Capítulo 222
— Koy soltou um suspiro sufocado, puxando o ar com força, enquanto Ashley simplesmente congelou no lugar. Bill também se assustou, alternando o olhar entre os dois antes de finalmente gritar:
— O que você quer dizer com isso?!
Ele perguntou, frustrado, mas ninguém respondeu.
Um silêncio pesado — mais denso do que nunca — caiu entre eles. Era como se até o ar tivesse parado de circular. Ninguém ousava sequer respirar. Apenas Bill, ainda atônito, movia os olhos de um lado para o outro, tentando entender o que estava acontecendo.
— …Que merda é essa que você tá falando.
Depois de um longo tempo, Ashley finalmente abriu a boca.
A voz saiu baixa, esmagada, como se estivesse sendo forçada através dos dentes cerrados. O tom fez Bill se sobressaltar, e até Ariel sentiu um arrepio percorrer a espinha. Koy também permaneceu em silêncio, incapaz de dizer qualquer coisa, enquanto Ashley murmurava, com aspereza:
— Pare de falar besteira, Ariel. Isso não faz sentido.
— E por quê?
Recuperando-se, Ariel rebateu imediatamente.
— Por que não faria sentido? Tem algum problema no Koy ser um ômega dominante?
— Ha…
Ashley soltou um suspiro irritado. Ele balançou a cabeça, incrédulo, e então lançou um olhar frio e ameaçador para Ariel.
— Você realmente acha que isso faz sentido? Koy ser um ômega dominante? Isso é impossível. Absolutamente impossível.
— E por que seria impossível?! Eu tô te dizendo que o Koy “É” um ômega dominante!
Ariel acabou elevando a voz, incapaz de conter a frustração. O peito parecia sufocado de tanta indignação.
Diante disso, Ashley soltou um sorriso sarcástico.
— E como você pretende provar isso?
Ariel hesitou por um instante — e ele aproveitou para continuar:
— Ômegas dominantes não aparecem em exames de classificação. Dá como beta. Não existe nenhuma forma de provar que alguém é um ômega dominante.
A convicção de Ashley era inabalável.
Mas, ao ouvir aquilo, Ariel encontrou uma brecha.
— Você já fez um exame de classificação do Koy?
Ashley riu, como se aquilo fosse irrelevante.
— Para quê? Se ele está grávido, é óbvio que é um ômega.
— Nós fizemos. Quer dizer, nós confirmamos.
Ariel respondeu, firme.
— O Koy deu como beta.
— Lá vem você com essa merda de novo—
Ashley sequer considerou a possibilidade. Com o rosto cheio de desconfiança, ele soltou um xingamento — mas Ariel o interrompeu antes que continuasse:
— Se não acredita, então vai lá e confere você mesmo. Descobre qual é a classificação do Koy. É simples, não é? No hospital, no máximo dois dias sai o resultado — e se pagar mais, sai em meia hora. Por que não faz isso agora mesmo?
Recuperando sua compostura habitual, Ariel encarou Ashley de frente e provocou:
— Parece que você está desesperadamente tentando negar que o Koy é um ômega dominante… mas por quê?
Ela estreitou os olhos, desconfiada.
— Isso não seria até melhor pra você? Dizem que um ômega dominante é praticamente o sonho dos alfas dominantes… ou não é o seu caso?
E então, completou, com um olhar afiado:
— “Ou o problema… é o Koy ser um ômega dominante?
O silêncio caiu mais uma vez. Ninguém disse nada. Koy apenas observava, inquieto, sem coragem de encarar Ashley diretamente. Mas, reunindo toda a coragem que tinha, ele ergueu o olhar com cautela.
Ashley nem sequer olhava para ele. Continuava encarando apenas Ariel. Aquilo fez algo no peito de Koy se apertar.
…Ash, isso é mesmo verdade?
Engolindo em seco, Koy finalmente falou, com dificuldade.
— Ash…
Ele sentiu o braço que ainda o envolvia estremecer levemente. Mesmo assim, continuou, olhando para ele:
— Você… não gosta porque sou eu? Teria sido melhor se eu fosse beta?
Os olhos de Koy já estavam marejados quando Ashley respondeu, de forma brusca:
— Que coisa estúpida de se dizer. Para mim, não importa o que você seja.
— Então por que você continua negando?
Ariel interveio novamente. Ashley gostaria de estrangulá-la se pudesse, mas era impossível. As têmporas latejavam, sua mente estava um caos. Sentindo os dedos tremerem, Ashley abriu e fechou a boca.
No fundo, sua razão já tinha aceitado a realidade. As evidências eram muitas. A resposta para as inúmeras perguntas que ele tivera era uma só. O cheiro indo e vindo. A ausência de útero naquela ocasião.
Não era que meu cérebro estivesse errado e eu estivesse louco, era realmente…
— Não pode ser.
A voz de Ashley tremeu levemente. Como se algo dentro dele estivesse desmoronando. Seus olhos, seus lábios, todo o seu corpo começaram a tremer.
— O meu Koy… jamais faria isso.
— Ash…
Koy o chamou, assustado.
A força nos braços de Ashley cedeu. Ele deu um passo para trás, afastando-se. Separado de Koy, ficou parado por um instante, olhando lentamente ao redor.
No ar… só havia o cheiro dos próprios feromônios dele.
— Se o Koy fosse ômega… deveria haver cheiro de feromônio.
Ele murmurou, como se falasse sozinho.
Ariel tentou explicar:
— Por ser um ômega dominante, então consegue controlar os feromônios…
— Cala a boca!
Com um grito violento, Ashley desviou o olhar de Ariel, que havia fechado a boca, e voltou seu olhar para Koy.
— Não há motivo para você esconder seus feromônios de mim.
Como se estivesse tentando convencer a si mesmo, ele continuou:
— O Koy só sofreu uma mutação. Por isso o cheiro do seu feromônio é fraco. É só isso.
— Ash…
Koy o chamou novamente, mas Ashley recuou com um passo para trás. Koy, que estava prestes a se aproximar, parou imediatamente.
— Não é mesmo?
Ashley forçou um sorriso, puxando os lábios de forma artificial, e perguntou:
— A Ariel tá falando besteira, não é? Você não mentiria para mim… não é?
— Ash…
— Koy.
O rosto de Ashley se contorceu completamente.
— Diz que não é verdade.
Havia um desespero evidente no pedido dele. Mas Koy… não conseguiu dizer nada. Novamente, o silêncio voltou a cair.
Ashley, que o encarava com os olhos trêmulos, lentamente balançou a cabeça.
— Isso não é real.
— Ash…
— É mentira. Isso é mentira!
Ele gritou com força — e, de repente, puxou o ar bruscamente. Koy gritou, assustado com o corpo grande que tombava para frente.
— Ash!
— “Hng…!”
Bill soltou um grito curto e tampou o nariz com o braço. Ariel também arregalou os olhos e recuou.
Ashley estava curvado, ofegante. E seus olhos… começaram a se tingir de um dourado intenso.
— Ash, o que foi? Aconteceu alguma coisa com você de novo?!
Koy perguntou, desesperado. Mas Ashley já não estava em condição de responder.
Ele não está conseguindo controlar os feromônios…?
As palavras de Bernice vieram à mente de Koy, fazendo um arrepio percorrer sua espinha. Ao recordar que o cérebro de Ashley estava sendo danificado pelos feromônios, o medo o dominou de repente.
— Ash, Ash, fica comigo! Ash!
Koy pegou o celular às pressas — mas suas mãos tremiam tanto que ele deixou cair. Koy enxugou freneticamente as lágrimas que se acumulavam em seus olhos e pegou o aparelho de novo.
Preciso ligar pra Bernice.
Era o único pensamento em sua mente. Só ela poderia resolver a situação naquele momento.
— Ash!
De repente, Ariel gritou. Koy, que já levava o celular ao ouvido, virou-se por reflexo — e engoliu o ar como se fosse um grito. Ashley estava se levantando, cambaleando… indo em direção à porta.
— Ash, espera! Pra onde você tá indo?!
Koy nem esperou a ligação completar e saiu correndo. Tentou segurar Ashley, mas ele o empurrou com violência. Koy cambaleou, quase caindo. Quando conseguiu se equilibrar de novo, Ashley já tinha saído do quarto.
— Ash…!
Desesperado, Koy correu para fora para tentar seguí-lo, mas não havia sinal dele. Nem sombra. Só restava no ar o cheiro dos feromônios de Ashley… muito mais intenso do que o normal.
— Haa… haa…
Koy ofegava, enxugando o suor da testa. Por mais que procurasse, não o encontrou. Vasculhou a casa inteira, procurou no escritório, tudo em vão. Com uma ponta de esperança, foi até a casa onde morava, mas estava vazia. Por fim, Koy ficou parado no meio da rua já escura, olhando para o nada, sentindo-se perdido.
Pra onde ele foi…?
Não conseguia pensar em mais nada. Segurando a cabeça latejante, sentiu o celular vibrar de repente. Assustado, ele olhou o visor… e soltou um suspiro ao reconhecer o nome antes de atender.
— Alô?
— O que aconteceu? Você me ligou, não foi?
Era Bernice. Koy respirou fundo uma vez antes de explicar rapidamente:
— O Ash teve uma crise… por causa dos feromônios… e eu não consigo encontrar ele.
E logo acrescentou, apressado:
— Eu fui até a casa dele também, mas ele não estava lá. O porteiro disse que viu ele entrar, mas eu procurei tudo e não achei… acho que ele deve ter saído de novo sem que o porteiro visse…
— Você olhou o closset?
Bernice perguntou de repente. Koy parou no meio da frase.
— O… closset?
— Sim. O closet. O armário dentro do quarto.
A voz dela continuava calma, completamente profissional.
— O Junior deve estar lá.
A ligação foi encerrada.
Koy ficou parado ali, atordoado por um momento. Então…
— Ah…!
Voltando a si, virou-se imediatamente e começou a correr de volta pelo caminho que tinha vindo.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís