⋆。˚ ◉ Capítulo 116
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CAPÍTULO 116
Seowoon não conseguiu erguer o olhar, então murmurou: “Eu fazia mesmo…?”, deixando a frase morrer no fim.
No entanto, ele reuniu coragem para encarar Cahaya, porque sentia um pouco de vergonha de si mesmo. Naqueles olhos, Seowoon ainda podia ver seu reflexo, assim como via no espelho: os mesmos olhos violeta encarando de volta.
— É, aquilo foi… Meio babaca da minha parte. Desculpa.
Mesmo que se desculpar agora não mudasse nada, Seowoon queria ser sincero. Ele desviou dos olhos de Cahaya, enfiando uma garfada de arroz frito de kimchi na boca.
Enquanto mastigava, uma sombra caiu sobre a pequena mesa.
Seowoon ergueu os olhos, e Cahaya de repente se inclinou e deu um beijo rápido em seus lábios.
— Relaxa, não vou roubar sua comida. Só come devagar se não quiser que suas bochechas estourem, musaranhinho.
O Cahaya colegial agarrou as duas bochechas de Seowoon, apertando-as com um som brincalhão. Seowoon quase se engasgou com o arroz frito de kimchi. Ele mal conseguiu engolir o arroz antes de falar.
— Ei, nessa situação… Por que diabos você tá…?
— Em que situação eu deveria te beijar, então?
Cahaya sorriu de forma travessa, sentado de pernas cruzadas.
Apesar de já terem se beijado antes, Seowoon ainda ficava constrangido e praticamente enterrou o rosto na frigideira.
Mesmo em dias claros e ensolarados, aquela casa de semi subsolo nunca perdia o cheiro de umidade, e os sons das pessoas passando lá fora sempre podiam ser ouvidos com clareza. Apesar disso, Seowoon costumava visitar aquele lugar com frequência. O choque que sentiu na primeira visita ainda estava vívido em sua memória.
Só quando Cahaya visitou a casa de Seowoon é que entendeu por que ele tinha reagido daquele jeito. Para Cahaya, que tinha crescido nas regiões montanhosas de Sulawesi, uma casa era simplesmente um lugar para dormir. Mas para Seowoon, o lar era um santuário limpo onde podia se dedicar a seus hobbies, estudar e realizar todos os aspectos de sua vida cotidiana. Isso ficava evidente até na casa em que Seowoon viveu sozinho mais tarde.
— Você gostava tanto assim de mim?
Seowoon se sobressaltou, pego de surpresa pela pergunta, enquanto separava cuidadosamente o presunto e comia só o kimchi e o arroz. Cahaya comeu um pedaço do presunto que Seowoon tinha deixado. Era salgado, mas não a ponto de fazê-lo querer água.
— Você devia gostar muito de mim mesmo pra continuar vindo numa casa com baratas.
— Do que você tá falando? Elas não apareciam tanto assim.
— Bom, eu me esforcei pra me livrar delas, já que sabia que você odiava.
Seowoon piscou surpreso com o fato novo que não sabia.
— Então é praticamente graças ao Cha Seowoon que eu criei o “CASCO”, né?
Seowoon não conseguiu segurar a risada, soltando algumas risadinhas.
— É, Cahaya, eu gostava muito de você.
Ele imitou o tom de Cahaya e deliberadamente comeu uma garfada de arroz com presunto.
— Por que no passado?
— Tá bom, eu gosto de você.
— Fala com mais sentimento.
Seowoon tinha tentado ao máximo responder de forma casual, mas Cahaya não deixaria passar.
— Cahaya, você é um cara incrível, tá? Você fica bonito toda vez que eu te vejo. Pode ser pobre agora, mas um dia vai ficar podre de rico e até fazer doações pra caridade. Você é um Mansaengjong de super nível máximo, e eu gosto disso em você. Satisfeito?
O rosto de Seowoon esquentava a cada palavra, e ele estava pronto para culpar o apimentado do arroz frito de kimchi se Cahaya perguntasse por que ele estava corado.
Mas, em vez disso, Cahaya pareceu satisfeito e deu um tapinha na própria coxa.
— O que você tá fazendo?
— É a almofada de elogios do Cha Seowoon.
— Eu fico mais confortável sentado no chão.
Com um movimento ágil, Cahaya estendeu a mão e envolveu a cintura de Seowoon, puxando-o para perto. Seowoon teve que segurar a mesa de metal para que ela não tombasse, o que não lhe deixou escolha a não ser acabar sentado sobre as pernas cruzadas de Cahaya.
— Seu desgraçado maluco, a gente ainda tá comendo. Por que você fica— ugh.
Cahaya esfregou o nariz gentilmente no pescoço de Seowoon.
— Se eu tivesse me declarado pra você no colégio, a gente seria assim?
O coração de Seowoon batia dolorosamente em seu peito, como se fosse explodir.
— …Você nem gostava de mim naquela época.
— Eu sempre gostei de você.
— O quê?
Seowoon se virou para olhar, apenas para encontrar o nariz de Cahaya praticamente encostado em seu rosto.
— Bom, acho que como amigo, né.
Seowoon murmurou, encontrando sua própria resposta enquanto se remexia desconfortável. Cahaya envolveu os dois braços em torno dele, prendendo-o, e depois esfregou a bochecha na nuca de Seowoon.
— Você gosta de malangso porque é macio e fofinho igual?
— Você tá falando besteira de novo.
— Eu provavelmente tenho um monte de malangso e salgadinho de milho naquele armário ali.
Seowoon sabia disso. Mesmo que o tio sempre reclamasse de como o malangso apodreceria os dentes deles, Cahaya sempre dava um jeito de mantê-los estocados, mesmo sem ter muito dinheiro.
— Mas eles devem estar vencidos a essa altura.
— …
— Já que faz tanto tempo que você não vem aqui.
— …Eu tava ocupado estudando pro vestibular.
A mão de Cahaya, que estava apoiada no baixo-ventre de Seowoon, subiu para envolver gentilmente sua bochecha. Ele virou o rosto de Seowoon em sua direção, e seus olhares se encontraram. Os olhos de Seowoon eram suaves, com um traço de tristeza visível no familiar tom violeta.
A expressão bastava para transmitir sua culpa.
— Eu não queria atrapalhar você, especialmente porque nem ia entrar pra faculdade. Foi por isso que eu me segurei também.
Cahaya abaixou a mão e começou a fazer cócegas na lateral de Seowoon, fazendo-o se contorcer e torcer o corpo para não derrubar a mesinha. No processo, ele acabou sentado de lado no colo de Cahaya, tentando escapar.
— Ah, para! Isso faz cócega!
Seowoon riu e protestou, se contorcendo para longe das cócegas implacáveis de Cahaya.
— Largue logo esse estudo. Qual o sentido da faculdade se o mundo vai ser destruído mesmo?
— Ei, se o mundo for destruído, não é só uma questão de faculdade, a gente vai estar todos mortos.
Cahaya, que estava provocando-o, de repente ficou paralisado.
Seowoon finalmente conseguiu recuperar o fôlego e se sentou ereto, sentindo um calor ruborizado se espalhar até a nuca. Abanando-se com a camisa do uniforme, reclamou de como estava quente por culpa de Cahaya, que então casualmente afastou o cabelo da testa dele com a mão. Cahaya o puxou para um abraço apertado, enterrando o rosto contra o peito de Seowoon. Seowoon notou que as mãos de Cahaya pareciam tremer levemente, então colocou gentilmente as mãos nas costas largas dele.
— Cha Seowoon-ah.
Seu hálito estava quente contra a pele de Seowoon.
— O que houve?
— Eu me sinto um idiota completo.
— Por que você tá dizendo isso do nada?
— Por nada.
Cahaya ergueu a cabeça, olhando Seowoon nos olhos.
— Sinto que perdi muita coisa.
— Do que você tá falando?
Seowoon estendeu a mão e alisou o cabelo bagunçado de Cahaya.
— Só parece que eu perdi oportunidades demais.
Seowoon quase conseguia entender o que Cahaya queria dizer. Ele também tinha se perguntado a mesma coisa muitas vezes.
“E se eu tivesse me declarado no colégio? O Cahaya teria aceitado? Afinal, ele se importava comigo mais do que qualquer um.”
Mas isso era algo em que ele só podia pensar agora, com o benefício da retrospectiva, especialmente porque Cahaya já tinha confessado seus sentimentos. Talvez Cahaya estivesse pensando a mesma coisa.
“Se a gente tivesse confessado nossos sentimentos no colégio, talvez pudéssemos ter diminuído a distância entre nós. Mas como o Cahaya não sabia que eu gostava dele, talvez ele também não pudesse dizer nada abertamente.”
— Então eu também sou um idiota.
— Por quê?
— Porque eu… eu lamento o tempo que passamos separados. Sinceramente, parece um desperdício enorme.
Seowoon não sabia como Cahaya reagiria às suas palavras, mas viu os olhos dele se arregalarem de surpresa.
Num instante, a mão de Cahaya foi para trás e segurou sua nuca, puxando-o para perto, virando seu rosto na direção dele. O olhar de Seowoon foi até os lábios levemente entreabertos de Cahaya, depois se desviou, como que para checar a situação.
— !
Naquele momento, uma silhueta apareceu através da porta de vidro da entrada.
— Ei, ei, acho que o Han Donhee chegou.
— Eu levantei uma barreira.
— Como assim barrei— mmph!
Seowoon foi interrompido quando Cahaya pressionou um beijo rápido em seus lábios. Seowoon se levantou de um salto, como uma mola. A porta da frente da casa de Cahaya era trancada com chave, mas Seowoon não tinha certeza se estava trancada direito agora. Em pânico, correu até a porta.
A metade inferior da porta era de aço inoxidável, enquanto a parte de cima era de vidro fosco. Seowoon tinha ficado perplexo com a porta quando a viu pela primeira vez, se perguntando se era segura o suficiente. Por outro lado, se um ladrão entrasse, provavelmente acabaria sendo carregado para fora.
Afastando os pensamentos superaquecidos, Seowoon abriu a porta rapidamente.
— Iiih!
Não havia como um som tão delicado vir de Han Donhee. Os olhos de Seowoon se arregalaram de surpresa quando viu uma mulher menor que ele parada ali.
A mulher pareceu igualmente assustada e olhou para Seowoon com os olhos arregalados. Ela segurava algo que parecia um post-it, que rapidamente tentou esconder atrás das costas quando o olhar de Seowoon desceu.
A mulher começou a falar com cautela depois de notar o uniforme escolar de Seowoon.
— O Cahaya está? Achei que ele estaria na escola…
Seowoon instintivamente olhou para trás. Cahaya estava alguns passos atrás e, pela primeira vez, Seowoon viu uma expressão de genuíno desespero em seu rosto. Era como se Cahaya de repente tivesse lembrado de algo importante que tinha esquecido.
Assim que a mulher avistou Cahaya, ela entrou com ousadia na entrada. Seowoon, seguindo seu exemplo, tirou os chinelos e entrou na sala.
— Por que você não tem aparecido no trabalho?
Apesar do tom questionador, Cahaya permaneceu em silêncio, com os lábios cerrados.
— Seja lá o que estiver rolando entre a gente, trabalho é trabalho. Não me use de desculpa pra não aparecer.
Enquanto ela falava, Cahaya cobriu a boca com a mão, talvez tentando esconder o quanto estava desconcertado. Seowoon estava encostado na parede, piscando algumas vezes. Ele se sentia um convidado indesejado — uma sensação que já tivera muitas vezes no passado.
— Aquele bico.
Os olhos de Seowoon se arregalaram diante da voz de Cahaya.
— Eu pedi demissão.
— Por minha causa?
— Não lembro, mas provavelmente não.
A mulher franziu a testa, claramente descontente. Então colou o post-it no espelho da entrada com um som seco que fez Seowoon sentir como se seu coração tivesse levado um golpe.
— Fazer alguém vir até aqui pra terminar as coisas direito? Você tem um jeito péssimo de lidar com as situações.
[Apareça no seu bico. Eu entendo sua situação. Se for constrangedor pra você, eu peço demissão em vez disso.]
Depois de se desculpar com Seowoon pela intromissão, a mulher deu meia-volta e saiu. Seowoon a observou partir, depois encarou o chão enquanto a porta se fechava. Os ladrilhos claros da entrada nadavam diante de seus olhos como luzes psicodélicas.
Seowoon só percebeu Cahaya se aproximando quando viu seus pés. O jeito como Cahaya coçava a sobrancelha era algo que Seowoon reconhecia pelo movimento do cotovelo.
— Ela é alguém com quem eu namorei, mas a gente terminou.
— Por que você tá se explicando?
Seowoon ergueu a cabeça bruscamente.
— Isso é passado de qualquer forma. Não faz diferença pra mim.
— Não faz diferença?
Cahaya descolou o post-it do espelho e o amassou, jogando-o na lixeira encaixada no canto da entrada.
— Não foi a primeira nem a segunda vez, de qualquer jeito. Naquela época, você e eu nem éramos assim.
Seowoon ficou aliviado por as palavras terem saído tão calmas, tão lógicas. Ele sabia que trazer o passado à tona para culpar alguém era só um desperdício de tempo e emoções. Mas ainda assim, Seowoon de algum modo se sentia sufocado.
Em vez de apertar os olhos, Seowoon cerrou os punhos. Quando Cahaya estendeu a mão para a dele, Seowoon lutou contra o impulso de puxá-la de volta. Mas então notou que a mão de Cahaya estava úmida de suor frio.
— Viu? O que importa pra mim é o presente.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello