Capítulo 224
Koy ficou completamente paralisado, e Ashley continuou falando:
— Isso significaria que o Koy está me rejeitando… mas isso não faz sentido. O Koy me ama. Não é? A única pessoa que você ama sou eu… certo?
Ashley sorriu. Era o mesmo sorriso de antes — o rosto de um garoto, puro e inocente. Ao ver aquilo, os olhos de Koy arderam.
— Não é isso.
Segurando as lágrimas que estavam prestes a cair, Koy respondeu com dificuldade:
— Não é porque eu quero te rejeitar. Você sabe como eu me sinto. A minha vida inteira… foi só você. Eu sempre amei só você.
Uma lágrima caiu. Koy piscou rapidamente, tentando recuperar o foco, e continuou:
— O motivo de eu não ter cheiro de feromônio… é só porque sou inexperiente. Eu não conseguia controlar. Eu nem sabia quando liberava ou não liberava… Não é óbvio? Eu nem consigo sentir cheiros…
Ele enxugou os olhos com o braço e acrescentou, como um desabafo:
— Como eu poderia controlar isso de propósito? Eu só desejava uma coisa… que você não me odiasse. Porque você… tem crises quando sente feromônio de ômega.
Segurando a mão de Ashley e encostando os lábios nela, Koy confessou:
— A única pessoa que eu amo é você. Eu sempre amei só você.
— Eu sei.
Ashley sorriu de novo.
— Meu pai e a Bernice também ouviram tudo. Olha, você veio até aqui. O Koy nunca me abandonaria. Porque, pra você, só existe eu… não é?
Assim como, pra mim…
— Ash…
Koy chamou o nome dele, contendo o choro. Mas… não havia mais nada que ele pudesse dizer. O que ele deveria dizer? Como poderia confortar aquela ferida tão profunda dentro de Ashley? Como…?
Como ele podia fazer isso?
Sem aguentar mais, Koy o abraçou com força.
Como eu faço para liberar meus feromônios?
Eu devia ter perguntado isso ao Angel… por que eu só perguntei como esconder?
<Você precisa se convencer disso.>
De repente, as palavras de Angel vieram à sua mente — o sorriso com que ele falava daquele “encantamento” para esconder feromônios.
Se isso era verdade… então o contrário também não seria possível?
Koy fechou os olhos com força, desesperado.
Por favor… se eu realmente consigo liberar feromônios… não, eu consigo. Por favor, apareça.
Mostre ao Ash o que eu sinto.
Por favor…
— Eu te amo, Ash.
Foi no momento em que ele sussurrou aquilo, com todo o seu coração… Que uma sensação estranha foi surgindo vagamente. Uma sensação peculiar. Um formigamento leve nas pontas dos dedos — algo completamente novo. Koy congelou. Era a primeira vez que sentia aquilo. Seu coração disparou, o pulso acelerou violentamente… e, de repente, sua visão pareceu se iluminar.
Sua mente, antes envolta em névoa, começou a se clarear pouco a pouco. Ashley, sentindo algo estranho, levantou a cabeça. Ao redor, tudo continuava vazio. Ele olhou ao redor da estação deserta… e então voltou o olhar para o lado. Koy estava ali, olhando para ele. Ao ver seu rosto, Ashley sorriu aliviado… e o puxou para um abraço.
…Ao meu lado.
Com uma sensação de satisfação preenchendo o peito, ele abriu os olhos lentamente. O rosto de Koy que surgia em seu campo de visão parecia estranho, meio embaçado. Piscou algumas vezes, tentando focar, e à medida que a imagem se tornava mais nítida, franziu levemente o cenho. Era Koy… mas, ao mesmo tempo, não parecia ser.
As lágrimas que estavam acumuladas escorreram pelo rosto de Koy, e então sua visão se clareou por completo.
Koy está chorando.
Ashley piscou, atordoado. Que estranho… por que ele está chorando de repente?
Até instantes atrás, ele estava com Koy na estação de trem. Mas agora, o lugar onde se encontrava era completamente diferente. Já era surpreendente o fato de estar deitado em algo que parecia um armário, com a cabeça apoiada no colo de Koy — mas o que mais o chocou foi o rosto dele. Em tão pouco tempo, Koy havia amadurecido visivelmente.
Por um breve momento, Ashley ficou confuso. Mas não demorou muito para perceber que algo havia acontecido.
— Ash!
Koy gritou, assustado. Mas Ashley já havia se levantado de um salto, afastando-se dele rapidamente. A expressão cheia de cautela e desconfiança fez Koy perceber na hora que ele havia recuperado completamente a consciência.
Os olhos de Koy voltaram a se encher de lágrimas.
— Ash, você tá bem?
Enxugando as lágrimas às pressas com o braço, Koy continuou, aliviado:
— Ainda bem… eu fiquei preocupado… agora você tá bem? Voltou mesmo, né?
Ele continuou perguntando, mas Ashley não respondeu facilmente. Em vez disso, franziu o cenho, observou o ambiente ao redor e, evitando olhar para Koy, perguntou de forma seca:
— O que aconteceu? Por que você está aqui?
O tom cortante fez o peito de Koy doer, mas ele fingiu que não era nada e respondeu:
— A senhorita Bernice me contou.
Respirando fundo, ele continuou com sinceridade:
— Disse que você estaria aqui… e que, nesse estado, responderia tudo.
Koy tentava não chorar, mas seu nariz ardeu novamente. Sua voz saiu trêmula ao confessar:
— Eu não sabia que você ainda estava lá… me esperando.
Ashley não respondeu. Apenas passou a mão pelos cabelos, com uma expressão complexa. Era estranho. Sempre que tinha uma crise dessas, sua mente ficava confusa e as memórias embaralhadas — mas agora não. Pelo contrário, ele se sentia mais lúcido do que nunca. Seu corpo estava leve, e sua mente, clara.
O que… aconteceu comigo?
Quando percebeu esse pensamento, ele hesitou. Um cheiro que não havia percebido antes o atingiu tardiamente. Um aroma fresco, suave e ao mesmo tempo delicado. Um perfume que envolvia o ambiente como se o consolasse.
Era o feromônio de um ômega.
No mesmo instante, Ashley cobriu reflexivamente o nariz e a boca. Seu coração começou a disparar, e o pulso batia de forma irregular. Preparando-se para a náusea e a dor que inevitavelmente viriam, ele tensionou todo o corpo… Mas nada aconteceu.
Era natural. Afinal, o dono daquele feromônio era justamente a pessoa por quem Ashley havia passado a vida inteira ansiando.
Ashley baixou lentamente a mão que cobria o nariz e a boca. Diante da reação de Ashley, que o olhava com uma expressão de incredulidade, Koy entendeu a situação imediatamente.
— Ash.
Koy o chamou, sem conseguir esconder a emoção na voz trêmula.
— Você consegue sentir? Meu feromônio? Eu consegui… consegui fazer isso?
Ele não podia confirmar diretamente, mas a reação de Ashley era prova suficiente. No entanto, enquanto Koy transbordava de alegria, a expressão de Ashley era completamente oposta.
Não havia dúvidas sobre o que era aquele aroma. Ashley também reconhecia que era um feromônio de ômega. E ele já sabia que Koy era um ômega — assim como sabia que o cheiro de Koy não lhe causava crises.
Mas havia algo diferente. Algo inesperado.
O fenômeno que estava acontecendo com ele agora… Ashley simplesmente não conseguia acreditar. Com os olhos trêmulos, ele olhou para a própria mão. Depois encarou o teto, passando a mão pelos cabelos. Mas nada mudava.
Ele conhecia aquela sensação.
Ele conhecia aquela sensação. A sensação revigorante que sentiu na manhã seguinte à primeira vez com Koy. Uma sensação de clareza mental como nunca antes. Na época, ele pensou que era apenas por ter dormido bem, mas não era.
“O Koy é um ômega dominante.”
A voz de Ariel ecoou em sua mente, e Ashley finalmente compreendeu. Ele abriu a boca, mas logo a fechou novamente. Com esforço, forçou a voz a sair — tremendo por um motivo completamente diferente do de Koy:
— Você… tirou os meus feromônios?
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís