⋆。˚ ◉ Capítulo 119
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CAPÍTULO 119
— O quê?
— Que porra você é, afinal?
Han Donhee pressionava por respostas, enquanto Seowoon olhava para cima em choque. Enquanto isso, Cahaya, o acusado, apenas deu de ombros.
— Mas eu não consigo fazer nenhum.
Han Donhee lutou para se levantar de onde estava caído contra a parede.
— Depois da destruição da Terra, ouvi dizer que você usava Portais pra viajar entre planetas.
— Parece que meu eu do futuro superou o nível máximo e alcançou um nível divino?
Sem um traço de sarcasmo e zombaria, Han Donhee pegou sua gravata caída, jogou-a sobre o ombro como uma bolsa e seguiu em direção à porta da frente.
— Ei, aonde você vai?
Seowoon chamou, mas Han Donhee nem olhou para trás.
— Vou pra casa descansar, longe desse buraco de merda.
Han Donhee calçou os tênis e saiu rapidamente pela porta da frente. Seowoon, incapaz de se forçar a correr atrás dele, voltou sua atenção para Cahaya. Cahaya estava de pé na sala desarrumada, olhando para baixo com uma expressão pensativa. Mesmo perdido em pensamentos, seus olhos permaneciam impressionantemente vívidos.
Com outro suspiro, Seowoon puxou seu celular, que vibrava incessantemente no bolso. Havia 30 chamadas perdidas, todas de seu pai. Parecia que a notícia de que ele tinha matado aula tinha chegado aos ouvidos do pai, e Seowoon estava sem ideia de como lidar com aquela situação.
[Ei, me liga quando sair da casa do Cahaya.]
Era uma mensagem de Han Donhee.
[Por quê?]
Seowoon teve dificuldade em digitar a resposta enquanto as ligações do pai continuavam chegando.
[Por nada.]
Não parecia um simples “por nada”.
Seowoon mostrou o celular a Cahaya.
— Meu pai tá explodindo meu telefone. Parece que ele descobriu que matei aula hoje. Nesse ritmo, vou acabar com cem chamadas perdidas.
— Ignora.
— Você sabe que ele vai me achar de qualquer jeito, né? E como a gente vai explicar essa bagunça pro seu tio?
Seowoon apontou para a sala destruída, arruinada por seus cosmos.
— Tá tudo bem. Ele geralmente fica no interior a trabalho nessa época.
— Ah…
Seowoon deixou a frase morrer.
Naquele período, durante as provas do meio do ano do último ano, ele tinha se distanciado o suficiente para nem ter ouvido falar do trabalho do tio no interior. Em vez de se desculpar, Seowoon empurrou as costas de Cahaya.
— Vamos pra minha casa.
— O Cha Byungchun-ssi vai vomitar sangue se eu aparecer lá.
— Mas a gente não pode ficar aqui.
— Eu vou procurar Ouroboros. Você fica dentro de casa.
— Ei, você não pode.
Ouroboros descendo do céu como um dragão parecia ser no mínimo nível 6 ou superior.
— Só vem pra minha casa. A gente pode sair cedinho de manhã e procurar juntos.
A insistência de Seowoon não deixou a Cahaya escolha senão concordar. Felizmente, não havia dano visível nos andares superiores, e ninguém veio verificar. Eles só se certificaram de trancar a porta da frente antes de sair. Cahaya tentou sair sem trancar, mas Seowoon achou a chave primeiro.
— Não tem nada que valha a pena roubar aqui.
— Ainda assim a gente tem que trancar.
Seowoon enfiou a chave no bolso da frente da mochila de Cahaya.
Eles caminharam ao longo do parapeito que bloqueava o penhasco para chegar às escadas que desciam a colina. A paisagem urbana abaixo ainda era visível de um só olhar. No caminho, pararam numa loja de conveniência próxima e compraram alguns picolés. O idoso dono da loja o reconheceu e comentou sobre sua visita rara, fazendo Seowoon sorrir sem jeito.
— Cahaya.
— Sim?
Cahaya deu meia mordida em seu picolé.
— Sobre o mensageiro…
Quem diria que num lugar tão nostálgico eles acabariam discutindo algo tão crucial quanto a vida, em vez de apenas notas ou conversa fiada?
— Você acha que o que o Han Donhee disse é verdade?
Seowoon não achava que Han Donhee estivesse mentindo. Ele não tinha criatividade para inventar tal história.
— Lembra quando eu te contei que visitei o Planeta Craypas? Eu vi você lá.
Um planeta com uma lua muito maior que a da Terra, e Cahaya com uma longa cicatriz no pescoço.
— Sei que parece loucura, mas… eu tava me perguntando se talvez eu tenha viajado pro futuro.
— Mas como você conseguiria isso sem minério ju?
》O ju (宙) do “Cha Seowoon” está confundindo o Portal. Puf! Ele te cuspiu!《
Agora ele conseguia entender o que o Mensageiro estava dizendo. Significava que o Portal estava confuso com o tempo de Seowoon. Foi no dia em que ele atravessou o Portal sem minério wu.
“Talvez… talvez meu eu do futuro tenha interferido? Se eu mandei os mensageiros, como o Yoochan disse, então talvez eu também tenha convocado a mim mesmo do futuro? Talvez meu eu do futuro já tenha minério ju?”
Mesmo não estando frio lá fora, Seowoon sentiu que o picolé estava gelado demais.
Passado, presente, futuro. Quando pensou nisso, percebeu que tinha existido em todos esses tempos.
“Meu eu do futuro passou por tudo isso como seu passado também? Mesmo depois de tentar de tudo, ainda falhei em impedir a destruição? Acabei vagando de planeta em planeta e perdi todo mundo no fim?”
— Cahaya, como você sabia sobre o minério ju?
Seowoon, parado diante das escadas que desciam até sua casa, encarava vagamente os degraus íngremes. Em dias de neve, incontáveis pessoas escorregavam e se machucavam naquelas escadas.
— Eu também acabei de descobrir.
Seowoon abaixou o picolé derretendo para impedir que pingasse em sua mão. Cahaya segurou o pulso de Seowoon, lambeu os dedos pegajosos até limpá-los e depois terminou o restante do picolé de uma só mordida. Seowoon se assustou e tentou puxar a mão, mas Cahaya já tinha consumido todo o picolé, deixando apenas o palito.
Seowoon ergueu os olhos para Cahaya, que encontrou seu olhar com olhos que pareciam densamente povoados não só de nebulosas, mas também de incontáveis estrelas.
— Você… Pra onde você foi quando desapareceu em Sulawesi?
— O futuro.
Os lábios de Seowoon tremeram levemente, traindo seu intenso nervosismo.
Cahaya tinha estado em lágrimas, chorando como se o corpo inteiro soluçasse. Ele até tinha perdido a consciência.
— O que você viu?
— Um futuro sem você.
O cabelo de Cahaya balançava ao vento forte, e seus olhos, parcialmente revelados entre as mechas, pareciam refletir um universo infindavelmente profundo.
— Eu… morri?
Cahaya não abriu os lábios firmemente cerrados.
“Então é por isso que você não conseguia me contar a verdade. É por isso que você chorou tão dolorosamente.”
Seowoon não estava tão assustado com sua morte confirmada quanto preocupado com Cahaya, que tinha encarado tal visão.
— Seu idiota, a gente pode mudar isso.
Ruumble-ruumble.
Um trovão rugiu em algum lugar no céu, mas Seowoon não sentiu ansiedade. Não tinha certeza no futuro. O futuro existia para ser mudado.
Seowoon olhou para Cahaya com determinação inabalável, tentando transmitir que não havia motivo para preocupação.
— É. Eu vou mudar tudo.
Cahaya tentou sorrir como sempre, mas parecia não conseguir nem isso. Sua expressão permaneceu indecifrável.
O celular de Seowoon no bolso do uniforme tocava incessantemente, e trovões sacudiam o mundo intermitentemente enquanto nuvens escuras se acumulavam no alto.
— Vamos. Parece que vai chover.
Seowoon puxou a mão da pegada de Cahaya e em vez disso tomou a mão de Cahaya na sua. Começou a descer as escadas, e o braço de Cahaya o seguiu. Ele sacudiu a mão que segurava, instigando-o a descer mais rápido.
— Anda logo, a gente precisa capturar Ouroboros e voltar.
[Ei, garoto. Nossa, o seu cosmos… Com quantos cosmos você está misturado? Eu sabia que você não era normal, mas isso é praticamente um universo inteiro.]
Cahaya franziu a testa de irritação.
O mensageiro cuja voz ressoava em sua mente naquele momento era Uhm Jigeon.
[Garoto, ninguém mais ia te escolher, então eu me meti. Por quê? Porque você, garoto, é um vilão do caralho. É um milagre que o Cha Seowoon faça de você um vilão mais ou menos decente.]
— Ei, Cahaya. O que você tá fazendo?
— É, tô indo.
Cahaya finalmente sorriu. Seowoon inclinou levemente a cabeça, confuso, antes de olhar para frente de novo.
[Você vai descobrir logo como a Terra vai ser destruída. Outros mensageiros já estão contatando outras pessoas. Vocês foram engolidos por aquele mutante Ouroboros e foram parar no passado, certo? No meu tempo, vocês só voltaram depois de quase meio ano.]
— Se meu pai disser alguma coisa, só aguenta. Eu garanto que ele não vai te incomodar dessa vez.
As vozes do mensageiro e de Seowoon se cruzaram quase simultaneamente.
— Ah, eu não suporto apanhar primeiro.
— Você é louco? Como pode bater num adulto primeiro?
Cahaya, no entanto, não perdeu as palavras de Uhm Jigeon apesar de sua relutância.
[Como eu disse, vocês levaram quase meio ano pra voltar. Não fiquem confortáveis demais no passado só porque parece agradável. O Han Donhee achou que estava enlouquecendo. Ele disse que vocês ficavam repetindo o mesmo dia várias e várias vezes. Ele não me contou o que aconteceu lá, mas garoto… você voltou completamente afastado do Han Donhee.]
— A gente devia chamar o Han Donhee pra minha casa também?
— De jeito nenhum.
— Só não briga se você o vir.
— Não sei quanto a adultos, mas não suporto apanhar primeiro de um amigo.
Seowoon, como sempre, esticou os lábios cheios num sorriso. A imagem de Seowoon sorrindo lindamente ficou impressa na mente de Cahaya como uma fotografia.
[Saiam daí o quanto antes. E quando voltarem pra Naraka, façam um Portal imediatamente pra voltar pra Terra. Por favor, garantam que nenhuma bomba nuclear seja lançada no Saara. No meu tempo, as pessoas lançaram bombas nucleares tentando parar os mutantes. Mas os muros negros vão desaparecer só por causa disso? Não. Só mais gente vai morrer.]
Cahaya casualmente afagou o cabelo de Seowoon, perdido em pensamentos em meio à torrente de informações.
— Hmm, como se faz um Portal?
Cahaya murmurou consigo mesmo enquanto enrolava o cabelo do topo da cabeça de Seowoon com o indicador. Seowoon deve ter se lembrado das palavras de Han Donhee, mas Cahaya não queria contar que Uhm Jigeon tinha entrado em contato com ele como mensageiro. Talvez fosse por causa da menção de ser um vilão ou algo assim.
[Fazer um Portal é algo que eu também não sei. Mas acho que você conseguiu fazer um logo depois de voltar pra Naraka, meio ano depois? O problema é que a essa altura a Terra já estava metade destruída.]
— Eu não sei… mas tem que haver um jeito, né?
Seowoon confortou Cahaya, dizendo para ele não se preocupar.
— Primeiro, a gente precisa sair daqui. Descobrir o método é a prioridade, né?
[Droga, você é um desgraçado esperto. Tudo bem, escuta com atenção e passa pro seu precioso Seowoon ou seja lá o que for. Eu me lembro vividamente de ter ficado surpreso quando vocês voltaram depois de meio ano. Você disse que tinha rasgado o mundo e o reconectado. Foi assim que escapou de um mundo que se repetia infinitamente sem começo nem fim.
Depois que vocês desapareceram, Ouroboros apareceu mais algumas vezes, mas ninguém mais que foi engolido por ele jamais voltou. A gente também tentou encontrar Ouroboros depois que a Terra foi destruída, mas falhamos.
Esperávamos poder reverter o tempo caçando-o.]
Mas o Seowoon do futuro conseguiu matar Ouroboros ao custo da própria vida. Mas para onde diabos teria ido o cadáver?
[Eu sou um Mansaengjong nível 7, e é por isso que consegui fazer contato com você, mas duvido que qualquer outro conseguisse. Garoto, decifrar seu cosmos é difícil pra caralho. E escuta, o meu eu do futuro está implorando, não me deixem pegar vocês fazendo aquele tipo de coisa. Droga, até pensar nisso agora me dá enjoo. Por que diabos vocês fizeram aquilo? Não, foi de propósito? Droga, eu não tenho o menor interesse no Cha Seowoon nesse sentido, tá? Tô te falando agora, não tentem me segurar. Eu queria fazer uma saída maneira, mas acho que aquele momento foi tão chocante quanto minha morte.]
“O que eu te mostrei?”
Cahaya achou que era tudo besteira ridícula. De algum modo, Uhm Jigeon não disse mais nada, como se não conseguisse ler seus pensamentos internos. Mas ele conseguiu ouvir uma risadinha fraca.
[Ouvi dizer que você é um alienígena, mas você era realmente especial mesmo.]
Uhm Jigeon continuava animado mesmo numa situação em que parecia que sua alma estava desaparecendo.
De algum modo, Cahaya não conseguiu nem sorrir. Ele encarou o céu com o olhar vazio.
Rasgar o mundo e reconectá-lo.
O céu ainda estava azul, ainda não escurecido pelo pôr do sol. Enquanto erguia a mão e imitava um movimento varrendo de cima para baixo, o que parecia um gesto brincalhão desencadeou um risco de cosmos branco no ar. Como um dragão ascendendo aos céus, a energia escura rasgou o céu ao meio.
No mesmo momento, Seowoon ergueu os olhos e expirou. O céu, rasgado como um tecido, revelou um espaço escuro por baixo. Lembrava o espaço entre as estrelas que ele tinha visto no muro negro de Sulawesi.
— Cha Seowoon-ah, vamos chamar o Han Donhee pra escola.
— …O quê?
— Eu vou fazer um Portal.
Parecia que não havia necessidade nenhuma de rasgar nada, afinal.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello