⋆。˚ ◉ Capítulo 113
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CAPÍTULO 113
— Cahaya, não quebre o pilar.
O tio olhou para o pilar amassado enquanto segurava a criança.
Seowoon desviou o olhar discretamente da parte de baixo do corpo dele, achando que também estava prestes a levar bronca. Foi então que Cahaya se inclinou e sussurrou em seu ouvido.
— Musaranho pervertido. Vai ficar encarando o meu minério de pau desse jeito?
“E se o tio tiver ouvido isso…?!”
Seowoon esfregou a orelha que fazia cócegas com força. Quando deu uma cotovelada em Cahaya, sinalizando para ele se afastar, Cahaya exagerou um gemido de dor de novo, mas Seowoon não caiu dessa vez. Ele apenas fez carinho na cabeça da criança aninhada nos braços do tio. A criança tinha um cheiro doce, talvez porque tivesse comido muito abacaxi.
— Eu volto logo. Prometo.
Seowoon tranquilizou a criança, fazendo questão de enfatizar para que não houvesse ansiedade.
— Seowoon hyung sempre cumpre suas promessas.
A criança segurou a mão de Seowoon com força, sorrindo tão radiante que as bochechas ficaram infladas.
— Cha Seowoon, eu sei que é difícil deixar nosso filho pra trás, mas você tá arrastando essa despedida.
Seowoon deu um soco leve no flanco de Cahaya.
— Para de brincadeira.
— Quem disse que eu tava brincando? Tô falando muito sério.
Diferente do seu jeito brincalhão de sempre, o tom de Cahaya era sincero, e seu olhar penetrante perfurava as bochechas de Seowoon.
Olhando para trás, Seowoon percebeu que Cahaya já tinha lhe lançado aquele mesmo olhar várias vezes antes.
Mesmo antes de os olhos de Cahaya mudarem de cor para lembrar uma nebulosa, ele frequentemente encarava Seowoon com aqueles olhos escuros e intensos.
Mesmo quando Seowoon foi flagrado indo ao cinema com Han Donhee, ou quando começou a se afastar de Cahaya, aquele mesmo olhar intenso sempre o seguia. Naquela época, Seowoon estava ocupado demais evitando-o, mas agora, encarar aqueles olhos de frente o deixava um pouco constrangido.
Seowoon fingiu não notar o olhar de Cahaya e saiu primeiro, levando Matahari consigo.
— Cuidem-se, vocês dois.
Em resposta ao conselho de despedida do tio, Seowoon respondeu alto: “Sim”. Cahaya, com a espada presa ao lado do corpo, acenou uma vez para o tio e a criança enquanto eles os viam partir.
— Cha Seowoon, por que você tá me ignorando descaradamente quando eu tô falando sério?
— Do que diabos você tá falando? Como é que aquela criança é nossa?
— Ele é metade você e metade eu, claro que é nosso bebê. De quem mais seria?
Cahaya passou o braço sobre o ombro de Seowoon e mordiscou brincando uma mecha de cabelo perto da orelha dele.
Seowoon, sem perceber o cabelo sendo mordiscado, só conseguia sentir o calor do corpo de Cahaya, o que o fazia mexer os membros de um jeito desajeitado.
— Um, dois, um, dois.
— O que você tá fazendo?
— Assistindo o Cha Seowoon marchar.
“Ele tá falando sério?”
Seowoon empurrou Cahaya para longe.
— Ei, você.
Seowoon estava prestes a dizer algo a Cahaya, que se agarrava a ele de novo, mas se conteve. Cahaya não o apressou e esperou pelas próximas palavras. Seowoon considerou simplesmente ficar de boca fechada e deixar passar, mas não achava que Cahaya deixaria passar tão facilmente e fingiria que nunca tinha acontecido.
Seowoon não teve escolha a não ser seguir em direção à caverna antes de falar.
— Já te disse antes. Talvez você esteja acostumado com isso, mas eu não estou.
— Mas a gente costumava passar o braço no ombro um do outro o tempo todo.
— …
Seowoon ficou sem palavras porque Cahaya tinha razão.
— Nossa, você é mesmo um musaranho pervertido. Ficando com pensamentos estranhos sozinho.
Os lábios de Seowoon se comprimiram, ao perceber que tinha lido demais num simples gesto de passar o braço em seu ombro.
Por causa disso, seus lábios ficaram mais carnudos, e Cahaya de repente abaixou a cabeça e o beijou.
Seowoon se virou às pressas, mas o tio e a criança já tinham entrado em casa.
— O verdadeiro pervertido aqui é você!
Seowoon levantou a voz, aliviado.
— Ah, vamos mandar fechar o restaurante Michelin favorito do Cha Seowoon. De agora em diante, os lábios do Cha Seowoon é que têm estrela Michelin.
Cahaya continuou falando sem dar chance a Seowoon de retrucar.
Seowoon nem tinha respondido a coisa toda do “namora comigo”… Dada a saída tardia, ele esperava que Cahaya ficasse para trás, mas o cara já estava lá na frente, quase como se estivesse pedindo para Seowoon se apressar.
— Você não… pensa nisso direito?
— Pensar o quê?
O caminho até a caverna pareceu ainda mais curto do que no dia anterior.
— Quer dizer, eu sou homem, e você também. A gente é amigo há tanto tempo…
Seowoon tinha estado envolvido demais em preocupações para sequer pensar em se declarar, só tinha tentado manter distância.
— Você disse que tudo bem com homens.
— Bom, eu disse isso…
— Você disse que queria namorar um Mansaengjong de nível máximo?
— Eu nunca disse isso.
— Se você quer namorar um de nível máximo, eu sou sua melhor aposta, né?
Cahaya sorriu de forma tão radiante que quase cegava.
— Você só ouve o que quer ouvir mesmo, né?
Cahaya parou em frente à caverna, agarrando o braço de Seowoon enquanto este reclamava.
Seowoon, pego de surpresa, parou também e olhou para cima. O rosto de Cahaya, agora sério como se nunca tivesse sorrido, estava banhado pelo brilho suave do pôr do sol. Era o último vestígio do sol se pondo atrás das montanhas.
— Eu não tô levando isso na brincadeira, sabia?
Cahaya deu um sorriso amargo. Naquele momento, a lembrança dele, encharcado de lágrimas, passou pela mente de Seowoon.
— Você me odeia porque sou pobre pra caralho? Eu poderia ser o mais rico do universo se quisesse.
— O universo, é? Não só a Terra? Eu nunca disse que te odiava por não ter dinheiro.
— Mentiroso. Você disse que me odiava porque eu era pobre.
— Eu disse que odiava a situação, não você. Para de distorcer minhas palavras.
— Cha Seowoon, eu também não me importo de ser pena.
Cahaya apoiou os braços nos ombros de Seowoon, um de cada vez, e se inclinou levemente para encontrar os olhos dele.
— Tudo bem namorar comigo por pena. Se ainda assim não gostar de mim, pode me devolver.
Mesmo Seowoon estando fora da luz do sol, suas bochechas continuavam vermelhas.
— O que você é, um produto de televendas?
— Ah, prezado cliente. Estou totalmente confiante, então experimente e devolva se não ficar satisfeito. Não se preocupe, sou uma oferta tão incrível que você não vai querer devolver.
O rosto do vendedor insistente foi chegando cada vez mais perto.
“Ele não é meio sacana?”
Seowoon sentiu uma pontada de culpa.
Ele tinha evitado confessar seus sentimentos a Cahaya, alegando que a situação tornava impossível que apenas os dois fossem felizes naquele momento.
Cahaya provavelmente tinha percebido, ao menos, que ele nutria sentimentos por ele. Mas Seowoon duvidava que ele tivesse notado que gostava dele desde o colégio.
Mesmo quando os lábios de Cahaya tocavam os seus, Seowoon fingia não gostar, embora não fosse nada mau.
Smack.
Seowoon pressionou os lábios contra os de Cahaya, que agora estava perto. Sentiu o braço em seu ombro estremecer e ficar tenso de novo. Ao erguer os olhos, viu os olhos de Cahaya arregalados de surpresa.
Surpreso com a reação inesperada, Seowoon se afastou rapidamente. Mas Cahaya avançava agora tanto quanto ele havia recuado.
A mão no ombro de Seowoon agora envolvia sua cintura.
O sol tinha se posto por completo, e a escuridão tinha se instalado.
Cahaya beijou Seowoon enquanto o abraçava com força.
— Ei, Caha… mmh.
Pego de surpresa pelo beijo repentino, Seowoon foi quase empurrado contra a parede, ficando na ponta dos pés. Ele continuava chamando o nome de Cahaya, mas Cahaya virava a cabeça, engolindo até mesmo esse chamado.
A língua quente de Cahaya lambeu o lábio inferior de Seowoon e mergulhou ousadamente dentro de sua boca. O som molhado e escorregadio de suas línguas se entrelaçando ainda era estranho para Seowoon, e parecia ecoar com mais intensidade na caverna.
Cahaya chupou o lábio superior de Seowoon, que tinha inchado numa forma triangular, e brincou com ele com a língua. Seowoon abriu os olhos aturdidos e agarrou o ombro de Cahaya. Ele sabia que não era assim que beijos deviam ser, deviam ser lábios se tocando e línguas se entrelaçando, mas Cahaya estava provando cada parte dos lábios de Seowoon, chupando e mordendo como se saboreasse uma iguaria.
Estar num lugar onde eram guardados bonecos que representavam os falecidos e restos mortais parecia quase uma punição. Diziam que era um lugar sagrado para a tribo, e ainda assim…
As mãos de Seowoon, que estavam agarradas aos ombros de Cahaya, de alguma forma tinham envolvido seu pescoço agora. Cahaya ergueu Seowoon e inclinou a cabeça para pressionar os lábios contra os dele de novo.
Mesmo que Seowoon, agora mais alto, pudesse facilmente evitar o beijo, ele ainda abriu a boca por completo para aceitar a língua úmida de Cahaya. Tinha as duas pernas enroladas na cintura de Cahaya, fazendo a ereção dura pressionar insistentemente contra sua bunda.
Assustado com a sensação desconhecida, Seowoon ergueu rapidamente a cabeça.
— Isso tá me enlouquecendo. Cha Seowoon, você é doce pra caralho. Andou comendo malangso demais ou o quê?
Cahaya lambeu o queixo de Seowoon.
— …Que porra você tá falando, para de lamber.
Por onde a língua quente de Cahaya passava, uma sensação gelada vinha em seguida. Seowoon foi tomado por um constrangimento repentino e soltou as pernas que Cahaya tinha enroscado em sua cintura. Cahaya, no entanto, continuou a segurá-lo no alto.
— Ei! Me põe no chão.
— Nossa, isso não vai acontecer.
— O que foi que eu fiz?
— Foi você quem me beijou primeiro.
— Para de falar besteira e me põe no chão.
Seowoon se debateu com todas as forças para descer, mas Cahaya não cedeu.
— A gente precisa chegar rápido em Naraka.
Se Cahaya não o soltasse, Seowoon teria que usar seu cosmos para se forçar a descer. Sinceramente, Seowoon não queria recusar tanto assim, então apenas bloqueou os lábios que se aproximavam com a mão.
— Senha.
— Hmm?
Cahaya olhou para ele com ar interrogativo.
— Droga, a gente faz isso… depois. Precisamos ver se os outros estão bem.
Não que ele não gostasse, mas simplesmente disse “depois”.
Cahaya sorriu por baixo da palma de Seowoon.
— Como assim “depois”? Tem mais coisa além de beijo?
O corpo inteiro de Seowoon esquentou instantaneamente.
— É isso?
Enquanto Cahaya pressionava o corpo mais perto, a pressão lá embaixo era incrível.
Só então Seowoon percebeu que estava completamente ereto. Tentou empurrar Cahaya para impedir que seus corpos se tocassem, sussurrando:
— Não faz isso. Este é um lugar sagrado. Seus ancestrais estão aqui.
— Não são meus ancestrais, então não é problema meu.
Cahaya puxou Seowoon para um abraço apertado, quase sufocante, e então finalmente o soltou.
Seowoon rapidamente pegou Matahari para bloquear sua frente.
— Você me olhou descaradamente, aliás. Que mesquinho.
Seowoon ignorou a voz de Cahaya vindo de trás e caminhou mais fundo na caverna, onde o muro negro esperava. Embora estivesse escuro demais para enxergar, sentia como se o corpo inteiro estivesse em chamas.
— Musaranhinho, a pessoa com a senha número 1 quer fazer uma pergunta.
— …O que é?
— Se alguém diz que gosta de você, você acha que um beijo não é nada?
— Ah, qual é! Você é louco?
Seus repetidos “qual é” ecoaram pela caverna e, combinados com a risada de Cahaya, só fizeram as orelhas de Seowoon coçarem.
— Você disse que eu só ouço o que quero ouvir. Fico preocupado de entender errado de novo.
— Tá de brincadeira comigo? Um beijo… é algo que eu só faria com você.
Diante da resposta murmurada de Seowoon, Cahaya de repente sacou a espada.
Ele convocou instantaneamente seu cosmos diante do muro negro. Com um zunido, cravou a espada no muro e o rasgou. As veias de seu pescoço e antebraços saltaram com o esforço.
— Se eu enlouquecer, a culpa é sua.
Cahaya se virou e sorriu.
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♤ Nada contido se refere a realidade♧
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☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello