Capítulo 225
— Você tirou meus feromônios?
Ao ouvir o grito repentino, o rosto de Koy, que até então estava radiante de felicidade, endureceu. Mas Ashley não se importou e continuou gritando:
— Eu tô perguntando se você tirou? Se foi você quem tirou os meus feromônios?
Com o tom agressivo, Koy se encolheu, assustado. Ashley estava genuinamente furioso. Era a primeira vez que o via assim, e Koy ficou perdido, sem entender o motivo. Mesmo assim, ele tentou forçar um sorriso, puxando os cantos da boca com dificuldade, e respondeu:
— Eu… também não sei direito… Mas você tá melhor agora, não tá? Então tá tudo bem? E… meu cheiro… você consegue sentir, não é? Agora você acredita em mim? Hm?”
Koy perguntou uma coisa atrás da outra, mas Ashley não respondeu.
Pelo contrário, ao ver o rosto dele completamente distorcido de desespero, Koy sentiu um frio no estômago.
— Ash… o que foi?
Tentando afastar a ansiedade, ele forçou um sorriso e falou em tom leve, quase brincando:
— Agora não há mais nenhum problema, não é? Meus feromônios estão saindo… então agora estamos bem, não é?
Com cuidado, ele estendeu a mão. Mas Ashley deu outro passo para trás. Encostando-se na parede, sem ter para onde recuar, ele encarou Koy e falou com desprezo:
— Estamos bem?
Sua voz era fria, cortante.
— Você acha que eu vou cair na sua conversa de novo?
— O quê?
Koy, surpreso com as palavras inesperadas, mal conseguiu dizer isso. Como se zombasse dele, Ashley continuou friamente:
— No fim, se aparecer alguém mais digno de pena do que eu, você vai me abandonar de novo, não importa quando. Tá tudo bem. Não me importo.
— Ash…
Koy o chamou, mas a expressão de Ashley não mudou nem um pouco. Misturando desconfiança em relação a Koy e desprezo por si mesmo, ele soltou um sorriso amargo.
Então, preciso ser infeliz.
Preciso estar na pior situação possível, completamente deteriorado… para que você não me abandone.
Só assim você não vai me abandonar.
— Por que você continua dizendo essas coisas?
Koy, sem conseguir mais se segurar, falou com a voz embargada. Mesmo vendo aquilo, Ashley não sentiu dor alguma. Pelo contrário, uma estranha sensação de prazer percorreu seu corpo.
Pode ser pena… pode ser compaixão… tanto faz.
— Agora eu também me manifestei como um ômega… Eu vim até aqui por sua causa… então por que você não acredita em mim?
A voz de Koy tremia.
— O que eu preciso fazer…?
Koy continuou perguntando, insistindo sem parar. Encarando-o com os olhos cheios de lágrimas, pensou consigo mesmo:
Não importava quantas promessas eu fizesse, ele não conseguiria acreditar.
Agora, só restava um único caminho.
Não… era pra ser o único caminho.
— Eu queria me vingar de você.
Ashley falou em voz baixa. Koy congelou, e ele continuou:
— Se eu me destruísse, você, sendo quem é, sofreria por isso. Ia se arrepender até morrer… por ter me deixado assim.
Um sorriso começou a surgir lentamente em seus lábios. Era um sorriso vazio, cheio de tristeza, desesperado — e Koy ficou completamente atordoado ao vê-lo.
— Essa era a minha vingança. A vingança contra você, que me abandonou.
— Hahahahaha…
Uma risada metálica ecoou no ar. Ashley inclinou a cabeça para trás e riu… e riu novamente.
Desde aquele dia, Ashley nunca mais liberou seus feromônios. Não dormiu com ninguém, não usou sequer injeções — apenas observou, satisfeito, enquanto seu próprio corpo e sua mente se deterioravam.
Ah… aquilo era tudo o que restava da minha vida.
Mas a risada não durou muito.
Ashley ficou encarando o teto, com os olhos vazios.
Mas você arruinou até a minha vingança.
— “Ash…”
Koy o chamou com a voz trêmula.
Ashley apenas moveu os olhos para olhá-lo. Ao ver o rosto contorcido de Koy, tentando conter o choro, ele riu baixinho.
Você percebeu cedo demais…
Devia ter entendido só depois que eu já estivesse morto e louco.
E agora… como eu vou te prender a mim?
O que eu faço pra te fazer sofrer mais… pra te fazer se arrepender?
— A Bernice falou, não foi? Que meu cérebro tá estragado… que eu enlouqueci.
— Não fala assim…
— Eu ouvi ela.
Ashley falou com uma voz calma.
— Desde o momento em que pensei em me vingar… eu já estava louco.
Ele ainda sorria — mas, aos olhos de Koy, parecia que estava chorando. Por isso, Koy não conseguia derramar nem mais uma lágrima. Como poderia chorar diante de alguém que nem sequer conseguia mais chorar?
Como se perguntasse a si mesmo, Ashley murmurou:
— Não tinha como eu estar são. Como eu poderia estar bem… se você me abandonou?
Se eu pudesse…
Eu te acorrentaria aos meus pés… faria você passar o dia inteiro esperando por mim.
Sem conseguir pensar em mais nada além de mim… incapaz de viver sem mim.
Se o seu mundo pudesse ser completamente preenchido por mim, se realmente fosse possível…
— Koy… você é tudo o que existe na minha vida.
Ashley murmurou:
— Tudo o que eu tive… tudo o que eu quis… a vida toda foi só você.
— Ash…
— Mas agora… até isso acabou.
Ashley voltou a sorrir. Koy, ao vê-lo assim, não conseguiu dizer mais nada. Apenas ficou ali, observando aquele homem completamente destruído.
— …Idiota.
Foi só isso que Koy conseguiu murmurar. Estendeu sua mão trêmula, mas Ashley não se moveu. Talvez porque já não tivesse mais para onde recuar. Em silêncio, Koy cuidadosamente o puxou para um abraço. As lágrimas que ele havia segurado até então escorreram pelo rosto. Com a cabeça apoiada no peito de Koy, Ashley lembrou-se das palavras do médico.
<Agora não tem mais volta. Ele vai continuar se deteriorando.>
Então… o eu que te ama vai desaparecer?
E o que eu vou me tornar? Existe mesmo um “eu” que não te ama?
— Então…
A voz de Koy soou acima dele, suave, como se respondesse aos seus pensamentos.
— Eu vou lembrar. Eu vou te amar.
Koy continuou. Como se estivesse recitando um mantra.
— Mais do que qualquer coisa no mundo… para sempre… pelo resto da minha vida, eu vou me lembrar de você… e vou te amar.
Koy soltou o abraço, segurou o rosto de Ashley com as duas mãos e olhou em seus olhos, em direção daqueles olhos violeta profundos, e disse com um sorriso frágil.
— Mesmo que você me esqueça… mesmo que deixe de me amar…
Ele fechou os olhos e encostou os lábios nos de Ashley.
— …O você que eu amo ainda vai existir.
Ashley também fechou os olhos e entreabriu os lábios. Seus braços, que hesitaram por um instante, envolveram a cintura de Koy e o puxaram com força.
Koy passou os braços pelo pescoço dele e aprofundou o beijo.
Dentro daquele armário, só existiam os dois.
No mundo inteiro… só existiam eles dois.
***
No dia seguinte, eles foram ao hospital.
Bernice, que já havia sido avisada, os aguardava com tudo preparado.
— Olá, Sr. Miller. Sr. Niles.
Com sua postura profissional de sempre, ela os cumprimentou. Depois de trocar olhares com ambos, voltou-se para Ashley.
fixou o olhar em Ashley e disse:
— Para o teste de classificação do Sr. Niles, precisaremos coletar uma amostra. Poderia aguardar um momento? O resultado sairá em até 30 minutos.
— Já volto, Ash. Fique tranquilo, eu já volto mesmo.
Koy reforçou de propósito, mas Ashley reagiu com indiferença. Desde cedo, ele não estava de bom humor. Na verdade, desde o dia anterior, que percebeu que sua “vingança” tinha sido arruinada por Koy, ele vinha se comportando assim. Mesmo assim, Koy não hesitou e seguiu Bernice.
Quando ficaram a sós, ela perguntou:
— Fazer exame de classificação de gênero agora? Você não estava grávido?
Koy respirou fundo antes de responder:
— Eu preciso ter certeza.
Bernice ainda parecia desconfiada, mas não insistiu.
— Entendo.
Cerca de uma hora depois, os dois se depararam com uma situação inesperada.
— Desculpem pela demora.
O médico chegou dizendo:
— Os resultados não estavam confiáveis, então realizamos uma nova análise… na verdade, fizemos alguns exames adicionais…
O médico, que havia prolongado desnecessariamente a introdução, alternou o olhar entre os dois antes de se dirigir a Koy.
— Também realizamos um teste de gravidez, e ele é conclusivo. No entanto, o resultado do exame de classificação também não deixa dúvidas.
Sem conseguir conter a emoção, ele respirou fundo antes de finalmente perguntar:
— Você já sabia que sua classificação é de um ômega dominante?
Bernice, que estava ao lado do sofá, arregalou os olhos — algo raro —, mas rapidamente voltou à sua expressão neutra. Ainda assim, não conseguiu esconder completamente o olhar abalado enquanto observava Koy.
Sentindo o olhar dela, Koy respondeu ao médico:
— Sim, eu sabia. O resultado deu beta, certo?
— Exatamente. Sinceramente, acho que sou a única pessoa no mundo que já encontrou dois ômegas assim.
Ao ouvir a palavra “dois”, o rosto de Angel passou rapidamente pela mente de Koy, mas ele logo voltou ao presente.
O médico, ainda visivelmente empolgado, continuou falando em tom acelerado:
— Como isso aconteceu? Quando foi a manifestação? Quais foram os sintomas? Poderia nos fornecer mais amostras de sangue? Ou ao menos responder a um questionário? Isso é um material extremamente raro… ah, me desculpe, não foi isso que quis dizer.
— Steward.
Ashley falou pela primeira vez. Com uma expressão extremamente fria, ele encarou o médico.
— Você não está sugerindo transformar o meu Koy em objeto de estudo, está?
— O quê? N-não, claro que não! De jeito nenhum.
O médico se apressou em negar.
— Um simples questionário já seria suficiente. Peço desculpas, eu me empolguei demais.
— Tudo bem, Sr. Steward.
Koy falou com calma:
— Posso responder um questionário sem problemas. E, se precisar, posso fornecer amostras de sangue também. É… Eu tenho uma pergunta.
— Sim, claro! Pergunte o que quiser. Se eu souber, responderei.
Diante da prontidão do médico, Koy respirou fundo antes de finalmente revelar o motivo de terem ido até ali.
— Eu ouvi dizer que o feromônio de um ômega dominante pode fazer com que um alfa dominante entre em rut, ou até causar danos cerebrais devido à superestimulação… Existe a possibilidade do efeito contrário também?
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís