Capítulo 01
Capítulo 01.1
O som de um tapa violento ecoou em meus ouvidos, seguido imediatamente por uma pontada de dor aguda. Algo escorreu pela minha pele e, por reflexo, levei a mão ao rosto para conter o líquido, manchando a ponta dos meus dedos com um sangue vermelho vivo.
Eu havia pedido para removerem os espinhos das rosas, mas alguns devem ter passado batidos. Quase estalei a língua com a ardência persistente que irradiava do corte. Enquanto isso, a mulher diante de mim, empinada em seus saltos altos, me fuzilava com o olhar. Encarei-a de volta com uma expressão neutra.
– Se a senhorita não gosta de rosas – comecei –, posso providenciar outro…
– Isso é tudo o que você tem a dizer, seu maluco de merda?
A Srta. Kate Elisa era famosa por sua elegância, elogiada como a “atriz mais graciosa de Hollywood”. Quem iria imaginar? Totalmente incompatível com sua imagem pública elegante, ela cuspia palavrões na minha direção, explodindo em uma fúria estrondosa. Lembrando da recente campanha beneficente de que ela havia participado, não pude deixar de achar que aquela era uma pessoa completamente diferente apenas usando o rosto dela. Ela me xingava enquanto pisoteava o mesmo buquê de rosas que usara para me dar um tapa.
– Eu me recuso a aceitar isso! – ela gritou de repente. – Me deixe ver o Keith agora mesmo!
Eu barrei sua passagem, mantendo a mesma formalidade profissional de sempre.
– Como já lhe disse antes, não posso permitir – respondi. E, antes que ela pudesse começar a xingar de novo, continuei: – De agora em diante, a senhorita deve tratar qualquer assunto comigo ou com o nosso advogado se quiser vê-lo novamente. No entanto, o Sr. Pittman deseja encerrar o relacionamento da forma mais discreta possível, e aceitar a boa vontade dele agora seria o mais ideal para a sua carreira como atriz…
– Você está me ameaçando? Você? – ela gritou, com os olhos parecendo chamas azuis ardendo nas órbitas.
Permaneci indiferente.
– Estou apenas reiterando os fatos. Aconselho que faça uma escolha que beneficie não apenas o Sr. Pittman, mas você também…
– Não me faça rir – ela gritou, cortando-me. – Você acha que vou engolir isso e ir embora como uma vagabunda qualquer? Posso ligar para pelo menos cem repórteres agora mesmo. Vou abrir o bico! Vou contar a eles o canalha desprezível que Keith Knight Pittman é e como ele me descartou depois de me usar! Acha que eu não tenho coragem? Espera só para ver. Quem ele pensa que eu sou para me fazer passar por essa palhaçada?
Ela estava completamente fora de si. Eu apenas a encarei.
– Compreendo. Sendo assim, a senhorita pode fazer isso. Vou informar o Sr. Pittman. – Ouvindo minha resposta, ela hesitou, claramente não esperando por aquilo. Eu era uma máquina sem emoções. – Afinal, se é isso o que a senhorita realmente deseja, Srta. Elisa, o que mais posso fazer? O Sr. Pittman demonstrou gentileza suficiente ao longo deste relacionamento. Se não está satisfeita com a conduta dele, a decisão é sua. Deve entender, no entanto, que se for esse o caso, estará abrindo mão do seu papel como protagonista em “Standing in the Rain With You”. Também terá sua entrada proibida na mansão de veraneio em Malibu onde esteve hospedada até agora. Vamos embalar todos os seus pertences e enviá-los para sua residência particular. Além disso, seu título do Country Club e seu passe anual para o J Hotel serão cancelados…
– E-Espera! – Elisa interrompeu rapidamente. Eu parei, fixando nela um olhar silencioso. – Isso não é justo – ela murmurou, empalidecendo. – Ele já tinha concordado em me dar essas coisas, e agora vai voltar atrás na palavra? Até o papel no filme, assim do nada? Isso é inacreditável! Ele é muito pão-duro!
– Eles foram oferecidos como uma forma de compensação após o término amigável do relacionamento – expliquei. – Permita-me reiterar: tudo isso é um contrato. Se nenhuma das partes concordar com os termos estipulados, o contrato não pode ser firmado. Nós fizemos a nossa oferta, Srta. Elisa, e a senhorita a rejeitou. Portanto, as negociações fracassaram.
– Eu não rejeitei nada! Eu só… Eu só queria conversar com o Keith diretamente.
– Essa era uma das condições. “A senhorita não deve causar mais inconvenientes ao Sr. Pittman” – pontuei friamente.
Ela finalmente se calou. Uma cena inédita vinda dela.
Olhando para aquele rosto pálido, perguntei:
– O que a senhorita gostaria de fazer? Se precisar de um tempo para pensar, posso lhe dar três minutos. Começando agora.
– O quê? Só três minutos? – ela gritou.
– Inicialmente, eu planejava lhe dar vinte. A senhorita já gastou dezessete. – Olhei para o meu relógio. – Ah, peço desculpas. Deixe-me corrigir: restam cerca de dois minutos e dez segundos. Por favor, chegue a um acordo dentro do tempo estipulado. – Observei o rosto bonito dela se contorcer em uma careta enquanto eu tirava uma caneta e a papelada necessária, colocando-as sobre a mesa. – Por favor, assine aqui assim que decidir.
Ela mordeu o lábio, claramente agonizada. No entanto, o tempo continuou a correr e, num piscar de olhos, restavam apenas trinta segundos no cronômetro. Com raiva, como se estivesse dando um autógrafo contra a vontade para um fã particularmente irritante, ela finalmente pegou a caneta e assinou. Esperei pacientemente enquanto ela rabiscava o nome.
Assim que terminou, inclinei-me para pegar os papéis, preparando-me para me despedir. Ela aproveitou a oportunidade para arremessar a caneta-tinteiro na minha cara antes que eu pudesse desviar.
– MEU DEUS, O QUE ACONTECEU? – Emma exclamou imediatamente, com a voz subindo para um tom mais agudo.
Embora o choque dela não me surpreendesse, eu não tinha tempo para dar longas explicações.
– Como estão os preparativos para a reunião? – perguntei, apertando o passo. Eu estava quinze minutos atrasado.
Ela correu atrás de mim, ansiosa.
– Tudo foi feito conforme você instruiu. Todos os executivos já estão presentes também – informou. – Mas o mais importante, Yeonwoo, você deveria pelo menos trocar de camisa!
Recusei sem hesitar.
– Estou bem. Tudo já foi impresso? Temos cópias extras suficientes caso haja algum erro?
– Ah, sim.
– Ótimo – assenti. – Vá para a sala de reuniões e fique de prontidão.
Saindo da secretaria, corri direto para a sala do CEO. Eu havia pisado no acelerador como um louco, mas mal tinha conseguido chegar a tempo para a reunião. Nem me dei ao trabalho de passar no banheiro para me arrumar. Se eu visse o tamanho do estrago no espelho, com certeza ia querer dar o dia por encerrado e ir direto para casa. A Srta. Elisa tinha me acertado no olho com a caneta-tinteiro e agora ele latejava, sem dúvida prestes a inchar.
Imagens vagas de quão terrível eu devia estar flutuavam na minha imaginação enquanto eu entrava no corredor final, passando pela minha mesa que ficava bem ao lado da entrada. Parei em frente à porta da sala do CEO e, respirando fundo, bati com um ritmo preciso.
Não houve resposta. Como de costume, esperei um breve momento antes de me preparar para abrir a porta, mas ela se escancarou de repente. Dei um passo para trás por reflexo, enquanto o homem lá dentro parava abruptamente no batente.
– Ora, ora – disse ele, e, no mesmo instante, o aroma excessivamente doce de um alfa dominante invadiu meus sentidos.
“Mas que porra…”
Quase xinguei em voz alta. Em vez disso, cobri rapidamente o nariz com a manga da camisa e segurei o fôlego. O esforço me fez empalidecer diante dele; tudo o que consegui fazer foi piscar. Ele apenas observava com diversão.
Keith Pittman. Ele era uma obra de arte esculpida pelas mãos de Deus, criado como uma exibição de perfeição pecaminosa contra toda a raça humana. Seu pai era o presidente da P Entertainment, empresa que basicamente liderava toda a indústria financeira da América. Embora atualmente administrasse uma empresa de entretenimento, ele era o herdeiro da altamente respeitada família Pittman, detentor de dinheiro e poder ilimitados. Para completar, ele também era um alfa dominante. Uma porcentagem riquíssima da população — especificamente 0,1% — manifestava-se como alfa dominante. Ele estava no topo absoluto da cadeia alimentar.
Nascido com feromônios sedutores e uma beleza superior, ele cativava os outros à primeira vista. Graças a isso, fui bombardeado com inúmeros problemas desnecessários desde que assumi o cargo de secretário dele. Basicamente, meu trabalho consistia em limpar as sujeiras que ele deixava para trás.
Com esse pensamento, uma enxurrada de eventos passados desfilou pela minha mente como um panorama de desgraças. Atingido por uma onda repentina de irritação, meu rosto se contraiu. Parei de prender a respiração e me concentrei em recuperar a postura.
– Você finalmente se acalmou? – ele perguntou, apoiando-se no batente da porta e olhando para mim de cima. Parecia um transeunte presenciando uma cena engraçada, sua atitude não demonstrando um pingo de empatia. Para piorar a situação, ele me mediu de cima a baixo descaradamente antes de fixar os olhos no meu rosto. – Que trapos são esses?
O sorriso que adornava seus lábios não era nem de longe amigável. Ele estava obviamente zombando de mim. Devido à sua natureza perfeccionista, ele desprezava qualquer sinal de desordem, vindo dele ou daqueles ao seu redor. Claro que eu também não gostava de andar por aí daquele jeito. Engolindo a irritação que fervia dentro de mim, sustentei o olhar.
– A Srta. Elisa assinou o contrato – informei formalmente. – Portanto, as indenizações devidas a ela serão resolvidas no final desta semana. Ela aceitou nossos termos em relação ao relacionamento com o senhor daqui para frente, e o contrato passará por todos os trâmites legais necessários para evitar qualquer conflito desnecessário que possa surgir no fut…
– Escuta aqui – ele interrompeu bruscamente. – Eu realmente preciso saber de cada detalhe?
Observei-o em silêncio. Seu rosto, geralmente mergulhado na indiferença, trazia um toque de irritação. Notando o leve vinco entre suas sobrancelhas, cedi.
– Não – respondi, seco.
– Então você acha que eu gostaria de saber?
Minha postura permaneceu rígida.
– Não, mas relatar tudo faz parte do meu trabalho.
A irritação de Keith finalmente veio à tona por completo quando ele se desencostou do batente.
– Não se dê ao trabalho de me relatar coisas tão triviais de agora em diante – ordenou.
Ele realmente não dava a mínima para o que acontecia com quem já tinha deixado para trás. Todo aquele drama havia se tornado tão insignificante quanto um grão de poeira. Embora eu soubesse bem disso, não conseguia evitar uma pontada de desilusão sempre que ele agia assim. No fim, porém, eu ficava mais decepcionado comigo mesmo; meu coração traidor, revigorado por suas feições perfeitas, batia forte na caixa torácica apesar de cada defeito gritante na personalidade dele.
– Peço desculpas sinceras por incomodá-lo – disse eu. – Os preparativos para a sua próxima reunião foram concluídos. Todos estão à sua espera.
Como se quisesse me chamar de patético, ele soltou um leve suspiro em resposta. Ele fez menção de sair e eu comecei a segui-lo, quando ele de repente se virou.
– O que você está fazendo? – perguntou.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør