Capítulo 198

Capítulo 198
Uma hora depois, ouvi passos ao longe. Camar?
Parei de andar por um momento e olhei para a porta. Eram, sem dúvida, passos rápidos que se aproximavam cada vez mais. De repente, a porta se abriu, e um aroma doce entrou junto com uma brisa fresca.
— Camar!
Gritei, corri direto até ele e o abracei.
— Yohan.
Camar me viu, sorriu feliz e me envolveu nos braços. Hah… assim que inalei o cheiro dos feromônios dele, minha mente se acalmou. Ele voltou. Agarrei seu pescoço e pensei. Voltou para mim.
Sem conseguir me conter, ergui a cabeça e procurei seu rosto. Assim que vi seus lábios, fiquei na ponta dos pés e o beijei. Camar sorriu, me ergueu e me beijou de volta.
Enquanto mordiscava suavemente meu lábio inferior, ele deslizou a língua e explorou minha boca, e na mesma hora meu corpo inteiro esquentou. O cheiro de feromônios se desprendeu de mim.
Fiquei envergonhado, como se o estivesse seduzindo, e, quando afastei os lábios, Camar me olhou com uma expressão um pouco confusa. Ele está reagindo aos meus feromônios? Quando meu rosto esquentou, Camar parou, como se tivesse se dado conta de algo de repente.
Enquanto eu o olhava, perplexo, ele abriu a boca.
— Desculpe por ter deixado você sozinho, Yohan. Ficou ansioso?
— Não… Sim.
Como tinha decidido não mentir, assenti com sinceridade. Então Camar fez uma expressão estranha. Parecendo abatido, ele disse:
— Desculpe. Houve uma reunião urgente, e você dormia tão profundamente que não tive coragem de te levar.
— …Sim.
Não consegui nem dizer que estava tudo bem; apenas murmurei. Algum dia ficaria tudo bem. Até lá, eu só precisava ter paciência.
Enquanto eu baixava a cabeça, torcendo para que esse dia chegasse logo, Camar continuou:
— Tenho uma ideia do que aconteceu naquele quarto. Você deve ter ficado muito nervoso e, claro, exausto. Eu não quis te acordar.
— Sim, eu sei.
Desta vez, quem desanimou fui eu. Camar tentou me acalmar, mas meu coração não sossegava. Por que estou tão triste? Não é nada demais!
Camar não me esqueceu. Prometeu que nunca vai esquecer. Então não seja criança.
Repreendendo a mim mesmo, lutei para me recompor e falei num tom bem leve:
— Você tem razão, Camar. Foi muito difícil enganar Sua Majestade, o Rei.
— Sim, deve ter sido.
Camar sorriu com doçura, como se entendesse tudo. Graças a esse sorriso, continuei falando.
— Escondi o pó que sobrou na tapeçaria, e foi muito difícil e assustador tirá-lo dali e misturá-lo, e também liberar meus feromônios com antecedência. Fora andar pelo corredor nu, vestindo só uma tapeçaria…
Parei no meio da frase. Camar me olhava com uma expressão surpresa. Houve um silêncio.
— Yohan.
Depois de um tempo, Camar abriu a boca.
— Do que você está falando? Andar pelo corredor nu, vestindo só uma tapeçaria? …Não foi Sua Majestade que levou você à força?
— Hã, é que…
O que eu faço? Enquanto eu, confuso, não sabia o que fazer, Camar perguntou de novo, em voz baixa:
— Yohan, você decidiu não mentir.
— Ah…
No fim, com vontade de chorar, contei tudo.
— Eu testei com o Steward… Quanto menos roupa, mais os feromônios se espalham… e era bom para distrair o rei…
— …Então o Steward também viu? Seu corpo nu?
A voz de Camar ficou ainda mais grave. Assustado, neguei com a cabeça.
— Não, ele não viu tudo… Só mostrei a barriga. Era para a pesquisa; o Steward me tratava só como objeto de estudo.
— …
— Desculpe.
Acabei pedindo desculpas. Mesmo que fosse por um bom motivo, eu odiaria que Camar ficasse nu na frente de outras pessoas. Mesmo assim, o rosto de Camar continuava frio. Não tive escolha: saí de seus braços e abaixei as calças.
— Por que está tirando a roupa?
Camar exclamou, alterado. Olhei para trás e respondi:
— Pode me bater. No bumbum. Eu errei.
Ao ouvir isso, o rosto de Camar empalideceu num instante.
— Não. Bater em você? Meu Deus, Yohan, eu bater em você? Quem eu quero bater é o Steward, que te viu nu, não você.
— Mas foi graças ao Steward que deu certo, então não fique bravo com ele. O erro foi meu. Eu aceito o castigo.
Olhei para Camar e disse, sincero:
— Por favor, me castigue, Camar.
— …Ah, meu Deus.
Ele suspirou, chocado.
— Não, Yohan. Não vou castigar você. Não estou bravo com você.
— Se o Camar tivesse tirado a roupa na frente de outras pessoas, eu teria ficado muito chateado. Então pode me castigar. Não, me castigue. Vou aceitar de bom grado.
— …
Camar percebeu que eu não ia recuar e fez uma expressão sombria.
Por fim, suspirou de novo e esfregou a testa com a mão.
— Está bem. Fique de frente para a parede.
— Sim.
Virei-me na mesma hora e fiquei de frente para a parede. Estava refletindo profundamente sobre o que tinha feito quando senti uma presença atrás de mim. Ao me virar, vi Camar parado, segurando uma cadeira.
— Sente-se. Senão suas pernas vão doer.
— Obrigado.
Quando me sentei, como ele mandou, aquilo nem parecia castigo. Olhei de relance e vi Camar esfregar o rosto com as duas mãos e soltar um suspiro profundo. Por algum motivo, parecia que quem estava sendo castigado era ele.
De repente, ele tirou as mãos do rosto, e eu voltei a olhar para a frente, apressado. Pouco depois, Camar veio até mim, pôs as mãos nos meus ombros e disse:
— Acabou. Pode se levantar.
— Já?
Olhei para o relógio e vi que o ponteiro dos minutos mal tinha saído do lugar. Talvez tivesse avançado um tracinho. Assim que me levantei, Camar me abraçou.
— Ah…!
Com um gritinho, caí em seus braços. Camar me abraçou com força e sussurrou acima da minha cabeça:
— Eu te deixei sozinho, e você mentiu para mim, certo? Então estamos quites.
— …Sim.
Ergui a cabeça com cuidado. Os olhos de Camar encontraram os meus, e fui eu quem ficou na ponta dos pés primeiro. Não sei quem fechou os olhos primeiro. Só depois que nossos lábios se tocaram percebi que tinha fechado os meus. Camar me envolveu nos braços e me ergueu. Feliz, envolvi seu pescoço e me entreguei ao beijo. Senti um toque macio nas costas e percebi que estava deitado na cama. Camar me deitou, mas não me preocupei nem um pouco enquanto ele vinha para cima de mim.
Camar levou a mão à minha calça, e eu ergui o quadril para ajudá-lo a tirá-la.
Era constrangedor, mas meu coração estava acelerado. Ansioso pelo que viria, movi o corpo conforme ele indicava. Enquanto isso, de vez em quando, Camar beijava minha bochecha, meus lábios, meu peito, o corpo inteiro.
— Ah.
Um suspiro escapou sozinho. Eu estava tão feliz que não consegui conter o som. Camar, que mordiscou de leve meu lábio inferior, sorriu. Sua mão deslizou por baixo da minha camisa e, enquanto eu erguia os braços, como ele indicou, ele puxou a peça para cima. Fiquei com vergonha de estar nu, então cobri o peito com os braços e me encolhi.
— Por que tirou…
Diante do meu pequeno protesto, Camar riu alto.
— Porque você é uma graça.
Achei que ele estava dizendo coisas sem sentido, mas fiquei tão feliz que nem tive coragem de protestar. Ele beijou meu ombro e meu braço e encostou os lábios no meu pescoço. Quando sua respiração tocou minha pele, me encolhi sem perceber.
— Faz cócegas…!
Rindo, eu me contorcia na cama, e Camar me segurou. Continuei olhando para ele com um sorriso no rosto. Mas Camar já não estava rindo.
Perplexo, vi Camar olhar para mim com o rosto pálido, sem cor, e abrir a boca.
— …O que é isso?
— …Hã?
Fiquei perplexo e pisquei. O olhar de Camar estava fixo nas minhas costas. Ah, percebi tarde demais. Minhas costas estavam cheias de cicatrizes.
— …!
Apressado, me virei de costas para a cama, mas era tarde demais. Camar já tinha visto tudo. Naquele momento, fiquei apavorado, sem saber o que fazer.
Asgyle nunca tinha visto minhas costas?
Eu não lembrava bem. Mas aquela reação era a de alguém que as via pela primeira vez. Talvez eu só não me lembrasse. Não sei. O certo era que agora eu estava em choque.
Ele ficou enojado com minhas costas destruídas?
Enquanto eu me sentia miserável, Camar abriu a boca.
— Fui eu que fiz isso?
Sua voz parecia tremer levemente. Hesitei e olhei para o rosto dele. Camar me encarava, pálido.
— Eu quase te matei, não foi?
— …Mas eu não morri.
— Quase morreu! — Camar gritou, mas parou na mesma hora. Rígido, apenas pisquei nos braços que me envolveram depressa.
— Yohan, como eu pude te fazer uma ferida dessas… Vou dar um jeito de curar isso.
Ele continuou murmurando, como alguém em luto. Mas eu só conseguia sentir seus braços fortes e seu calor. Hah, hah… um suspiro me escapou, como um soluço.
— Doeu muito?
A voz de Camar tremeu levemente. Dizer que doeu era pouco. Só de lembrar daquele momento, senti que ia desmaiar; foi aterrorizante e doloroso. Mas eu não podia ser sincero nem mentir, então disse outra coisa.
— Está tudo bem. Agora está tudo bem.
— …
Camar ficou em silêncio por um tempo. Depois de me abraçar por um bom momento, ergueu a cabeça e gritou de repente:
— Alguém aí? Entre!
A porta se abriu na mesma hora, e o criado inclinou a cabeça depressa.
Então Camar ordenou:
— Traga o chicote. Agora.
Num instante, meu corpo inteiro ficou rígido. A lembrança daquele dia voltou como se tivesse sido ontem, e ficou difícil até respirar. Camar me abraçou e cobriu meu rosto de beijos.
— Está tudo bem, Yohan. Não tenha medo, está tudo bem.
Quando a tensão começava a se desfazer pouco a pouco com as palavras sussurradas, uma após a outra, o criado voltou com o chicote. Quando Camar segurou o chicote grosso que tinha rasgado minhas costas, fiquei paralisado de novo.
Então Camar me entregou o chicote.
— Vamos, Yohan.
Quando ergui os olhos, surpreso, ele disse, com o rosto extremamente frio:
— Bata em mim.
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↫─☫ Continua…. //
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør