Capítulo 23
⚝ Capítulo 23
Minha mente foi obscurecida por um branco absoluto; era impossível formular um pensamento coerente. As únicas realidades que restavam eram os braços vigorosos que esmagavam meu corpo e a língua espessa que sitiava minha boca.
— …Argh.
No instante em que nossos lábios se apartaram, o fôlego que eu retinha explodiu em um suspiro sibilante. Nossas respirações arfantes colidiam no ar úmido. O rosto de Camar estava afogueado enquanto ele me devorava com o olhar.
— …Yohan.
Ele chamou meu nome em um sussurro. Não consegui articular resposta; em vez disso, estendi a mão e acariciei sua bochecha com adoração. O aroma de Camar tornava-se cada vez mais inebriante, saturando meus sentidos.
Camar inclinou o rosto contra minha palma, sem jamais desviar os olhos dos meus. O menor dos seus movimentos era o suficiente para me desestabilizar. Tremi quando seus lábios roçaram a pele da minha mão. Ele capturou meu pulso, enterrando o rosto ali, aprofundando o contato.
Lentamente, ele entreabriu os lábios, deslizou a língua e começou a lamber a palma da minha mão, centímetro por centímetro, como se estivesse degustando uma iguaria rara.
— Tem um gosto tão doce… — murmurou Camar, a voz rouca.
Respondi em um transe: — Ah… foram as azeitonas… que eu comi.
Seriam doces? Ou seriam salgadas? Meu raciocínio já não operava com lógica. Camar soltou um riso baixo e vibrante.
— Não, Yohan. É porque o seu corpo é feito de mel.
Dito isso, ele apertou o braço em volta da minha cintura, colando-me a si. Sob a água, nossos corpos tornaram-se uma massa única e fundida. Senti meu coração prestes a romper o peito; o ar parecia ter se tornado escasso.
Encarando-me com uma intensidade febril, ele continuou: — É por isso que você exala esse perfume, não é?
— É… o quê?
— Sim.
A voz dele era a única coisa que preenchia minha consciência fragmentada. Em minha visão turva, vi Camar inclinar a cabeça.
— O seu cheiro é doce demais.
Senti a pressão de seus lábios em um beijo úmido no meu pescoço.
— Até a sua pele é doce.
Os lábios dele desceram para o meu ombro, onde ele me beijou com uma suavidade torturante antes de voltar a me encarar.
— Dá vontade de lamber cada milímetro e te devorar por inteiro.
O percurso de seus beijos subiu pela minha bochecha até finalmente reclamar meus lábios outra vez. Sua língua invadiu minha boca sem pedir licença. Logo em seguida, senti meu corpo ser erguido. Sem interromper o beijo, envolvi o pescoço dele com meus braços enquanto ele saía da água me carregando. Ao me depositar sobre a areia, Camar se sobrepôs a mim. O peso do seu corpo era esmagador, mas, em vez de repelir a pressão, eu o puxei para mais perto.
— Yohan.
Houve um breve hiato entre nossos lábios quando ele pronunciou meu nome.
— Sim — respondi, quase sem voz.
Ouvi o som pesado dele engolindo em seco enquanto seu olhar descia para a linha do meu pescoço. Suas íris roxas estavam agora tingidas por um matiz selvagem, predatório. Camar hesitou por um segundo, inclinou a cabeça e, então, avançou.
— …Ah!
Tive a nítida e aterrorizante ilusão de ouvir o som de carne sendo rasgada. Soltei um grito curto quando ele cravou os dentes no meu pescoço, afundando-se na minha pele. O som dele sugando e lambendo a carne sensível ecoava diretamente nos meus ouvidos. Meu corpo inteiro espasmava a cada nova sucção. O pavor de ser consumido por ele misturava-se ao desejo obsceno de que ele realmente o fizesse; meu cérebro era um caos de sensações conflitantes.
Camar me apertou com tanta força que senti como se meus ossos fossem ceder. O ar me faltava. Quando ele finalmente libertou meu pescoço, seus lábios voltaram a buscar os meus.
— Ah!
Meu suspiro foi silenciado por sua boca. Camar lambeu os próprios lábios, uma mão mantendo-me preso pela cintura enquanto a outra descia possessivamente para esmagar a carne da minha bunda. Um gemido, onde a dor e o prazer eram indistinguíveis, escapou de mim sob a força daquela mão enorme.
— Yohan.
Ele usou a língua para brincar com o interior do meu lábio superior, incitando-me a abrir a boca. Olhei para ele, os olhos nublados pela excitação. Antes de qualquer palavra, segurei o rosto dele com ambas as mãos, guiando-o para um beijo mais profundo. No instante em que nossas bocas se selaram novamente, Camar assumiu o controle com uma fúria renovada. Ele pressionava seus lábios contra os meus com uma força bruta, muito além de qualquer beijo anterior, invadindo-me com a língua em movimentos rítmicos e urgentes.
— Uh… mmm… uh.
Sons involuntários escapavam da minha garganta. Embaraçado, percebi que Camar não me dava trégua, alternando a pressão dos lábios e o embate das línguas sem qualquer intenção de parar.
A mão que antes apertava minha nádega deslizou para a parte interna da minha coxa, cravando os dedos com tal firmeza que arquejei, chocado pela pontada de dor. Nesse momento, Camar interrompeu o beijo.
— Ha… ha… Ah…
Nossas respirações pesadas se misturavam no ar quente. Abrindo os olhos devagar, vi Camar se erguer sobre mim. Sem desviar o olhar nem por um segundo, ele agarrou a própria túnica e a arrancou de uma vez.
A visão da sua pele bronzeada pelo sol me atingiu com força. As clavículas proeminentes, o peitoral largo e definido e os músculos do abdómen subiam e desciam em um ritmo frenético. Meu olhar, hipnotizado, continuou a descer.
Gotas de suor e água deslizavam pelo seu peito, como riachos percorrendo um vale muscular, serpenteando pelos gomos do abdómen até se perderem na densa e escura pelagem pubiana.
Camar posicionou-se de joelhos entre minhas pernas escancaradas. Através do espaço entre suas coxas, vi-o empunhar o próprio pênis. Minha mente simplesmente parou.
A mão de Camar, que já era excepcionalmente grande, parecia pequena diante daquela arma massiva e latejante. As veias saltadas eram perfeitamente visíveis no pênis ereto, que projetava uma sombra imponente sobre a areia.
Com a mão livre, ele imobilizou meu joelho, que começava a tremer involuntariamente. Ele me observava por entre minhas pernas abertas. Seus olhos roxos estavam tão escuros sob a luxúria que pareciam duas pedras negras de obsidiana.
— Não tenha medo, Yohan. Você quer tocá-lo?
Hesitei, sentindo-me como se estivesse diante de uma fera de mandíbulas abertas. Ele pedia para eu não temer, mas a visão daquele membro pulsante e lubrificado fazia meu corpo estagnar. Era difícil processar que algo daquela magnitude já havia habitado o meu interior.
Camar chamou meu nome novamente, a voz carregada de um incentivo rouco.
— Yohan.
Ele estendeu a mão e capturou meu pulso. Encolhi-me por reflexo, mas ele me puxou com uma determinação silenciosa até que minha mão envolvesse seu pênis. No momento em que meus dedos trêmulos fecharam-se sobre ele, Camar cerrou os dentes e franziu o cenho.
— Ugh…
Um gemido sofrido escapou dele, como se o toque fosse o gatilho para uma ejaculação que ele lutava desesperadamente para conter. Olhei para o seu rosto contorcido pelo prazer; era uma imagem assustadora, mas meu coração martelava com uma força selvagem. Camar estava completamente à minha mercê.
Envolvi o pênis dele com mais firmeza. Ele sobrepôs a mão dele à minha, apertando-me contra o membro; era uma massa colossal de carne e sangue.
— …!
Sob a palma da minha mão, eu sentia o latejar vigoroso da sua pulsação. Mesmo usando as duas mãos, eu mal conseguia circundar toda a sua espessura. Eu estava aterrorizado, mas a curiosidade começou a sobrepor-se ao medo.
Camar percebeu que eu não pretendia recuar e, mantendo a mão sobre a minha, começou a guiar meus movimentos. Sob sua orientação, comecei a acariciar o pênis. O membro, reagindo ao estímulo, pareceu ganhar ainda mais volume e peso em minha mão. Sobressaltei-me, mas mantive o contato.
Sentindo minha anuência, Camar começou a se masturbar usando a minha mão, agora sem qualquer reserva.
Eu o observava em um estado de fascínio absoluto. Meus olhos estavam fixos no movimento da mão de Camar sobre a minha e no pênis que pulsava freneticamente a cada investida. Eu já o comparara a uma serpente antes; agora, aquela serpente ereta e ameaçadora queimava na minha palma. Camar apoiava o peso do corpo no chão com uma das mãos, enquanto usava a outra para me fazer massagear seu pênis longo e grosso.
A respiração gutural dele caía sobre meu rosto. Eu via o sêmen acumulando-se e distendendo o pênis rígido. O ritmo acelerou, e um líquido pré-ejaculatório transparente começou a gotejar da ponta. Eu sabia o que viria. Antes mesmo de conseguir fechar os olhos…
— Argh… haaaa…
Com um gemido gutural e prolongado, o sêmen espesso de Camar jorrou com violência para todos os lados.
Embora tenha sido ele a ejacular, minha própria respiração tornou-se errática. Jacto após jacto, o sêmen atingia meu corpo enquanto Camar terminava de ordenhar o próprio membro. Pisquei, confuso, vendo o fluido branco espalhado sobre minha pele.
— Oh, Yohan…
Ofegante, Camar inclinou-se sobre mim. Nossos lábios se chocaram novamente enquanto ele baixava os quadris.
— …Ah!
Soltei um gemido agudo. Mesmo após a ejaculação, o pênis continuava firme e penetrou-me com força. O atrito contra a entrada úmida produziu um som obscenamente molhado. Desta vez, enquanto se movia ritmicamente dentro de mim, Camar acabou por ejacular sobre o meu estômago.
— …Por quê? — perguntei, vendo-o sorrir de repente.
Em vez de responder, ele me ajudou a sentar. Ao me mover sem que ele se retirasse de dentro de mim, senti um repuxo que me fez contorcer o rosto. Camar levou a mão ao meu ventre, acariciando a pele molhada onde o sêmen dele e o meu se misturavam. Ele ergueu a mão suja, provou o fluido com a língua e sorriu com malícia.
— Agora eu conheço o seu gosto… e o gosto do meu sêmen em você.
Senti meu rosto arder de novo. Ele riu e voltou a me beijar. O aroma doce da cabana agora misturava-se a um cheiro novo e cru na minha boca. Ao perceber que aquele era o cheiro da nossa união, senti a excitação renascer com força total.
— Ah…
Camar soltou uma risada silenciosa contra meus lábios.
— Não aperte tanto, Yohan. Mesmo sem esse esforço, você já é apertado o suficiente para me enlouquecer.
Tentei protestar, dizer que não era proposital, mas o beijo dele selou meu destino. Sem mais palavras, Camar voltou a mover os quadris com vigor.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna