Capítulo 197

Capítulo 197
Camar me manteve no colo durante todos os relatórios. O mesmo acontecia quando ele se deslocava.
Tardiamente, eu disse que desceria e andaria sozinho, achando que seria cansativo para ele, mas ele negou com a cabeça, dizendo que estava tudo bem. Até me deu um beijo na testa. Fiquei tão feliz que achei que fosse chorar de novo.
Não foi fácil entender tudo o que estava sendo dito. Eu só olhava, encantado, para o rosto de Camar, tonto com o cheiro dos feromônios dele. De vez em quando, eu abraçava seu pescoço e esfregava a cabeça nele, e Camar, como se entendesse tudo, beijava minha testa. Eu estava feliz como se tivesse o mundo inteiro.
Eu não parava de sorrir, rindo à toa, sem conseguir controlar a boca, que se abria sozinha. De repente, Camar olhou para mim.
Quando me assustei, ele sorriu, apertou meu nariz de leve, soltou e perguntou:
— Não está com fome? Quer comer alguma coisa?
— Não.
Eu me sentia satisfeito mesmo sem comer. Enquanto eu negava com a cabeça, Camar pareceu pensar por um momento e então chamou um criado.
— Traga chá e macarons.
— Sim, senhor.
O criado saiu apressado e, pouco depois, voltou com um prato cheio de macarons lindos.
— São de uma loja famosa da França.
Camar disse isso, pegou um e o colocou na minha boca.
— Da próxima vez, vamos juntos até lá.
— Sim.
Assenti, segurei o macaron e dei pequenas mordidas. Enquanto o sabor doce derretia na boca, abri um sorriso sem perceber. Como é possível ser tão feliz? Será que isso é um sonho?
De repente, fiquei ansioso e solucei, e Camar me olhou, perplexo.
— O que foi?
— …Talvez isso seja um sonho.
Quando parei de comer o macaron que segurava e fiquei olhando para ele, Camar ficou em silêncio por um momento antes de falar.
— É real, Yohan.
Então me abraçou com força. O peso de seus braços fortes acalmou meu coração.
Enquanto eu voltava a mordiscar o macaron, Camar assinava papéis, me segurando firme no lugar com um braço. O secretário, que aguardava, virava as páginas em silêncio, mostrando onde ele devia assinar.
Fiquei um tempo observando Camar trabalhar, comendo macarons.
Senti algo muito estranho. Era, sem dúvida, o meu Camar, mas, ao mesmo tempo, não parecia. E também não deixava de parecer o Asgyle.
O Camar do oásis nem sabia o próprio nome, mas este parecia ter o mundo inteiro. De repente, ele pareceu tão distante que estendi a mão com cuidado, e Camar a segurou.
— O que foi, Yohan? Precisa de alguma coisa?
Diante da voz carinhosa, neguei depressa com a cabeça e apenas sorri. No que estou pensando? Devo ter enlouquecido de tanta felicidade.
Recostei a cabeça e, de repente, comecei a sentir sono. Tentei me forçar a ficar acordado, mas as pálpebras pesadas não subiam e continuavam caindo.
Segurei com uma mão o macaron que Camar me dera e agarrei seu pescoço com a outra. Essa foi a última lembrança antes de adormecer.
***
…Hã?
Acordei de repente e fiquei perplexo por um tempo. Quando abri os olhos, estava deitado sozinho numa cama enorme.
— Camar?
Sem perceber, chamei, atordoado. Foi um sonho?
Tudo até agora foi um sonho? Camar foi embora de novo? Não, de novo não.
Pulei da cama e atravessei o quarto correndo. Só havia um pensamento em minha mente.
Camar…!
Ofegante, escancarei a porta. Gritei sem querer com a luz que entrou de uma vez e cobri o rosto com as duas mãos.
— Vossa Alteza!
Pude sentir os criados ao meu redor gritando, alarmados. Com o rosto ainda coberto, perguntei:
— Camar… não, Asgyle… não, o Príncipe Herdeiro…
Gaguejando, confuso, um deles respondeu às pressas:
— Ele disse que se ausentaria por um tempo por causa de assuntos urgentes de Estado. Pediu que não se preocupasse e disse que voltaria logo.
Era como se esperassem que eu acordasse e perguntasse por ele. Mesmo assim, minha ansiedade não passou. Cobrindo os olhos com uma mão, estendi a outra para a frente e disse:
— Por favor, me levem até ele, agora. Preciso vê-lo agora mesmo.
— Vossa Alteza, ele estará aqui em breve. Se puder esperar um pouco…
— Preciso encontrar o Camar…!
Quando tentei passar às cegas pelos criados no caminho, meus pés se enroscaram e quase caí. Enquanto eu prendia a respiração, quase gritando, alguém me segurou.
— Yohan! Quer dizer, Vossa Alteza!
A voz que veio de cima era familiar. Recuperando um pouco o juízo, ergui a cabeça, ainda cobrindo os olhos.
— …Steward?
— Sim. Você está bem?
Meus olhos se encheram de lágrimas ao ouvir sua voz. Steward, eu disse, soluçando:
— O Camar foi embora de novo. Ele me deixou e foi embora.
— Não, Yohan. Não chore.
O Steward hesitou por um momento e então continuou, apressado:
— Vamos entrar? Seus olhos ainda não suportam essa luz forte. Desse jeito, não vai enxergar nem o que está à sua frente. Não quer ver o rosto do Camar?
Ao ouvir isso, voltei para o quarto, soluçando. Quando ficamos sozinhos, ele examinou meus olhos primeiro e suspirou.
— Vou ter que fazer um exame mais detalhado para ter certeza, mas o sol deste país é muito forte, sabe? Os olhos de Yohan precisam de tempo para se acostumar com essa luz. Por enquanto, seria melhor não sair durante o dia ou cobrir os olhos com uma venda.
— Hah, mas…
— Também não precisa se preocupar com o Camar.
Ele me interrompeu, apressado, e acrescentou:
— Estive com o Príncipe Herdeiro. As memórias dele voltaram todas. Sabe que ele me agradeceu por ter cuidado de você todo esse tempo? Achei que estava sonhando. Imagino que você tenha pensado o mesmo.
Ele assentiu, como se entendesse tudo.
— É o Camar mesmo. Ele se lembra de tudo. Então não se preocupe demais.
O Steward sorriu, com amargura.
— Você sabe que aqui não é o oásis, não sabe? O Camar tem deveres como príncipe herdeiro, e agora não há rei e ele precisa lidar com as consequências da guerra civil. Você precisa entender.
— Sim…
Murmurei, atordoado. Mas, logo depois, as lágrimas voltaram a escorrer.
— Mas estou ansioso.
— Ah, Yohan, coitado.
Ele segurou meu ombro de leve, deu tapinhas nas minhas costas e suspirou.
— Teria sido melhor se você tivesse ido para a América comigo antes. …Agora não tem jeito.
— O Hayden voltou?
Perguntei, soluçando. O Steward negou com a cabeça e respondeu:
— Não. Como o Príncipe Herdeiro logo vai se tornar rei, ele disse que é claro que vai ficar. Ele adora bancar o VIP. Deve ter pedido para se sentar no lugar de honra na coroação. Logo ele, que vivia fugindo desse tipo de coisa.
As reclamações do Steward eram, de algum modo, engraçadas, e ri alto. Ao me ver assim, o Steward também sorriu e se endireitou.
— De qualquer forma, fico feliz que tenha dado certo, Yohan. Eu estava preocupado, sabia?
Ao vê-lo respirar fundo, agradeci de coração.
— A teoria do Steward estava certa. Fiz o rei beber feromônios aos poucos e fui aumentando a quantidade, e isso provocou o cio muito rápido. O pó também ajudou. É tudo graças ao senhor.
Quando baixei a voz, o Steward negou.
— Não, eu é que sou grato a você, Yohan. Conseguimos mais um dado sobre ômegas extremos. E minha teoria se tornou realidade.
— Se isso retribui o que o senhor fez por mim, não é nada. Se precisar de mais, é só pedir.
— Yohan, não pode falar isso tão generosamente. Não existe no mundo outro ômega extremo que se ofereceria voluntariamente para experimentos assim.
O Steward falou num tom severo, mas sério.
— Não importa. Quero retribuir ao senhor. Os outros são os outros, e eu sou eu.
— Mesmo assim…
Ao ver o Steward sorrir com amargura, me senti um pouco mais aliviado e consegui sorrir também.
— E o senhor? Vai voltar com o Hayden?
Inclinei a cabeça ao perguntar, lembrando que Hayden ficaria para a coroação.
— Bem, ainda estou pensando. Talvez eu vá antes.
Pelo jeito, nada estava decidido ainda. O Steward continuou me contando o que tinha acontecido. Surpreso com a notícia de que eu tinha ido até o rei, Zakriya voltara às pressas ao palácio, deixando um vácuo no comando do exército, e logo o exército do Príncipe Herdeiro aproveitou a oportunidade para vencer. Contou também que Asgyle fingira a própria morte usando o corpo de um espião, e que atacara o palácio diretamente com um pequeno grupo de tropas de elite durante a batalha.
— Sem você, o rei teria comandado pessoalmente a guarnição do palácio e enfrentado o Príncipe Herdeiro. Talvez o Príncipe Herdeiro estivesse em desvantagem.
O Steward disse, calmo:
— Enquanto o rei matava Zakriya e lidava com você, o Príncipe Herdeiro conseguiu retomar o palácio com facilidade e, no fim, conseguiu tudo o que queria.
— Fico feliz que tenha dado certo.
E a memória dele também tinha voltado. Tantas coisas boas podiam acontecer de uma vez só? Eu não conseguia acreditar. Enquanto eu ficava ansioso só de pensar em reencontrar Camar, o Steward continuou:
— Ele vai estar muito ocupado por um tempo. Tem muito trabalho a fazer. Precisa acalmar a população e convencer os ministros e os emires. Vai haver um pouco de barulho, mas terão que aceitar. Será uma espécie de ritual. A maioria das pessoas do palácio que estavam do lado do rei e de Zakriya já foi afastada.
Por algum motivo, o rosto de Haham me veio à mente. Afastei o pensamento às pressas e dei uma resposta curta.
— Sim…
Você ouviu: Camar está ocupado, então não seja criança. Mesmo repetindo isso para mim mesmo, eu continuava ansioso. Enquanto eu baixava o olhar devagar para esconder o que sentia, o Steward continuou:
— Quando o Príncipe Herdeiro tomou o palácio, parece que houve algumas baixas. Você ficou sabendo que todos os criados que guardavam o quarto do rei foram mortos?
— Ah… sim… quer dizer, não.
Alguns tinham morrido diante dos meus olhos; outros, não. O Steward assentiu.
— Parece que o noivo de Zahara estava entre eles.
— O quê?
Enquanto meus olhos se arregalavam de surpresa diante da notícia inesperada, o Steward assentiu.
— Sim, deve ter sido um choque e tanto. Parece que ele escapou com vida, mas ouvi dizer que foi expulso do palácio. Disseram que ela tinha preparado um tapete muito bonito para o casamento, e agora ele não serve para nada.
— Ah.
O tapete que eu tinha feito. Fiquei em silêncio. Depois disso, o Steward falou sobre a Princesa Najima e Meisa. Ao contrário de Haham, executado como traidor, Meisa teve sua lealdade reconhecida, pôde continuar trabalhando no palácio real e sucedeu Haham como chefe da equipe médica. A Princesa Najima ficaria no palácio por mais algum tempo, mas seus planos para o futuro eram desconhecidos. O Príncipe Herdeiro lhe disse que ela era livre para fazer o que quisesse, mas, na prática, não havia como uma mulher que passara por dois casamentos fracassados viver bem naquele país.
— De qualquer forma, o Príncipe Herdeiro parece estar tentando dar todo o conforto possível à Princesa Najima.
O Primeiro-Ministro, que ficara do lado de Zakriya, pediu perdão ao Príncipe Herdeiro, e a filha dele, Shadia, partiu de novo para a Itália.
— Provavelmente vou embora antes da coroação — disse o Steward antes de sair do quarto. — Tenho trabalho a fazer nos Estados Unidos. Venho me despedir antes de partir.
Depois de se despedir, ele saiu, e fiquei sozinho. Tinha ouvido tantas histórias de uma vez que fiquei um pouco confuso.
Preciso trazer o Rical de volta…
Assim que pensei nisso, minha ansiedade diminuiu um pouco. Rical não gosta de Camar, mas, agora que tem uma família, talvez seja diferente.
Preciso aproximar os dois aos poucos. Vai ser diferente de antes…
Pensando nisso, não aguentei a ansiedade e fiquei andando pelo quarto.
O ponteiro dos minutos do grande relógio na parede se movia devagar.
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↫─☫ Continua…. //
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør