⋆。˚ ◉ Capítulo 114
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CAPÍTULO 114
— Muito bem, olha com atenção, esta é uma técnica nova que só o super nível máximo consegue executar.
Cahaya cortou o muro negro horizontalmente.
— Revelando as entranhas do muro negro!
Não parecia nada normal desde o começo, mas não dava para negar que era impressionante. Da espada que Cahaya tinha cravado no muro negro, emergiu um som profundo e ressonante de buraco negro.
Cahaya tinha afirmado com confiança que a essência do Portal e a do muro negro eram parecidas, e que o muro negro podia ser rasgado. Depois de confirmar isso no dia anterior, na caverna, era de fato possível.
Como Cahaya agora estava mais determinado e minucioso no rasgo, Seowoon abriu a boca de espanto e olhou para dentro do muro negro.
Existe uma distância vasta e inimaginável entre as estrelas no universo, e o espaço entre elas é preenchido por matéria interestelar.
As “entranhas” a que Cahaya se referia lembravam nuvens interestelares, existindo no vasto espaço entre as estrelas.
A cena lá dentro era como um espetáculo celeste, cheia de nuvens de cores vibrantes, encarnando uma majestade divina e intocável. Era como se todas as cores do mundo estivessem espalhadas numa paleta.
Entre elas, a cor mais intensa era a energia branca que parecia exalar a presença mais avassaladora.
Não estava claro se aquela aura branca absorvia outra luz ou emitia luz própria. Ainda assim, Seowoon só conseguia sentir que ela se parecia com a própria energia de Cahaya.
— Os habitantes originais de Naraka tinham a habilidade de viajar entre estrelas, e os primeiros usuários de habilidade Estelar criaram esses muros negros. Na verdade, esses muros negros são essencialmente Portais fracassados.
Cahaya usou sua energia para impedir que o muro negro se reparasse onde tinha sido rasgado.
Seowoon apenas franziu a testa, apertando Matahari com força.
— Como… Diabos você sabe tudo isso?
— De ler jornais jogados por aí em Naraka?
Enquanto o texto de outros itens estava todo em hangul, os jornais sobre os quais os de nível inferior dormiam eram escritos numa língua desconhecida.
— Não lembro de todos os detalhes, mas dá pra juntar as peças só olhando as fotos e as palavras que se repetem nesses papéis.
“Ele descobriu mesmo viagem interestelar e esses tais primeiros usuários de habilidade Estelar só de ler jornal?”
Seowoon estava familiarizado com esses termos por causa do que tinha vivido em seus sonhos e da explicação da criança mutante-galinha. Mas como Cahaya sabia de tudo isso? Além disso, ele não tinha chamado Naraka de “Gazan” quando iam para a casa do tio?
Além do mais, Seowoon nem sabia que os primeiros usuários de habilidade Estelar eram os criadores dos muros negros.
“Não pode ser…”
Cahaya também tem um Mensageiro? Existe alguém ajudando ele, alguém que ele está escondendo de mim?
Seowoon estreitou os olhos e encarou Cahaya.
— Cahaya, você tá escondendo muita coisa de mim, não tá?
— É tudo verdade, exceto uma coisa.
Cahaya começou a empurrar a matéria interestelar de dentro do muro negro para fora com seu cosmos branco.
Suor brotava de sua testa enquanto ele controlava mais cosmos do que era imaginável. Ele disse que para encontrar as coordenadas exatas de Naraka, bastava eliminar as coordenadas desnecessárias. Estava além da compreensão de Seowoon.
— E qual é essa uma coisa?
Seowoon se aproximou de Cahaya e canalizou seu próprio cosmos. O cosmos roxo escorrendo pelo braço de Cahaya exalava um aroma doce, como se convidasse a ser devorado. Cahaya agarrou a mão de Seowoon que segurava seu braço.
— Eu ter chorado é um segredo que vou levar pro túmulo.
Cahaya ergueu os cantos dos lábios como sempre.
— Fora isso, tudo que eu disse é verdade. Acreditar ou não é com você, Cha Seowoon.
Ooong—
Naquele momento, outro som profundo de buraco negro ressoou.
— Achei.
Ao mesmo tempo, o muro negro, que até então era um mero plano bidimensional, começou a se expandir em todas as direções. Para ser exato, o espaço entre as estrelas dentro da área rasgada parecia puxar a caverna para outra dimensão.
— Ei! Isso é seguro mesmo, né?
— Só observa.
O muro negro à frente deles não podia mais ser chamado assim. Agora estava completamente preenchido pelo cosmos branco de Cahaya.
As partículas de luz empurravam as cores vibrantes que pareciam uma paleta criada e preenchida por um deus. A luz era tão intensa que Seowoon nem conseguia abrir os olhos, tudo o que sentia era o aperto firme da mão de Cahaya. Embora esperasse a dor de suas células se desintegrando, o cosmos não se dispersou, mas ficou poderosamente ancorado em seu coração.
— Isso é esquisito.
Seowoon sussurrou de olhos fechados.
— Eu falei. Contanto que as coordenadas estejam claras, o cosmos não se dispersa.
Depois que Cahaya sussurrou isso, foi como se todos os seus sentidos tivessem sido cortados.
Nenhum som, nenhum cheiro, nenhum toque — nada disso podia ser sentido, mas Seowoon tinha certeza de que Cahaya o segurava sem soltar. Quase parecia que estava sendo segurado pelo próprio cosmos, e não pelo corpo físico dele. Ou talvez, diferente de antes, Seowoon agora conseguisse sentir o cosmos fluindo por seu corpo físico. Era uma sensação que ele nunca tinha experimentado ao viajar entre dimensões.
“Isso também tem a ver com as coordenadas?”
Ainda no dia anterior, quando Seowoon tinha medo de atravessar o muro negro, Cahaya passou um bom tempo o convencendo. Ele explicou que cada planeta tinha suas próprias coordenadas e que conseguia identificar a localização de Naraka com precisão. Mas quando Seowoon perguntou sobre o tempo em que Cahaya desapareceu por dias depois de atravessar o muro negro, Cahaya desviou da pergunta.
— Aquilo aconteceu por causa de um erro que eu cometi.
Antes que Seowoon pudesse perguntar que tipo de erro, Cahaya acrescentou:
— Cha Seowoon, só confia em mim. Eu vou segurar sua mão com força, e a gente chega em Naraka num piscar de olhos.
Mesmo no espaço em que seus sentidos estavam bloqueados, a voz de Cahaya era cristalina.
A luz ofuscante que tinha sido intensamente brilhante começou a se apagar, então Seowoon abriu os olhos às pressas. Se houvesse algum som, talvez tivesse escapado de seus lábios como uma respiração fraca e rouca.
Uma barreira transparente porém negra se erguia diante de Seowoon e, além do véu que obstruía a visão, ele conseguia ver Han Donhee e Uhm Jigeon lutando contra um pássaro de fogo.
“Isso é uma ilusão?”
Seus ouvidos pareciam abafados, e nenhum som o alcançava.
Seowoon tentou olhar para Cahaya, mas a luz ofuscante ao redor deles era tão intensa que tornava impossível ver qualquer coisa além do que estava diretamente à frente.
Ooong—
Outro uivo estranho e bestial ecoou mais uma vez, e o familiar cosmos branco rasgou o véu negro. A energia branca era tão feroz quanto as garras de uma fera com centenas de patas.
Assim que a fenda dimensional para Naraka se abriu, Cahaya puxou a mão de Seowoon e correu para fora.
Bam!
Uma rajada de ondas sonoras insuportáveis os atingiu, como um surdo ouvindo os ruídos do mundo pela primeira vez.
O rugido do pássaro de fogo, o crepitar das chamas, a respiração humana e até o vento em movimento sobrecarregaram sua audição. Em meio ao caos de ruídos, o som mais claro e confiante que chegou a Seowoon foi a risada de um Mansaengjong.
— O casal Chacha chegou!
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— Hora de cumprir sua promessa?
Seowoon ignorou deliberadamente a senha que Cahaya estendia e deu um gole na cerveja.
Ele não esperava que Cahaya trouxesse aquilo à tona num lugar tão cheio e, embora fosse covardia, não conseguiu evitar.
“Se fôssemos só nós dois, as coisas provavelmente seriam diferentes. Mas sério, ele não tem tato nenhum?”
O rosto de Seowoon estava prestes a pegar fogo enquanto ele pensava nisso.
— Que é isso? Que promessa? Pra que esse número 1?
Han Donhee focou nos dois enquanto os outros discutiam sobre como se livrar do muro negro. Cahaya não escondeu a irritação e enfiou a senha de volta no bolso.
— Por que você não fica com a sua turma?
Cahaya fez um gesto na direção de Namgung Jun, Uhm Jigeon e do resto dos membros da guilda Tacheon.
A teimosia de Han Donhee pareceu se inflamar ainda mais. Seowoon encontrou algum consolo ao ver Han Donhee vindo em sua direção com um andar desajeitado.
Seowoon olhou de relance para o grupo bebendo do outro lado da fogueira e disse a Han Donhee:
— Ei, vamos conversar em particular um instante.
Notando um tom um tanto sério, Han Donhee olhou para os outros e seguiu Seowoon.
Embora não estivessem longe do muro negro, a área onde os três ficaram ainda estava densa com o fedor de fumaça. O lugar por onde o pássaro de fogo tinha passado agora não era nada além de cinzas.
— O que houve?
Han Donhee perguntou de forma ríspida, baixando a voz.
— …É sobre o Abdul Aziz hyung.
Seowoon finalmente conseguiu tocar no assunto. Dessa vez, Han Donhee permaneceu em silêncio, sem oferecer nenhuma réplica.
O advogado da Tacheon com quem o tio tinha se encontrado transmitiu um comunicado da família enlutada de Abdul Aziz.
Eles declararam que não aceitariam os restos mortais de Abdul Aziz, provavelmente por causa dos boatos de que os mutantes tinham surgido por causa dos Mansaengjong.
No entanto, pediram que o funeral fosse realizado em seu lugar e que a herança fosse organizada e enviada de volta à sua terra natal.
Enquanto Han Donhee ouvia a história, uma aura azul girava em torno de seus ombros. Ele fervia de raiva com o comportamento absurdo da família.
— Seu desgraçado maluco, como você ousa agir assim na frente do venerado líder da guilda? A gente não vai entregar os bens do hyung pra essa gente, então abaixa esse cosmos, tá?
Cahaya soprou uma rajada de vento, dispersando o cosmos de Han Donhee.
— O Cahaya tem razão. As coisas que o Abdul Aziz hyung deixou… vão ser dadas às famílias dos funcionários do hotel que morreram. Eu disse pra família dele que, se tivessem alguma reclamação, podiam vir pra Coreia e brigar no tribunal.
As intenções de Seowoon foram transmitidas ao advogado da Tacheon pelo tio, mas o advogado disse que havia grande chance de surgirem problemas.
Na verdade, Seowoon não se importava com quanto custaria o processo. Ele não tinha intenção de mandar dinheiro para uma família que se recusava a aceitar os restos mortais de Abdul Aziz. Os Mansaengjong tinham o privilégio de não serem tocados pelas leis de qualquer forma, então brigar seria prejuízo apenas para eles.
Embora Seowoon fosse cético em relação a tais direitos, tinha que reconhecer o status dos Mansaengjong.
》Cha Seowoon, o Musaranho-Elefante, eu disse que te daria um presente se você se comportasse.《
— !
Cahaya foi o primeiro a reagir à agitação de Seowoon.
》Você se comportou?《
Kyaaaaaaah!
Naquele instante, o rugido de uma fera colossal sacudiu os céus e a terra. O som ensurdecedor, tão imenso que era impossível saber de onde vinha, parecia envolver o mundo inteiro. Era uma força poderosa o suficiente para superar um nível 6 sem esforço.
Cahaya convocou seu cosmos para proteger os arredores, e Seowoon do mesmo modo sacou Matahari. Um redemoinho enorme irrompeu de baixo, envolvendo os três. A pressão era tão imensa que quase sobrepôs a energia branca de Cahaya.
— Hyung!
— Líder da guilda hyung!
Uma tempestade enorme rugiu tão ferozmente que os gritos dos que estavam fora do redemoinho foram abafados.
Kyaaaaaaah!
Enquanto outro rugido monstruoso ecoava, Seowoon agarrou as mãos de Cahaya e de Han Donhee.
Uma boca gigantesca, negra e enorme, descia do céu.
“Não, aquilo não é uma boca.”
Era uma fera semelhante a uma serpente, com uma cauda tão grande quanto sua boca escancarada. A fera, enrolada em forma circular, tinha o centro tão escuro quanto o muro negro.
O que Seowoon confundiu com uma boca era, na verdade, aquele centro escuro.
— …Ouroboros!
Pareceu que Cahaya tinha gritado, mas Seowoon não podia ter certeza.
Uma escuridão impenetrável, desprovida de qualquer luz, os engoliu junto com o redemoinho.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello