Capítulo 156

⚝ Capítulo 156
Surpreso, ele segurou meu corpo que tentava recuar instintivamente e me firmou no lugar.
Eu mesmo conseguia sentir que meu rosto havia se contorcido sem querer. Eu deveria perguntar que diabos ele estava falando, mas não consegui proferir uma única palavra. Estava em choque e completamente confuso.
— Não tenha medo — ele disse com a voz calma, como de costume. — Voltarei ao palácio assim que a cerimônia terminar, mas você permanecerá aqui. O Maqal vai proteger você.
— O quê?
Isso era algo que eu nem imaginava. Qual era a relação entre a melhora do rei e as facções que se opunham ao Príncipe Herdeiro? Além disso, por que ele queria se casar comigo em uma situação dessas?
Asgyle não demonstrava nenhuma emoção. Ele falava de forma extremamente formal, mas não conseguia mais manter essa postura por muito tempo.
“Como ele consegue dizer algo assim com tanta calma? Por que isso não significa nada para o Príncipe Herdeiro? Só porque sou um Ômega?”
— Eu sei que você não quer isso — ele continuou a dizer friamente. — Só estou fazendo isso porque é necessário, então não significa muita coisa. Quando o trabalho estiver concluído, farei o que você quiser. Se quiser ir embora, tudo bem. Mas, até lá, faça o que eu mandar… É uma ordem.
Ele acrescentou as últimas palavras após uma breve pausa. É claro que não havia como recusar as ordens do Príncipe Herdeiro. Ele devia estar me dizendo aquilo sabendo muito bem disso.
“Se eu ainda me recusar, ele vai me executar desta vez?”
Não era fácil acalmar minha mente atormentada. Apenas inclinei a cabeça de leve e pude ouvir Asgyle, que aguardava em silêncio pela minha resposta, puxar o ar profundamente.
— …Até que aquele homem retorne — ele disse com a voz rouca. — Pense nisso até encontrá-lo. Para se encontrar com ele, você precisa continuar vivo.
Esse homem não sabe que eu nunca mais verei o Camar. Por isso ele consegue dizer uma coisa dessas.
“E se você soubesse que era você mesmo? Se pudéssemos manter isso em segredo, apenas entre nós dois, sem contar a ninguém…”
Por um instante, quase me deixei levar por essa doce fantasia, mas logo despertei como se tivessem jogado água fria em mim.
Existe o DNA.
Também existem as impressões digitais. É quase impossível para alguém conseguir e comparar o DNA ou as impressões digitais do Príncipe Herdeiro Asgyle, mas, enquanto eles existirem, não há segurança absoluta.
“Se eu ficar ao seu lado, as pessoas podem começar a suspeitar.”
Como resultado daquela investigação anterior, Asgyle havia apagado a existência daquele homem. A defesa do Príncipe Herdeiro ajudou a me livrar das acusações, mas, por outro lado, serviu para dar visibilidade ao caso. Um minúsculo buraco de formiga às vezes desmorona uma represa. E se, por acaso, alguém com um pouco de bom senso ficasse desconfiado? Não importa o quão insignificante seja a evidência. Um simples…
*”Isso não é meio estranho?”*
…já seria o suficiente. Depois disso, eu tinha medo até de imaginar o que aconteceria. Portanto, só havia uma conclusão possível.
— Deixe-me ir, por favor.
Supliquei desesperadamente. Eu só precisava sair deste país. Se ele não pudesse me ver, o risco seria bem menor. O Príncipe Herdeiro se casaria com a Princesa Najima, teria um filho e se tornaria rei.
Por que ele se arriscaria a se casar comigo agora? Ele não precisava disso.
— Yohan.
Ele continuou chamando meu nome calmamente, tentando me acalmar. — Escute-me, faça o que estou lhe dizendo agora.
Mas perguntei sem dar ouvidos:
— Deixe-me ir. O senhor disse que ouviria o meu pedido, não disse? Por acaso mentiu para mim?
— Yohan.
Diante das minhas palavras, ele pareceu perder a postura por um instante e não conseguiu falar. Fixei meu olhar na direção onde imaginei que o rosto de Asgyle estaria e esperei pela próxima palavra.
— Yohan.
Asgyle chamou meu nome mais uma vez e falou com uma voz que não diferia em nada de seu tom habitual.
— Você só me pede desejos que eu não posso conceder. — A voz dele era sempre controlada. — Eu não posso ser o Camar, e não posso deixar você ir embora agora. Se o seu objetivo era provar o quanto sou impotente, você conseguiu. Nunca percebi que eu era tão incompetente.
Eu não conseguia continuar sendo teimoso diante daquela demonstração de autodepreciação. Mas isso também não significava que eu podia revelar a verdade. Mantivemos a boca fechada e não dissemos mais nada. Asgyle, que havia ficado em silêncio por um longo tempo, voltou a falar:
— …Há algo que preciso lhe contar.
A voz dele soou mais lenta e desconfortável do que o normal, como se ele realmente não quisesse tocar naquele assunto.
— Meu pai, o rei, não se dá bem comigo… Ele nunca quis me entregar o trono.
“A condição do rei piorou e o Príncipe Herdeiro assumiu o seu lugar? Agora que o estado do rei melhorou, pelo contrário, o poder do Príncipe Herdeiro está fadado a enfraquecer.”
Então era ainda mais evidente que ele deveria se casar com a Princesa Najima para fortalecer sua posição.
Eu não conseguia compreender os pensamentos de Asgyle de jeito nenhum. Mas uma coisa era certa: se eu aceitasse esse homem, minha vida estaria em perigo.
Embora sentisse como se todo o sangue do meu corpo estivesse se esvaindo, esperei que o Príncipe Herdeiro me desse uma explicação para aquela situação. Mas isso não aconteceu.
— …Esqueça o que eu disse. Você não precisa saber disso.
Ele havia tomado a decisão por conta própria, mas fiquei chocado.
— Isso não tem a ver comigo?
— Não importa.
— Mesmo o senhor tendo ordenado que se casasse comigo com tanta pressa?
— …
Mais uma vez, ele permaneceu em silêncio. Esperei que Asgyle falasse. Após alguns instantes, o Príncipe Herdeiro abriu a boca:
— É porque você estará mais seguro aqui. Precisamos de uma justificativa oficial para protegê-lo em Al Malik. Você não pode ser apenas o Ômega que o Príncipe Herdeiro cobiçou.
Ele acrescentou, falando mais rápido do que o habitual:
— Mesmo que algo aconteça, se você for minha esposa, ninguém poderá tocá-lo levianamente. Assim será possível para você deixar este país. Então, desta vez, obedeça às minhas ordens.
Enquanto o escutava em silêncio, percebi que havia algo estranho. Senti que Asgyle estava se afastando. Agora que havia terminado de falar, ele estava prestes a sair do quarto. Mas eu não podia deixá-lo partir. O que esse homem estava dizendo agora parecia…
Parecia que ele ia morrer…!
— Vossa Alteza!
Quando chamei por ele às pressas, a presença dele vacilou. Deduzindo que ele havia interrompido os passos, perguntei impaciente:
— O que o senhor está tentando dizer?… Por acaso isso era algo que eu não deveria ouvir por ser apenas um ômega insignificante?
— Não.
Ele hesitou antes de acrescentar, mas negou imediatamente em seguida: — Não tem nada a ver com isso. É só que… — Após uma breve pausa, Asgyle continuou: — É porque eu não quero.
— Por quê?
— Porque…
Ele respondeu com uma voz que carregava um eco um tanto amargo: — Com certeza você sentiria pena de mim.
— Como eu ousaria?
Antes que eu pudesse terminar minhas palavras, que saíram quase em um tom de espanto, Asgyle me interrompeu.
— Não importa se você sentiria pena — ele continuou com uma voz autodepreciativa. — Se você abrisse o seu coração para mim, eu aceitaria até a sua pena… Eu estaria mentindo se dissesse que não esperava por isso.
Mas por que ele havia parado de falar? Será que ele achou melhor não continuar? Após ponderar até esse ponto, ouvi Asgyle dizer:
— Mas você não quer sentir pena de mim.
— …
Por um momento, minha mente ficou em branco, como se eu tivesse levado um golpe. De alguma forma, nós apenas estivemos em conflito o tempo todo, mas, pela primeira vez, esse homem compreendeu o meu coração e se importou comigo de uma maneira que eu sequer havia percebido.
Só então me dei conta de que o passado dele não deve ter sido nada fácil, e ouvir sobre isso poderia me abalar, resultando em um coração partido; eu também tinha um pressentimento vago sobre tudo aquilo.
No entanto, foi o Príncipe Herdeiro, e não eu, quem bloqueou essa situação antecipadamente.
Como se soubesse que eu não seria capaz de dizer nada, Asgyle se moveu.
Percebi pelo som que ele estava caminhando em direção à porta. O ruído dos passos abafados pelo tapete macio foi ouvido novamente. Ele estava calçando os sapatos. Agora ele abriria a porta e sairia. Enquanto eu pensava nisso, ouvi sua voz baixa, como se ele estivesse falando consigo mesmo:
— …Sinto muito. Esta é a única maneira.
Pouco depois, a porta se abriu e o ar fresco pareceu entrar no ambiente para logo em seguida sumir.
E fui deixado sozinho outra vez.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør&Faby