₊ Capítulo 48.2
⚠️ Aviso de Conteúdo: Este capítulo descreve cenas de violência/mutilação que pode gerar desconforto/gatilhos emocionais. Se você for sensível a esse conteúdo, recomendamos pular para o Capítulo 49. Sua saúde mental é prioridade. ⚠️
𓂃˖˳·₊˚.𔓎 Capítulo 48.2: Satchan ⋆⁺₊
Naquele momento, Lin Qiushi jogava silenciosamente um jogo de memória em seu celular; estava tão absorto no jogo que não prestou atenção ao que Ruan Nanzhu disse. Pego desprevenido, ele soltou um:
— Hã?
Ruan Nanzhu enfiou a cabeça para fora da cama de cima para olhar o outro, e fez um beicinho amargo:
— Sabe, você está sempre jogando esses jogos de memória. Você realmente não se importa comigo.
Lin Qiushi:
— …Não estou. Eu não estava jogando. Não é isso.
Ruan Nanzhu:
— Então sobre o que a gente estava falando?
Lin Qiushi: …
Ruan Nanzhu:
— Hah, homens.
Lin Qiushi não soube se chorava ou ria naquele momento.
Claro, Ruan Nanzhu estava meramente brincando; ele não tinha intenção alguma de realmente atacar ou culpar Lin Qiushi. Eles conversaram por mais um tempo, antes de apagar as luzes e dormir.
Antes de cair na inconsciência, Lin Qiushi rezou internamente para não acordar com sons estranhos no meio da noite; ele realmente não desejava abrir os olhos para nenhuma visão horrenda.
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Wu Xuelin estava deitado na cama, bem acordado e um tanto descontente. Cada vez que pensava no que acontecera mais cedo naquele dia, seu sangue começava a ferver.
Ele havia formado equipe com dois outros indivíduos, e planejara dividir um quarto de dormitório com eles por enquanto. Contudo, em poucos segundos de convivência, descobriu inúmeros talismãs vermelhos escondidos pelo quarto. Os talismãs estavam presos nas partes mais internas dos armários e até na superfície sob os colchões. A visão perturbadora daqueles papéis era suficiente para fazer sua pele arrepiar.
A primeira reação de Wu Xuelin ao ver aqueles talismãs foi rasgar todos eles e não deixar nenhum intacto.
No entanto, suas ações foram recebidas com pura desaprovação e objeção de seus companheiros de equipe.
— E se esses talismãs servirem para afastar fantasmas? — Um homem protestou. — A gente não vai estar acabado se você rasgar todos eles?
Expressando total desprezo pela declaração do outro, Wu Xuelin escarneceu de forma maldosa:
— E se eles invocarem fantasmas, hein?
E, com isso, arrancou ferozmente todos os talismãs da tábua da cama e jogou os restos na lixeira.
Mesmo assim, o outro homem permaneceu teimoso e relutante; não importava o que acontecesse, recusava-se obstinadamente a arrancar os talismãs.
Wu Xuelin ficou completamente enfurecido ao ver o desafio do outro. Ele então disse à mulher trêmula, que havia sido assustada por seus gritos, para ir ao quarto ao lado. Ele tinha certeza de que aqueles talismãs só lhes trariam dano, de que eles definitivamente atrairiam fantasmas. E assim, a primeiríssima coisa que fez ao pisar em seus novos aposentos foi reunir todos os talismãs espalhados pelo quarto e jogá-los no lixo.
A garota que ficou com ele atendia pelo nome de Xiao Qin. Naquele momento, ela estava deitada na cama de cima. Ele não tinha certeza se ela ainda estava acordada ou se já havia adormecido.
Wu Xuelin estava bastante agitado, inquieto. A noite havia muito tinha caído, mas ali estava ele, constantemente se revirando, incapaz de adormecer. Para completar, arrepios inexplicáveis de repente começaram a assaltar seu corpo.
— Xiao Qin, você está dormindo? — Wu Xuelin indagou em voz baixa.
A pessoa na cama de cima não respondeu. Parecia que Xiao Qin estava dormindo.
Virando o corpo, Wu Xuelin ficou de frente para a parede. O tempo estava longe de frio, e o cobertor que cobria seu corpo não era nem um pouco fino, mas Wu Xuelin sentia que o ar ao seu redor estava ficando mais gelado a cada segundo, como se estivesse vivenciando a rigidez de uma noite amarga de inverno. Ele enrolou o cobertor ainda mais apertado ao redor de sua figura, e encarou a parede em transe, esperando adormecer em algum momento, mas foi tudo em vão; a inquietação não parava de atormentá-lo por algum motivo.
Wu Xuelin estava ficando cada vez mais ansioso, quando de repente avistou um objeto enfiado na fresta entre a parede e a cama. Wu Xuelin estendeu a mão e puxou com cuidado o objeto preso naquela fenda estreita.
O objeto acabou sendo um pequeno bilhete com várias linhas rabiscadas em tinta preta.
Wu Xuelin tirou seu celular e iluminou o pedaço de papel para ver o que estava escrito. Ele então leu suavemente o conteúdo do bilhete em voz alta:
— O nome de Satchan é na verdade Sachiko. Mas ela se chama de Satchan desde pequena. Oh, que engraçado! Satchan adora bananas. Mas ela só pode comer metade de suas bananas favoritas. Oh, que pena! Satchan partiu para um lugar distante. E ela logo vai se esquecer de mim. Oh, que solidão, Satchan…
— Que diabos é isso? — Wu Xuelin ficou mais que perturbado depois de ler aquele bilhete. Ele sentiu que as linhas escritas no pedaço de papel lembravam um poema, ou talvez a letra de uma canção. Por um momento, seu sangue gelou. Segundos depois, amassou o bilhete numa bola com nojo e o jogou de lado.
— Está congelando. — Depois de um tempo, Wu Xuelin não aguentou mais. Ele prontamente se sentou na cama e perguntou: — Xiao Qin, você não está com frio?
Não houve resposta.
Wu Xuelin olhou para a cama de cima. Havia apenas um colchão separando os dois, então ele podia ouvir claramente o que quer que estivesse acontecendo na cama acima. Xiao Qin não respondeu à sua pergunta, mas ele conseguia ouvir um som bastante estranho vindo de cima. Era como se… alguém estivesse pulando na cama.
— Xiao Qin? — Wu Xuelin estava genuinamente com medo a essa altura. Ele engoliu em seco sua saliva espessa, antes de chamar de forma tateante pela segunda vez: — Xiao Qin?
— Qual é a última linha? — A voz de Xiao Qin de repente ecoou no quarto frio e escuro.
Wu Xuelin ficou ligeiramente surpreso:
— A última linha?
Xiao Qin exigiu mais uma vez:
— Qual é a última linha daquela letra?
Wu Xuelin:
— …O quê?
Xiao Qin:
— A letra que você acabou de ler.
Wu Xuelin momentaneamente não soube como reagir; isso até registrar a que Xiao Qin se referia. Ele então se abaixou para pegar o bilhete amassado ao seu lado:
— A última linha?
Ele virou o pedaço de papel nas mãos por um tempo, antes de encontrar uma única frase escrita no verso do bilhete:
— Minhas pernas se foram, então você não me dá as suas?
Foi só depois de Wu Xuelin ler essa linha final que percebeu que algo estava terrivelmente errado. Como exatamente Xiao Qin sabia que aquilo era uma letra? Não estava explicitamente declarado que aquelas linhas eram letras; elas poderiam ser qualquer outra coisa, pelo que sabiam. Além disso, ele estava lendo aquelas frases em voz tão baixa. Como ela poderia tê-lo ouvido — a menos que não fosse Xiao Qin quem lhe fizera aquela pergunta, mas outra coisa…
A expressão no rosto de Wu Xuelin congelou. Os sons de pulos ficaram cada vez mais altos; a cama parecia estar a segundos de desabar sob toda aquela sacudida.
Wu Xuelin foi tomado por um terror insuportável. Em pânico desvairado, ele desceu da cama às pressas, mas, assim que o fez, deparou-se com uma visão apavorante no chão. Xiao Qin, que deveria estar deitada na cama de cima, estava estirada no chão, absolutamente mole. Embora ela não respirasse mais, seus olhos arregalados e sua expressão paralisada, carregada de terror, não poderiam ser mais indicativos dos horrores que ela testemunhara. Mas o mais assustador de tudo era o que restava de sua perna esquerda — ou melhor, o que não restava do membro que havia sido cuidadosamente decepado.
Os sons vindos da cama acima da de Wu Xuelin ficaram ensurdecedores. Com a voz de Xiao Qin, a criatura riu num deleite sinistro, seus trinados penetrantes raspando seus ouvidos. Como um disco arranhado, começou a entoar a última linha da canção:
— Minhas pernas se foram, então você não me dá as suas. Minhas pernas se foram, então você não me dá as suas. Minhas pernas se foram, então você não me dá as suas…
— Aaaaaah!!!! — Wu Xuelin soltou um uivo cru, cheio de horror e angústia, antes de correr desesperadamente em direção à porta. Mas, ao alcançar a porta, descobriu, para seu maior desespero, que não conseguia destrancá-la; não conseguia escapar.
— Socorro! Me ajudem!!! — Tendo havia muito sucumbido ao medo, Wu Xuelin tremia violentamente. Os sons de baques se aproximavam gradualmente dele, ficando mais altos e próximos. Um par de mãos geladas de repente agarrou seus ombros e, logo em seguida, uma dor excruciante queimou sua perna esquerda. Wu Xuelin desabou no chão com força. Ele olhou de volta para o chão escuro, apenas para ver uma perna ensanguentada de pé, separada de seu dono.
A escuridão começou a dançar nas bordas de sua visão embaçada. A última letra zombeteira da canção se repetia em sua mente, de novo e de novo:
— Minhas pernas se foram, então você não me dá as suas?
Tudo logo chegou a uma paralisação. Por fim, Wu Xuelin se rendeu à escuridão sem vida.
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A noite estava sempre tranquila.
Lin Qiushi dormiu em paz até o amanhecer. Com um bocejo, Lin Qiushi abriu os olhos, apenas para ser recebido pela visão de Ruan Nanzhu, que havia acordado em algum momento, sentado à beira de sua cama, contemplando-o com olhos cintilantes cheios de ternura.
— Bom dia. — Ruan Nanzhu lhe lançou um sorriso adorável.
— Bom dia. — Embora Lin Qiushi não pudesse estar mais ciente do verdadeiro gênero de Ruan Nanzhu, ainda assim não conseguiu evitar corar. Ele tinha que admitir que acordar com uma beleza deslumbrante cumprimentando-o com um sorriso caloroso e de tirar o fôlego era uma bênção maravilhosa.
Li Dongyuan imediatamente veio até o lado deles e disse animado:
— Mengmeng, você ainda não me disse “bom dia”.
Ruan Nanzhu lhe lançou um olhar indiferente:
— Bom.
Li Dongyuan: …
É realmente tão difícil assim terminar o resto daquela frase?
Xia Rubei:
— Bom dia, Li gege.
Li Dongyuan:
— Bom.
Xia Rubei: …
Lin Qiushi honestamente nunca havia querido tanto explodir em gargalhadas quanto agora; ele simplesmente não conseguia se conter. Aqueles três eram literalmente o exemplo perfeito da hierarquia, a epítome do cão que come cão.
Mas justo então, um grito estridente rasgou os corredores:
— Aaaaaaah!! Alguém morreu!!!
Várias pessoas saíram apressadas para ver do que se tratava a comoção.
Já havia um grupo de indivíduos aglomerado na entrada do quarto vizinho. Algumas pessoas tentavam abrir a porta, enquanto outras estavam de prontidão, sussurrando umas com as outras.
Lin Qiushi deu uma espiada, apenas para ver sangue espesso e carmesim escorrendo pela fresta entre a porta fechada e o chão, escorrendo pelo piso do corredor e formando poças. A julgar pela vasta quantidade de sangue fluindo do quarto, era evidente que as pessoas lá dentro haviam se deparado com uma tragédia.
Quem havia gritado de forma sanguinária era a novata que acabara de chegar àquele mundo. Ao ver as poças sangrentas, seu rosto empalideceu de susto. Ela se esgueirou para os fundos da multidão, encolhendo-se e sem ousar dar outra olhada na cena macabra.
Li Dongyuan e alguns outros homens encontraram uma ferramenta para arrombar a porta. Felizmente, as portas daquele dormitório eram bastante velhas e desgastadas, então não foi preciso muita força ou tempo para derrubá-la. Depois de alguns golpes, a porta cedeu, revelando a situação lá dentro.
No centro do quarto havia um homem e uma mulher, ambos jazendo sem vida numa poça coagulada de seu próprio sangue. Mas o que se destacava em particular naquela situação eram os membros desaparecidos das vítimas — ambos os indivíduos haviam perdido a perna esquerda.
— Esta não é a pessoa que decidiu arrancar aqueles talismãs ontem? — Alguém na multidão reconheceu a vítima. — Será que os talismãs realmente protegem contra fantasmas?
— Parece que sim. — Murmúrios correram pela multidão. — Por que mais eles morreriam?
— Buá, eu quero ir para casa. Eu quero ir para casa. — Uma novata de coração fraco começou a chorar. A perturbação no local ficou ainda mais caótica com a adição de soluços histéricos e lamentos lamuriosos.
Ruan Nanzhu evitou a multidão apavorada e entrou cautelosamente no quarto. Ele começou a examinar os arredores, tentando encontrar quaisquer pistas e dicas possíveis. Lin Qiushi o seguiu e caminhou até os cadáveres.
Ambas as vítimas deviam ter testemunhado algo absolutamente horripilante antes de morrer, pois seus olhos ainda estavam arregalados, e pânico e terror indescritíveis ainda estavam gravados em seus rostos mesmo na morte.
Sangue viscoso escorria sem fim de suas pernas decepadas, espirrando no chão e formando poças ao redor dos cadáveres e por todo o piso.
Ruan Nanzhu pareceu ter avistado algo. Ele se curvou na cintura e pegou um pequeno pedaço de papel do canto do quarto. O bilhete estava amassado e manchado de sangue. Ele mal conseguia distinguir as palavras escritas nele.
Tendo notado que ele havia encontrado algo, os outros vieram dar uma olhada:
— O que diz?
Ruan Nanzhu entregou o pedaço de papel aos outros e respondeu:
— Eu não sei.
— Bananas… Solidão… Que diabos é essa bagunça? — O homem não conseguia entender o que aquelas palavras incoerentes poderiam possivelmente significar. — Alguém entende ou tem alguma ideia?
Ninguém parecia ter a menor ideia. Mas, então, talvez alguns de fato entendessem seu conteúdo, mas simplesmente não quisessem revelar.
Por outro lado, Lin Qiushi e os outros três agora tinham certeza da causa da morte dos dois depois de testemunhar aquela cena; sem dúvida ambos haviam sido vítimas de Satchan. Só que eles não tinham certeza absoluta se arrancar os talismãs era a condição de morte, ou se eram os bilhetes contendo a letra… talvez fossem ambos?
╋━ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Othello&Yuki