Capítulo 05.3
Capítulo 05.3
– Isso também faz parte do seu trabalho, Emma – disse eu. – Esse tipo de situação vai continuar acontecendo, então encare isso como um treino.
Emma murmurou uma confirmação fraca. Senti pena dela, mas não havia o que fazer. Se eu não tivesse me demitido, estaria no lugar dela agora, encarregado de limpar aquela bagunça. Pensar nisso me poupava de qualquer arrependimento que eu pudesse ter por abrir mão do meu salário.
– Obrigada pelo aviso, Yeonwoo – disse ela.
Bem naquele momento, ouvi o telefone do escritório tocar do outro lado da linha. Parecia que outra secretária havia atendido uma chamada, mas devia ser uma ligação diferente, já que conversavam calmamente. Desejei-lhe sorte e desliguei.
Quando voltei para casa, estava me sentindo um pouco melhor. Finalmente caiu a ficha de que eu havia realmente saído. Eu encontraria um novo emprego e esqueceria aquele dia.
“Vou me sentir melhor com o tempo”, pensei comigo mesmo.
Em casa, organizei o conteúdo da minha geladeira e preparei uma massa para mim. Também liguei a TV pela primeira vez em muito tempo, mas não havia nada que valesse a pena assistir. Fiquei mudando de canal por um tempo antes de me acomodar com algumas comédias bobas e programas de competição.
Não muito tempo depois, fui para a cama e peguei no sono.
*Trim-dom! Trim-dom! Trim-dom! Trim-dom!*
Meus olhos se abriram assustados com o toque incessante da minha campainha barulhenta, mas precisei de um pouco mais de tempo antes de acordar completamente, então fiquei ali deitado, piscando em confusão. O tempo todo, a campainha continuava a tocar.
– Q-Quem é? – perguntei, finalmente me levantando e caminhando em direção à porta. Minha voz tremeu, apesar do meu bom senso. Olhei para o relógio e já passava muito da meia-noite. Não conseguia pensar em ninguém que me visitaria naquela hora, e um medo infundado começou a brotar na minha mente. Fiquei congelado no meio da sala, sem saber o que fazer.
No entanto, uma voz inesperada ressoou por trás da porta.
– Abra. Sou eu – disse Keith.
Abri os olhos arregalados em estado de choque. Não podia ser. Por que ele estaria aqui? Eu devia ter ouvido errado. Enquanto eu ficava ali parado, duvidando de mim mesmo, ele chamou mais uma vez, impaciente.
– Abra a porta antes que eu arrombe isso aqui – ameaçou ele. O tom baixo e ameaçador que as palavras adotaram era inconfundivelmente o de Keith, mas eu ainda duvidava. Ele ficou quieto, mas quando ficou claro no silêncio que se seguiu que eu estava hesitando, ele começou a chutar a porta violentamente.
As batidas altas me fizeram dar um pulo. Ele estava chutando a porta como se estivesse genuinamente tentando derrubá-la. Eu definitivamente não estava me preocupando por nada àquela altura; a porta antiga poderia ceder a qualquer momento. As três trancas que eu havia fixado começaram a chacoalhar descontroladamente, fazendo-me gritar.
– Espere! – clamei, correndo até lá. – Espere só um segundo! Estou abrindo. Já vai abrir!
Apesar das minhas garantias, Keith continuou a chutar e, quando finalmente abri a porta, ele estava com uma de suas longas pernas dobrada no joelho, como se estivesse prestes a desferir outro golpe. Ele me viu e parou, encarando o meu rosto tenso por um momento antes de finalmente baixar a perna. Além dele, vi meus vizinhos espiando por trás de suas próprias portas para checar a confusão, e recuei rapidamente, envergonhado.
– Que porra é essa? – Keith resmungou, entrando. Ele estava olhando para a cadeira que eu havia usado para bloquear a porta da frente. Rapidamente a agarrei e a mudei para a sala. Sem mais nada em seu caminho, Keith finalmente deu um passo para dentro da casa, e eu me desloquei ao redor dele para passar todas as trancas da porta mais uma vez.
Ao me virar, de repente me senti sufocado. Keith erguia-se alto como um poste no meio da minha pequena sala de estar, fazendo com que tudo ao meu redor começasse a parecer apertado. Seu aroma adocicado característico certamente não ajudava em nada, também. Lutei contra o impulso de engasgar e apontei para o sofá.
– Sente-se – disse eu.
Olhei em direção à cozinha, perguntando-me se deveria também lhe oferecer um chá. Keith examinou a minha casa sem sair do lugar onde estava.
– É só isso? – Do que ele estava falando de repente? Olhei para ele por reflexo e ele franziu o rosto. – Isso aqui é a entrada, certo? – detalhou ele. – Onde fica a sala de visitas?
Deixado momentaneamente sem palavras, não consegui responder de imediato.
– Por onde o senhor acabou de entrar era o hall. Esta aqui é a sala de visitas.
Keith desviou o olhar de mim e inspecionou o lugar mais uma vez. O escrutínio dele me deixou um tanto envergonhado com o tamanho da minha casa. Era pequena o suficiente para que qualquer um pudesse estimar suas dimensões facilmente sem precisar realmente caminhar por ela.
Quando o foco dele retornou para mim, o cenho franzido havia ficado ainda mais profundo.
– Por que porra você está morando em um armário de limpeza?
Quase pedi desculpas por hábito, até me lembrar de que havia deixado aquele emprego maldito.
– Este lugar era tudo o que eu conseguia bancar com o salário que recebia do senhor, Sr. Pittman – observei em voz baixa.
Diante disso, ele arqueou levemente uma sobrancelha. Meu pulso acelerou; eu nunca havia retrucado com ele daquele jeito quando ainda trabalhava como seu secretário. Desabafar o que tinha surgido na minha mente era libertador, mas aquele desvio desconhecido da nossa dinâmica padrão me deixava um pouco ansioso, ainda assim.
Para o meu alívio, no entanto, Keith não disse nada em resposta, finalmente sentando-se no sofá como eu havia indicado. Meu único consolo era que eu tinha finalmente comprado um sofá novo bastante sofisticado não fazia muito tempo. Quanto a mim, deliberei por um momento antes de decidir que preferia apenas permanecer de pé. Felizmente, ele não me pediu para acompanhá-lo.
Em vez disso, enterrou o rosto nas mãos e suspirou profundamente.
– Foi você? – perguntou ele.
– Perdão? – A pergunta repentina me confundiu.
– Foi você quem conversou com a Elisa?
Por um momento, cogitei mentir, mas se o fizesse, as demais secretárias inocentes abaixo dele seriam expostas a uma eventual calamidade. Imaginei que falar a verdade não importava agora que eu havia saído, no entanto. Reuni coragem.
– Sim, fui eu – admiti.
Keith não disse nada imediatamente. Vê-lo encolhido e enterrando o rosto nas mãos instintivamente me deu vontade de afagar seu cabelo grosso, então viajei por um momento e não entendi o que ele acabou conseguindo dizer. Saindo do meu breve transe um momento depois, processei o que ele falou: – Eu nunca tinha visto mulheres brigarem daquele jeito antes.
Ele parecia cansado, mas talvez fosse apenas minha imaginação, porque quando ele passou os dedos pelo cabelo bruscamente e olhou para cima, seu rosto estava marcado pela irritação. Ele deve ter feito uma pausa para se dar algum tempo para controlar seus sentimentos. Eu queria perguntar a ele o que diabos havia acontecido, mas contive a minha curiosidade e prometi a mim mesmo que procuraria por alguns artigos de notícias sobre isso mais tarde.
– Eu já vi em várias ocasiões – respondi calmamente.
Keith parou de passar a mão pelo cabelo e encontrou o meu olhar.
– Mulheres brigaram por você? – perguntou ele, incrédulo. A incredulidade dele foi um pouco rude, mas assenti, mantendo o rosto sério.
– Sim. Com muita frequência. – É claro que não lhe contei que as “mulheres” em questão eram as minhas irmãs mais novas. Olhei para a expressão desconfiada dele e acrescentei casualmente: – Tudo o que estou dizendo é que homens atraentes como o senhor não são os únicos a passar por esse tipo de situação, Sr. Pittman.
Para a minha surpresa, Keith sorriu. A reação inesperada me fez recuar um milímetro, mas ele continuou como se não fosse nada.
– A sua aparência não é de todo mal – disse ele. – Eu só não achava que você se envolveria em problemas com mulheres.
– E por que isso? – perguntei. Não consegui conter a minha curiosidade.
– Porque você é sem graça. – Ele falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, totalmente desprovido de segundas intenções. Ele devia achar que tinha sido muito espirituoso e bem-humorado. Uau.
Eu queria contestar completamente, mas em vez disso apenas controlei a minha respiração.
– Supõe-se que a indecência deva ser divertida? – perguntei friamente.
Ele deu de ombros.
– Tem que se aproveitar o que dá.
Consolei-me com o fato de que ele, ao menos, não negava ser indecente. Mudando de rumo, fiz uma pergunta diferente.
– O senhor é filho único, não é, Sr. Pittman?
A cabeça dele ergueu-se de supetão.
– O que isso importa?
Ele tentou evitar sutilmente a pergunta, mas não deixei transparecer que percebi. Seria inútil dar-lhe um sermão sobre as responsabilidades que recaem sobre o filho mais velho de uma família, de qualquer forma.
– Não importa – desconsiderei, balançando a cabeça. – Então, por que o senhor veio aqui a esta hora? Não pode ter fugido porque ficou com medo de uma briga entre duas mulheres, certo?
Ah. Antes que eu percebesse, havia respondido de forma sarcástica. Keith estreitou os olhos, definitivamente sem sorrir desta vez. Soltei uma tosse seca e mudei de assunto.
– O senhor gostaria de um chá?
– Não, estou bem.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør