Capítulo 01.2
Capítulo 01.2
Olhei para ele.
– Seguindo o senhor, Sr. Pittman.
Ele soltou uma risada de puro deboche.
– Desse jeito? Está tentando me envergonhar?
– Por que, o fato de eu estar “em trapos” envergonha o senhor? – retruquei. E logo em seguida, caiu a ficha.
“Ah. Cometi um erro.”
Senti-me vacilar, de repente tenso. Keith inclinou a cabeça e semicerrou os olhos.
– Você não é burro a ponto de realmente me perguntar isso, é?
– Sinto muito. – Sem hesitar um segundo, pedi desculpas, mas suas sobrancelhas continuavam unidas em descontentamento. Naquele momento, contudo, fomos interrompidos.
– E aí – alguém chamou. Keith e eu nos viramos para olhar, mas eu não conseguia ver quem era porque ele bloqueava a minha visão. No entanto, como o aroma adocicado no ar havia se intensificado o dobro, eu não precisava ver para saber de quem se tratava.
Diz o ditado que farinha do mesmo saco anda junto. O amigo de Keith, Grayson Miller, era exatamente igual a ele: podre de rico, influente e um atraente alfa dominante. Ambos também eram jogadores de polo. Se eu tivesse que apontar uma diferença entre eles, diria que Grayson era mais namorador. Ele era um amante fervoroso para quem quer que estivesse com ele. O único problema real era que o amor dele costumava sumir rápido, e de forma bem fria.
Uma história particularmente famosa que circulava era a de que Grayson uma vez havia rido na cara de uma mulher que estava prestes a se matar após ser rejeitada por ele. O mais assustador de tudo foi que ele riu de pura alegria, divertindo-se com toda a sua alma, como se nunca tivesse visto um espetáculo melhor.
Enquanto ela chorava desesperada na frente dele, Grayson dissera:
– Pelo amor de Deus. Mesmo fazendo isso, você ainda não teria valor nenhum para mim. Mas se quiser me entreter por um minutinho ou dois, claro, vá em frente e pule. Acho que serviria para alguma coisa.
Depois disso, ele gargalhou por um longo tempo, chegando a dobrar o corpo como se estivesse genuinamente achando aquilo a coisa mais hilária do mundo. De todos os presentes na cena, ele fora o único a soltar a menor risada que fosse. Foi um fim miserável para o amor deles. Felizmente, ela acabou desistindo do suicídio no final, mas diziam que ela teve que fazer terapia por um bom tempo após o incidente.
Grayson não se importou nem um pouco. Em vez disso, encontrou um novo amor para se ocupar. Claro que, eventualmente, ele acabou declarando que sua nova conquista também não era “a pessoa certa”, recomeçando o ciclo mais uma vez. Cara-de-pau do jeito que era, ele sempre afirmava que estava verdadeiramente apaixonado pela outra pessoa durante o breve tempo em que passavam juntos, tudo isso enquanto sustentava o olhar com aqueles olhos frios dele.
– Ora, se não é o Yeonwoo! – Grayson exclamou. – Quanto tempo.
Olhei para o homem espalhafatoso, com a fisionomia um tanto seca.
– Olá, Sr. Miller.
Ele estalou a língua, estendendo o braço.
– Já te disse para me chamar de Grayson.
Dei um passo rápido para trás, esquivando-me do toque dele, e Keith, que assistia a toda a interação, balançou a cabeça.
– Não perca seu tempo – disse Keith. – Esse aí não serve para brincar.
– Brincar? Eu sempre amo de verdade.
– Recuso educadamente – intervim com firmeza. Diante disso, os dois fixaram os olhos em mim simultaneamente, e a pressão de ter dois homens musculosos — ambos com mais de dois metros de altura, nada menos — bem diante dos meus olhos me fez engasgar um pouco. Instintivamente, emproei o corpo, mas isso pouco ajudou na minha estatura que, em comparação à deles, parecia pequena.
Keith zombou ao olhar para mim, ainda se dirigindo ao amigo.
– Você tem gostos muito estranhos.
– Eu? – Grayson virou-se para ele, genuinamente surpreso.
Keith inspecionou-me da cabeça aos pés, como se pretendesse calcular cuidadosamente o meu valor. Voltando-se para Grayson, deu o seu veredicto:
– Você é provavelmente o único que daria em cima dele.
E Keith era provavelmente o único que diria uma coisa dessas bem na cara da pessoa em questão. Por um momento, falhei em controlar minha expressão. Felizmente, eles não notaram o meu deslize, ocupados demais com a própria conversa fútil.
– Por quê? Ah, claro. Você não dorme com homens ômegas – Grayson riu, respondendo a si mesmo. – Você é um cara engraçado. Nunca vi um alfa que não transasse com ômegas, exceto meu irmão mais novo e você. Por que não gosta de ômegas?
Keith franziu o cenho.
– Ômega ou não, estamos falando de homens. Não tenho interesse em ficar com homens.
– Ômegas são diferentes de machos normais. Você saberia se pegasse um – Grayson riu e deu um tapinha no ombro de Keith. – Está perdendo uma ótima diversão, Keith. É uma pena, de verdade.
– Tira a mão. Não preciso desse tipo de diversão – Keith cuspiu friamente, afastando a mão de Grayson com um tapa. – E, acima de tudo, eu odiaria ter que ver o pau de outro desgraçado. Só de imaginar já me dá nojo. Você é que é o estranho, ficando duro olhando para uma coisa dessas.
Grayson de repente jogou a cabeça para trás, caindo na gargalhada. Surpreendentemente, parecia uma risada alegre.
– Olha – começou ele, recompondo-se –, sexo com um ômega não é assim. Ah… Se você se desse ao trabalho de tentar, nunca mais diria o que disse. Mesmo sendo homens, os ômegas são diferentes. As pessoas transam com ômegas homens porque…
Nesse momento, ele se interrompeu, parando para olhar de relance para mim. Eu estava apenas ali parado, assistindo à conversa, mas quando nossos olhos se cruzaram, ele vestiu sua máscara de surpresa tarde demais.
– Opa, que falta de educação a minha – disse ele. – Este não é o lugar para conversar sobre isso. Podemos continuar mais tarde.
Vê-lo fingir que se importava com bons modos depois de ter dito tudo o que pensava parecia hipocrisia pura. Bem, ele não sentia de verdade nada do que dizia, de qualquer forma. Minha expressão permaneceu inalterada enquanto eu olhava para a frente em silêncio.
Keith respondeu por mim.
– Não importa. Ele não liga para esse tipo de coisa.
“Eu ligo para esse tipo de coisa, sim. Só não demonstro.” Esse tipo de tratamento não era novidade; como sempre, ele me feriu como se não fosse nada.
– Você bem que poderia tentar dar em cima dele – continuou Keith –, mas vai se arrepender. Pelo que sei, ele é a pessoa mais sem graça do mundo.
– Você acha? – Grayson sorriu e fixou os olhos em mim com intensidade. – Acho que ele seria bem divertido na cama.
Keith deu de ombros e saiu da sala, como se quisesse dizer que aquilo não era problema dele. Grayson me deu um leve tchauzinho antes de se virar para segui-lo.
Só depois de ficar sozinho é que relaxei a guarda. Apoiei-me em uma mesa e soltei uma respiração trêmula. Foi quando de repente fui atingido por uma sensação de umidade escorrendo lá embaixo, o que me fez entrar em pânico.
Corri para o banheiro, descobrindo que, exatamente como eu temia, havia sido afetado pelos feromônios poderosos que tinham me cercado. Era uma tentativa inútil esperar qualquer consideração daqueles babacas arrogantes; eles jamais esconderiam seus feromônios ou o fato de serem alfas dominantes. Se dependesse deles, exibiam seus aromas como quem ostenta um prêmio. Nunca paravam para pensar em como os outros sofriam por causa disso.
– Que porra – xinguei baixinho. Sentei-me no vaso sanitário e rapidamente segurei meu pau. Isso era o fim do mundo. Todos os alfas dominantes deveriam morrer.
Minha pele formigava e minhas pálpebras tremiam. Mordi o lábio.
Keith.
Só de pensar no cheiro dele, meu ciclo de cio já ameaçava começar. Fechei os olhos, com o rosto ardendo em vermelho, e mantive o nome dele trancado atrás dos lábios, saboreando o som. Imaginar o corpo nu dele descendo sobre o meu me deixou duro na mesma hora, com o pau erguido apontando direto para o teto.
Essa coisa ereta era o que Keith tanto odiava. Comecei a me masturbar freneticamente, minhas pernas se abrindo por instinto. Minha bunda estava encharcada de lubrificante àquela altura, e eu queria enfiar algo ali dentro para me saciar, mas não conseguia. A ideia de colocar qualquer coisa em mim me apavorava. Apesar de ser uma prática comum, eu nunca tinha usado sequer um brinquedo antes.
No entanto, se fosse o pau grosso de Keith cravando-se em mim em vez disso… Meu Deus, se isso acontecesse, eu enlouqueceria de prazer.
Incapaz de me conter por mais tempo, deixei meus gemidos escaparem.
– Ah… – arfei, com a bunda queimando de febre, o lubrificante vazando de mim e escorrendo em fios longos e quentes. – Ah… Hah…
O fluido pré-gozo brotou da ponta do meu pau, espalhando-se pelo corpo dele e umedecendo-o à medida que eu movia a mão para cima e para baixo. O som suave da pele roçando na pele acompanhava meu aperto desesperado e fervoroso. Corri em direção ao ápice.
Bem no momento em que comecei a gozar, meus lábios libertaram o clamor que guardavam.
– Keith… – chamei, com o nome praticamente arrancado de mim, sem fôlego. Eu pensava nele toda vez que me aliviava, e sempre acabava chamando por ele toda vez que passava do limite.
Se Keith descobrisse, ele me esganaria até a morte.
– Hah… hahh…
Passado o estopim do prazer, sentei-me no vaso, aéreo e piscando feito um bobo. No meio da minha visão embaçada, notei que meu sêmen havia espirrado na parede do banheiro. Eu sabia que precisava limpar, mas não queria mexer um dedo.
Há quanto tempo eu não gozava com tanta intensidade? Tentei contar os dias, mas parei. Meu próximo cio estava chegando. Provavelmente por isso eu tinha reagido aos feromônios de Keith com tanta sensibilidade. Fiz uma nota mental para me certificar de preparar meus remédios com antecedência.
Finalmente me levantando, suspirei de exaustão. Minha bunda estava uma bagunça e a água do vaso era uma mistura dos meus vários fluidos corporais. Dei descarga, cambaleando um pouco, e tirei as calças por completo, verificando se não tinham se molhado.
Liguei para Emma e a instruí a comparecer à reunião no meu lugar antes de começar a me limpar. Nessas horas, o banheiro privativo de Keith era bem conveniente. Como ele estava fora, eu podia usá-lo como meu espaço particular.
Com a metade inferior completamente despida, entrei no box integrado e comecei a me lavar, enxugando-me em seguida. Voltando ao banheiro, descartei qualquer vestígio que pudesse provar minha masturbação. Quando vesti as calças de volta, tudo estava em seu devido lugar, antes do meu ato vil de usar meu chefe como acompanhamento.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør