⋆。˚ ◉ Capítulo 115
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CAPÍTULO 115
Assim que Seowoon recuperou a consciência, a primeira coisa que voltou foi seu olfato.
O aroma rico e saboroso de doenjang-jjigae [1] vinha de algum lugar, despertando seu apetite.
Ele piscou repetidamente para clarear a visão turva e viu um teto branco.
“Onde… é isso?”
Na confusão nebulosa, só conseguiu mover os olhos para o lado. Do outro lado, além de uma escrivaninha com um abajur aceso, havia uma estante de livros ocupando uma parede inteira. Diante dela, estava pendurado um uniforme do Colégio Seongsang.
Seowoon se ergueu de onde estava deitado ao reconhecer a disposição familiar demais do quarto.
Quando olhou em volta de novo, confuso—
— Seowoon-ah, hora de acordar pra escola.
Seowoon se virou bruscamente na direção da porta.
Parada na porta entreaberta estava ninguém menos que sua mãe.
Com um sorriso caloroso, ela murmurou: “Acho que meu filho ainda não acordou direito”, e bateu na porta de novo.
— Anda. Levanta, se arruma e vem tomar café. Seu pai vai ficar bravo se você não se apressar.
Incapaz de alcançar a mãe enquanto ela se virava para sair, Seowoon só conseguiu balançar a cabeça.
“Que diabos está acontecendo…?”
Ele definitivamente tinha sido engolido por uma serpente gigante em Naraka, com uma boca tão grande que mordia a própria cauda. Cahaya e Han Donhee também tinham sido engolidos pelo círculo branco…
Esquecendo de calçar os chinelos, Seowoon ficou parado no meio do quarto, olhando ao redor perplexo. Sobre a escrivaninha havia um livro de matemática do último ano aberto. Parecia que ele tinha adormecido resolvendo os exercícios, já que uma lapiseira estava entre as páginas.
Bzzzz, bzzzzz.
O som de um celular vibrando fez Seowoon se sobressaltar. Incapaz de esconder a agitação, ele correu até a mesa onde estava o celular.
[Cahaya]
O identificador de chamadas na tela mostrava apenas “Cahaya”, não “Cahaya da Tacheon”. O mais surpreendente é que aquele celular era o mesmo modelo que ele usava no colégio.
Seowoon agarrou o celular rapidamente e atendeu.
— Cahaya!
[Sim, Cha Seowoon.]
Apesar do grito desesperado e aliviado de Seowoon, a resposta de Cahaya foi calma como sempre.
— Ei, ei…!
Seowoon continuou repetindo as mesmas palavras, como se tivesse esquecido como falar.
“Ei, escuta. A gente foi engolido por aquela cobra estranha, né? Sei que parece papo furado, mas eu acordei na minha casa do colégio! E não é só isso — tem até livro didático e um uniforme escolar com meu nome. Minha mãe tá me mandando pra escola, mas que porra tá acontecendo? Eu tô preso em outra alucinação fodida, tipo com aqueles cogumelos alucinógenos?”
Seus pensamentos giravam em sua mente.
[E aí? O que vem depois do “ei”?]
Enquanto Seowoon entrava em pânico, Cahaya respondeu com um tom assustadoramente calmo e um traço de sorriso.
— Ei, Cahaya…
[Fala logo.]
“Será que a gente tá… preso em outro lugar estranho, tipo quando eu fui parar no Planeta Craypas?”
Seowoon ficou ali parado, aturdido, e mais uma vez sua mãe apareceu com um olhar confuso.
— Filho, você não tem simulado hoje? O que vai fazer se se atrasar?
— …
Seowoon ficou parado, olhando para o nada com a boca levemente aberta enquanto segurava o celular no ouvido. Sua mãe se virou, revelando o pai, que tinha entrado no quarto com uma expressão carrancuda. Vestindo uma gravata perfeitamente amarrada e aparentemente pronto para o trabalho, o pai de Seowoon olhou o relógio e disse gentilmente à esposa que fosse para a sala.
— Cha Seowoon, você sabe que horas são?
— …
Mesmo com Seowoon pressionando o celular contra a orelha, a voz de Cahaya continuou em silêncio.
— Você está falando com alguém?
— …Ah, é que…
— Então por que está segurando o telefone?
Seowoon, com ar aturdido, afastou o celular da orelha. Seu pai soltou um suspiro longo e frustrado.
— Você não está fingindo estar doente para faltar ao simulado, está? Ouvi dizer que suas notas no simulado do cursinho caíram. Vai ficar só sentado sem fazer nada?
Seu pai apontou para o livro aberto.
— Se você não é inteligente, é melhor se esforçar mais do que os outros. Nem pense em dar desculpas.
Se aquilo fosse uma alucinação, os detalhes eram realmente espantosos. As palavras de seu pai eram exatamente as mesmas ditas no dia do simulado do colégio. E, assim como naquela época, Seowoon não conseguiu articular uma única palavra em resposta às palavras do pai que destruíram sua autoestima.
Ele se lembrava daquele dia vividamente porque estava realmente doente, o que resultou em notas desastrosas no simulado. A única diferença agora era que seu estado não estava ruim.
— Traga o resultado deste simulado assim que sair.
O pai de Seowoon, tendo dito o que queria, saiu do quarto sem esperar resposta.
Seowoon olhou para o celular. A chamada não tinha sido desconectada. Ele lentamente levou o telefone de volta ao ouvido e falou.
— …Você ainda tá aí?
[Posso dar um tapa na boca do Cha Byunchun um pouquinho? Como diabos o Cha Seowoon cresceu tão bem com um cara desses?]
“O Cahaya também foi arrastado pra esse lugar estranho, seja lá o que for?”
Dado que Cahaya se referiu ao pai de Seowoon pelo nome, e não como “seu pai”, parecia que Cahaya não era diferente do Cahaya do presente.
Mesmo assim, Seowoon falou com cautela.
[Desde quando um mero chefe de departamento acha que pode mandar no meu líder de guilda?]
— Cahaya, você…!
Seowoon levantou a voz e então rapidamente fechou a porta.
— Ei! Você é mesmo o Cahaya?
[Existe um Cahaya falso?]
— Isso é loucura… Eu tava surtando pra caralho aqui.
Pensar que tinha ido parar num lugar estranho ou que estava preso numa alucinação fez sua mente ficar em branco. Seowoon soltou um suspiro profundo de alívio.
[Que desgraçado fofo.]
A risadinha de Cahaya ajudou a aliviar um pouco sua tensão.
— Onde você está agora?
[Tô na escola.]
— …Como diabos você se adaptou tão rápido?
O fato de Cahaya ter conseguido chegar à escola em vez de simplesmente ficar tão perplexo quanto Seowoon era simplesmente inacreditável.
[Bom, eu me adapto rápido onde quer que esteja. Mas quando dei por mim, já estava na escola.]
Eram 7h30. Seowoon checou a hora de novo.
— Me espera, eu já vou pra aí.
Enquanto falava, um alerta de chamada em espera apareceu. E, claro, era Han Donhee.
— Cahaya, espera, tô recebendo uma ligação do Han Donhee! Já vou pra aí, só espera.
Parecia provável que aquilo não fosse simplesmente uma alucinação, especialmente considerando as reações de Cahaya e Han Donhee e o momento de suas ligações.
— Oi, Donhee.
[Porra! Porra!]
Han Donhee, como Seowoon antes, parecia ter perdido a capacidade de formar frases coerentes, recorrendo a uma sequência de palavrões.
— Se acalma.
[Cha Seowoon, quantos anos você tem? Você é Mansaengjong, né? Hein? Aquele cosmos… aquela cobra fodida apareceu e engoliu todos nós, né? Né?]
Seowoon achou que agora entendia por que Cahaya estava rindo antes.
— Vai pra escola por enquanto.
[…Você é mesmo o Cha Seowoon que eu conheço, né? O líder da guilda?]
— Sim, sou eu, cara. Sou o líder da guilda, então se acalma.
[Que merda! Isso tá me deixando louco!]
Seowoon não pôde deixar de concordar com ele nessa parte.
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Seowoon, agora vestido com o uniforme escolar, estava sentado em sua carteira enquanto Cahaya ficava de pé junto à janela ao lado. Han Donhee tinha se empoleirado na beirada da carteira de Seowoon, com o tronco curvado para frente.
Se Cahaya não estivesse ali para mostrar onde sentar, Seowoon talvez ficasse vagando pela sala tentando achar seu lugar por um bom tempo.
Estranhamente, mesmo que seus olhos ainda tivessem a mesma cor de depois do despertar como Mansaengjong, nenhum dos colegas pareceu notar ou achar estranho.
— A porta do terraço da escola tá trancada, né?
Han Donhee apontou para cima. Ele se sentia desconfortável falando num lugar com tantos alunos por perto.
— Tá, por sua causa.
Cahaya respondeu. Seowoon a princípio ficou confuso sobre por que a porta do terraço estava trancada por causa de Han Donhee, mas então se lembrou. Depois que Han Donhee foi pego matando aula no terraço, a escola praticamente o lacrou.
— A gente devia simplesmente matar aula?
— Se a gente sumir do nada, provavelmente vão avisar nossos pais ou até chamar a polícia. Vai virar uma bagunça.
Seowoon deu uma resposta racional à sugestão impulsiva de Han Donhee.
— Vocês acham que isso pode ser por causa daqueles esporos?
Han Donhee expressou a suspeita que Seowoon tinha brevemente considerado.
— Parece esquisito demais pra ser alucinação. É dia de simulado, e o professor da turma não apareceu, igualzinho da outra vez.
Cahaya acrescentou, apontando para o quadro onde o representante da turma tinha escrito que o professor estava internado com enterite aguda.
Han Donhee bagunçou o cabelo com aspereza e ergueu o tronco.
— Mesmo que isso seja uma porra de mudança dimensional, que merda é essa? Existe algum mutante que consegue mexer com o tempo agora?
Sua voz foi ficando mais alta com a agitação, atraindo alguns olhares dos alunos próximos. Por sorte, eles pareceram perder o interesse rápido, provavelmente achando que era só uma conversa sobre jogo.
— Como a gente volta? Aliás, a gente precisa mesmo voltar? Se realmente voltamos ao passado, poderíamos só viver em paz sem lidar com aqueles mutantes de merda.
— Você é idiota? A internação do professor é igual à de antes, então os mutantes aparecendo provavelmente vai ser igual também.
Seowoon o repreendeu, mas captou um vislumbre de algo nos olhos de Han Donhee — alívio. Isso fez Seowoon se perguntar se ele estava pensando em Seonghee, que talvez ainda estivesse viva. Mas aquele breve momento de alívio desapareceu rápido, deixando Seowoon com uma pontada de culpa.
Conforme o primeiro período se aproximava, nenhum deles conseguia descobrir por que estavam ali ou como voltar. Seowoon de repente bateu a mão na carteira.
— Tive uma ideia. Vamos todos fingir que estamos doentes e sair mais cedo.
Han Donhee levantou o polegar, elogiando a ideia do líder da guilda.
Cahaya, que estava incomumente quieto, não conseguia tirar os olhos de Seowoon de uniforme escolar. Ele parecia realmente incapaz de se concentrar na conversa.
— Cahaya.
— Oi.
— Vamos todos fingir que estamos doentes e nos encontrar na sua casa. Seu tio tá fora hoje, né?
— Até onde eu lembro. A menos que algo tenha mudado.
Seowoon assentiu com vigor.
— Han Donhee, você vai primeiro na sala dos professores.
— Eu nunca fingi estar doente. O que devo dizer?
— Hmm, só diz que tá com dor de barriga. Eu digo que tô com dor de cabeça.
— Já que nosso professor tá com enterite aguda, vou de algo parecido.
Seowoon empurrou Han Donhee para frente, que então enfiou as mãos nos bolsos casualmente e saiu.
— E Cahaya, você…
Seowoon começou, ainda pensando em que doença Cahaya poderia fingir. Antes que pudesse terminar, Cahaya de repente pegou a mão de Seowoon e a colocou firmemente sobre seu peito.
— O quê…, o que você tá fazendo?
Seowoon gaguejou, sentindo o calor do corpo de Cahaya através da palma.
— Vou dizer que meu coração está doendo.
Cahaya se inclinou levemente na direção de Seowoon, com as costas ainda apoiadas na janela.
— Cha Seowoon de uniforme escolar é fofo pra caralho.
De algum modo, Seowoon conseguia sentir o coração de Cahaya batendo rápido contra sua mão.
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Seowoon estava sentado diante da mesa de metal que não via havia um tempo. Olhando dali para cima, Cahaya preparava diligentemente arroz frito com kimchi de costas para ele.
“Então é esse o presente? O presente do Mensageiro nos mandou de volta ao passado?”
Seowoon repetiu as palavras do Mensageiro em sua mente.
— Hã?
Cahaya soltou uma exclamação surpresa ao notar algo. Seowoon levantou os joelhos e se pôs de pé.
— O que houve?
— Barata.
— Droga!
Seowoon chutou a mesa de metal por reflexo e começou a se levantar, mas Cahaya se virou com a frigideira na mão. Ao ver o sorriso em seu rosto, ficou claro que Cahaya estava só provocando.
A irritação de Seowoon se dissipou ao perceber que o lado brincalhão de Cahaya na verdade aliviava seu nervosismo. Ele desistiu de ficar bravo.
— Ei, eu aguento qualquer coisa, contanto que não voe.
Seowoon sentiu necessidade de pelo menos dizer algo para se sentir melhor.
Cahaya colocou a frigideira com o arroz frito de kimchi fumegante sobre a mesa. As duas colheres de madeira que tinham sido dispostas com capricho estavam sem verniz, como sempre.
Cahaya, que estava quase adulto no último ano do colégio, se abaixou para sentar. Embora tivesse crescido depois de se tornar Mansaengjong, ainda era bem alto agora.
— Não coloquei ovo, aliás.
— Não importa. Você não lembra que eu vivia à base de artemísia?
O primeiro a ir à sala dos professores foi Han Donhee, cuja atuação péssima não lhe rendeu nenhuma compaixão e tornou a ideia de sair mais cedo uma causa perdida. Ele concordou a contragosto em se juntar a eles depois de terminar os seis períodos, mas parecia estar surpreendentemente apreciando a situação. Afinal, era uma época em que ninguém ao redor deles estava morto.
O arroz frito de kimchi que Seowoon saboreava depois de muito tempo continuava delicioso, e comer juntos daquele jeito fazia a experiência parecer estranhamente nostálgica.
Cahaya, vestido com a camisa do uniforme e a gravata frouxa, estava com as mangas arregaçadas, revelando braços bem torneados. No entanto, sua camisa escolar gasta denunciava sua pobreza.
No colégio, Seowoon nunca tinha tido a chance de dar uma espiada, mas agora podia fazê-lo várias vezes.
Enquanto Seowoon mastigava o arroz frito de kimchi agridoce, seu olhar subiu pelo braço de Cahaya até a clavícula. Assim que seus olhos chegaram aos lábios dele, notou os cantos da boca de Cahaya se curvando.
— Cha Seowoon, lembra como você me evitava feito peste nessa época?
Nota:
[1] doenjang-jjigae: ensopado coreano de pasta de soja.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello