Capítulo 226
Todos os olhares se voltaram para Koy. Ele sentia o olhar fixo de Ashley perfurando seu rosto de lado, mas fez questão de ignorá-lo.
Na noite anterior, os dois haviam dormido abraçados, mas não trocaram mais nenhuma palavra. Quando Ashley acordou pela manhã, Koy já estava de pé, esperando por ele.
— Precisamos fazer o exame de classificação de subgênero.
Foi tudo o que Koy disse. Não era um pedido difícil, e Ashley não suspeitou de nada. Chegou até a rir por dentro — depois de pensar a noite inteira, aquilo era tudo que Koy tinha encontrado como solução? De qualquer forma, não importava. Agora, não havia nada que Koy pudesse fazer. Na verdade, ninguém no mundo poderia. Era isso que Ashley acreditava enquanto dava as instruções para Bernice.
Mas então… o que ele estava dizendo agora?
Ignorando o olhar irritado de Ashley, Koy continuou:
— Ontem, o Ash perdeu a consciência… mas quando eu liberei meus feromônios, ele voltou ao normal. Depois disso, ele ficou com raiva de mim, dizendo que eu tinha feito algo com os feromônios dele… Se isso for possível, então… não poderia melhorar o estado dele?
Era a única esperança que restava.
Koy acreditava que havia um motivo para ele ter se manifestado como um ômega dominante.
Que sua característica veio a existir apenas por causa de Ashley, e exclusivamente para ele.
Enquanto isso, ao ouvir a explicação de Koy, Steward arregalou os olhos, encarando Ashley com brilho intenso. Seu rosto parecia o de um explorador que acabara de descobrir um novo continente.
— Isso é verdade? Se for assim, precisamos fazer um teste imediatamente! Não se preocupe, podemos preparar tudo agora mesmo. Por favor, venha comigo, Sr. Miller. Vamos.
— Koy…
Ashley olhou para Koy incrédulo, e rangeu os dentes. Mas Koy não tinha a menor intenção de recuar. Pelo contrário, levantou-se primeiro e declarou firmemente:
— Vamos, Ash. Eu fico com você.
Ashley também se levantou, olhando-o de cima.
— Eu não sou uma criança. Não estou com medo de fazer exame.
Ashley rosnou com uma voz áspera, mas Koy não se abalou. Ele sabia que Ashley o amava mais do que qualquer coisa no mundo, a ponto de destruir a si mesmo por isso. Esse pensamento doeu, mas ele fingiu calma e escondeu suas emoções.
— Tudo bem. Então eu espero aqui. Vai lá.
Koy até sorriu ao dizer isso. Ashley o encarou por um momento, claramente sem acreditar, e então se virou com um palavrão baixo, saindo da sala.
Koy ficou observando suas costas até a porta se fechar. Só então soltou o ar preso e desabou no sofá.
Vai ficar tudo bem.
Ele juntou as mãos como se estivesse rezando e fechou os olhos com força.
Por favor… não deixe nada acontecer com o Ash.
O exame demorou bastante. Só depois de quase meio dia é que Ashley terminou, e finalmente puderam ouvir o resultado.
— Isso é realmente surpreendente.
O médico não conseguia conter a empolgação e soltava exclamações atrás de exclamações. O rosto de Koy se iluminou junto, mas Ashley, ao contrário, apenas o encarava em silêncio. Sem se importar, o médico continuou, com a voz exaltada:
— Os níveis de feromônio estão muito mais baixos do que o habitual. Veja, o nível médio do senhor Miller sempre foi este aqui, mas em condições normais, o padrão seria este. Os níveis do senhor Miller sempre esteve muito acima, não é? Foi justamente isso que causou o dano cerebral.
Ele virou rapidamente as páginas dos dados e exclamou ainda mais alto:
— Mas agora está nesse nível! Está ainda mais baixo que o normal! Isso é uma descoberta extraordinária. Então os feromônios de um ômega dominante também têm esse tipo de efeito… preciso incluir isso em meu artigo científico!
Ao ver o médico radiante com a própria descoberta, Koy perguntou empolgado:
— Então… o que isso significa? O Ash vai ficar bem agora? Ele vai voltar ao normal? Vai, não é?
Por favor, diga que sim…
Koy o encarava com desespero, mas o médico hesitou por um instante antes de balançar a cabeça.
— Não… isso não é possível. Uma vez que o cérebro é danificado, não pode ser restaurado. Nem mesmo feromônios de um ômega podem tornar o impossível possível…
<Ômegas dominantes não são onipotentes.>
As palavras de Angel vieram à mente. Será que ele também sabia disso? Koy ficou curioso, mas não tinha como perguntar a ele. Sem alternativa, Koy murmurou, como um desabafo:
— Então… eu não posso ajudar em nada…
— Ah, não é bem assim.
Quando a decepção e a frustração estavam prestes a fazê-lo chorar novamente, o médico o interrompeu rapidamente. Koy levantou a cabeça, surpreso, e ele continuou, agora com um tom mais animado:
— Como eu disse antes, a quantidade de feromônios diminuiu drasticamente. Se você continuar mantendo os níveis abaixo do normal assim, é possível impedir que os danos progridam. Não há como restaurar o sistema límbico já afetado, mas podemos evitar que piore.
Koy não conseguiu compreender imediatamente. Era difícil demais de acreditar.
Quem reagiu primeiro foi Ashley.
— Não vai piorar…? O que você quer dizer com isso?
Ele estava claramente perturbado. Era natural. Afinal, o esforço de toda a sua vida estava prestes a ir por água abaixo. Por outro lado, os sentimentos de Koy eram completamente diferentes. Engolindo em seco, ele finalmente colocou em palavras o que mal havia entendido:
— Então… isso quer dizer que, se eu continuar ao lado do Ash e controlar seus feromônios… vai ficar tudo bem? É isso? É isso que você quer dizer?
— Exatamente.
O médico assentiu.
— Se continuar assim, ficará tudo bem. Mas isso só é possível porque estamos falando dos feromônios de um ômega dominante. Eles não apenas podem forçar uma liberação excessiva, como também conseguem retirar grandes quantidades de uma só vez.
— Outros ômegas não fariam diferença.
Até então em silêncio, Bernice interveio. Quando Koy levantou os olhos, ela o encarou e disse, com expressão neutra:
— O senhor Miller entra em crise ao sentir o cheiro de feromônios de outros ômegas, não é? Da última vez, inclusive, a situação piorou com o feromônio de outro ômega dominante.
— De fato.
O médico concordou e acrescentou seriamente, olhando para Koy:
— Para o senhor Miller, apenas os feromônios do senhor Niles têm efeito.
Ninguém pronunciou uma palavra. Koy queria ver a reação de Ashley, mas ele mantinha os lábios cerrados, encarando apenas o médico.
— Então…
Depois de um tempo, Ashley finalmente falou, em tom muito lento:
— Isso quer dizer que o Koy precisa ficar ao meu lado pelo resto da vida?
Sua voz era tão baixa que chegava a ser assustadora. O médico se sobressaltou, mas logo assentiu apressado.
— S-sim… não há outra opção. Se o senhor Niles desaparecer, o dano cerebral do senhor Miller vai se acelerar ainda mais. É como alguém que consegue largar um vício, mas ao voltar a consumir, acaba afundando ainda mais profundamente do que antes…
Ashley soltou uma risada baixa entre os lábios. Koy e o médico o encararam, surpresos. Ele cobriu a boca com a mão, mas não conseguiu se conter e começou a rir alto, com a cabeça jogada para trás.
Consegui.
Koy não pode ir embora.
Para sempre.
Claro… se ele me abandonar, eu vou me deteriorar.
Existe algo mais perfeito do que isso?
Ele não conseguia parar de rir. Seu corpo tremia enquanto a gargalhada continuava.
Meu Deus… eu finalmente consegui.
Uma semana depois, saiu a notícia: Ashley Miller iria se casar com um pobre técnico de reparos. Ariel, que já havia sido avisada por telefone, ficou furiosa ao ver o artigo escrito por um colega e amassou o jornal com raiva.
— Fazer o quê? O Ash apostou a vida inteira dele pra ficar com o Koy.
Bill, agora dividindo a casa, comentou cauteloso. Ariel lançou um olhar irritado, mas no fundo não podia deixar de admitir que havia perdido para Ashley. No fim, deixou os ombros caírem e murmurou:
— Acho que só me resta esperar a lista de presentes de casamento.
Olhando para o rosto de Ashley estampado no jornal amassado, ela franziu a testa.
— Não imaginava que ele fosse tão louco assim…
Mas não havia o que fazer, afinal, seu amigo estava apaixonado por esse maluco. Irritada, ela bagunçou os cabelos e pegou uma cerveja na geladeira, bebendo junto com Bill.
Então você conseguiu mesmo, seu desgraçado.
Os dois pensaram a mesma coisa.
***
Com um clique, a porta foi deslizada para o lado. Lá dentro, um homem de grande porte dormia profundamente. Koy o observou em silêncio por um momento, depois se deitou ao lado dele.
— …Koy?
Com a voz embriagada pelos feromônios, Ashley o chamou. Koy tirou o elefante de pelúcia que ele abraçava e ocupou o lugar dele.
— Desculpa por demorar. Se eu soubesse que seria assim, nem teria te pedido em casamento.
Quando chegou realmente a hora do casamento, tudo ficou caótico. Desde os presentes para os convidados, a comida que seria servida na festa e até a cor das cadeiras — havia mil coisas para decidir. Mesmo deixando tudo com um cerimonialista, ainda era trabalhoso. No meio dessa correria, Ashley acabou ficando sozinho de novo… e voltou a se enfiar dentro do armário.
— Não pode simplesmente se esconder aqui assim toda vez… você vai ser pai em breve.
Koy falou em tom suave, como quem acalma uma criança. Enquanto liberava cuidadosamente seus feromônios, olhou para Ashley, que soltou uma risadinha.
— Não preciso de filhos. Só preciso de você.
— Não fale assim.
— Tá bom.
Ashley obedientemente cedeu.
— Eu gostaria de ter muitos filhos. E que eles se pareçam com você.
Ele acrescentou, como uma brincadeira:
— Eu recusaria com certeza um filho parecido comigo.
— Para com isso. Eu já disse pra não falar essas coisas
Repreendendo-o suavemente, Koy falou com cuidado:
— Ash… tem uma coisa que me deixou muito magoado com você.
— Hm…? Magoado?
Repetindo as palavras dele, Ashley o encarou, e Koy continuou:
— Quando você me mandou voltar pro Oeste… você estava falando sério?
Ashley piscou lentamente.
Koy continuou, firme:
— Me fala a verdade. O que você realmente queria.
Agora você pode dizer.
— Você não queria que eu fosse. Disse aquilo, mas o que você queria de verdade era outra coisa… não era?
Ele já sabia a resposta, mas queria ouvir dele.
Diante do silêncio hesitante de Ashley, Koy insistiu, suavemente:
— Fala a verdade. Só isso.
Diante da doce insistência, Ashley finalmente abriu a boca e respondeu.
— …Não vá…
Com uma voz trêmula, quase um suspiro, ele confessou:
— Não me abandone de novo.
Era seu único desejo.
Desde antes… agora… e para sempre, somente um.
Só preciso de você…
Que você apenas fique ao meu lado.
Koy o abraçou com carinho e sussurrou:
— Não vou.
— Nunca mais vou sair do seu lado. Vou passar a vida inteira com você.
— Haa…
Ashley soltou um suspiro acima de sua cabeça.
Ah… ainda bem…
Os feromônios acumulados começaram a se dissipar, e sua consciência voltou aos poucos. Ao perceber que estava novamente dentro do armário, ele soltou um sorriso amargo. Mas, em vez de se auto desprezar, apenas apertou Koy com força.
Eu perdi tudo e caí no inferno… mas tudo bem. Porque, em troca, eu consegui você.
Se você estiver comigo… até esse inferno… Esse lugar se torna o paraíso que eu escolhi.
Ashley inclinou a cabeça. Seus lábios se tocaram, e os dois fecharam os olhos.
Vamos juntos…
Para o nosso próprio inferno.
(Fim)
N/T: Pessoal, acaba aqui a história principal. Começa agora os extras, e a Zig não economiza nas sides.
Até lá.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís