⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 32
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 32
Depois de reenrolar a bandagem, ele ainda decretou que, se ele forçasse mais uma vez, ele interromperia a gravação. Tardiamente ele passou a ter consciência da câmera e escolheu as palavras, mas havia também um pouco de resignação. Como a água já fora derramada, ele achou que, já que era assim, tinha de dizer o que precisava.
Ji Hyeon acenou com a cabeça, de novo docilmente, e, diferente do habitual, olhou pra Eunho com olhos mansos. Era um sujeito cujos traços chamativos o faziam parecer sensível, mas em momentos assim ele também parecia infinitamente frágil. A ponto de as palavras subirem até a ponta do queixo e se dissolverem junto com um suspiro.
—Ah, produtora Yu.
E, quando todas as gravações de terminaram, Eunho foi procurar a produtora Yu antes de qualquer um. Ji Hyeon estava por um instante num canto do set, removendo a caracterização. Ele conferiu por precaução: felizmente o pulso inchado também já tinha desinchado bastante.
—Tenho um pedido a fazer.
A produtora Yu, que conferia o material gravado, estava com uma expressão de quem previa perfeitamente o que Eunho ia dizer. Dava pra saber pelo fato de ela acenar com a cabeça, sem nenhuma estranheza, como quem diz “pode falar”. Eunho falou da forma mais respeitosa possível a parte em que vinha pensando o tempo todo:
—Desculpe, mas eu gostaria que a senhora cortasse a conversa que a gente teve no carro.
Ele teve esse pensamento cinco segundos depois de descobrir a câmera. Que por ora deixaria como estava e depois pediria à produtora Yu. Implorar por um corte era coisa que ele já fizera não uma ou duas vezes trabalhando como Manager.
—É por causa da reação dos espectadores, né?
Como esperado, a produtora Yu nem perguntou que cena era. E não era pra menos: até a imagem de Eunho desconcertado ao ver a câmera devia ter sido gravada por inteiro. Eunho acenou com a cabeça e emendou pausadamente:
—Sim, por mais que seja assim, eu acho que não é adequado ir ao ar uma cena em que eu me irrito com um ator.
As reações previsíveis não eram uma ou duas. Que, por mais que fosse assim, um Manager pode agir assim? Ou então, o quanto ele deve ter se irritado até agora pra Ji Hyeon estar tão dócil? Não havia como não surgir uma repercussão negativa.
—E tem a minha imagem, mas… eu acho que vai passar a sensação de que o ator não é respeitado. E obviamente vão dizer também que a equipe de gravação não cuida direito dele.
Se fosse só ele que fosse xingado, tudo bem, mas parecia que sairiam também comentários de que Ji Hyeon era teimoso e de que o set era uma bagunça. E era ainda mais preocupante por ser logo depois do acidente com a iluminação.
—Eu peço, por favor.
—Hm…
Ele achava que ela aceitaria de bom grado, mas a produtora Yu mostrou um ar de quem pondera. Fez um longo som pensativo e franziu a testa de modo ambíguo. E então a resposta que veio tinha uma nuance bem sutil pra ser um “sim”:
—Eu vou editar bem pra não sair esse tipo de comentário.
—…….
Será impressão? Isso soa como “eu vou exibir sem cortar”. No instante em que Eunho ia dizer alguma coisa, a produtora Yu abanou as mãos com um rosto simpático:
—Não se preocupe. Eu não sou pessoa de causar problema com esse tipo de coisa.
E àquela fala havia credibilidade. Porque, de fato, a produtora Yu Hyeseon tendia a respeitar os participantes em vez de fazer conteúdo sensacionalista. Diferente de outros programas que transformam uma frase banal em polêmica de caráter, ela dizia que seu objetivo era fazer um programa agradável que todos pudessem assistir sem desconforto.
—É que é uma cena que me dá vontade, então eu queria aproveitar bem. Eu entendi perfeitamente o que você disse, então confia em mim e me deixa tentar uma vez.
Ela transbordava tanta confiança que até Eunho foi dominado por aquela postura e teve de fechar a boca. Como de qualquer forma eles continuariam gravando juntos, o argumento de que ela também não queria criar problema era bastante confiável.
—…Sim, então eu conto com a senhora.
No fim, Eunho desistiu da edição e acenou com a cabeça. Pensou que ao menos foi sorte ele ter percebido a câmera antes de soltar um palavrão. Como o “você é louco” ela cortaria bem, talvez não fosse ruim confiar e deixar com a produtora Yu.
Eunho fez uma leve reverência à produtora Yu e voltou pra onde Ji Hyeon estava. Ji Hyeon, que estava cheio de caracterização de ferimentos, nesse meio-tempo já voltara com o rosto limpo. Como a franja estava presa com um grampo, a testa redonda ficava totalmente à mostra.
“Parece um ovo cozido.”
Era um sujeito que dormia de forma tão desastrosa e, ainda assim, tinha uma pele impecável. A testa lustrosa também estava limpa, sem uma única imperfeição. Quando ele percorreu com os olhos as sobrancelhas bem-aparadas e os cílios longos, Ji Hyeon, sentindo aquele olhar, ergueu as pálpebras.
—…….
—…….
O olhar que se encontrou no ar se voltou diretamente pra Eunho. O céu já estava todo escuro, mas as luzes que iluminavam o set clareavam o rosto de Ji Hyeon. Aquelas pupilas de cor especialmente clara quando recebiam luz eram tão belas que, por descuido, se poderia ficar enfeitiçado.
Devia-se dizer que ele fazia jus ao rosto. Quando ele estava parado, dava pra entender também por que os fãs o chamavam de “Jisel”. Era um tratamento que Ji Hyeon detestava, mas Eunho nunca vira feições mais belas que aquelas.
—Ela vai cortar?
Toc — a fala que saltou foi suficiente pra devolver todo o senso de realidade que ele tinha esquecido. Eunho recobrou a consciência de repente e esfregou a nuca. A stylist que estava ao lado de Ji Hyeon mediu a situação e se afastou deles.
—Bom… ela disse que vai tentar fazer com que não gere comentário.
—Ou seja, ela não vai cortar.
Diante da fala que acertou o alvo, ele apenas deu de ombros. Ji Hyeon tirou o grampo que prendia o cabelo e bagunçou a franja de qualquer jeito. Como sobrara um grampo no cabelo lateral, Eunho estendeu a mão pra lá sem pensar e disse:
—Fica quieto um pouco.
—…….
Ji Hyeon parou os movimentos e olhou pra Eunho. Eunho retirou com um gesto cuidadoso o grampo que restara. Concentrando-se ao máximo pra, por acaso, não puxar os fios, seu rosto se aproximou naturalmente.
—Você deixa isso aí pra quê?
Era uma fala que ele soltou porque achava cômico ele sempre deixar um grampo no cabelo lateral, já que não era a primeira nem a segunda vez que usava grampos. Um risinho até lhe escapou sem querer, mas Ji Hyeon não disse nada e apenas ficou fitando Eunho. E então, no instante em que os olhares voltaram a se encontrar, ele estremeceu as pálpebras e virou a cabeça de repente.
—…Eu não sabia que tinha.
Era um jeito de falar mais duro e ríspido que o normal. E o mesmo valia pro gesto de massagear à toa a parte onde a mão de Eunho encostara. Será que ele se incomodou por eu ter tocado? Pensando isso, Eunho estendeu a mão pra Ji Hyeon:
—Me dá os grampos que você tirou. Pra eu levar pra Yeonju.
Normalmente a stylist tiraria todos, mas, como Ji Hyeon detestava tanto que encostassem nele, eles reduziam o contato ao mínimo. Naquele dia também era certo que ela tinha ido embora depois de só remover a caracterização, com medo de contrariá-lo.
—Espera um pouco. Eu já volto.
Ele deve estar muito cansado, então é melhor levá-lo logo pra casa. Até agora ele parecia bem, mas não se sabia quando seu estado pioraria de novo.
—…….
Ji Hyeon entregou os grampos e ficou olhando em silêncio as costas de Eunho. Eunho, que foi embora sem olhar pra trás, não percebeu aquele olhar.
E aos dois, uma câmera com a marca da MBS observava em silêncio.
* * *
Falando pela conclusão, eles não conseguiram voltar direto pra casa. Foi porque a equipe de gravação promoveu uma pequena confraternização pra comemorar, de quebra, o retorno de Ji Hyeon. O motivo nominal era esse, mas ele não desconhecia que na verdade era pra gravação e divulgação do ‘AME’.
O local da confraternização era a churrascaria que Eunho vira em foto. Eunho, que pretendia recusar se Ji Hyeon não quisesse, confirmou que ele não demonstrava rejeição especial e foi em silêncio pra churrascaria. Mesmo tendo gravado por tanto tempo, ele parecia até em melhor forma.
Ji Hyeon não encostou na carne e, em vez disso, bebeu apenas alguns copos da cerveja sem álcool que Eunho comprara pra ele. Como ele parecia querer beber cerveja, ele pedira licença ao funcionário do restaurante e comprara numa loja de conveniência próxima. Provavelmente Ji Hyeon bebeu sem nem saber que era sem álcool.
E assim, encerrada a confraternização, no caminho pra casa. Ji Hyeon, com a cabeça encostada na janela, piscava os olhos com ar vazio. Não podia estar bêbado com uma cerveja sem álcool, mas ele parecia com a mente em outro lugar durante todo o tempo da confraternização. Eunho, que ia perguntar se ele estava passando mal, conferiu a câmera instalada na van e puxou outro assunto de leve:
—Se estiver cansado, dorme um pouco.
—Não estou cansado.
E responder ele responde certinho. Sem nem saber que não há a menor credibilidade quando se fala com uma cara de cansaço que qualquer um vê.
—Mesmo sem estar cansado, fica de olhos fechados.
—…….
Dessa vez não veio resposta nenhuma. Em vez disso, ele corrigiu a postura e fechou os dois olhos, quieto. Dentro do carro, onde nem o rádio estava ligado, apenas uma respiração serena rondava de vez em quando.
Até chegarem em frente à casa, Ji Hyeon permaneceu de olhos fechados. Pensando que talvez ele tivesse adormecido nem que fosse por um instante, Eunho também não puxou conversa nem nada. Ele olhava pra trás sempre que parava num sinal, mas apenas conferia a cor do rosto dele e o deixava em paz.
—Bom trabalho hoje!
A gravação do ‘AME’ se estendeu até a garagem subterrânea do prédio. Um membro da equipe removeu a câmera instalada na van, e toda a programação terminou com Ji Hyeon trocando cumprimentos com a produtora Yu. Como a próxima gravação seria a entrevista no estúdio, a produtora Yu retirou a equipe deixando um “até amanhã”.
E então, depois que todos partiram, Eunho confirmou que as portas do carro estavam trancadas e apontou com o queixo a entrada do prédio:
—Sobe. Amanhã eu venho te buscar.
—…….
Ele pretendia ir direto pra casa dali, mas Ji Hyeon não respondeu à fala de Eunho. Apenas baixou a cabeça um instante e puxou o assunto num tom meio desajeitado:
—Sobe um pouco e faz o papel de contracena pra mim.
—Papel de contracena?
Que roteiro ele vai ver a essa hora? Pensando isso, ele ainda assim perguntou primeiro. Ji Hyeon, ainda sem conseguir encará-lo, falou devagar:
—É, sozinho não sai direito.
Como se ele não tivesse feito muito bem sozinho até agora. Era uma desculpa absurda, mas o “não” não saía. A equipe do ‘AME’ já tinha se retirado, e Eunho não tinha motivo pra aceitar aquele pedido.
Então Eunho conferiu as horas e engoliu um suspiro goela abaixo. Porque achou criativo o modo como aquele sujeito, que ultimamente não fazia birra, dizia “não vá embora”. Era um golpe descarado, evidente aos olhos de qualquer um, mas foi por isso mesmo que ele caiu de bom grado.
—…E que parte não sai direito?
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna