Capítulo 161
Koy queria confirmar por si mesmo, mas não havia como. Mesmo sabendo que era inútil, ergueu o braço e o levou até o nariz; logo em seguida, porém, endireitou a postura com o rosto constrangido. Observando a atitude de Koy, Ariel comentou:
— Mas isso que você falou, esse tal cheiro… se for verdade, não parece feromônio de ômega?
— Feromônio de ômega?
— Sim.
Ariel concordou com a cabeça.
— Dizem que o feromônio de ômega derruba a guarda do outro e desperta atração. Quanto mais forte o cheiro, mais intensa fica também a sedução sexual. É por isso que fica perigoso quando entra no ciclo de cio. A própria pessoa entra em estado de excitação, mas como o cheiro se intensifica, acaba atraindo até betas. E, claro, para alfas isso deve ser enlouquecedor.
— E-entendi.
Assim como Ariel, Koy havia recebido educação sexual básica na escola, mas, como questões de subgêneros nunca tiveram relação direta com ele, não se lembrava dos detalhes.
‘Ariel é jornalista, então deve saber bastante coisa’.
Enquanto ouvia em silêncio, Ariel franziu a testa, como se estivesse vasculhando a memória, e murmurou consigo mesma:
— Por isso dizem que no caso dos ômegas dominantes que são capazes de controlar os próprios feromônios, eles poderiam até manipular os sentimentos das pessoas…
Ela lançou um olhar desconfiado para Koy que sem entender o significado apenas piscou os olhos. Ariel então soltou uma risadinha curta e balançou a cabeça.
— Não faz sentido. A gente já passou da idade de manifestação e se você tivesse sofrido uma mutação por causa de uma droga de bloqueio, estaria exalando feromônio agora. Mas não sinto absolutamente cheiro nenhum em você.
— Sério?
— Claro.
Ariel respondeu sem hesitar.
— Na empresa onde eu trabalho também tem ômegas. Eu já senti feromônio antes, sei reconhecer. De você não vem cheiro algum.
‘É claro que não viria’.
Koy ficou quieto, sentindo-se estranhamente constrangido. Se fosse para manifestar, já teria acontecido há muito tempo. Ele tivera inúmeras oportunidades. Mesmo após receber tantos feromônios de alfas dominantes, nunca manifestara nada; não fazia sentido que agora, só agora, sofresse uma mutação. Observando Koy em silêncio, Ariel apoiou o queixo em uma das mãos e pensou:
‘Nunca ouvi falar de alguém que tenha se tornado um ômega extremo por mutação…’
Mas os ômegas dominantes eram exceções a todas as regras das características genéticas. Como se tivessem sido criados por um deus para punir a arrogância dos alfas dominantes, sua própria existência era um mistério.
Entre os subgêneros, apenas alfas dominantes e ômegas dominantes conseguem controlar os próprios feromônios. No entanto, ao contrário dos alfas dominantes, cujas particularidades físicas se manifestam de forma evidente, os ômegas dominantes são quase impossíveis de distinguir de pessoas comuns. Se ocultarem seus feromônios por vontade própria, externamente não diferem em nada de um beta.
Por esse motivo, mesmo exames de classificação muitas vezes não detectavam sua presença. Assim, encontrar um ômega dominante era, na prática, algo próximo do impossível.
A menos que eles próprios decidissem se revelar.
— É… só por curiosidade, mas seus pais eram alfas ou ômegas?
Koy balançou a cabeça de imediato, negando.
— Não. Na minha família, todos são beta.
‘Mesmo que fosse um ômega dominante, poderia passar a vida inteira sem se revelar’.
Ariel ficou pensativa por um momento. Seguindo essa lógica, a possibilidade mais plausível seria a mãe de Koy — mas não havia como confirmar. Também era perfeitamente possível que houvesse alfas ou ômegas em gerações anteriores.
‘E isso também é impossível de verificar’.
Ariel então apresentou a melhor hipótese que conseguia formular naquele momento.
— Se você realmente tivesse sofrido uma mutação e se tornado um ômega, a única causa possível seria o Ash. Mas é estranho demais você manifestar agora algo que nem no ensino médio aconteceu.
Como se concordasse, Koy acenou com a cabeça. Além disso, ômegas comuns não conseguem ocultar artificialmente o próprio cheiro.
Ariel sabia muito bem o quão raros eram os ômegas dominantes. Não havia comparação com os alfas dominantes, que ao menos apareciam ocasionalmente na mídia.
‘Mas Koy se manifestar como um extremo ômega não faz sentido nenhum’.
Sobrepondo mentalmente as características genéticas à imagem do colega de escola sentado à sua frente, Ariel balançou a cabeça sem perceber. Era irreal demais.
Acima de tudo, faltavam bases sólidas para tal crença. Existiam pouquíssimos dados sobre ômegas dominantes e por consequência, quase nada era realmente conhecido. Para obter alguma informação confiável, seria necessário recorrer a associações especializadas ou a professores especializados — e mesmo sendo jornalista, Ariel não passava de uma beta comum. Era duvidoso que alguém estivesse disposto a compartilhar esse tipo de conhecimento com ela.
Se fosse um alfa dominante seria mais fácil.
Alfas dominantes despejavam quantias absurdas de dinheiro em associações e pesquisas; a quantidade de informação a que tinham acesso era completamente diferente da de pessoas comuns. Porém, o único alfa dominante a quem Ariel poderia recorrer era justamente a única pessoa que ela não queria, em hipótese alguma, que soubesse dessa situação.
Além disso, nas circunstâncias atuais, mesmo um exame de feromônios dificilmente traria um resultado confiável. No fim das contas, existia apenas um método realmente seguro.
— Da próxima vez que você tiver febre de novo ou ficar doente como dessa vez, entre em contato comigo, sem falta.
Mesmo achando que aquilo jamais poderia acontecer, Ariel se sentia inquieta. Por mais que pensasse, a história do cheiro e a reação dos colegas de trabalho não saíam da sua cabeça. Koy não era o tipo de pessoa que inventaria algo assim, e embora ele acreditasse que tivesse sido apenas um resfriado, aqueles sintomas naquela ocasião…
‘Isso estava muito mais perto de uma manifestação’.
Com o rosto sério, Ariel acrescentou:
— Evite voltar tarde da noite e ande sempre por ruas movimentadas.
Que tipo de recomendação é essa? Parece coisa de pai preocupado com sequestro.
De repente, Ariel se sentiu exasperada ao perceber que aquelas palavras não combinavam nem um pouco com alguém dirigindo advertências a um homem mais alto do que ela. Ainda assim, não havia o que fazer. Tomar cuidado nunca era demais.
Depois de insistir mais uma vez, receber a chave reserva e só então se despedir, Ariel foi embora, carregando nos braços o vaso de flores que Koy havia levado.
‘Que bom. Encontrou um bom dono’.
Koy acenou para Ariel e para o seu antigo vaso de flores e voltou para casa com o coração mais leve. Por via das dúvidas, pegou o metrô, mas, para seu alívio, ninguém lhe deu atenção alguma.
Naquela noite, Koy dormiu tranquilamente pela primeira vez em muito tempo. No entanto, aquela rotina pacífica duraria pouco.
— Aaaaah…
Assim que chegou em casa, um longo suspiro escapou de seus lábios. Já fazia mais de uma semana que Koy vinha sendo submetido a um trabalho pesado. Por diversos motivos, todos os funcionários haviam ido embora, restando apenas ele e o chefe.
Por alguma razão, a atitude do chefe, que até dera dinheiro e pedira para ele ficar, mudou completamente depois que o fim de semana passou. Ele suspeitava que fosse depois que o aroma desapareceu, mas não havia como confirmar.
〈Tem trabalho acumulado até não poder mais e nenhum funcionário que preste.〉
O estresse causado pelo volume de serviço fazia com que ele xingasse com frequência. Como as obras estavam atrasadas, as reclamações dos clientes se acumulavam e isso acabava se transformando em pressão direta sobre Koy. Sair no horário era simplesmente impossível e os dias em que ele só chegava em casa perto da meia-noite se tornaram cada vez mais comuns.
Ainda assim, havia a esperança de que, em algum momento, os funcionários afastados voltassem e então essas horas extras diminuiriam. O verdadeiro problema era outro: os salários estavam atrasados.
〈Como o trabalho não é feito no prazo, o dinheiro não está entrando〉
O chefe dizia isso sempre que adiava o pagamento, e já fazia quase dois meses desde a primeira vez. Com o custo de vida absurdamente alto, o dinheiro que Koy havia economizado começou a acabar, até que ele passou a comer apenas uma refeição por dia. Mesmo assim, era algo miserável: um hambúrguer pequeno, feito de pão barato e um único hambúrguer fino, sem bebida — apenas água. A pobreza chegou a tal ponto que ele sequer cogitava encontrar alguém, e com o dinheiro que o chefe lhe dava não era possível nem pagar o aluguel.
Quando chegou ao ponto de ter que trabalhar até nos fins de semana, Koy tomou uma decisão importante. Ele havia suportado tudo esperando receber os salários atrasados, mas o dinheiro só acumulava, sem qualquer sinal de realmente cair em suas mãos. Se continuasse assim, acabaria indo parar na rua.
‘Nessa situação, só resta buscar ajuda legal…’
Ele chegou a dizer ao chefe que sairia se o problema dos salários atrasados não fosse resolvido, mas até ele mesmo achava que aquilo não surtiria efeito algum. Entrar com um processo também não era algo simples. Não havia um jeito mais fácil? Lamentando sua rede de contatos absurdamente limitada, Koy acabou não tendo escolha a não ser entrar em contato com Ariel.
— Por que você só está me contando isso agora?
Assim que ouviu a situação, Ariel se exaltou e imediatamente apresentou uma solução:
— Tá bom, espera um pouco. Vou te apresentar ao melhor advogado que conheço.
— Obrigado, Al.
Koy desligou a ligação com um suspiro de alívio. Quando recebesse o dinheiro atrasado, a primeira coisa que faria seria retribuir Ariel. Foi então que, ao se lembrar do restaurante exclusivo ao qual tinha ido com Ashley, o telefone tocou. Era um número desconhecido.
Atendendo às pressas, Koy presumiu que fosse justamente o advogado de quem Ariel havia falado.
Tão rápido assim… Obrigado, Al.
— Sim, aqui é Connor Niles.
Ele respondeu sem perceber o quanto estava tenso, mas, do outro lado da linha, houve um silêncio inesperado. ‘Hã? Será que é spam’? Piscando, pego de surpresa, Koy já começava a se sentir constrangido quando uma voz calma soou.
— Sou eu, Koy.
Naquele instante, Koy ficou tão surpreso que, sem perceber, prendeu a respiração.
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Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís