Capítulo 164

⚝ Capítulo 164
— Você vai colher frutas?
— Sim.
Respondi balançando a cabeça diante do tom de voz intrigado de Asgyle.
— A esta altura, elas já devem estar bem maduras. Nós colhíamos e cozinhávamos juntos.
— Vocês cozinhavam juntos?
Desta vez, ele repetiu minhas palavras. Novamente, respondi que sim.
— Eu costumava fazer muito isso com o Camar.
Asgyle ficou mudo. Após alguns segundos de silêncio, ele abriu a boca:
— Como? Você não consegue enxergar agora.
No fim, dei uma resposta curta à pergunta que ele parecia ter feito com certa impaciência:
— O Camar me apoiava e me suspendia no ar.
Com os braços dele se abrindo ao redor do meu corpo como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo, ele perdeu as palavras outra vez. Enquanto eu abaixava a cabeça, de repente um impacto forte ressoou e algo caiu.
— Ah!
Soltei uma pequena exclamação sem perceber. O objeto atingiu minha cabeça, mas não foi porque doeu. Confuso, sentei-me onde estava e tateei o chão ao redor, logo encontrando uma coisinha redonda. Percebi imediatamente que era uma azeitona, e que Asgyle havia batido na árvore quase ao mesmo tempo.
“Será que ele ficou bravo?”
Meu coração ficou tenso, mas então ouvi um riso soprado.
— …!
De repente, meu corpo inteiro estremeceu e puxei o ar com força. Asgyle, que me segurava com firmeza, perguntou:
— O Camar sempre abraçava você desse jeito para fazer você colher as frutas?
Hesitei diante daquela voz que parecia, por algum motivo, dita com os dentes cerrados, mas respondi que sim.
— Ele me segurava com um dos braços. Então eu colhia as frutas e as colocava na cesta que o Camar estava segurando.
Ele então me ajustou em seus braços e me abraçou exatamente como descrevi. Naturalmente, sentei-me sobre o antebraço dele, passei cuidadosamente a mão por trás do seu pescoço e a apoiei em seu ombro. Parecia mais ou mais menos correto assim, mas Asgyle não conseguiu se conter e expressou sua insatisfação:
— Aquele desgraçado é um pervertido. Se fosse eu, não teria deixado você sentado aí sem fazer nada.
O Príncipe Herdeiro teria ordenado a qualquer outra pessoa que colhesse as frutas para ele, mas nós não podíamos fazer isso. E por que o Camar seria um pervertido?
Senti-me mal, como se tivesse escutado uma fofoca maldosa sem motivo. Mas, ignorando meus sentimentos, Asgyle ironizou:
— Por que eu preciso segurar você nesta posição? Eu mesmo poderia colher e entregar a você.
— Qual seria o motivo então?
Perguntei porque realmente não sabia, mas não gostei da resposta que recebi.
— Deve ter sido muito fácil para ele enganar uma criança que não conhecia o mundo como você.
— O que o senhor quer dizer com eu não conhecer o mundo?
Meu coração doeu por saber que eu era de fato ingênuo, então minha voz saiu um pouco mais ríspida. Asgyle disse como se fosse óbvio:
— É claro que ele queria tocar no seu corpo. A sua bunda não fica roçando no meu braço desse jeito toda vez que você se mexe?
Senti uma das mãos dele segurar o meu quadril que sobressaía por cima de seu braço; dei um sobressalto e apressei-me em contestar:
— Não é isso.
— Não?
Respirei fundo antes de responder:
— Aquela era a única escolha que eu podia fazer dentre todos os lugares para onde eu poderia ir. E só porque o senhor está me abraçando assim agora, isso faz com que o senhor se sinta melhor? Quando toca na minha bunda?
Eu não sabia qual era a resposta correta, mas Asgyle manteve a boca fechada.
Aproveitei para alertá-lo novamente para não insultar meu Camar pelas costas:
— Não se esqueça de que o Príncipe Herdeiro prometeu substituir o Camar pelos próximos três dias.
— …
A princípio, ouvi-o resmungar um xingamento, mas ignorei. Eu já havia feito coisas muito piores do que aquilo, e achar que ele me segurava só para tocar na minha bunda era uma tolice. Meu Camar não era depravado daquele jeito.
— O Príncipe Herdeiro desconfia profundamente das pessoas.
— O senhor não deveria me chamar de Camar?
— …
Fechei a boca em silêncio diante do corte que veio como se ele estivesse apenas esperando por uma brecha. Enquanto apoiava uma das mãos no ombro de Asgyle e estendia a outra, o fruto pequeno e redondo tocou a ponta dos meus dedos. Colher as azeitonas não era difícil. A árvore frutificava em tamanha abundância que, quando eu esticava os dedos e os braços para alcançá-la, minhas mãos vinham cheias. Eu colhia as frutas assim que as alcançava e as depositava na cesta que Asgyle segurava. Sempre que eu baixava a mão e abria o punho, Asgyle recolhia as frutas.
— Onde você vai usar isso?
— Temos que comer, é claro.
A pergunta dele foi um tanto estranha. Será que ele não tinha ouvido o que eu disse logo no início? Diante das minhas palavras, Asgyle abriu a boca:
— …Este é o oásis onde você vivia sozinho?
A mão que colhia os frutos parou diante daquela pergunta feita em tom baixo.
Voltando o rosto em direção a ele involuntariamente, ouvi Asgyle continuar:
— Eu vi uma foto tirada pelo antigo lorde, o seu pai. Tendo a mansão como pano de fundo, ele segurava você ainda pequeno nos braços. A mansão mudou bastante.
— Sim. — limpei a garganta com um pigarro. — Como o meu tio morava lá… Obrigado por restaurá-la ao estado original.
Ao me lembrar das palavras que havia omitido mais cedo e agradecer mesmo que tardiamente, Asgyle murmurou:
— …Você não mudou absolutamente nada. Então por que não me reconheceu?
Baixei a cabeça diante daquela voz baixa, que parecia falar consigo mesma.
“Do que ele está falando?”
Pisquei totalmente confuso, mas logo fui surpreendido por uma voz carregada de riso:
— Mantenha a cabeça baixa.
Abaixei-me conforme instruído.
— Mais.
Conforme abaixei a cabeça mais algumas vezes, de repente algo tocou a minha bochecha.
Quando abri os olhos assustado, Asgyle soltou uma risada curta. Meu coração disparou loucamente junto com o dele. Um silêncio repentino se instalou, mas era algo completamente diferente de antes. Falei, com medo de que meu coração saltasse pela boca. Minha voz saiu minúscula:
— Se o senhor fosse o Camar, isso não teria terminado com um selinho.
Junto com aquelas palavras, um som abafado ecoou perto de seus pés. A cesta cheia de frutas que ele segurava com tanta firmeza caiu no chão. Mas aquilo não importava nem um pouco. Imediatamente, Asgyle colou seus lábios nos meus e eu enlacei seu pescoço com força.
Não tivemos tempo sequer de entrar na cabana. Exatamente como antes, nós desabamos no chão e nos entregamos ao desejo um do outro, como costumávamos fazer. Como se estivéssemos buscando por aquilo o tempo todo, como se estivéssemos encurralados, colamos nossos lábios, misturamos nossas línguas e tocamos o corpo um do outro.
— Camar, Camar…
Chamei pelo nome dele repetidas vezes, mas ele não parou.
— Tudo bem. — Asgyle sussurrou com a voz rouca e beijou minha bochecha, minha testa, meus lábios e cada centímetro do meu corpo.
— Ah…
Como se apenas roçar os lábios não fosse o bastante, ele pressionou e começou a morder.
Era como se estivesse tentando me devorar, mas aquilo também não era ruim. Se eu pedisse para ele me consumir inteiro daquela forma, ele faria?
Fiquei fascinado por aquela imaginação sombria. Ele faria a minha vontade se eu quisesse; eu tinha certeza, não era apenas uma expectativa. Asgyle certamente faria.
Mesmo se significasse morrer comigo.
Ajudando com a minha mão para tirar as calças, ergui a cintura e rebolava o quadril. Ele rapidamente puxou minhas calças e as arrastou para baixo. Senti meu pênis pulsar. Querendo tocá-lo um pouco mais, ergui rapidamente a perna e a envolvi ao redor de sua cintura.
— …Abra a boca.
Asgyle soltou um único suspiro quente, então segurou minha bunda e abriu meu buraco. O lubrificante natural escorria daquele ponto já úmido.
— Isso…!
Um gemido escapou diante da pressão que eu não sentia há muito tempo. Com medo de que o som o fizesse parar, apertei rapidamente o pescoço dele.
— Yohan.
Uma voz rouca e falha chamou meu nome. Sim, eu assenti. Mas ele relutava em avançar.
Meu pênis estava tão excitado, por que ele demorava tanto a me penetrar? Incapaz de suportar, rebolei a bunda e esfreguei a ponta do pau dele, que havia parado bem no meu buraco. Uh, Asgyle soltou um gemido abafado e pesado.
— Yohan. — Ele chamou meu nome de novo e perguntou com os dentes cerrados: — Posso plantar minha semente na sua barriga?
Minha mente estava completamente entorpecida e era difícil compreender o que ele dizia de imediato. Pisquei sem entender, mas Asgyle continuou:
— Quero engravidar você. …Gere um filho meu.
A voz misturada com a respiração desregulada estava trêmula. Ele parecia tão desesperado que, se eu recusasse, ele simplesmente morreria.
O pau que tocava minha bunda estava tão ereto e úmido como se fosse rasgar meu ventre imediatamente. Dependendo da minha resposta, o que ele faria com aquilo? Se eu dissesse que não queria, ele pararia? Eu conseguiria suportar aquela situação?
A resposta já estava decidida. Havia apenas uma razão pela qual esse homem me dava tudo o que eu queria: porque ele me amava.
Então, haveria alguma razão para eu não dar a esse homem tudo o que ele desejava?
— Sim. — Assenti. — Engravide-me, Camar. Me dê o seu filho.
Antes que eu pudesse terminar de falar, ele me puxou e me esmagou contra si. As últimas palavras mal conseguiram sair, abafadas sob o peso do corpo dele. E o pau, maior do que nunca, preencheu meu ventre e penetrou.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør&Faby