Terra agora, o futuro mudaria e suas mortes poderiam ser desfeitas? Não poderiam voltar a antes de Seonghee morrer? Por que esse momento tinha que ser escolhido? Por que apareceram exatamente agora? Se ao menos tivessem vindo até eles quando despertaram pela primeira vez como Mansaengjong…
Não, se fosse assim, eles nem saberiam quem era Yoochan, e Naraka nem existia naquela época, então toda aquela conversa sobre a destruição da Terra seria ainda mais difícil de acreditar.
No fim, parecia altamente provável que Cha Seowoon tivesse escolhido o momento perfeito para enviar os mensageiros.
Uhm Jigeon tinha ido a Cahaya, Yoochan a ele, mas quanto a quem Kangsan e Namgung Jun procuraram, ele não fazia ideia.
A princípio, parecia estranho que os mensageiros não tivessem ido a Seowoon, mas Han Donhee logo entendeu por quê. Seowoon era do tipo que escutava bem os outros, então fazia mais sentido convencer primeiro os de personalidade mais forte.
— Minha cabeça vai explodir, porra.
Han Donhee se jogou sobre a mesa da sala de reuniões. Mesmo na época em que estudava para o vestibular, seu cérebro superaquecia e desligava assim. Agora, sentia que daria tudo o que tinha se pudesse voltar àqueles dias.
“Mas fora isso, aqueles dois desgraçados. Aqueles dois desgraçados…”
Parecia que aqueles dois tinham uma relação bem estranha.
Trancar a porta da frente já era estranho, mas o que tornava as coisas ainda mais suspeitas era o movimento excessivamente cauteloso de Cahaya ao abrir a porta do banheiro. Era o mesmo cara que não se importava com quem o visse, desfilando pelado sem preocupação alguma no mundo. E, no entanto, ali estava ele agindo com todo cuidado. Para piorar, perto da porta do quarto, a calça jeans de Seowoon estava jogada no chão, com a cueca largada bem ao lado.
Seria realmente possível que o meticuloso Seowoon deixasse as roupas daquele jeito enquanto tomava banho? De jeito nenhum. E, além disso, havia um cheiro — um cheiro distinto e instintivamente desagradável de sêmen de outra pessoa o atingindo no momento em que a porta se abriu. A princípio, ele não tinha certeza do que era o cheiro, mas ficou claro depois de ver o quarto.
A cabeceira de madeira da cama estava solta e encostada na parede. A cabeceira tinha se soltado da estrutura. Isso não era grande coisa. Mas o colchão, torto na cama, era outra história. Han Donhee nem queria imaginar o quanto as coisas tinham ficado selvagens para acabar daquele jeito.
— É, tinha algo definitivamente esquisito.
Especialmente o Cahaya.
Aquele desgraçado sempre foi obcecado por Seowoon. A princípio, Han Donhee achou que ele era obcecado demais pela amizade. Mas agora estava claro. Não era só amizade. Cahaya era completamente obcecado por Seowoon.
Seowoon podia ver Cahaya como alguém especial, mas nunca demonstrou nenhum sinal de gostar desse tipo de coisa.
“Não pode ser… O Cha Seowoon realmente aceitou tudo o que o Cahaya quer só pelo bem do poder da Tacheon?”
Han Donhee se levantou de repente. Se fosse esse o caso, então era imperdoável. Ele inclinou a cabeça para trás para encarar o andar onde ficava o quarto de Cahaya, mas a tensão em seus olhos logo se dissipou.
Seowoon não era louco a ponto de trocar o corpo por poder. Não, ele não sabia mais. Cahaya conseguia até criar Portais e era inegavelmente um cara muito forte.
“Se o Cha Seowoon tem que se vender pra salvar a Terra, isso vai ser fodido demais. E ninguém neste planeta de merda ia sequer valorizar o sacrifício que ele fez…”
— Você sabia que o vice-líder da guilda estava vindo, e me recebe assim?
Cahaya entrou pela porta aberta, uma máscara preta pendurada sob o queixo. Com um boné preto puxado sobre o rosto, ele parecia um vilão saído de filme.
— Chegou na hora certa, seu desgraçado.
Han Donhee contornou a mesa e foi direto até Cahaya. Felizmente, tinham substituído a última mesa que Cahaya destruiu por uma menor, então pelo menos não perderiam mais tempo conseguindo outra.
Cahaya deu uma olhada rápida em Han Donhee antes de pegar uma salsicha da geladeira. Sem se dar ao trabalho de esquentar, simplesmente desembrulhou o plástico e deu uma mordida.
— Ei, não age como se a gente fosse pobre, pelo menos esquenta essa porra.
— Não tem nada pra esquentar.
Cahaya disse, erguendo o palito depois de terminar a salsicha em apenas três mordidas. Ele o girou um pouco antes de jogá-lo casualmente na lixeira.
— Sê sincero, você chantageou o Cha Seowoon?
Han Donhee puxou uma cerveja da geladeira e a abriu com um estalo seco.
— Imaginei que você fosse inventar alguma ideia idiota, mas sério, para com essas fantasias malucas sobre o Cha Seowoon.
— Eu não tô imaginando merda nenhuma. Quando o Cha Seowoon chegar, vou perguntar direto se você o chantageou. Então é melhor você confessar logo.
Quando Cahaya se aproximou de repente, Han Donhee instintivamente assumiu uma postura defensiva, mas tudo o que Cahaya fez foi enfiar a mão na geladeira para pegar outra cerveja. O som de Cahaya abrindo a lata ecoou pelo cômodo, e ele a virou de uma vez, ali mesmo onde estava.
Com um estalo alto, Cahaya amassou a lata na mão e encarou Han Donhee diretamente com um olhar cheio de irritação, como se o desafiasse a prestar atenção.
— O Cha Seowoon é meu. Eu sou dele. Nossos sentimentos são mútuos. Então, para de besteira e cuida da sua vida, tá?
— Nossa, que merda.
Han Donhee não conseguiu evitar um palavrão murmurado. Aquele desgraçado dizer isso com tanta confiança significava que ele realmente não tinha nada a esconder.
— Bom, eu também não quero saber, então para de ficar exibindo isso na frente de todo mundo, seu babaca!
— E quem foi o cara que arrombou a porta da frente porque “não queria saber”?
— Isso foi porque você desmaiou! Que seja, esquece.
Han Donhee deixou a frase morrer, se interrompendo. De jeito nenhum ele admitiria que estava realmente preocupado com aquele cara.
— Esse pode ser o momento perfeito pra você ficar todo sentimental, mas se prepara pra sair.
— Por quê?
“É, se aqueles dois da dupla Chacha querem brigar, namorar ou dançar por aí, se eles gostam um do outro, não tem nada a ver comigo.”
E, ainda assim, o rosto de Han Donhee estava cheio de insatisfação.
— A gente vai fazer outro Portal na Interseção.
Não foi Cahaya quem respondeu dessa vez.
Han Donhee virou a cabeça na direção da voz. Seowoon tinha aparecido, puxando o capuz da camisa sobre o boné que usava. Como Cahaya, ele também tinha uma máscara preta pendurada no queixo.
Seowoon puxou outro boné e outra máscara da mochila e os entregou a Han Donhee.
A camiseta preta lisa de Han Donhee facilitava se misturar. Com a máscara cobrindo o rosto e o boné puxado para baixo, seria difícil alguém reconhecê-lo no escuro.
— Por que a gente tá se vestindo feito bandido só pra fazer um Portal?
— Porque não é exatamente uma boa notícia se as pessoas descobrirem que o Cahaya consegue criar Portais.
Seowoon estava ocupado envolvendo o cabo da espada de Han Donhee com uma bandagem tirada de sua mochila. O cabo tinha um padrão distinto de lagarto que facilitava identificá-la como a arma de Han Donhee, então precisavam cobri-lo.
— Aquele desgraçado do Cahaya, ele não vai desmaiar por dias de novo depois de fazer esse Portal, vai?
— Já ouviu falar em domínio de habilidade? Eu tô praticamente num super nível máximo agora, basicamente cheguei ao nível 999 de uma vez.
— Mas fui eu que te carreguei de volta depois que você desmaiou, não o Cha Seowoon.
— E eu não te carreguei depois da missão no parque de diversões?
— Por que diabos você tá se gabando disso agora?
— Você responde uma gabolice com outra gabolice. Ensinamentos de Cahaya, Capítulo 3, Versículo 1. É melhor aprender agora.
— Você é um maluco do caralho, eu sei que você acabou de inventar isso.
Enquanto os dois discutiam, Seowoon envolveu silenciosamente o cabo de sua própria espada com bandagem.
Conforme os xingamentos de Han Donhee escalavam, percebendo que estava perdendo a batalha verbal, Seowoon acabou tendo que intervir e mandar que baixassem o tom.
— Sério. Cahaya, seu merdinha, escuta seu líder de guilda pelo menos uma vez.
Han Donhee disse isso a Cahaya, mas Cahaya apenas bufou, como se o ignorasse.
Cahaya parou de responder a Han Donhee e vasculhou os bolsos, tirando um saquinho de doces. Sem aviso, enfiou um malangso na boca de Seowoon enquanto ele estava ocupado envolvendo o cabo da espada.
— …Nossa. Vocês dois vão sozinhos. Isso é arrepiante pra caralho.
Seowoon congelou, pego de surpresa pelo malangso. Ele não cuspiu, no entanto, mastigou rapidamente e engoliu. Desde que saiu do banheiro mais cedo, quase meio dia tinha se passado, mas ele ainda se sentia constrangido e desconfortável perto de Han Donhee, que provavelmente tinha descoberto a verdade sobre o relacionamento deles. Mas dele chamar aquilo de arrepiante… Seowoon tentou se consolar, pensando que talvez apenas parecesse estranho para um cara hétero.
— Parece que aquele desgraçado tá emburrado de novo.
Cahaya comentou casualmente, brandindo a espada como se estivesse pronto para raspar os arrepios ele mesmo.
— Para de besteira. Por que eu estaria emburrado?
— Sua reação é exatamente a mesma de quando eu fui pra casa com o Cha Seowoon sem você. O engraçado é que, quando você assistiu aquele filme escondido com o Cha Seowoon sem mim, você ficou todo convencido. Seu babaca do caralho, você é infantil pra caralho.
— O único infantil aqui é você. É hilário que você esteja trazendo à tona uma coisa de anos atrás agora.
A menção do incidente do filme fez Seowoon estremecer. Parecia que Cahaya tinha guardado aquele ressentimento com bastante firmeza.
— Sério, para com essa conversa arrepiante.
— Ah, sim, sim. Aproveitem seu romance nojentamente açucarado. Espero que você tenha terminado bem as coisas com o Kangsan.
— Qual é o problema do Han Donhee?
Cahaya inclinou a cabeça e Seowoon, sentindo que era hora de intervir, se colocou entre os dois como sempre.
— Han Donhee.
— O quê?
— Se a gente continuar batendo de frente assim quando já estamos com pouca gente, como vamos dar conta das coisas?
— Porra…
Os palavrões de Han Donhee pareciam dirigidos apenas a Seowoon.
— Ou você tem algo a me dizer diretamente?
Seowoon tinha tentado evitar isso, mas a atitude torta de Han Donhee não lhe deixou escolha senão confrontar a questão. Ele se sentia inquieto com a possibilidade de Han Donhee ter algum problema com seu relacionamento com Cahaya, e não fazia ideia de como lidar com isso caso fosse verdade.
— O que tem pra dizer?
— Não tem nada que você queira me dizer?
— Não é mais como o que você quer me dizer, Cha Seowoon?
— …
A contra-pergunta de Han Donhee deixou Seowoon sem palavras, fazendo-o morder o lábio.
— Argh! Droga!
Han Donhee de repente gritou de novo, arrancando o boné. Depois de coçar a cabeça algumas vezes, colocou o boné de volta com força.
Quando Han Donhee pôs a mão no ombro de Seowoon, Cahaya rapidamente a afastou com um golpe. Seowoon ficou tenso, se perguntando se uma briga estava prestes a começar, mas, para sua surpresa, Han Donhee se acalmou rápido.
— Cha Seowoon, o que você acharia se eu dissesse que estou namorando o Yoochan?
— Hã? Você tá namorando o Yoochan?
Os olhos de Seowoon se arregalaram de surpresa.
— Você é louco? Isso definitivamente NÃO vai acontecer, mas e se acontecesse?
— Bom, aproveite seu belo amor.
Cahaya respondeu no lugar de Seowoon, desenhando um coração no ar com a espada.
— Eu não perguntei pra você.
Quando a pergunta voltou a Seowoon, ele esfregou o pescoço, nervoso.
— …Bom, se chegasse a esse ponto, eu acho que… te apoiaria?
Han Donhee sorriu de canto, torcendo os lábios.
— Sério, Chacha, vocês dois são mesmo uma dupla de mente estreita. Enfim, vamos indo. Cha Seowoon, eu respeito sua escolha, então vou junto por enquanto.
— Mas por que você tá rangendo os dentes enquanto diz isso?
Sentindo-se um pouco mais relaxado, Seowoon riu.
Ele planejava marcar logo um horário para ter uma conversa em particular com Han Donhee. No mínimo, esperava que Han Donhee não achasse o relacionamento deles arrepiante.
Seowoon deteve Han Donhee, que estava prestes a sair, e foi até o quadro branco.
— Deixa eu explicar rapidamente a situação antes de sairmos.
Seowoon esboçou rapidamente um mapa rudimentar dividido em quatro zonas no quadro, circulando a Interseção no centro.
— Atualmente, a maior parte das forças da Aliança está lidando com o muro negro no Sudoeste, mas ainda deve haver alguns membros da guilda Ohsung posicionados na Interseção. Por ora, Han Donhee, você e eu vamos pro nordeste e mentir sobre um surto enorme de mutantes. Isso vai fazer o pessoal da Ohsung nos seguir até lá e, nesse meio tempo, o Cahaya vai criar um novo Portal. Enquanto ele estiver fazendo isso, ninguém consegue invadir mesmo. Certo?
Seowoon olhou para Cahaya buscando confirmação.
Cahaya sorriu com confiança, como se dissesse: “Claro. Ninguém mexe com o meu cosmos”.
— Então a gente vai desviá-los na direção da Horololo?
— Isso. Mas se parecer que o pessoal da Ohsung não vai morder a isca… bom, então— ugh!
BUM!
Naquele momento, uma explosão ensurdecedora pareceu irromper bem à frente deles. O prédio inteiro tremeu violentamente, poeira e detritos de cimento caindo do teto.
“Que diabos…? Alguém acabou de atacar nosso esconderijo?”
Seowoon disparou direto para a janela estilhaçada, mas Cahaya e Han Donhee foram mais rápidos.
Cahaya rapidamente usou a espada embainhada para afastar os cacos de vidro restantes do batente da janela. Graças a isso, Seowoon conseguiu olhar para fora sem obstrução, com a boca caindo de choque.
— …O Portal.
Mas foi Cahaya quem verbalizou o que todos estavam pensando.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello