Capítulo 202

Capítulo 202
— …Hmm.
Remexi-me dormindo, em busca de calor. Sorri sem perceber ao sentir o braço que me envolveu e, aos poucos, fui despertando.
Queria abrir os olhos, mas as pálpebras estavam pesadas demais. Fiquei com vergonha ao lembrar o quanto tinha chorado na véspera, e então Asgyle beijou meus lábios.
— Acordou?
Respondi que sim à voz carinhosa e assenti.
— Meus olhos não abrem.
A risada dele soou em meus ouvidos. Que horas são? Ele não tem trabalho a fazer?
Acordar com Asgyle ao meu lado era, ao mesmo tempo, preocupante e reconfortante. Ele falou como se tivesse lido meus pensamentos.
— Ainda é cedo. Vamos tomar banho juntos?
Sem esperar resposta, Asgyle chamou um criado e mandou preparar o banho. Esfreguei o rosto no peito dele e resmunguei:
— Não quero levantar.
— Nem eu.
Asgyle riu baixinho acima da minha cabeça.
— Queria ficar assim o dia inteiro.
— Não dá. Você não tem trabalho?
As palavras me escaparam. Asgyle me deu um peteleco na testa e sorriu com amargura.
— Tem coisas que nem eu consigo fazer. Ontem você chorava daquele jeito, e eu não pude fazer nada.
— Agora estou bem — eu disse.
— Que alívio. Fico feliz de verdade.
Ao acordar, minha mente estava muito mais calma. Ainda sentia um aperto ao pensar naquele homem, mas isso não significava que meu pai tivesse feito algo sem sentido. E também não acho que meu pai se arrependeria.
Pouco depois, quando o criado avisou que o banho estava pronto, Asgyle me levou ao banheiro. Entrei em silêncio na banheira. De repente, lembrei da outra vez em que estivera ali e senti algo estranho.
— O que foi?
Asgyle perguntou, abraçando minha cintura por trás. Sentindo o calor da água, respondi:
— Só lembrei de umas coisas do passado.
Asgyle ficou em silêncio por um momento, como se também tivesse se lembrado tardiamente daquele dia. Depois, suspirou e murmurou:
— …Mais uma vez, me desculpe. Eu errei.
Quando olhei para trás, Asgyle me olhava com o rosto amargurado. Dei-lhe um beijo estalado nos lábios.
— Daqui para a frente você vai me tratar bem, não vai?
Falei em tom de brincadeira de propósito, mas Asgyle me olhou com seriedade.
— Só isso?
— Sim.
Assenti de novo.
— Isso basta.
Levantei-me e fiquei de frente para ele. Passei os braços por seus ombros, fechei os olhos, e na mesma hora Asgyle me segurou pela cintura e me beijou. Pensei que aquilo bastava. Estarmos juntos já bastava. Pouco a pouco, meu corpo foi esquentando. Senti o membro ereto dele me tocar dentro da banheira. Envergonhado, sussurrei por um instante, entre nossos lábios:
— Se ficar grande demais, fica difícil de entrar.
Senti-o inchar ainda mais com essas palavras. O rosto de Asgyle estava mais vermelho do que o calor do banho justificava. Inclinei-me ousadamente em sua direção e ergui um pouco o quadril.
Asgyle me olhou nos olhos, segurou meu corpo com um braço e levou a outra mão para baixo.
— Ah.
Gemi sem querer com a pressão e fechei os olhos. Junto com a água morna, o membro inchado pressionou minha entrada exposta.
Ele mal tinha se esfregado em mim, e eu já estava arrepiado da cabeça aos pés. Enquanto eu tremia, Asgyle perguntou:
— Yohan, você gozou?
— Uhum…
Eu não sabia, mas era o que parecia. Asgyle me segurou junto a si, eu sem saber o que fazer, e foi entrando devagar. A sensação pesada que vinha da entrada e se espalhava para baixo encurtou minha respiração. O membro grosso foi preenchendo meu ventre lentamente. Eu sentia minha pulsação latejar, acelerada. Estranho. Eu já tinha sentido isso antes? Balancei a cabeça, confuso.
— Haa…
A respiração de Asgyle ficou mais pesada. O aroma doce dele me envolveu, e feromônios transbordaram de dentro de mim. Os feromônios dele e os meus se misturaram ao vapor e encheram o banheiro. Meu ventre fervia, e meu sangue parecia enlouquecer. Abracei seu pescoço com força e movi o quadril. Um gemido se misturou à respiração áspera de Asgyle.
— Ah!
De repente, ele se levantou, me segurou pela cintura e me puxou para baixo com força. A água se agitou, e ele entrou até o fundo do meu ventre. Depressa, envolvi a cintura de Asgyle com as pernas e me agarrei a ele. Asgyle me segurou assim, saiu da banheira e começou a andar.
— Ah, ah, hã, ah!
Ele investia com força de baixo para cima, e os gemidos saíam sozinhos. Quando me agarrei ao pescoço dele com força, Asgyle parou e firmou minha cintura.
— Está tudo bem, não vou te deixar cair. Você está seguro.
A voz de Asgyle era entrecortada pela respiração ofegante. Pelo mesmo motivo que a minha. Mal consegui dizer que sim e assenti. Assim que viu isso, Asgyle passou a investir com urgência. O som de gemidos e de pele batendo contra pele ecoou pelo banheiro. Meus gritos se misturavam à respiração. Ele segurou meu braço com uma mão, a cintura com a outra, e se abaixou. Ele afundou ainda mais em mim, e eu já nem conseguia gritar, só lutava para respirar.
Senti seus testículos contra mim. Percebi que ele tinha se ajoelhado no chão do banheiro e se enterrado em mim até a base.
— Yohan.
Asgyle falou, ofegante.
— Posso… ficar maior agora?
Maior?
Não consegui nem responder àquelas palavras inacreditáveis, e, sem esperar resposta, ele inchou dentro do meu ventre.
— Ah, ah, ah… Ah!
Soltei um grito que parecia se partir. Senti como se meu ventre fosse explodir e tive espasmos. Nesse estado, Asgyle começou a se mover.
— Ah, Yohan, Yohan… Meu ômega, haa, Yohan.
Asgyle repetia meu nome como um gemido. Toda vez que o membro enorme entrava e saía, esfregando com força as paredes internas, o fluido viscoso transbordava de dentro de mim, molhando-o e pingando no chão. Preso pelos braços dele, eu não conseguia me mover e só tremia. Toda vez que Asgyle atingia o fundo, meu corpo inteiro estremecia com o impacto, e um som estrangulado escapava da minha boca.
— Haaaaah…
Ouvi uma respiração longa e baixa. Vi o corpo enorme de Asgyle estremecer levemente. Perdi a consciência ao sentir o aroma doce, que parecia derreter meu cérebro, do sêmen que jorrava em meu ventre.
***
Quando acordei, já era tarde. Percebi que tinha dormido demais e me levantei apressado, mas eu era o único no quarto.
Claro, Asgyle já…
Assim que pensei isso, senti solidão. Balancei a cabeça depressa e mudei o rumo dos pensamentos. Eu disse que ficava feliz só de estarmos juntos. Não posso querer mais do que isso.
…Mas foi bom, de verdade.
Toquei de leve a barriga, e meu rosto esquentou sozinho. Que vergonha, fazer aquilo logo de manhã.
A garganta estava dolorida de tanto gritar e gemer à vontade. Será que posso pedir uma sopa? Hesitei e ia puxar o cordão ao lado da cama quando levei um susto.
A Meisa ia vir hoje.
E não era só isso: eu tinha esquecido de pedir um quarto para o Rical e a família dele. Se dissesse que tinha pulado uma refeição, Asgyle com certeza não ia gostar, então pedi que trouxessem pão e sopa primeiro e, depois de comer, saí do quarto.
Não doeu tanto quanto antes, porque o sol já começava a enfraquecer e meus olhos tinham se acostumado bastante, mas achei melhor tomar cuidado e fui andando pela sombra. Fui ao escritório, mas, de novo, Asgyle estava em reunião. Segui pelo corredor, por um caminho que eu já conhecia, até a sala de reuniões. Eu podia esperar por ele no quarto, mas queria encontrá-lo o mais rápido possível.
O Rical não se dá bem com ele, então talvez seja melhor deixá-lo em outro quarto e aproximá-los aos poucos.
Eu pensava nisso seriamente. Agora que o Rical tinha filhotes, talvez fosse diferente. Naquela época, o Rical só tinha a mim; talvez sentisse que estavam me roubando dele.
Havia outras pessoas de quem ele não gostava…
— Ah.
Um som baixo me escapou. Pensando bem, parecia haver algo em comum entre as pessoas de quem o Rical não gostava. Quem eram? Pessoas de quem o Rical não gostava, mesmo sem detestar abertamente…
Asgyle, Zahara, meu tio, Gurab…
Enquanto eu os listava um a um, senti algo estranho. Nenhum deles tinha me tratado bem. Asgyle, para começar, não se lembrava de mim, e Zahara não gostava de mim, embora tivesse cuidado do Rical por mim.
Mas o Camar me amava tanto… por quê?
Depois de pensar até ali, concluí que devia ser coincidência. Não havia como ele adivinhar o futuro.
O Rical é só um gato.
É bobagem dar importância a coisas pequenas. Apressei os passos, pensando que queria ver o Rical logo.
Hã?
Quando avistei a sala de reuniões de longe, fiquei um pouco intrigado. A equipe de segurança, incluindo o Dive, não estava em lugar nenhum. Asgyle não está aqui?
Ele é mesmo muito ocupado, pensei, e voltei a apressar os passos, que tinham ficado lentos. Ia perguntar ao criado que guardava a porta onde ele estava.
— Com licença…
Enquanto eu me aproximava falando, a porta da sala de reuniões se abriu e alguém saiu de repente. Assustado, recuei, e os homens que saíam olharam para mim na mesma hora.
— Você.
O homem à frente abriu a boca. No meu lugar, o criado respondeu:
— É Sua Alteza, o consorte do Príncipe Herdeiro.
— Eu sei.
Ele respondeu com rispidez e voltou o olhar para mim na mesma hora.
— Um ômega.
Meu corpo inteiro congelou diante do desprezo nos olhos daquele homem.
·:*¨༺ ♱✮♱ ༻¨*:·
↫─☫ Continua…. //
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Jør