⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 31
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 31
Ji Hyeon partiu pra frente das câmeras, e Eunho se posicionou onde estava a equipe. Como havia tantas câmeras, a equipe do ‘AME’ com a marca da MBS nem chamava atenção. Por isso Eunho, como sempre, ficou de braços cruzados olhando apenas pra Ji Hyeon com olhos sérios.
“E logo o braço direito…”
tinha mais ação do que ele imaginava, e Ji Hyeon tinha até um diretor de artes marciais só pra ele. Como era um sujeito bom com o corpo, ele não se preocupava com a ação; o problema era usar excessivamente o braço direito, ainda em recuperação. Se possível ele queria pedir pra usarem dublê, mas nem o produtor nem o próprio Ji Hyeon queriam isso.
“Nessas horas dá pra ver que ele é ator nato.”
Mesmo não combinando com seu temperamento habitual, Eunho achava que ele era um ator bastante apaixonado. Mas, quando ele disse isso um dia, de Ji Hyeon veio a resposta de que “é só que essa é a única coisa que eu sei fazer”. Ele tinha um ar de algum modo autodepreciativo e, mesmo assim, transparecia um leve orgulho.
—Silêncio aí, por favor!
Como era justamente uma cena em plano-sequência, só depois de conferirem várias vezes as marcações com os figurantes é que os preparativos pra gravação de fato terminaram. Quando o diretor gesticulou apressado, um membro da equipe correu e preparou a claquete. Depois do “TÁ!” batido no sinal certo, Ji Hyeon, de cabelo desgrenhado, gritou com voz áspera:
—Seus filhos da puta malucos!
A vantagem e a desvantagem de séries de streaming é que os palavrões cruéis vão ao ar sem filtro nenhum. Como Kwon Minhyeok era um papel de boca suja, ultimamente Ji Hyeon vivia no set com palavrões na boca o tempo todo. Ele já não era um sujeito de falar bonito, mas, quando soltava aqueles xingamentos pesados, a sensação era outra.
“E é impressionante como a voz muda completamente…”
Ji Hyeon usava, na base, um tom lento e adocicado. Uma sensação macia como espuma de cappuccino; mas, quando atuava como Kwon Minhyeok, era o oposto exato. Ora ele ficava debochado e provocador, ora arranhava a garganta cheio de bravata.
—Não vai sair da frente? Seus filhos da…
Antes que a fala terminasse, o figurante à frente desferiu um soco. Ji Hyeon se abaixou com desenvoltura e, com a ponta do pé, chutou pra cima um pedaço de madeira caído no chão. Depois de agarrar com uma das mãos a madeira que se ergueu, sem hesitar acertou com força as costas do figurante.
—Aaah!
A partir dali começava de fato a cena de luta. No instante em que a madeira, previamente serrada, se partiu ao meio, os que cercavam Ji Hyeon avançaram todos de uma vez.
“Por favor, que acabe de primeira…”
Quanto mais o tempo se estendesse, quem mais se cansaria seria Ji Hyeon. Segurar a madeira, brandir a arma, cada movimento que ele fazia agora sobrecarregava o braço direito. Mesmo que no começo ele desse conta com leveza, era certo que, quando o preparo caísse, ficaria pesado.
—Kwon Minhyeok, seu desgraçado, hoje eu te mato!
—Tenta me matar, seu filho da puta!
As vozes berrando nem se ouviam direito. Eunho checava os movimentos de Ji Hyeon sem sequer piscar. Bloquear o soco do outro com uma mão, chutar o figurante e recuar irritado. E também levar um golpe na cabeça por trás e cair pra frente.
—…….
Junto com o som do baque, Eunho estreitou levemente as sobrancelhas. Um rosto já sério ficou ainda mais duro.
—Idiota. Quem foi que mandou vir sozinho?
—Nem o grande Kwon Minhyeok tem chance contra um bando, né?
Ele agora… acho que apoiou errado a mão direita.
—…Ah, seus canalhas.
Ji Hyeon recitou a fala lentamente, cuspiu no chão e se ergueu. Mais precisamente, apenas fingiu apoiar-se com o braço direito e se equilibrou segurando a parede com o braço esquerdo. Estalar o pescoço e soltar os ombros estava conforme o roteiro, mas o fato de a mão que segurava a madeira ter mudado pra esquerda era um pouco estranho.
—Aonde você pensa que vai se levantar, moleque.
Bum! Junto com o som, o figurante chutou as costas de Ji Hyeon. Naturalmente aquela era uma cena do roteiro, e cambalear também era certamente atuação. Só que ele apertar a mão direita com força não era atuação.
“…Esse desgraçado, sério.”
Eu falei pra não aguentar. Enfim, ele não escuta nada, mesmo.
—Vem todo mundo de uma vez, seus merdinhas.
—Olha o cara se achando!
Eunho, ansioso, franziu a testa, mas não podia invadir no meio da gravação. Ji Hyeon, segurando a madeira com a mão esquerda, continuou os movimentos já ensaiados. Como não era uma marcação difícil, apesar da troca de mão, a ação não teve problema. Depois de uma briga corporal que se estendeu por um tempo, dessa vez Ji Hyeon bloqueou com o braço direito a madeira brandida por outro.
—…….
Não é porque a madeira já estava serrada que não doeria. Mesmo com protetor, o impacto teria sido transmitido por inteiro. As gotas de suor que escorriam pela têmpora certamente não eram apenas por causa do calor.
Pois é, se não fosse por isso, ele não teria cerrado os dentes daquele jeito.
—Aaaah!
No fim de um berro de alguém, Ji Hyeon trocou a madeira pra mão direita. Soltando um fôlego raso, ergueu o braço bem alto e brandiu com força contra o único figurante ainda de pé. Bum! Junto com o som seco, a madeira se partiu, e o figurante corpulento caiu de bruços no chão.
—…….
Por um tempo não se ouviu som nenhum. Naquela paisagem silenciosa como um cemitério, apenas uma pessoa, Ji Hyeon, estava de pé. E, não muito depois, Ji Hyeon atirou a madeira e desabou sentado no chão.
—Corta!
Os lábios de Eunho tremeram. O olhar continuava fixado em Ji Hyeon. Enquanto Ji Hyeon bufava puxando o ar, o diretor gritou mais uma vez, alto:
—Boa! Vamos dar uma pausa e continuar!
Ao mesmo tempo, Eunho se lançou do lugar e foi até Ji Hyeon. Como andou quase correndo, num piscar de olhos chegou bem diante dele. No instante em que Ji Hyeon, sentado sem forças, ergueu a cabeça passando a mão pelo cabelo, Eunho, contendo o palavrão que subia, apenas soltou uma frase:
—Levanta.
—…….
Se ele não conseguisse levantar, ele pretendia erguê-lo, mas Ji Hyeon se levantou docilmente. Como esperado, não usou o braço direito e, em vez disso, sacudiu a roupa com a mão esquerda. Eunho, que fitou com firmeza o braço direito caído, virou as costas primeiro e caminhou até onde o carro estava estacionado.
—…….
—…….
Terá tido um mínimo de percepção? Ji Hyeon o seguiu em silêncio. Não perguntou aonde iam e não disse onde doía. Sentindo aquela presença que o seguia obediente, Eunho engoliu em seco pra domar o íntimo fervente.
A van em que tinham vindo estava estacionada não muito longe. Normalmente ele o sentaria numa cadeira preparada num canto do set, mas agora ele precisava de um lugar longe dos olhares alheios. Os outros provavelmente pensariam que ele estava descansando um pouco no carro.
—Entra.
Assim que chegou ao carro, Eunho primeiro abriu a porta traseira. Como Ji Hyeon hesitou (provavelmente porque a roupa estava suja e ele não queria entrar), ele baixou o tom de voz e o apressou:
—Entra logo enquanto eu estou pedindo com jeito.
Percebendo que o clima não era normal, Ji Hyeon entrou no carro sem resistir. Em vez de ir pro banco do motorista, Eunho subiu no banco ao lado dele. E, assim que fechou a porta, ordenou:
—Braço.
Dessa vez também Ji Hyeon estendeu docilmente o braço direito. Como não sabia por onde e como tocar, Eunho fechou os olhos com força por um instante, abriu-os e segurou a manga dele. E dentro da manga arregaçada com todo o cuidado, como esperado, via-se o pulso completamente inchado.
—…….
—…….
Foi como se tudo diante dos olhos escurecesse. E como se a barriga esquentasse como se ele tivesse engolido uma bola de fogo. Assim que o fio de razão que ele mantinha a duras penas se rompeu, Eunho mastigou com um rosto gelado:
—Você é louco mesmo.
Ji Hyeon mexeu os lábios. Mas Eunho, antes que ele dissesse qualquer coisa, despejou toda a raiva fervente:
—Você não vai usar o braço direito nunca mais? Vai gravar essa cena e se aposentar?
Eu falei pra avisar se doesse. NG ou não, o ator tem que sobreviver primeiro, não? Ninguém exigiu espírito de sacrifício dele, e não há nada mais idiota do que forçar por conta própria.
—Eu falei pra você não aguentar. Onde é que você deixou a cabeça? Faz quanto tempo que você machucou o braço pra ficar se jogando desse jeito!
Conforme falava, a emoção foi ficando mais exaltada. Não, desde o início ele nem pretendia falar com calma. Foi justamente por prever isso, sabendo disso, que ele trouxera Ji Hyeon pro carro. Porque, se surtasse no meio do set, era certo que o clima azedaria.
—Você não é um novato inexperiente, é um sujeito que sabe muito bem, por que…!
—Kwak Eunho.
Mas, antes que ele terminasse de falar, Ji Hyeon de repente chamou seu nome. Um sujeito que normalmente ouviria quieto — era uma atitude nada menos que inesperada. No instante em que ele ia dizer “cala a boca e escuta”, achando que ele tinha enlouquecido, Ji Hyeon apontou com o queixo pro banco da frente.
—…Tem uma câmera ali.
—…….
Eunho fechou a boca de uma vez e olhou pra direção que ele apontava. Dentro da van toda preta, uma câmera instalada solitária. A luz vermelha que saía daquela câmera estava exatamente voltada pra Eunho.
—…Ah.
Ferrou.
* * *
Eunho não era de se irritar com facilidade, mas em assuntos relacionados a Ji Hyeon havia bastantes casos em que ele levantava a voz. Por exemplo, quando Ji Hyeon, num estouro, ultrapassava o limite sem noção; ou então quando ele encontrava o sujeito dormindo feito morto depois de misturar bebida e remédio.
—Você tá louco?
Foi por causa de Ji Hyeon que ele descobriu que preocupação em excesso vira raiva. A sensação do coração afundando era parecida com aquela de o chão desmoronar sob os pés no instante em que a avó partiu. Como era uma sensação de ter as entranhas apodrecendo, tudo o que saía da boca eram só recriminações.
—Você quer morrer? Onde é que existe um maluco que toma isso com bebida!
Ele explodiu de raiva e levantou a voz quase a ponto de agarrá-lo pelo colarinho. Ji Hyeon, que fazia uma expressão raramente desconcertada, só depois de um bom tempo perguntou com rosto aéreo:
—…Você tá preocupado comigo?
—Porra, isso é pergunta que se…
Modos de fechar a boca de alguém, há de todo tipo. Se ele fosse cara de pau, tudo bem; mas, quando ele começava a medir a situação com jeitinho, ficava até delicado continuar bravo. A irritação subia aos borbotões, mas Eunho arrancou dele a promessa de nunca mais fazer aquilo e a custo abrandou a raiva.
Se é que se pode dizer felizmente, depois disso aquilo nunca mais aconteceu. Era bem a cara de um sujeito que não escuta nada, mas que nos momentos importantes se comporta docilmente. Não, talvez tenha funcionado a ameaça de que, se ele repetisse algo parecido mais uma vez, ele não o deixaria em paz.
De qualquer forma, Ji Hyeon vivia preocupando Eunho, e por isso irritar-se com ele já era coisa corriqueira. E ainda mais porque, mesmo despejando sua indignação de forma meio excessiva, aquele sujeito de gênio horrível ficava ouvindo mansamente.
Pois é, ou seja, Eunho não desconhecia como aquilo pareceria aos olhos dos outros.
Depois de descobrir a câmera na van, não muito depois o breve intervalo terminou. Eunho, que pretendia levar Ji Hyeon ao hospital, teve de arquivar o plano porque Ji Hyeon disse com firmeza que não era pra tanto. A alegação de Ji Hyeon de que não era a parte originalmente machucada que tinha piorado também pesou.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna