⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 29
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 29
* * *
Frustrando o “me acorda”, Ji Hyeon desceu do segundo andar assim que deu meio-dia. Felizmente parecia bem mais descansado que antes, e a expressão afiada também estava bem mais suave. Ji Hyeon, que desceu bagunçando o cabelo desgrenhado, confirmou Eunho sentado no sofá e soltou um suspiro de alívio.
Pensando bem, Ji Hyeon sempre ficava inseguro com a ausência de Eunho. Quando não havia agenda, na hora de dormir e até mesmo durante as gravações. Bastava ele tirar os olhos um instante pra ele demonstrar mau humor, e bastava ele se afastar um pouco pra ele fazer de tudo pra chamar sua atenção.
Ou seja, isso não é normal, mas…
A partir do momento em que passou a ter consciência, os pontos estranhos não eram um ou dois. Como aquilo se infiltrara aos poucos, ele não percebia; mas, olhando pra trás, a relação atual não era comum. Quanto mais aumentavam as coisas que o incomodavam, mais até momentos banais começavam a chamar sua atenção.
Por que ele come sem problema a comida que eu faço? Qual seria o motivo de, mesmo sem fazerem nada juntos em casa, ele o segurar dizendo pra não ir? Se ele não gosta de ficar sozinho, bastava encontrar outra pessoa; qual seria o motivo de insistir justamente em Kwak Eunho?
Houve uma época em que ele achou que aquilo fosse a expressão da solidão. Ele chegou a desenhar vagamente um futuro que não viria, pensando que um dia, quando ele arranjasse um namorado, isso mudaria.
Mas Ji Hyeon não ficou com absolutamente ninguém. Era um Ji Hyeon que, sempre que um colega de elenco demonstrava interesse, imitava alguém sem percepção fingindo não saber de nada. Se não fosse negócio, ele nem trocava palavra, e, se não fosse atuação, também não encostava a pele em ninguém.
—A pessoa de quem você gosta, Kwak Eunho, prefere mulher?
Isso… eu também queria poder saber.
Por mais que ele se justificasse dizendo que era um sentimento do qual já desistira, na verdade ele apenas o cobrira pra não ser visto. Porque ele não tinha vontade de fazer a relação avançar, mas também não havia pretexto adequado pra desistir dele. Se Ji Hyeon namorasse alguém ou traçasse uma linha com firmeza, aí sim ele teria enterrado seu sentimento de vez muito antes.
Pois é, ele sabia. Que no fim tudo eram desculpas egoístas. Que ele apenas colava motivos convenientes ao próprio gosto e, no fim, se acomodava. Portanto, agora, não seria melhor procurar de algum jeito uma forma de romper essa situação?
—Se a condição não estiver boa, me avisa.
Segunda-feira, dia de voltar ao set da série . Depois de irem ao hospital pela manhã, os dois foram, depois de muito tempo, ao estúdio de . O resultado do exame não tinha problema, mas Eunho continuava examinando Ji Hyeon com olhos preocupados.
—Eu cancelo a gravação na hora, então não força.
—Eu já disse que estou bem.
Ji Hyeon respondeu sem entusiasmo e ficou abrindo e fechando a mão direita, examinando-a de perto. Não havia nenhum desajeito no movimento, e ele também não parecia queixar-se de nenhuma dor especial.
—Já sarei. Se eu não forçar, não dói.
—…….
É porque parece que ele vai forçar que é problema. Eunho pensou por dentro e engoliu um suspiro. Um sujeito com um cachê caríssimo se jogar por aí sem pensar no corpo não era coisa de um ou dois dias. Além de não conseguir cuidar de outras coisas quando se concentrava numa, ele ainda tinha perfeccionismo em pontos estranhos.
—Se acontecer alguma coisa com você, a equipe e a empresa também levam xingamento. Grava isso.
Ele sabe que, em vez de falas de preocupação, esse tipo funciona melhor. E também que, quando ele faz cara de entediado, basta acrescentar uma única frase.
—E vão me xingar também, perguntando o que o Manager estava fazendo.
—…….
O efeito não foi ruim. Ji Hyeon ergueu as sobrancelhas bem-desenhadas e fez uma cara de desagrado. Ele não sabe o que ele pensou, mas provavelmente, nem que fosse por irritação, ele cumpriria o que dissera.
Como o tempo atrasou por causa do hospital, no set já estavam reunidos a equipe e os atores. Pelo cronograma que ele recebera antes, ao discutir o retorno de Ji Hyeon, gravariam primeiro as cenas em que ele atuava junto com outros atores.
—Ji Hyeon!
—Meu Deus, o corpo tá bem?
Assim que Ji Hyeon e Eunho entraram no set, todo tipo de gente se aglomerou pra perguntar como ele estava. Ji Hyeon, que estancou um instante, sorriu com um rosto ameno, como se nada tivesse acontecido. Felizmente, naquele dia sua condição não parecia nada ruim.
—Estou bem. Já sarei.
—Ai, que bom. A gente ficou muito preocupado.
—Já pode ficar sem gesso?
Enquanto Ji Hyeon trocava cumprimentos, Eunho deu um passo atrás e olhou ao redor do set. Ele não imaginava que voltaria ali, mas, engraçado, toda aquela situação lhe era bastante familiar. Certamente seria um dia atarefado sem tempo pra respirar, mas seu coração estava até mais leve do que quando estudava.
—Sunbaenim, agora o senhor está bem mesmo?
Quando a equipe já tinha se dispersado mais ou menos, Boyeong, de uniforme policial, se aproximou. Boyeong, que perguntou como ele estava com um rosto preocupado, notou Eunho com um compasso de atraso e arregalou os olhos. E, como fizera um dia, o cumprimentou com familiaridade:
—Ué? O Manager voltou? Aproveitou bem as férias?
Eunho, em vez de responder, olhou um instante pra Ji Hyeon. Ele se perguntou o que deveria dizer às pessoas do set, mas parece que, desde o início, ele não dissera que ele tinha largado o cargo. Como Ji Hyeon desviou o olhar, à toa, medindo a situação, Eunho respondeu com um rosto impassível:
—Sim, descansei bem.
Não havia necessidade de dizer que ele largara o cargo. Ele não queria explicar a estranhos os detalhes internos. Seria complicado se ele cometesse um deslize durante a gravação do ‘AME’.
—É mesmo, eu soube. Você vai gravar o ‘AME’ de novo? Quando eu ouvi, achei que seria o diretor…
Enquanto Boyeong puxava conversa com simpatia, um rosto familiar apareceu lá longe. Era Park Taesu, todo de preto. Eunho, que virou a cabeça sem querer, cruzou olhares com Taesu e o cumprimentou com uma reverência.
—…….
—…….
Mas Taesu, sem sequer dar sinal de ter visto Eunho, foi pra outro lado. Ignorar o cumprimento de um Manager não era assim tão estranho, mas era estranho ele ter ignorado até Ji Hyeon, que estava ao lado de Eunho.
“Será que ele não viu?”
Não era uma distância em que não desse pra ver. E, claro, também não era uma presença que passasse despercebida. E, mesmo que não tivesse visto, com o set todo agitado assim, era de esperar que ele desse as caras. Sendo Ji Hyeon sunbae de Taesu, normalmente ele se aproximaria com jeito pra cumprimentar.
—Sunbaenim!
No lugar de Taesu, que já sumira, quem se aproximou deles foi Shin Ichan. Eunho pensou que aquela imagem dele vindo correndo esbaforido parecia um cachorrinho abanando o rabo. Pra um cachorrinho, ele era grande demais.
—Sunbaenim, você já pode se movimentar? Eu queria ter ido te visitar, mas disseram que não podia porque você precisava de repouso…
—Ai, Ichan. Fala devagar. O sunbaenim vai ficar tonto.
—Mas, noona, é que…
Ichan, que tagarelava, levou uma bronca de Boyeong e ficou com cara desanimada. Parece que eles ficaram bem próximos enquanto Eunho estava fora, porque o tratamento e o jeito de falar pareciam bem íntimos.
“E mesmo assim ele ainda chama de sunbaenim.”
E ele disse que tinha ficado bem próximo dos colegas atores. Parece que ele não faz a menor ideia de que ir a confraternizações juntos não cria intimidade. Não era preciso necessariamente deixar de usar tratamento formal, mas o fato de ele nem prestar atenção a esse tipo de coisa revelava a inexperiência de Ji Hyeon.
—Enfim, a gente ficou muito preocupado mesmo.
—Bom… agora estou bem.
Diante da fala dita com os cantos dos olhos caídos, Ji Hyeon respondeu com gentileza. Era melhor do que ignorar, mas, aos olhos de Eunho, continuava com uma sensação constrangida. Bom, ao menos ele se esforçou. Mal ele pensou isso, Ichan se virou pra Eunho:
—Hyung, você aproveitou bem as férias?
—Sim, aproveitei bem.
Era uma pergunta parecida com a de Boyeong. Eunho, sem pensar muito, deu a mesma resposta.
—Você foi viajar?
—Não, só descansei um pouco por questões pessoais.
—Que bom que você descansou bastante!
Era uma pessoa constante naquela voz radiante. Vendo aquilo, ao contrário, lhe veio também a imagem daquele rosto acuado e hesitante. A imagem de Ichan que fora à sala de espera no dia em que ele largou o cargo.
—Depois eu pago um almoço pro senhor, então…
Falando nisso, ele não disse que ia entrar em contato? O estopim da briga com Ji Hyeon foi justamente aquele cartão de visita. Se o contato não viesse, pra Eunho era mais confortável, mas ele não sabia que mudança de espírito tinha acontecido.
—Hyung, é que… da última vez você me deu um cartão, né?
Mas, num momento surpreendente, Ichan girou os olhos e baixou a voz. Era exatamente o assunto em que Eunho pensava. Boyeong já tinha ido pro outro lado, e apenas Ichan permanecia ao lado com um rosto embaraçado, emendando:
—Mas é que…
—Shin Ichan.
Toc — alguém cortou a fala de Ichan. Era Ji Hyeon, que estivera parado em silêncio ao lado. Ji Hyeon barrou naturalmente a frente de Eunho e apontou pra uma cadeira num canto do set.
—Vamos ensaiar as falas um pouco. Faz tanto tempo que eu não gravo que não estou pegando o jeito.
—Ah, sim!
Era uma proposta natural, mas suficiente pra fazer Eunho fazer cara de perplexo. Que “não pega o jeito” o quê. Além disso, se ele precisava ensaiar falas, não precisava ser justo com Ichan.
—Hyung, depois eu falo com você de novo!
Ichan logo deixou Eunho pra trás e seguiu Ji Hyeon. Aquilo não o deixou de mau humor, mas o Ji Hyeon medindo a situação de forma dissimulada foi bem cômico. Pela experiência de Eunho, aquela era a expressão que aparecia quando ele tinha feito algo errado.
O que esse moleque aprontou de novo? Pensando isso, Eunho engoliu um riso vazio.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna