₊ Capítulo 40.2
𓂃˖˳·₊˚.𔓎 Capítulo 40.2: A Quarta Porta ⋆⁺₊
O interior do castelo era bastante grandioso e espaçoso, e a escadaria que levava ao segundo andar era infinitamente longa, parecendo se estender sem fim. Depois de passar pela escadaria eterna, eles se arrastaram por um corredor sem limites e estreito. As poucas lamparinas de óleo que pendiam no corredor iluminavam fracamente seu caminho, tremeluzindo de vez em quando. E suspensas abaixo de cada fonte fraca de luz estavam pinturas a óleo peculiarmente estranhas.
Por que exatamente ele achou estas pinturas tão peculiares? Bem, era precisamente porque o tema da obra não era quase reconhecível em nenhuma das pinturas a óleo. Em um minuto, a pintura parecia encapsular um cenário, e no próximo, dava vida à figura de um ser humano. O choque errático de cores de forma aleatória manchando a tela produzia uma imagem distorcida, despertando uma sensação de perturbação e desconforto nas pessoas.
O tapete grosso nos chãos do castelo abafava o som dos passos de todos. Além dos sussurros nebulosos das chamas cintilantes, todo o corredor estava desconcertantemente imóvel, vazio de qualquer ruído ou voz.
No final do corredor havia uma porta de madeira ligeiramente entreaberta. O mordomo caminhou até a porta e a abriu. Ele então se virou e fez uma reverência profunda, educadamente estendendo a mão em um gesto de convite.
Ruan Nanzhu deu um passo à frente, tomando a liderança, e entrou no quarto.
Lin Qiushi o seguiu, apenas para logo ser recebido com uma visão de tirar o fôlego.
Como se viu, a porta na verdade havia se aberto para um salão de jantar. No centro do quarto havia uma grande mesa de jantar, na qual vários pratos saborosos haviam sido arranjados. E no final da mesa de jantar sentava-se sua anfitriã, a senhora do castelo de acordo com as palavras do mordomo.
Uma mulher esguia vestida com trajes góticos; todas as suas roupas, de seu vestido longo e fluido ao enorme chapéu descansando em sua cabeça, eram pretas como breu. Sua compleição era do tom cinzento de um cadáver, quase tão mortalmente branca quanto um fantasma. Seus olhos escuros e profundos eram assustadoramente grandes; sob as luzes fracas, aqueles olhos sem alma dela lembravam um abismo escuro e inescapável. Seus lábios finos, que estavam incrustados em batom rouge, estavam curvados em um sorriso sutil — se é que aquilo poderia sequer ser considerado um sorriso.
A visão perturbadora dela fez a pele da multidão se arrepiar. Um silêncio tenso caiu sobre todos na sala; nem uma única pessoa ousou emitir um som. Até mesmo a novata, que estava soluçando incessantemente minutos antes, havia parado de chorar de medo.
— Por favor, depois de vocês. — A voz do mordomo ecoou dentro dos salões sombrios. — Apreciem este banquete deleitável ao máximo.
Como de costume, Ruan Nanzhu foi o primeiro a reagir. Ele encontrou uma cadeira aleatória para se sentar, então pegou a toalha de mão úmida que havia sido servida, e limpou as mãos.
Lin Qiushi tomou um assento ao lado dele.
Um após o outro, os outros começaram a preencher os espaços desocupados. Assim que todos estavam sentados, a anfitriã levantou um pequeno sino e o tocou, sinalizando o início da refeição. Do começo ao fim, ela não disse uma palavra; sua expressão estranha nem sequer mudou o mínimo. Ela silenciosamente pegou sua faca e garfo e lentamente começou a se empanturrar com a comida diante dela.
Lin Qiushi observou-a pelo canto dos olhos. Ele notou que as mãos da dama eram um pouco grandes em proporção à sua figura emaciada. Seus nós dos dedos estavam salientes, e suas unhas quebradiças eram de uma cor cinza-azulada pálida. Com aquelas mãos retorcidas, ela elegantemente agarrou os talheres frios e cortou ordenadamente o bife mal passado em seu prato, antes de esfaquear um pedaço com o garfo. Ela então cuidadosamente levou o garfo à sua boca larga e escarlate, sangue da carne pingando de seus lábios.
O que ele acabara de testemunhar foi nojento demais que imediatamente fez Lin Qiushi nutrir dúvidas sobre se a anfitriã era sequer humana. Não conseguindo mais suportar aquela cena repugnante, Lin Qiushi desviou o olhar, apenas para notar que Tan Zaozao, que estava sentada ao lado dele, estava encarando obsessivamente a senhora… era como se ela tivesse sido enfeitiçada pelo diabo.
Lin Qiushi tossiu baixinho, atraindo a atenção de Tan Zaozao de volta ao presente.
— Coma. — murmurou Lin Qiushi.
— En. — Tan Zaozao pareceu ter se tornado consciente de seu próprio comportamento anormal. Depois de lhe dar um leve aceno, ela abaixou a cabeça e procedeu a cortar seu bife, recusando-se a encarar o outro mais.
A refeição foi surpreendentemente deliciosa. Cada prato, dos aperitivos às sobremesas, explodia com sabores ricos e tentadores. Se não fosse por sua situação atual, eles sem dúvida teriam saboreado cada mordida das finas iguarias diante deles; infelizmente, ninguém realmente tinha apetite para saborear tal comida gourmet agora.
É claro, a única exceção era Ruan Nanzhu, cuja coragem era tão grande como sempre. Ele não expressou o menor desconforto ou desinclinação em comer, desde que se sentou à mesa. De fato, ele devorou toda a comida, lambendo todos os pratos impecáveis, e ainda tinha espaço para frutas.
Eventualmente, a situação se transformou em uma onde todos simplesmente boquiabertos com o grande apetite de Ruan Nanzhu. No entanto, como se não percebesse nada antinatural ou estranho sobre o clima atual, ele simplesmente continuou se empanturrando até se satisfazer.
Quando terminou de comer, ele calmamente colocou sua faca e garfo na mesa e limpou a boca.
Só depois que a última pessoa terminou sua refeição, sua anfitriã quietamente se levantou de sua cadeira e saiu pela porta.
O mordomo anunciou:
— Caros convidados, minha mestra agora os acompanhará até o que vocês há muito aguardavam. Se quiserem, sigam-na.
A multidão apressadamente seguiu a senhora, subindo a escadaria sempre sinuosa.
Deus sabia quantos níveis existiam no castelo antigo. Enquanto subia as escadas, Lin Qiushi manteve a contagem dos andares que havia passado; a anfitriã os levou ao sétimo andar no final.
Ela rapidamente avançou até o final do corredor do sétimo andar, abriu uma porta e entrou.
Não ousando segui-la para dentro, todos escolheram observar a situação de fora da porta.
Julgando pelo interior, o quarto diante de seus olhos era provavelmente um estúdio. Havia inúmeras ferramentas de pintura — pincéis de vários tamanhos, paletas de madeira para misturar pigmentos, esboços espalhados, recipientes de tinta, panos manchados e mais — mas o mais atraente de todos era a tela em pé que estava velada por uma lona de algodão, conspicuamente situada no centro do quarto.
Justo então, a voz do mordomo soou de trás deles:
— A tão aguardada pintura será concluída em alguns dias. Durante este período, por favor, mantenham sua curiosidade sob controle; apreciaríamos se vocês não causassem alvoroço. Aproveitem este tempo para admirar a vista deslumbrante deste castelo majestoso, se quiserem. Assim que minha mestra concluir a pintura, vocês poderão avaliá-la com seus próprios olhos.
Ao ouvir o discurso do outro, Lin Qiushi finalmente identificou seus papéis. De acordo com o mordomo, eles eram patronos que admiravam as habilidades de pintura da senhora, e eles deveriam passar alguns dias neste castelo, até que a obra de arte da senhora fosse concluída. Dada esta informação, ele suspeitou que a chave para sair tinha algo a ver com a pintura final da senhora.
— Vocês não devem perturbar minha mestra enquanto ela cria sua obra-prima. — informou o mordomo. — Agora, o dia está ficando mais escuro, então por favor retornem aos seus respectivos aposentos para descansar.
Com isso, ele os conduziu de volta escada abaixo.
Seus aposentos ficavam no terceiro andar, com um quarto por pessoa. As chaves foram distribuídas aleatoriamente aos indivíduos, e os números impressos nas chaves correspondiam aos números dos quartos de seus novos alojamentos.
Lin Qiushi teve bastante sorte, pois seu quarto ficava diretamente em frente ao de Ruan Nanzhu. Infelizmente, o mesmo não podia ser dito de Xu Xiaocheng. Vendo que ela era a única designada para um quarto no canto mais distante, ela amargamente apertou a chave em sua mão e descontente resmungou consigo mesma por horas.
O quarto era bastante grande e espaçoso, mobiliado com belas decorações. Quer fosse a cama aconchegante de um tamanho incrível, ou aquela penteadeira ornamentada projetada intricadamente, tudo era simplesmente de tirar o fôlego. Todo o quarto refletia um toque de tempos antigos, transportando-o de volta à Era do Renascimento.
A senhora do castelo parecia ser muito apegada a pinturas, ao ponto de ela até pendurar uma pintura no meio do quarto. A arte retratava um castelo desolado assaltado por uma cortina obscurecedora de chuva; o clima da pintura era bastante escuro e inquietante. Lin Qiushi olhou para a pintura por apenas um momento, antes de removê-la da parede, colocá-la no chão e cobri-la com um pano.
Porque a dica que receberam era A Mulher da Chuva, Lin Qiushi tinha razão para acreditar que todas as pinturas neste mundo eram de mau agouro.
Depois de se lavar, ele voltou para a cama. Antes de dormir, ele verificou seu telefone por hábito; sem surpresa, não havia sinal.
Ele então ficou na cama por um tempo. O tempo passou, infinitamente devagar. Por fim, Lin Qiushi se levantou e se dirigiu ao quarto em frente ao seu, batendo levemente na porta.
Com um rangido, Ruan Nanzhu abriu a porta para Lin Qiushi.
— Nanzhu. — Lin Qiushi entrou, apenas para notar que também havia uma pintura no quarto de Ruan Nanzhu. A obra de arte parecia enfatizar os arbustos no portão do castelo, e assim como a pintura em seu próprio quarto, o tempo estava chuvoso e sombrio.
— Bem então. — Ruan Nanzhu voltou ao lado de Lin Qiushi depois de lavar o cabelo; gotas de água grudavam em seu cabelo, gradualmente escorrendo por seu pescoço. Enquanto secava o cabelo úmido, ele perguntou: — O que você encontrou?
— Ela se parece demais com A Mulher da Chuva. — Lin Qiushi começou. — É como se ela tivesse saído direto da própria pintura.
Ruan Nanzhu refletiu pensativamente:
— De fato.
Embora ele não tivesse declarado abertamente, estava claro que Lin Qiushi estava se referindo à anfitriã. Qualquer um que pousasse os olhos tanto em A Mulher da Chuva quanto na senhora deste castelo antigo, certamente as associaria uma à outra; a semelhança era simplesmente muito assombrosa.
Ruan Nanzhu apontou para a pintura pendurada na parede:
— Você também tem uma no seu quarto?
Lin Qiushi assentiu:
— Sim. Mas a imagem é completamente diferente. É uma pintura de um castelo antigo.
— Remova-a. — instruiu Ruan Nanzhu.
— Já o fiz. — Lin Qiushi respondeu. — E a Tan Zaozao?
Ruan Nanzhu disse:
— Vou passar lá mais tarde para verificar. Se algo, posso dizer a ela para vir dormir aqui esta noite.
Lin Qiushi murmurou em entendimento.
Ruan Nanzhu:
— Você não tem nada a dizer?
Lin Qiushi pensou que Ruan Nanzhu estava perguntando sobre quaisquer pistas, então ele simplesmente balançou a cabeça, indicando que não havia encontrado nenhuma outra pista, e disse que olharia novamente amanhã.
Ruan Nanzhu:
— … Deixa pra lá, não importa.
Verdadeiramente falando, se ele tivesse escolha no assunto, Lin Qiushi preferiria morar com Ruan Nanzhu agora, porque ambos tendiam a depender um do outro, cuidar um do outro. No entanto, ele ainda tinha que levar em consideração Tan Zaozao, que genuinamente precisava ser cuidada e protegida. Com isso em mente, Lin Qiushi não teve escolha a não ser engolir e se rendendo a aceitar os arranjos atuais.
Depois de conversar com Ruan Nanzhu por algum tempo, Lin Qiushi retornou ao seu próprio quarto.
Mas ao entrar no quarto, ele ficou paralisado no local, incapaz de tirar os olhos da pintura na parede — a mesma pintura que agora estava de volta à sua posição original apesar de ter sido removida da parede um tempo atrás…
… Depois de um longo e doloroso segundo de silêncio, Lin Qiushi deu um passo à frente para tirar a pintura da parede, mais uma vez.
Desta vez, ele não meramente a empurrou para o canto do quarto e a cobriu com um pano; em vez disso, ele enfiou a pintura dentro de uma gaveta, antes de apoiar um banquinho volumoso contra ela.
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Quando a noite caiu, os sussurros de uma tempestade tempestuosa chegaram. Lin Qiushi ficou na cama, ouvindo os gritos amargos da leve brisa soprando implacavelmente, farfalhando as folhas nos topos das árvores.
Um magnífico candelabro de cristal pendia do teto de seu quarto. Atormentado pela insônia, Lin Qiushi encarou vagamente o candelabro apagado acima, sua mente começando a vagar para outro lugar. Ele sabia que deveria dormir, mas parecia não conseguir adormecer de jeito nenhum. Ele só desejava poder esvaziar todos os seus pensamentos e se nocautear, mas a cada segundo que passava, ele ficava mais inquieto, ainda mais acordado.
O vento lá fora ficou mais forte; seus uivos sinistros ficaram mais altos e mais altos, mais alarmantes. Lin Qiushi de repente captou o leve cheiro de chuva no ar, aquela fragrância única e fresca e terrosa produzida quando gotas de chuva caem em solo seco. A princípio, o cheiro era bastante suave, mas ficou ainda mais intenso, eventualmente pervadindo cada canto de seu quarto. Em instantes, as narinas de Lin Qiushi foram violentamente atacadas por aquele odor úmido e espesso.
Lin Qiushi estava encarando fixamente o teto por eras, e antes que percebesse, uma mancha escura de água começou a aparecer acima de sua cabeça, claramente visível contra as paredes brancas. Ele vigorosamente esfregou os olhos, acreditando que estavam pregando peças nele. No entanto, as manchas úmidas ainda estavam lá, no mesmo exato lugar… claramente, isso não era apenas um fruto de sua imaginação.
Não deveria haver outro quarto acima do seu? Como a água poderia estar vazando? Um sentimento terrível de inquietação tomou conta de Lin Qiushi, enquanto ele gradualmente se tornava consciente da situação premonitória. As manchas de água turva ficaram mais escuras e mais pronunciadas, parecendo se distorcer bem diante de seus olhos. Não ousando mais ficar deitado na cama, ele rapidamente se levantou e acendeu as luzes.
Com um flash, todo o quarto se iluminou. Assim que as luzes acenderam, Lin Qiushi olhou de volta para o teto, apenas para descobrir que estava completamente impecável… não havia nada lá.
Era meramente uma alucinação? Ou um sinal premonitório? Lin Qiushi decidiu apagar as luzes novamente. Com certeza, as manchas negras reapareceram na escuridão. Os respingos eram muito maiores que antes, e eles logo começaram a se deformar bizarramente, tomando forma… do perfil de uma mulher.
Lin Qiushi acendeu as luzes novamente.
Ele escaneou a área, então caminhou até a janela, destrancando-a e abrindo-a.
Havia começado a chuviscar lá fora. A chuva que caía não era particularmente pesada, mas seus delicados pigos eram altos e claros; as gotas frias atingiam as folhas de vez em quando, produzindo um ritmo nítido e constante.
Lin Qiushi olhou para o cenário fora da janela, focando no jardim nebuloso velado pela delicada cortina de chuva.
Escondida nas profundezas obscuras do jardim estava uma figura escura, vestindo uma capa de chuva e chapéu de balde. Ela ficou imóvel no meio dos arbustos e silenciosamente olhou para o castelo antigo, como um convidado persistente esperando para entrar nas instalações, como um proprietário secreto inspecionando sua própria casa.
Mas um olhar mais atento para a figura indistinta revelou que era meramente a sombra de uma árvore; a forma humana cresceu vaga e embaçada, logo desaparecendo completamente ao se fundir com a silhueta da árvore.
Parecia que os nervos de Lin Qiushi estavam começando a dominá-lo, conjurando ilusões bastante assustadoras que enganavam sua mente.
╋━ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Othello&Yuki