Capítulo 05
Capítulo 05.1
– Eu já te disse, Mãe. Não planejo me casar tão cedo – falei. Era a mesma ladainha de sempre. Uma repetição sem fim.
A voz preocupada da minha mãe ecoou pelo telefone.
– Mas, Yeonwoo, você já está quase na idade. Não consigo ficar em paz sabendo que você não está sequer saindo com ninguém.
– De novo com isso… – Inspirei e expirei profundamente, reprimindo a minha irritação. – Eu não estou com cabeça para isso agora.
– Mesmo que não esteja, você deveria circular por aí. Conhecer gente nova. Não estou dizendo necessariamente que você deve namorar com a intenção de se casar. Você simplesmente vai saber quando a pessoa certa aparecer, conforme passar mais tempo com ela. – Minha mãe fez uma pequena pausa, quase como se tentasse ler o ambiente. – É que você… você tem que se esforçar mais do que os outros.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa em resposta, ela correu para continuar com o seu sermão.
– Eu não estaria tão preocupada se você não tivesse se transformado em um ômega – disse ela. – Teria sido tão bom se você tivesse permanecido um beta. Ou se tivesse se tornado um alfa, que fosse. Havia tantas garotas que tinham uma queda por você, sabia? Eu dei à luz um filho tão bonito, e de todas as coisas ele me vira um—
– Mãe, Mãe! – eu a cortei, incapaz de me segurar mais. – Já aconteceu. Não posso fazer nada a respeito, mesmo que você fale desse jeito. Não é como se eu tivesse escolhido passar por essa transição.
Além disso, eu quase disse, a minha aparência não era o ponto aqui. Pais sempre querem acreditar que seus filhos são lindos.
Havia muitas pessoas atraentes neste mundo. Além do mais, alfas e ômegas eram naturalmente acima da média. Eu era, sem dúvida, apenas um zé-ninguém no meio deles. Minha mãe não respondeu, no entanto, talvez pega de surpresa pelo tom irritado da minha voz. Suavizei um pouco o tom antes de continuar.
– Além disso, eu não preciso necessariamente me casar com um alfa. Existem betas por aí, e deve existir alguma garota que não se importe com o fato de eu ser um ômega – comentei.
Como se estivesse esperando eu dizer aquilo, ela recusou imediatamente.
– Se você se casar com uma garota, não poderá ter filhos. Você precisa ter filhos quando se casar, e precisa se casar com um alfa para que isso aconteça. Você sabe como é difícil encontrar uma mulher alfa? Casar-se com uma mulher que seja beta ou ômega tornaria os filhos uma impossibilidade – ela bufou. – Portanto, você deveria procurar um homem beta decente. Essa é a opção mais fácil, não é? Um alfa teria sido melhor, mas um beta… A ideia de você se casar com um homem já é desconcertante o suficiente. – Ela suspirou desolada. – Eu gostaria que tivesse sido a Yeonhee ou a Yeonjoo a passar pela transição. Em vez disso, você—
Ela foi subitamente interrompida por outra voz que se intrometeu na linha.
– Oi, Yeonwoo. Como você está? Alguma novidade? Precisa de alguma coisa? Quer que eu te mande alguns lanches?
A enxurrada de perguntas desfez a minha tensão. Um sorriso surgiu nos meus lábios.
– Estou bem. Você precisa de algo? – respondi.
– De muita coisa, claro! – minha irmã mais nova declarou audaciosamente, rindo. – Dá uma olhada na minha lista de desejos da Amazon.
Prometi que olharia e perguntei algumas coisas sobre a vida dela. Ela respondeu cheia de energia antes de encerrar o assunto.
– É, tudo bem. Parece que você está passando por muita coisa. Aguenta firme aí – disse ela. – Receber um bom salário deve significar ter que lidar com um monte de coisas chatas também. Afinal, quem quer pagar as pessoas por nada? Dá uma descansada, então. Vou desligar. Tchauzinho!
– Yeonhee, me dá o telefone! Yeon—
Minha mãe gritou com urgência, mas a chamada terminou abruptamente de qualquer forma. Somente depois que o telefone ficou em silêncio é que soltei o suspiro que estava prendendo.
Quando confessei que havia me tornado um ômega pela primeira vez, minha mãe empalideceu e não conseguiu falar. Fiquei preocupado que ela pudesse desmaiar, mas felizmente isso não aconteceu. Vê-la sentada ali, arquejando rapidamente sem conseguir se levantar por um longo tempo, fez parecer que aquilo aconteceria a qualquer momento, no entanto.
Meu pai também ficou chocado e sem palavras. Yeonhee, a mais velha das minhas irmãs mais novas, foi a primeira a organizar os pensamentos. Felizmente, ela deu um passo à frente para aliviar o clima.
– Então, o que você vai fazer durante o seu período de cio, Yeonwoo? Minhas amigas tomam os remédios delas e não saem de casa. Você vai fazer o mesmo? – lembro-me de ela perguntar.
Hesitei por um momento.
– Basicamente, sim – acabei respondendo.
– Entendi – murmurou ela. Em seguida, mudou rapidamente de assunto. – Você vai continuar morando nos EUA, certo? Não deve haver problema, então. A América tem remédios melhores e muitos sistemas para esse tipo de coisa.
– Não necessariamente. Algumas coisas são melhores, outras são piores.
Naquela época, minha irmã mais nova era jovem demais para entender do que estávamos falando, então ela apenas se agarrava ao meu pescoço e ria enquanto me pedia carinho. Minha mãe e meu pai, por sua vez, ficaram chocados por um bom tempo, já que seu único filho havia mudado de repente. Tirei um ano de licença da faculdade para poder me acostumar a viver como um ômega. Tranquei-me em casa durante todo esse período.
Foi doloroso de uma forma completamente diferente. O clima na casa era sombrio e, sempre que meus pais me viam, desviavam o olhar ou suspiravam. Minhas irmãs mais novas me confortavam, mas me acostumar com o meu corpo transformado era uma tarefa difícil de qualquer maneira. Quando finalmente me habituei a tomar os remédios e a acalmar os meus sintomas, senti um grande alívio ao voltar para os estudos.
No entanto, aquilo não tinha sido o fim. Desde então, minha mãe começou a ficar obcecada com a ideia de me casar. No começo, tudo o que fazia era me perguntar se havia alguém adequado ao meu redor. Depois, gradualmente, tornou-se mais incisiva, evoluindo até começar a me pressionar abertamente. Minha resposta era a mesma todas as vezes, mas eu não fazia ideia de quanto mais conseguiria aguentar daqui para frente.
“Suponho que muitas pessoas se casam porque são empurradas a isso.”
Distraído, pisquei algumas vezes antes de balançar a cabeça para me concentrar. Em seguida, abri a geladeira, apenas para encontrá-la vazia. Nenhuma surpresa. Afinal, eu não saía de casa há uma semana.
Deixei a porta da geladeira escancarada e sentei-me no chão bem na frente dela, viajando nos meus pensamentos um pouco mais. Desnecessário dizer que isso não mudava nada. Ontem, enquanto esquentava a última das minhas refeições congeladas de micro-ondas, eu disse a mim mesmo que sairia para fazer compras amanhã, mas ainda não tinha ido. Os resultados da minha procrastinação me cobravam agora.
Abaixei a cabeça e suspirei. Eu não tinha escolha a não ser sair de casa e comprar alguma coisa. Qualquer coisa. Não dava para simplesmente me esconder dentro de casa pelo resto da vida.
Decidi reunir coragem e sair. Não era nada demais, na verdade. Tudo o que eu precisava fazer era dar um passo.
Ainda assim, aquele único passo era terrivelmente difícil.
Manter-me trancado assim por tanto tempo significava que sair de casa mais tarde se tornaria cada vez mais difícil. Eu teria que fazer isso em algum momento, então definitivamente precisava praticar. De forma decisiva, comecei a me mexer.
Levei mais de uma hora apenas para me arrumar e me posicionar diante da porta da frente. Eu havia tomado meus inibidores de feromônios e guardado alguns comprimidos dentro de um papel dobrado, colocando-os no bolso por precaução. Dessa forma, se algo inesperado acontecesse, eu poderia enfiá-los na boca imediatamente. Também levei um dispositivo de alarme, um apito e um estilete para o caso de uma emergência.
Só comecei a me sentir confiante depois de preparar essas coisas. Tardiamente, me arrependi de não ter comprado uma arma, mas aquilo era o melhor que eu podia fazer por hora.
Quando finalmente abri a porta, após algumas tentativas frustradas, o sol já estava começando a se pôr.
Uma semana se passou desde que deixei o meu emprego. Sentei-me no banco do motorista do meu carro e bati os dedos levemente no volante enquanto esperava o sinal abrir. Olhei para a porta para garantir que estava trancada.
Quando me peguei fazendo aquilo, repreendi a mim mesmo. “Preciso parar de agir como um idiota. Tudo isso já ficou no passado.”
Considerei a ideia de procurar terapia, mas logo descartei o pensamento, convencido de que melhoraria com o tempo. Além disso, eu não podia me dar ao luxo de ir sem ter um emprego. Como eu poderia, quando precisava de um plano imediato para o próximo mês? Pensei nos meus empréstimos, no custo de vida e no dinheiro que precisava enviar para casa. Em seguida, comparei o total dessas despesas com a quantia que me restava na conta bancária.
Justo quando começava a ficar com dor de cabeça, o sinal mudou e segui adiante.
Na noite em que anunciei minha demissão, de alguma forma consegui voltar para casa com a ajuda de outro funcionário. Para ser honesto, porém, não me lembro de muita coisa. Assim que cheguei, passei todas as trancas e até arrastei uma cadeira para bloquear a porta da frente. Depois, engoli algumas pílulas para dormir, acabando por apagar como uma pedra. Quando acordei, já era noite, então preparei algo para encher o estômago vazio e voltei imediatamente para a cama.
Depois de passar o fim de semana inteiro como um urso em hibernação, acordei mais cedo do que o habitual e me preparei para voltar ao trabalho. Embora não tenha levado muito tempo para me arrumar, lutei contra a dificuldade de sair de casa.
Hesitei muitas vezes diante da porta antes de finalmente conseguir abri-la. Em seguida, pensei em chamar um táxi, mas não conseguia suportar a ideia de ficar em um espaço fechado sozinho com um estranho. Eu tinha medo de que o motorista pudesse ser um alfa. Sem outra escolha, tive que me certificar de que a porta do carro estava trancada várias vezes assim que me sentei no banco do motorista. Mesmo assim, fiquei extremamente estressado durante o trajeto.
Apesar de estar em um espaço fechado, sentia-me exposto e minha boca estava seca, a ansiedade sangrando de mim como uma ferida aberta. Embora o ar-condicionado estivesse na potência máxima, gotículas de suor já haviam se formado na minha testa quando cheguei.
Quando Emma entrou no escritório, cumprimentou-me alegremente.
– Bom dia, Yeonwoo – começou ela, mas logo me viu guardando as minhas coisas. Inclinando a cabeça, pareceu confusa. – O que você está fazendo? Está mudando a sua mesa de lugar?
– Não – respondi, agindo como de costume. – Estou empacotando as minhas coisas. Eu me demiti do emprego.
– Se demitiu?
Bem naquele momento, outra funcionária que também acabara de chegar gritou por trás de Emma.
– Você acabou de dizer que se demitiu?
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør