⋆。˚ ◉ Capítulo 118
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CAPÍTULO 118
— Cara, que climinha.
Han Donhee disse, enchendo a boca com uma colherada de arroz com atum e maionese que tinha comprado numa loja perto da escola.
— Ah, esse lugar ainda faz uma comida foda pra caralho.
Ele misturou o arroz com frango e maionese que tinha comprado para os outros dois.
— Vocês vão comer isso ou não? Usei meu próprio dinheiro pra comprar, então que tal vocês dois comerem?
Claro, quando disse “que climinha”, era puro sarcasmo.
Logo depois da aula, ele tinha corrido até aquela casa de semi subsolo, só para encontrar a tensão entre os dois. Para ser exato, Seowoon parecia estar de mau humor. Ele claramente tentava não demonstrar, mas Donhee o conhecia havia mais do que alguns anos, então dava pra perceber só de olhar para o rosto dele.
Era bem óbvio que Cahaya tinha feito alguma coisa errada, mas Han Donhee não estava particularmente curioso, então não se deu ao trabalho de perguntar.
— Esse desgraçado do Cahaya, ainda duro que nem pedra, pelo visto.
Han Donhee andou pelo cômodo, colherando arroz de um copo de papel, e casualmente cutucou a mesa de metal barata com o pé. Seu rosto se contorceu de nojo ao observar a TV que parecia ter sido catada na rua e a máquina de lavar velha e enferrujada que claramente tinha visto dias melhores.
— Cara, o que diabos você teria feito se não tivesse virado Mansaengjong? Falando em dragão que sobe de um riacho.
— Han Donhee, tenta falar um pouco melhor, tá?
Seowoon, que estava ouvindo os comentários ácidos de Donhee, finalmente se manifestou. Cahaya, por outro lado, já vinha erguendo o dedo do meio para Han Donhee havia um tempo.
— O dragão vive no riacho e o verme vive num apartamento chique?
— O verme de quem você tá falando é o Cha Seowoon, né?
— Ah, não. O Cha Seowoon é mais tipo uma preciosa yeouiju.
Cahaya moveu as mãos em círculos brincalhões sobre a cabeça de Seowoon, como se moldasse um orbe. Embora Seowoon achasse o comportamento displicente de Cahaya um pouco irritante, não conseguia se livrar da sensação de que o afeto de Cahaya por ele era mais profundo do que imaginava. Talvez Cahaya também estivesse fazendo o possível para fingir que estava tudo bem, mas a lembrança vívida de sua expressão frustrada permanecia na mente de Seowoon.
— Han Donhee.
Seowoon se endireitou, lembrando a si mesmo que agora era líder de guilda e não devia deixar que ninharias o abalassem ou o fizessem agir de forma mesquinha.
— Ora, ora, que honra ser chamado pela grandiosa yeouiju do dragão do riacho.
— Para de besteira. Aconteceu alguma coisa na escola?
— Sim, aconteceu.
Seowoon se virou para encarar Han Donhee, surpreso com a resposta.
— Só de ver as narinas do professor de matemática eu fiquei feliz pra caralho. Nunca pensei que algo assim pudesse ser tão pacífico.
— Ei, a gente precisa voltar. Não fica confortável demais aqui.
Han Donhee raspou os últimos restos do copo de arroz e enfiou na boca.
— A gente precisa mesmo? Não seria melhor se pudéssemos simplesmente nos estabelecer e viver aqui de novo?
Seowoon se levantou do chão e foi até Han Donhee, estendendo a mão.
— Que foi? Eu já comi tudo.
Seowoon ignorou o comentário evasivo de Han Donhee e deixou seu cosmos roxo brilhar.
— Você também consegue usar seu cosmos, né?
— …
Han Donhee amassou o copo vazio na mão.
— Se mutantes aparecerem, a gente pode matá-los antes. Eu lembro mais ou menos onde eles vão aparecer… Assim, ninguém precisa morrer, né?
— E o Kangsan e o Yoochan? E os outros que a gente deixou pra trás em Naraka?
Han Donhee ficou em silêncio, provavelmente considerando os outros por um breve momento. Durou só alguns segundos, no entanto.
— A gente foi engolido por aquela cobra fodida, e o Portal desapareceu. Como diabos a gente vai voltar?
— Precisamos derrubar Ouroboros.
Cahaya se meteu de repente.
— Ouroboros?
Seowoon se virou para ele e perguntou. Parecia que aquela tinha sido a última coisa que Cahaya gritou antes de voltarem ao passado.
— Tenho quase certeza de que foi aquele desgraçado que nos engoliu. Minério wu consegue viajar pelo espaço, mas Ouroboros consegue viajar pelo tempo porque carrega minério ju.
— Minério ju?
Enquanto Seowoon se aproximava, Cahaya colocou a garrafa de água pela metade que estava bebendo sobre a pia.
— Não sei se existem outros mutantes com minério ju, mas por enquanto, Ouroboros é o único que eu conheço.
— Então a gente precisa derrubar esse Ouro-sei-lá-o-quê pra voltar?
Diferente de Seowoon, Han Donhee não pareceu particularmente interessado em como Cahaya sabia sobre minério ju. Ele apenas presumiu que, como Cahaya era de nível máximo, sempre estaria surgindo com alguma habilidade maluca.
— É, mas o problema é que a gente não faz ideia de onde Ouroboros está.
— Aquela coisa é feia pra caralho, tem que se destacar.
— Que foi, Han Donhee? Você não disse que não queria voltar? Devo te deixar aqui depois que eu derrubar Ouroboros?
Justo quando Han Donhee ia retrucar, Seowoon interveio para pará-lo.
— Não é hora de brigar.
Os dois voltaram os olhos para Seowoon, que estava parado no meio. Ele estava prestes a perguntar a Cahaya como diabos ele sabia sobre minério ju ou Ouroboros, mas antes que pudesse, Han Donhee de repente começou a bater as palmas contra as orelhas.
— Han Donhee, que diabos você tá fazendo?
Seowoon perguntou confuso, se perguntando por que ele estava se machucando de repente.
— …Que… que porra é essa? Yoochan? Você tá louco ou o quê?
Han Donhee parou de bater nas orelhas e agitou as mãos como se tentasse espantar uma mosca invisível. Quando Seowoon agarrou seu pulso, Cahaya rapidamente afastou a mão de Seowoon com um golpe.
— Ei, vocês realmente não estão ouvindo isso? Essa alucinação maluca… é o Kim Yoochan.
— Uma alucinação? Do que você tá falando? Explica direito.
— Espera.
Aquele desgraçado que estava em frenesi de repente ergueu a mão para deter Seowoon e depois começou a encarar o vazio. Seu olhar estava desfocado enquanto murmurava consigo mesmo, soltando suspiros ocasionais que soavam quase como gemidos. Ele até murmurou coisas como “destruição?” e “desertificação?” para si mesmo. A certa altura, fez algo ainda mais perturbador — ergueu os braços, agarrando a própria cabeça de forma anormal.
— Cha Seowoon, isso não parece exatamente igual a você?
Cahaya apontou com o queixo na direção de Han Donhee, e um calafrio percorreu a espinha de Seowoon.
Como Cahaya tinha dito, Han Donhee parecia exatamente como ele quando o Mensageiro o contatava. Mas ele não tinha acabado de dizer que a voz era de Yoochan?
Seowoon bateu palmas na frente de Han Donhee para tirá-lo daquilo.
— Espera, só me dá um segundo.
Han Donhee, agora com uma expressão incomumente séria, virou as costas para Seowoon.
Ele soltou uma série de suspiros incrédulos e então girou para encarar Cahaya.
Antes que Cahaya pudesse sequer terminar de mandá-lo parar de encarar, Han Donhee já estava pressionando a testa contra a parede de novo, como alguém em profunda meditação ou penitência.
Seowoon pegou um pouco de chá de cevada de uma geladeira velha que emanava calor e serviu num copo. Era o mesmo chá que o tio Nizam sempre preparava para economizar em água engarrafada. Ele ofereceu o chá gelado sob o queixo de Han Donhee.
Sem sequer uma palavra de agradecimento, Han Donhee pegou o copo e bebeu, sua garganta produzindo um som contínuo de goles.
— Porra… Isso faz algum sentido…?
Han Donhee de repente ergueu a cabeça.
— Ei! Kim Yoochan! Ei! Ei! Seu desgraçado maluco!
Para qualquer um que observasse, Han Donhee é que pareceria o louco. Ele gritava com um Yoochan invisível no ar.
Vendo aquilo, Cahaya deu um passo à frente e girou o ombro de Han Donhee para encará-lo de frente.
— Você finalmente voltou a si?
— Não, me solta! O Yoochan disse que está morto… e agora está desaparecendo… ei! Kim Yoochan! Não vai aparecer?! Você desapareceu mesmo?!
Bum!
Incapaz de aguentar mais, Cahaya socou a parede ao lado do rosto de Han Donhee. O punho atingiu a parede sem carregar nenhum cosmos, mas foi suficiente para sacudir a sala.
— Para de falar besteira e fala com clareza.
O tom de Cahaya era mais feroz que o normal. Seowoon instintivamente checou o punho de Cahaya, aliviado ao encontrá-lo apenas levemente avermelhado e não machucado. Cahaya tentou segurar a mão de Seowoon para tranquilizá-lo, mas Seowoon a puxou de volta.
Enquanto isso, Han Donhee escorregou pela parede, as costas raspando nela.
Seowoon se agachou para encontrar seu olhar.
— Ei, por que você tá assim de repente? Você precisa falar pra gente entender.
Seowoon tentou confortá-lo.
— …O mensageiro.
Os ombros de Seowoon se sobressaltaram de surpresa.
— Cha Seowoon, foi você quem mandou o mensageiro.
— …Eu?
Diferente de antes, Han Donhee parecia esgotado, como se tivesse corrido dezenas de voltas ao redor do pátio.
— Eu acabei de ouvir a voz do Yoochan. Sou o único que ouviu isso?
Seowoon simplesmente assentiu, fazendo Han Donhee erguer os olhos para Cahaya. Cahaya, por sua vez, encarou Han Donhee com um olhar frio.
— Posso parecer louco, mas não sou insano, tá?
— Tudo bem, só conta o que tá acontecendo.
A paciência de Seowoon estava se esgotando com a conversa de Han Donhee sobre mensageiros e destruição. Han Donhee bagunçou o cabelo com irritação, mordendo e soltando repetidamente o lábio inferior antes de finalmente erguer a cabeça.
— Parece papo completamente furado, mas eu não acho que seja papo furado. Se eu tô louco, então…
— Faz algum sentido a gente ter virado Mansaengjong?
Seowoon o ajudou a recuperar a compostura, encorajando-o a falar tudo com calma.
— Ah, que seja! Droga, eu ouvi que o Yoochan está morto no futuro e, aparentemente, ele estava adormecido enquanto o minério wu se condensava em cosmos. E aí, você, Cha Seowoon, estava guardando isso e mandando como mensageiro… Ah, por que diabos isso não faz sentido nenhum? Isso tá me deixando louco.
— …
Seowoon ainda não conseguia entender absolutamente nada do que Han Donhee dizia. No entanto, Cahaya agarrou Han Donhee pelo colarinho e o empurrou com mais força contra a parede.
— Ei! Cahaya!
— Futuro?
Cahaya apertou a mão em torno da garganta de Han Donhee e o pressionou ainda mais contra a parede.
— Sei que você é um idiota, mas talvez uma boa surra ajude a esclarecer as coisas?
Seowoon não fazia ideia de porque Cahaya estava sendo tão extremo e, aparentemente, Han Donhee também não.
— Mesmo que você me bata, eu sou burro demais pra entender essa merda?
Han Donhee agarrou o pulso de Cahaya com um olhar furioso. Botões de cosmos azul começaram a florescer de sua mão. Cahaya, por sua vez, usou seu cosmos para apertar o pescoço de Han Donhee como um laço. Um grunhido tenso escapou de Donhee enquanto Cahaya apertava, fazendo Seowoon gritar com eles.
— Vocês dois, parem com isso!
Se continuassem a liberar seus cosmos e brigar ali, poderiam destruir não só o semi subsolo, mas o prédio inteiro.
— Continua falando.
Cahaya exigiu, sem retirar seu cosmos apesar do apelo de Seowoon.
De repente, o corpo inteiro de Han Donhee irrompeu em cosmos azul, fazendo rachaduras se espalharem pelo teto e a geladeira e a pia se amassarem com um estrondo. O cosmos branco envolveu a energia azul de Han Donhee, que tinha feito a casa pobre parecer ainda mais destruída, e ela tremeu violentamente tentando escapar. Detritos de cimento do teto caíram sobre a cabeça de Seowoon.
— Briguem à vontade, seus potros de merda!
Por mais que Seowoon gritasse, os dois não pareciam ter nenhuma intenção de parar a briga entre si.
Seowoon caminhou até a sapateira sem hesitar, preparando-se para ir embora. Só quando estava prestes a calçar os sapatos é que os dois finalmente retiraram seus cosmos. Ainda assim, suas mãos permaneciam firmemente agarradas ao colarinho um do outro.
— Soltem um ao outro.
Os olhos roxos de Seowoon estavam cheios de uma frieza gélida.
— Cahaya, você agarrou o Han Donhee primeiro. Você solta primeiro.
A mão de Cahaya estava rígida de tensão, veias saltando pelos nós dos dedos, mas ele empurrou Han Donhee com aspereza antes de soltá-lo. Han Donhee, para não ficar atrás, empurrou Cahaya de volta com a mesma aspereza.
— Se brigarem de novo, eu vou embora.
Cahaya ergueu as mãos com uma expressão vazia, fingindo agitar uma bandeira branca. Han Donhee arrancou a gravata desarrumada com irritação.
Ao ver a marca vermelha em seu pescoço, Seowoon não pôde deixar de lançar um breve olhar de reprovação a Cahaya.
Valia mesmo a pena se exaltar tanto assim?
Seowoon pensou em servir um chá de cevada para Cahaya se acalmar, mas a porta da geladeira estava tão amassada que nem abria mais. Ele não teve escolha a não ser usar seu cosmos para arrancar a porta.
O chá de cevada lá dentro ainda estava bom, mas todos os copos estavam quebrados, então ele teve que entregar a Cahaya uma garrafa de água. Quando Cahaya não pegou, Seowoon abriu a tampa e a levou direto aos lábios dele.
— Bebe isso e se controla. Han Donhee, continua falando. O que exatamente você ouviu nessa alucinação?
Han Donhee arrancou a garrafa da mão de Cahaya e bebeu outro gole, a garganta se movendo enquanto engolia. Cahaya, com um olhar assassino, cerrou os dentes e forçou um sorriso, os músculos do pescoço tensionados como se estivesse contendo toda a sua frustração.
— Bom trabalho.
Seowoon murmurou enquanto dava tapinhas nas costas largas de Cahaya. Os olhos de Cahaya se arregalaram levemente de surpresa antes de ele afastar gentilmente o pó de cimento do cabelo de Seowoon.
— Tá tudo bem, eu faço sozinho.
Seowoon disse, sacudindo o cabelo, ciente de que Han Donhee estava observando.
— …Você acredita? A Terra vai ser destruída no ano que vem.
Han Donhee disse, encarando o teto enquanto engolia mais água. Com um suspiro profundo, continuou:
— Em dezembro do ano que vem, ela vai ser completamente destruída, e quem sobreviver vai ficar vagando por aí tentando encontrar um novo planeta.
Naquele momento, Cahaya e Seowoon ficaram atônitos, mas por razões completamente diferentes das de Han Donhee.
Seowoon estava chocado com o fato de Yoochan ser o mensageiro, enquanto Cahaya estava perturbado pelo fato de Han Donhee e Seowoon agora saberem sobre o futuro que ele tinha guardado para si. Era melhor que ele soubesse do futuro sozinho, para minimizar variáveis.
— Cha Seowoon, ouvi dizer que você tem guardado os mortos em minério wu e os enviado como mensageiros. O Yoochan veio até mim… e ele sabia que todos nós seríamos engolidos por Ouroboros. Ele também disse que devem existir outros mensageiros aparecendo mais ou menos ao mesmo tempo.
— Outros mensageiros? Você quer dizer que não é só o Yoochan?
Cahaya franziu a testa.
— É. Kangsan, Namgung Jun, Uhm Jigeon — esses quatro. Aquele desgraçado maluco… disse que está desaparecendo.
Han Donhee esfregou o rosto com as mãos trêmulas.
— Cahaya.
Quando Han Donhee tirou as mãos do rosto, seus olhos estavam cheios de desconfiança.
— Até quando você vai continuar mentindo?
— Ei, Han Donhee, por que você…?
Antes que Seowoon pudesse sequer perguntar por que Han Donhee estava tentando causar problema de novo, Han Donhee soltou:
— Escuta, esse desgraçado sabe como fazer Portais!
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Notas:
[1] dragão que sobe de um riacho: expressão idiomática com sentido próximo a “da pobreza à riqueza” — um grande homem de origem humilde.
[2] yeouiju: um orbe brilhante que as serpentes míticas coreanas (imoogi) carregam nas garras ou na boca enquanto ascendem ao céu para se tornarem dragões.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello