Capítulo 196

Capítulo 196
Chorei até ficar atordoado. Depois disso, só restou a respiração ofegante, e meus olhos inchados apenas piscavam. Camar andava de um lado para o outro comigo no colo, dando instruções às pessoas e cuidando das consequências. Eu só abraçava seu pescoço com força. Nunca mais vou perdê-lo. Prometi a mim mesmo. Como se tivesse percebido meus pensamentos, Camar também não me soltou em momento algum. Pensei que ele me seguraria assim para sempre, até que eu o soltasse, e decidi que nunca o soltaria pelo resto da vida. Porque eu não queria me separar de Camar nunca mais.
No entanto, chegou a hora em que tive de quebrar essa decisão inútil. O criado, que havia terminado de preparar o banho, veio me buscar.
— Yohan.
Camar me chamou, e eu, assustado, apertei ainda mais seu pescoço.
— Primeiro, você precisa tomar banho e ser examinado. A Meisa está esperando, então pode fazer o exame logo depois do banho.
— Não, não quero me separar de você.
— Yohan.
Ele sorriu, como se tentasse me acalmar.
— Não se preocupe, não vamos nos separar de novo. Mas agora você não está bem, então precisa ser examinado primeiro. Enquanto isso, vou cuidar da questão do rei; tenho trabalho a fazer. Termino logo e vou para o quarto. Espere por mim, por favor.
— Não quero…
— Yohan.
A ideia de nos separarmos partia meu coração. E se Camar desaparecesse de novo? E se tudo isso fosse um sonho?
Se você me esquecer de novo, o que eu vou fazer?
Camar suspirou ao ver meus olhos se encherem de lágrimas.
— Yohan, não se preocupe. Sério, juro por Deus. Vou terminar isso logo. Quando acabar, nunca mais vou te deixar ir.
Camar acalmou meu coração com a mesma ternura do oásis. Ainda assim, se eu continuasse me recusando, Camar acabaria cedendo.
Sabendo disso, não pude deixar de ficar angustiado. Era difícil chegar a uma conclusão, porque eu estava dividido em dois: o eu que queria continuar teimando e o eu que sabia que precisava parar. Camar, que esperou um tempo enquanto eu, angustiado, não conseguia responder, disse de repente:
— Está bem, vamos juntos.
— Hã?
De repente, minha mente clareou. Quando ergui a cabeça, meus olhos encontraram os de Camar, que me encarava.
— Mas antes você precisa se vestir, certo?
— Sim.
Só então me dei conta do meu estado e assenti depressa. A única coisa que eu vestia era o bisht de Camar. Enrolei-me nele como num lençol e me escondi o máximo que pude. Mesmo assim, não consegui evitar que meus tornozelos ficassem à mostra.
Em silêncio, apoiei a cabeça no ombro de Camar e fechei os olhos para inalar seu aroma doce. Ah, soltei um pequeno suspiro. Camar voltou de verdade.
Quando meus olhos voltaram a se encher de lágrimas e eu funguei, Camar apertou os braços, como se entendesse tudo, e me puxou para mais perto.
Num impulso, segurei-o pela gola e beijei seu rosto. Logo depois de perceber o que tinha feito, meu corpo ficou rígido, mas Camar não reagiu.
Posso fazer isso?
Olhei ao redor com cuidado, mas os criados e seguranças que nos seguiam estavam inexpressivos. Fiquei atordoado com a mudança repentina das circunstâncias.
O lugar aonde Camar finalmente chegou foi o quarto dele. Ao contrário de mim, que estava nervoso sem querer, ele entrou com passos decididos. Como se alguém tivesse recebido instruções com antecedência, havia roupas preparadas para mim sobre a cama. O criado fechou a porta pelo lado de fora, e ficamos sozinhos.
— Venha, Yohan. Vista-se.
Camar me colocou sentado na cama e pegou as roupas ao meu lado. Obediente, levantei os pés quando ele me vestiu a calça e mexi os braços para vestir a jaqueta.
Enquanto isso, Camar continuava ajoelhado diante de mim, com um dos joelhos no chão.
— Pronto.
Camar, que até calçou meus sapatos, olhou para mim e sorriu. Quando vi aquele rosto, as lágrimas voltaram. Não aguentei mais e, quando abracei o pescoço de Camar, ele me abraçou e deu tapinhas nas minhas costas. Como se entendesse tudo.
Ao sentir aquele cheiro doce, fiquei mais calmo e relaxado. Mas, logo depois, me preocupei se estava tudo bem continuar assim. Camar tem muito trabalho a fazer, e eu posso ficar assim?
— Yohan?
Camar me chamou. Quando voltei a mim, ele me olhava, confuso. Ao ver aquele rosto, toda a minha confiança desapareceu de repente.
— …Tudo bem.
Abri a boca com dificuldade.
— Pensando bem, acho que fico bem sozinho, Camar. Vou esperar você aqui, então venha depois do trabalho.
— Sério? — Camar franziu a testa. — Tem certeza?
— Sim, estou bem.
Assenti várias vezes. Se eu não o soltasse agora, Camar podia se cansar de mim.
E então passaria a me odiar.
Isso eu não podia permitir.
— Vou esperar.
Forcei os cantos da boca e sorri. Camar ficou em silêncio por um momento e então se levantou de repente.
— Está bem, então.
Por um instante, senti como se meu coração fosse despencar, mas então ele se inclinou e beijou meu rosto.
— Volto já.
Camar sorriu, deu um tapinha na minha cabeça e se virou. Sem que eu tivesse tempo de segurá-lo, saiu tão depressa quanto tinha entrado.
Tac. O som da porta se fechando ecoou e, depois de um tempo, veio o vazio.
Enquanto eu percebia aos poucos que tinha ficado sozinho num quarto enorme, meus olhos se encheram de lágrimas.
— Hic… hic…
Tentei conter as lágrimas com as costas da mão, mas elas não paravam de cair. Eu não podia chorar, não podia fazer manha.
Aqui não é o oásis, e Camar não é só meu. Então preciso ter paciência.
Mas estou com tanto medo, Camar.
Medo de que você me esqueça de novo, medo de que me deixe. E se isso acontecer de novo?
Enquanto eu chorava, a porta se abriu de repente. Prendi a respiração de susto e ergui a cabeça; através da visão embaçada, vi um homem alto. Ele suspirou, atravessou o quarto e parou diante de mim.
— Eu sabia.
Ele murmurou, com pena, e de repente me pegou no colo.
— Ah!
Enquanto eu prendia a respiração de susto, ele estreitou os olhos e disse:
— Por que mentiu, se ia chorar assim?
O rosto de Camar estava contorcido enquanto ele me acusava.
Ele está com raiva? Será que sou patético?
Não sei.
Mal consegui falar, com lágrimas nos olhos.
— Mas, se eu te incomodar, você vai se cansar de mim.
— Isso não vai acontecer.
— E se você me deixar de novo, o que eu faço?
— Isso não vai acontecer.
— E se você me esquecer de novo… o que eu vou fazer?
Quando desatei a chorar, Camar me abraçou com força.
— Não vou a lugar nenhum. Vou ficar ao seu lado.
Ele falou comigo enquanto eu engolia os soluços.
— Nunca vou esquecer. Yohan, isso nunca mais vai acontecer. Eu prometo. Juro por Deus.
Camar me beijou como um louco. Nos lábios, na bochecha, no nariz, no queixo, nos lábios de novo — uma chuva de beijos sem fim. Em vez de responder, me agarrei a ele. Como no oásis, Camar me sustentou com um braço, prendeu minha cintura firme com o outro e saiu do quarto.
— Prometa, Yohan.
Camar me pediu, depois que os soluços finalmente se acalmaram.
— Nunca mais diga o contrário do que sente.
— Sim.
Assenti com vigor.
— Não vou fazer isso de novo.
Assim que assenti com a promessa, Camar beijou meus lábios. Meus olhos marejaram de novo, mas eu já não estava triste.
— Eu te amo, Camar.
Meu coração estava tão cheio que não pude deixar de me declarar. E disse de novo:
— Eu te amo. Sempre te amei, só você.
— Eu sei.
Camar riu.
— Eu também.
Nos beijamos de novo, desta vez um pouco mais demoradamente. Nunca mais vamos nos separar.
Mal tinha parado de chorar e sorri para ele.
Agora, nunca mais.
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↫─☫ Continua…. //
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør