Capítulo 05.2
Capítulo 05.2
Continuei a esvaziar as gavetas, mantendo-me sem expressão. Meu escritório pessoal era conectado ao de Keith, mas eu já havia retirado minhas coisas de lá. A única coisa que me restava fazer era esvaziar a sala das secretárias.
Como eu tinha uma sala separada para mim, a maior parte das minhas coisas ficava lá, então não tinha muito o que levar daqui. Joguei fora tudo o que não precisava e coloquei o restante sobre a mesa ao me virar para as minhas colegas.
– Se precisarem de algo daqui, podem pegar – disse eu. – Caso contrário, por favor, descartem tudo.
– Yeonwoo! – Emma exclamou, chocada.
A outra funcionária também olhou para mim em assombro, sem saber o que fazer. Uma secretária diferente, que estava prestes a entrar, hesitou devido ao clima pesado e fechou a porta. Ignorei-a e continuei.
– Com a minha partida, Emma, você assume a liderança da equipe. Vou passar as minhas funções para você. A partir de agora, o que costumava ser a minha sala será a sua. Você pode mudar todas as suas coisas para lá, já que passará a usar aquela mesa. Também pode comprar tudo o que precisar e lançar como despesa da empresa. Como você provavelmente já conhece a maior parte das coisas, vou te instruir apenas sobre as tarefas mais urgentes e importantes.
– Yeonwoo, isso tudo é tão repentino!
– Esta é a agenda do Sr. Pittman para este mês – continuei, desconsiderando qualquer objeção. – Organizei tudo usando cores diferentes. As que dizem “ajustável” podem ser alteradas após confirmar a mudança com o Sr. Pittman. Se ele pedir para alterar um compromisso não ajustável, verifique esta cor e esta cor antes de reconfirmar. – Apontei para os pontos necessários conforme explicava. – Aqui está a agenda anual dele. Marquei tudo o que já foi confirmado até agora, então tudo o que você precisa fazer é anotar os eventos que forem adicionados no futuro. Agora, quanto a cada setor…
Despejei as informações, abordando os tópicos como uma metralhadora enquanto folheava continuamente vários documentos. Emma estava ocupada anotando tudo freneticamente, com o rosto pálido como a morte. Resumi rapidamente os aspectos especiais de cada departamento, os relatórios mensais e os projetos futuros. Também não esqueci de checar com ela após cada parte, perguntando: – Alguma dúvida? – ou – Tem algo que você não entendeu?
Quando finalmente terminei de explicar tudo, entregando-lhe o último documento, Emma olhou para mim com o olhar vago.
– …Isso é tudo? – ela soltou com a voz esganiçada.
– Sim. Se você não se lembrar de algo ou precisar de esclarecimentos, pode entrar em contato comigo pelo meu número pessoal. Eu te explico na hora. – Concluí de forma simples e peguei a maleta que havia trazido comigo. – Obrigado por tudo. Desejo o melhor a todos.
– V-Você já conversou sobre isso com o Sr. Pittman? – a outra funcionária que assistia exclamou. A intenção de tentar me impedir era clara, estampada de forma evidente pela expressão desesperada que ela carregava.
– Eu o avisei sobre a minha demissão antes do fim de semana. Ele sabe – respondi com apatia, mas o olhar perturbado delas acabou por me deixar sem jeito. Sorri amargamente e adicionei: – Sinto muito pela notícia repentina. Alguns problemas surgiram de repente. Foi ótimo trabalhar com vocês.
Emma me barrou no caminho mais uma vez, justo quando eu estava prestes a abrir a porta e sair.
– Você está… – Ela engoliu em seco. – Você está mesmo saindo, Yeonwoo? Sem chance de voltar?
Virei-me e sorri de leve.
– Talvez eu pense no assunto se o Sr. Pittman me der cinco por cento das ações da P Entertainment – brinquei.
Eu estava basicamente anunciando que nunca mais voltaria. Todos se entreolharam, incapazes de proferir uma palavra. Apenas ofereci um último sorriso e abri a porta.
– Hum, Yeonwoo – Emma chamou mais uma vez –, você poderia ao menos ajudar com o relatório da manhã?
Novamente, fui interrompido. Desta vez, antes de conseguir sair para o corredor. Notei sua expressão temerosa e balancei a cabeça de forma suave, mas firme.
– Isso é algo que você mesma terá que fazer a partir de agora, Emma.
Despedi-me pela última vez e virei-me novamente, desta vez em definitivo. Ela não tentou mais me impedir. No entanto, eu não precisava me virar e ver com os meus próprios olhos para saber quão preocupada ela devia estar ali, parada onde a deixei.
Ela ficaria confusa no início devido à natureza repentina da situação, mas aprendia rápido. Às vezes, ela já havia trabalhado no meu lugar quando eu estava ausente, então seria capaz de se ajustar com relativa rapidez. De qualquer forma, se chegasse o dia em que eu não ocupasse mais o cargo de secretário, ela inevitavelmente assumiria o meu lugar. Era apenas uma questão de acontecer mais cedo ou mais tarde.
“Agora, para quem eu deveria pedir uma carta de recomendação?” Contemplei essa questão enquanto voltava para casa, sentindo-me um pouco menos ansioso do que quando saí. Ainda assim, fiz questão de passar todas as trancas da minha casa e apoiar uma cadeira contra a porta quando retornei.
Desde então, nunca mais saí de casa, relaxando em ambiente fechado todos os dias. Emma me ligou muitas vezes no início, mas até mesmo isso foi diminuindo gradualmente. Aquilo me deixou um pouco melancólico, mas eu já havia aceitado a realidade como ela era. Quando uma pessoa sai, outra assume o seu lugar.
Acreditar que existia algo por aí que só eu poderia fazer era uma tolice perigosa e sem sentido. Eu precisava começar a colocar a minha vida nos eixos.
Balancei a cabeça levemente para me livrar de pensamentos ociosos. Enquanto girava o volante e entrava em um estacionamento, disse a mim mesmo que começaria a procurar um emprego a partir de amanhã.
Eu tinha acabado de fazer compras, estava guardando as provisões no porta-malas do meu carro quando, de repente, senti meu bolso vibrar. Com um sobressalto, puxei o telefone, descobrindo um número desconhecido listado no identificador de chamadas.
Após um momento de hesitação, apertei para aceitar.
– Alô— – comecei, mas assim que falei, um grito agudo perfurou meu ouvido.
– Seu desgraçado de merda! – veio um guincho de soprano. – Que porra aconteceu?
Meus tímpanos latejaram. Afastei o telefone do ouvido por reflexo e o esfreguei para aliviar a dor. Franzindo a testa e segurando o aparelho a uma nova distância, mais segura, perguntei:
– Quem está falando?
Mantê-lo mais afastado foi uma decisão sábia, porque ela continuou gritando.
– Filho de uma… como você pôde deixar isso acontecer? Quem você pensa que eu sou?! Você achou que eu recuei só para ser tratada como um—
Como ela estava apenas desandando a falar incompreensivelmente sobre o que queria, em vez de me responder, decidi simplesmente desligar. Acima de tudo, porém, era difícil para mim ouvir aquela voz estridente. Justo quando eu estava prestes a apertar o botão, no entanto, ocorreu-me quem ela poderia ser.
Quando houve uma trégua em seu surto, aproveitei a oportunidade para arriscar suavemente o meu palpite.
– Senhorita Kate Elisa? – perguntei.
Aquilo pareceu reacender a fúria dela.
– É – respondeu ela. – Agora você percebeu? Seu filho da puta estúpido.
Se ela estivesse bem na minha frente, eu teria lhe dado um soco na cara. Bem, tudo bem, isso não era verdade. Eu poderia estar pensando isso na minha cabeça, mas se ela estivesse realmente aqui, eu não teria sido capaz de encostar um dedo nela.
Voltando à realidade, suspirei e escutei até que ela se acalmasse um pouco, esperando por uma chance de falar. Fiz questão de manter o telefone a uma boa distância do ouvido, mesmo depois de entrar no carro. Então, quando a voz dela finalmente baixou um pouco, percebi que a ligação dela havia, efetivamente, me distraído das minhas ansiedades habituais.
– Senhorita Elisa – disse eu calmamente.
– O quê? – ela rosnou. Ela estivera à espreita, pronta para pular em cima de mim e me comer vivo. Quando falei em seguida, fiz questão de fazê-lo de forma mais lenta e calma do que normalmente fazia.
– Por favor, acalme-se e me escute. Primeiro, diga-me por que me ligou de repente. Não posso te ajudar quando você está tão alterada. – Eu parecia uma máquina bem lubrificada, mas então me ocorreu que eu já havia deixado o meu emprego. Eu não precisava passar por aquilo.
Era tarde demais para me corrigir, no entanto.
– Você me disse para falar com você se tivesse algo a dizer! – gritou ela. – O que está acontecendo? Por que o Keith está saindo com aquela rameira? Ele me dá um fora e logo em seguida aparece saindo com aquela cadela maldita?
A notícia devia ter saído na imprensa em algum lugar. Enquanto ainda trabalhava, havia se tornado um ritual meu ler as notícias regularmente e passar os olhos pelos artigos logo pela manhã. Desde que me demiti, porém, abandonei o hábito em favor de ficar deitado na cama o dia todo. Eu havia me tornado bastante alienado sobre essas coisas.
Ainda mantendo a minha fachada calma, formulei uma resposta.
– No que me diz respeito, o seu relacionamento com ele foi encerrado de forma limpa, Senhorita Elisa. Você assinou o papel, não assinou? Concordou em não se envolver na vida pessoal do Sr. Pittman.
– Isso foi antes de ele começar a se esfregar com a Abigail. Por que tinha que ser aquela piranha? O que ela tem que eu não tenho? Me diga!
Céus, ela estava praticamente fora de si. Um sentimento de curiosidade se abateu sobre mim; será que Elisa estava com raiva porque seu orgulho havia sido ferido ou porque ainda estava caidinha pelo Keith?
Bem, qualquer que fosse o motivo dela, não tinha nada a ver comigo.
– Senhorita Elisa – comecei assim que ela parou para recuperar o fôlego. – Eu entendo o que você está tentando dizer, mas não há nada que eu possa fazer. Eu me demiti do meu emprego.
– Como assim não há nada que você possa— espera, o quê? – Ela parou de repente. – Você realmente saiu? Sério?
– Sim, saí. Há uma semana.
Ela ficou visivelmente desnorteada com a minha resposta.
– Bem, hum… O-O que eu devo fazer, então? – gaguejou ela. – Com quem eu devo entrar em contato?
A atitude dela havia se tornado consideravelmente mais polida. Pego de surpresa por essa mudança repentina, respondi:
– Não tenho certeza. Você pode tentar ligar diretamente para a empresa. Deve haver um funcionário para atender a sua ligação. – Isso era tudo o que eu podia dizer a ela. Não era como se eu tivesse o direito de lhe passar o número da Emma.
Ela murmurou um – Tudo bem – e desligou. Tinha até pedido desculpas antes de desligar. Fiquei surpreso, mas não tive tempo para remoer o assunto. Rapidamente localizei o número de Emma e liguei para ela.
– Emma?
– Oh, Yeonwoo! O que está acontecendo? Como você está? – perguntou ela animada, mas aquela não era hora para conversas fiadas. Fui direto ao assunto.
– A Senhorita Elisa me ligou. Parece que ela tem um grande problema com a nova namorada do Sr. Pittman. O tom não parecia bom, então, por favor, fale com ela e acalme-a.
– Acalmar ela? Eu? – A notícia claramente pareceu deixá-la aflita.
Mantive a minha resposta firme.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør