Capítulo 24
⚝ Capítulo 24
Quando ele finalmente cessou suas investidas, o céu já estava transbordando de estrelas. Camar, que distribuía beijos por todo o meu rosto enquanto sua respiração pesada soprava contra minha pele, demorou-se um pouco mais em meus lábios e sussurrou:
— Eu sou o primeiro a vir aqui?
Assenti ao som daquela voz que desceu tão baixo quanto um suspiro. Em seguida, roçamos os lábios levemente um contra o outro, um carinho úmido e quente.
— Sim, provavelmente é uma propriedade privada… Além disso, é bizarro alguém querer cruzar este deserto por vontade própria.
— Ainda existem terras conectadas a este deserto além daqui? — Camar perguntou, beijando minha bochecha novamente. Assenti mansamente.
— Sim… O lugar mais próximo depois de Al-Fatih é a cidade da realeza. Já falamos sobre isso antes, não?
— Sim — Camar concordou. — Como essa cidade do outro lado do deserto se compara a Al-Fatih?
— Bem… — Fiz uma pausa reflexiva. — É apenas… uma cidade absurdamente rica?
— De que forma?
Comecei a falar conforme as minhas lembranças vagas permitiam.
— Bem, todos lá parecem impecáveis… Usam ouro e joias por todo o corpo… E… todos são extremamente religiosos. — Fiz uma pausa e acrescentei: — Existe um horário rígido para a oração e, nesse momento, você precisa parar onde quer que esteja. Todos carregam um pequeno tapete para que possam se ajoelhar. Assim, quando a hora se aproxima, a cidade inteira para e todos se curvam no chão para orar.
— Impressionante — Camar disse de forma nitidamente sarcástica, sem qualquer vestígio de admiração. Ri baixo e continuei a explicação.
— Existe um rei lá, e dizem que ele é um mensageiro enviado por Deus.
— Ele é Deus?
— Não. — Parei de rir imediatamente. Camar, com uma expressão de desdém sobre o que quer que não tivesse gostado, insistiu:
— Continue. E então?
— O rei era considerado um mensageiro dos deuses desde a fundação do país. — Tentei manter o tom leve, apesar da seriedade dele. — É o que dizem. Que o próprio Deus ordenou que uma nação fosse estabelecida aqui e que seu representante fosse coroado rei. O rei implorou pela proteção de seu povo em troca de lealdade absoluta, e é assim que a ordem se mantém. Como prova disso, ouvi dizer que a família real possuía algo muito especial… mas não consigo me lembrar dos detalhes.
— E você acredita nessa história?
Ri novamente daquela resposta tão cética.
— Se as pessoas ouvissem você falar assim, você seria jogado na masmorra por blasfêmia. — E acrescentei, em um tom de alerta genuíno: — Eles açoitariam suas costas com um chicote; a dor é terrível. Deixaria cicatrizes permanentes. A prova da sua heresia ficaria marcada na sua pele para o resto da vida.
— E aqueles que vissem as marcas o desprezariam e amaldiçoariam até a morte? Isso é algo novo para você? — Inesperadamente, a reação de Camar foi gélida e cínica. Senti-me constrangido e o riso morreu na minha garganta. Um silêncio pesado se instalou entre nós.
Contrariando meu desejo de mudar de assunto, Camar continuou:
— Um mensageiro ou representante de Deus, no fim das contas, não é Deus. São apenas homens como nós. Por que a blasfêmia seria um crime tão grave? Não faz o menor sentido.
— É que… — gaguejei, desconfortável. Seria por causa da sua amnésia que ele falava de Deus com tamanha indiferença? De onde esse homem teria vindo? Algum lugar onde a fé não existisse? — …É melhor ter cuidado com essas palavras. Dizem que Deus tem seis ouvidos. Dizem que Ele escuta absolutamente tudo.
— Ah, então é isso que você pensa? Que Deus estúpido.
Fiquei sem resposta diante daquele tom cortante. Quando fora a última vez que eu realmente orei? Eu ainda lembrava das palavras sagradas? Eu sequer conseguia recordar a última vez que senti a presença divina neste vazio do deserto.
Deus realmente existe?
Perguntas perigosas começaram a rastejar em minha mente, dúvidas que eu jamais ousara nutrir.
— …Não sei — murmurei com dificuldade. — Mas se foi Deus quem me trouxe você, eu quero acreditar n’Ele.
Camar calou-se. Não parecia ser a resposta que ele buscava, mas não importava. Forcei um sorriso casual.
— Por que você é tão descrente? E se for punido por isso mais tarde?
Quando tentei soar brincalhão, ele apenas sorriu com um amargor sarcástico.
— Se houvesse um Deus, Yohan, Ele jamais deixaria você viver sozinho e abandonado neste lugar.
Eu não tinha argumentos contra aquilo. O silêncio voltou, agora mais denso. Abri a boca cautelosamente:
— Eu também não sei muita coisa. Minha memória falha. Além disso, muito tempo se passou, as coisas mudam. Se você fosse de lá… — Tentei organizar o que sabia, mas era um emaranhado confuso. Acrescentei baixinho: — Receio não ser de muita ajuda para você.
Camar pareceu ponderar por um instante e perguntou:
— Quanto tempo levaria para atravessarmos e chegarmos lá?
Balancei a cabeça, incerto.
— Não sei ao certo… Mas ouvi dizer que o deserto tem este formato. — Desenhei um triângulo alongado com o dedo indicador sobre o peito dele. Camar parou de olhar para o desenho e fixou os olhos no meu rosto. — Este lado curto é o que toca a nossa região. Quando eu era criança e viajava com meu pai, levávamos alguns dias para cruzar as dunas. Nós acampávamos sob as estrelas… era divertido. É só disso que me lembro.
De repente, uma memória sufocada emergiu das profundezas.
“Yohan.”
A voz trêmula de minha mãe ecoava: “Isso precisa ser um segredo absoluto. Ninguém pode descobrir. Se souberem que você é um Ômega, você estará em perigo mortal. Yohan, seja vigilante em cada passo que der.”
Quando descobri que havia me manifestado como um Ômega, logo após meu pai falecer de uma febre avassaladora, eu não compreendia o peso daquilo. Só achava estranho o modo como minha cabeça latejava e meu corpo parecia flutuar, enquanto uma coceira interna e um formigamento constante me consumiam por dentro.
Após minha manifestação, vi minha mãe chorar apenas duas vezes.
A primeira foi quando acordei após três dias de inconsciência febril; ela me olhava e as lágrimas caíam em silêncio.
“Yohan, meu pequeno.”
Ela me apertou em seus braços: “O mundo será difícil para você de agora em diante. Mas não perca as esperanças. Deus só nos dá fardos que podemos carregar. E…”
Ela me beijou no rosto, gravando sua expressão em mim: “Você é o fruto do amor entre mim e seu pai. Nunca se esqueça disso.”
Naquele inverno, a tosse dela não cedeu. Após semanas acamada, ela partiu.
“Eu te amo, Yohan. Perdoe-me por deixar você sozinho tão cedo.”
E havia lágrimas nos cantos dos olhos dela enquanto ela adormecia para sempre. Aquela foi a segunda vez que a vi chorar. No mesmo dia, a gata que era mãe de Rikal também morreu. E eu restei, sozinho com ele.
Senti meus olhos arderem e pisquei rapidamente para espantar a tristeza. Camar percebeu a mudança no meu estado de espírito e, sem aviso, moveu o quadril com força.
— …Ah!
Soltei um grito agudo. O pênis, que eu nem tinha percebido que ainda estava dentro de mim, deslizou para fora quase por completo e voltou a preencher meu ventre com uma pressão avassaladora. Ele começou a se mover lentamente lá no fundo.
— No que você está pensando agora?
— Sim… — Um gemido escapou enquanto Camar sussurrava contra meu ouvido. Exausto e sensível, respondi: — Apenas… por que essas perguntas agora? Do nada…
Camar não respondeu com palavras. Ele apenas continuou o movimento rítmico e deliberado de sua cintura, entrando e saindo de mim com uma lentidão torturante.
Minha respiração, que mal tinha voltado ao normal, acelerou novamente. Abri mais as pernas e agarrei o braço musculoso dele. Tremendo a cada estocada, esperei que ele falasse. Quando ele finalmente abriu a boca, senti uma tensão elétrica no ar.
— Yohan, você quer ir embora comigo?
Arregalei os olhos, atordoado. Ele falava com uma seriedade absoluta.
— Não podemos continuar vivendo escondidos assim. Deixe tudo para trás e venha comigo.
— P-para onde? — A pergunta saiu antes mesmo que eu pudesse processar um “não”. Camar sorriu, satisfeito com o meu interesse.
— Vamos para a cidade. Para onde a realeza vive.
— Para a cidade? — Repeti como um eco, enquanto ele assentia com firmeza.
— Você não pode voltar para Al-Fatih, não é? Não depois de ter me escondido aqui.
Ele tinha razão. Mas ir para a cidade grande era um salto no escuro. Percebendo minha hesitação, Camar retirou o pênis quase totalmente, deixando apenas a glande na entrada do meu canal. Apoiado nas mãos, com o tronco erguido, ele começou a balançar o quadril de forma a apenas roçar e pressionar a abertura sensível.
— Uh, uh, uh… ah…
Cada movimento fazia as dobras da minha entrada se expandirem e clamarem pelo preenchimento total. Desesperado pela sensação, agarrei o braço dele e implorei:
— O que você vai fazer? Você realmente vai me levar?
— Ah, ha… Responda primeiro, Yohan. Você vem comigo?
Camar continuava a me pressionar, mas sua voz era apenas um ruído distante comparada ao prazer que ele me negava ao não entrar por completo. Estendi a mão para baixo, sentindo o pênis dele latejando entre nós, e chorei de pura frustração e desejo.
— Espere… Camar, por favor… não fique só esfregando… entra…
— Como você quer que eu entre?
Ele sabia exatamente o que eu queria, mas me obrigava a dizer. Eu finalmente cedi, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
— Eu vou! Eu vou com você para qualquer lugar! Mas, por favor… me preenche logo…!
No instante em que as palavras deixaram minha boca, Camar afundou o quadril com uma violência possessiva.
— Ah! — O pênis enorme esticou meu ventre e empurrou até o limite. Eu sentia cada pulsação dele contra minha carne derretida. Tremi violentamente e me agarrei aos seus ombros. Em minha visão turva, vi o rosto de Camar — suado, selvagem e vitorioso.
— Ha… ha… — Ele se inclinou e me beijou profundamente, saboreando a minha rendição e a pulsação que nos unia internamente. Ele sorriu contra meus lábios.
— Então, está decidido.
Eu não tinha mais forças para falar; apenas assenti.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna