⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 28
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 28
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A rigor, Eunho não gostava de “homens”. Ji Hyeon era homem, mas por outros homens que não ele ele nunca sentira nenhum tipo de desejo. Até nas poluções noturnas que teve nos tempos de ginásio aparecia apenas uma atriz de um filme que ele vira de passagem.
Se lhe perguntassem se ele ficaria com uma mulher ou com um homem, ele acha que naturalmente seria uma mulher. Mesmo no futuro que ele um dia sonhou vagamente, ele imaginava apenas constituir família depois de um namoro comum. Bom, até isso não era um plano concreto, era só uma vaga ideia de “um dia deve ser assim”.
De qualquer forma, por isso, dizer que não conseguiria dormir na mesma casa que um homem era uma contradição. Não, mesmo que o outro fosse mulher em vez de homem, ele não olharia daquele jeito pra alguém por quem não tivesse sentimento. Ou seja, ficar na mesma casa não seria problema nenhum pra Eunho.
Portanto, aquilo era um deslize que ele normalmente jamais cometeria. Um impulso momentâneo, um descarrego de raiva disfarçado de fuga. Uma atitude tal que, se por causa dela Ji Hyeon passasse a agir com constrangimento, ele mesmo não teria outra saída senão ficar mais cauteloso.
Quando ele foi à casa de Ji Hyeon no dia seguinte, ele estava sentado no sofá da sala, e não no quarto. Não estava de roupão como no dia anterior, mas, ao ver as olheiras encovadas, parece que ele não dormira um instante.
Ji Hyeon, que fitava em silêncio Eunho entrando, só depois que Eunho tirou o boné e o pousou na mesa é que deu sinal de reconhecê-lo:
—Você veio cedo.
Na verdade, comparado ao passado, não era um horário cedo. Por volta dessa hora, Ji Hyeon sempre implicava, com cara cheia de insatisfação, dizendo que ele chegara tarde. E, nessas horas, invariavelmente havia potes de remédio vazios espalhados na mesa.
—Eu disse que vinha cedo.
Eunho respondeu de qualquer jeito e ajeitou a sacola plástica que trazia. No caminho ele passara no mercado próximo e comprara ingredientes simples. Coisas básicas como ovo, cebola, cenoura e presunto.
—Você dormiu?
Diante da pergunta feita sem nenhuma expectativa, Ji Hyeon não respondeu. Como provavelmente ele não dormira um instante, de certa forma era um resultado natural. Eunho, sem insistir, mudou a pergunta:
—E o estômago?
—…Mais ou menos.
Esse “mais ou menos” não parecia mentira. Sem saber ao certo, parece que melhorara bastante em relação ao dia anterior. Pensou em perguntar se ele jantara, mas, como a resposta era previsível demais, decidiu não perguntar.
Em vez disso, Eunho apontou com o queixo e perguntou:
—Faço comida ou você prefere dormir primeiro?
Depois de comer ele precisa digerir, então talvez fosse melhor dormir um pouco. Mas, deixando-o dormir assim, o jejum ficaria longo demais. Por isso ele lhe deu a escolha primeiro, mas Ji Hyeon devolveu não uma resposta, mas este chamado:
—Eunho.
—…….
Eu já falei que fico com uma sensação estranha quando ele me chama assim. Quando aquela voz especialmente melodiosa se abrandava com suavidade, surgia uma cócega insuportável. Por isso ele nem conseguiu responder “o quê”, mas Ji Hyeon piscou os dois olhos como se tanto fizesse.
—A pessoa de quem você gosta é homem?
—…O quê?
Era uma pergunta completamente fora de contexto. Eunho, desconcertado por um instante, engoliu um riso vazio com cara de perplexo.
—Por que esse assunto agora?
O que esse moleque entendeu do que eu disse? Ele falou duas vezes que era gay; não sabia por que ele confirmava agora um fato tão óbvio. Sem responder ao que lhe perguntavam, que diabos passava naquela cabeça?
Mas parece que não era uma pergunta que esperasse resposta, porque Ji Hyeon baixou os olhos e murmurou:
—Um ator homem da sua idade…
—…….
Diante disso, nem Eunho pôde deixar de ficar tenso. Porque da boca dele poderia sair algo como “você gosta de mim?”. Ele não achava que Ji Hyeon tivesse tanta percepção, mas ultimamente ele vinha fazendo muitas coisas fora do previsto.
Mas, não muito depois, da boca de Ji Hyeon saltou um nome impensável:
—Park Taesu?
—Você tá louco?
Eunho respondeu na hora, sério. Park Taesu, essa não. O papel do criminoso de e o homem que, tempos atrás, andava falando mal de Ji Hyeon sem que se soubesse. Longe de gostar dele, ele nem tinha interesse e, a rigor, ele estava mais pra desagradável.
—Ei, eu tenho um olho pra escolher que…
Não tinha. Sério, um olho péssimo. Tanto que gostou de um sujeito desses por anos.
—…Não é o Park Taesu.
Eunho engoliu um suspiro goela abaixo e disse com firmeza. Ele não sabia como ele criara tal mal-entendido, mas, na verdade, olhando só as características, batia mais ou menos. O problema era que atores homens com características parecidas com as dele havia incontáveis.
—O Shin Ichan… obviamente não deve ser.
Parece que ele foi remoendo a partir das pessoas mais próximas, porque Ji Hyeon supôs mais uma vez. Dessa vez nem foi preciso Eunho corrigir dizendo que não. Além dele, mais alguns nomes de atores homens foram surgindo, e de repente uma expressão de desagrado passou pelo rosto dele.
—Você disse que não pretende que dê certo porque é homem?
Será que ele tomou o remédio errado de novo? Não, talvez a possibilidade de ele não ter tomado remédio seja maior.
—E é por isso que você não se declara?
Ji Hyeon, que ultimamente andava falando pouco, naquele dia perguntava com insistência sobre aquela parte. Sem sequer perceber que o rosto de Eunho ia se franzindo cada vez mais, ele acrescentou mais uma frase:
—A pessoa de quem você gosta, Kwak Eunho, prefere mulher?
—…….
A pessoa de quem eu gosto simplesmente odeia gente.
Essa frase subiu até a garganta e voltou a assentar. Ele quase se estourou, mas fingir que nada era, disso Eunho tinha mais confiança que qualquer um. Ele também não tinha uma cabeça tão frágil a ponto de se abalar com cada frasezinha dessas.
—…E por que você quer saber disso?
Então Eunho massageou a nuca e soltou um suspiro fino. Como Ji Hyeon estremeceu e estreitou o meio das sobrancelhas, ele também alinhou o olhar com o dele.
—Você disse que não ia perguntar isso.
Ji Hyeon dissera. Que não ia perguntar mais, então que ele não desse desculpas que não sentia. Depois disso ele perguntou mais uma vez no terraço, mas, de qualquer forma, ele achava que era um assunto tacitamente encerrado. Então por que, justo num momento desses, ele puxava aquilo?
—Eu disse. Que aquela pessoa não gosta de mim, então eu não pretendo que dê certo. Por que você fica me fazendo lembrar de alguém de quem eu desisti há muito tempo?
Ele falou de propósito como quem trata de assunto alheio. Não se esqueceu de fabricar uma voz serena, pra que não parecesse haver apego. Claro, mesmo sem se esforçar, manter uma expressão neutra era fácil.
—Eu queria que você não falasse disso.
—…….
Ji Hyeon mexeu os lábios com um rosto de quem sentiu algo subir, mas, sem conseguir dizer nada, baixou os olhos. Quando parecia que aquilo tinha se encerrado mais ou menos assim, ele começou a puxar algo baixinho, quase inaudível:
—Então…
Mas, por mais que o tempo passasse, o resto não saiu. Estancando, Ji Hyeon endureceu a expressão e fechou a boca com força, com um rosto de algum modo chocado. Quando foi mesmo? Exatamente como naquela vez em que Eunho lhe disse que não podia ser o único pra ele.
—…….
Por que aquela expressão? Independentemente de o íntimo dele ser complicado, ele sempre o achara um sujeito fácil de ler. Mas ultimamente ele vinha lhe parecendo cada vez mais difícil. Como devia tratá-lo, até onde devia traçar a linha e até mesmo que palavras devia dizer.
Ponderando sobre essas coisas, no fim das contas Ji Hyeon simplesmente ficou difícil.
—…Enfim, você vai dormir ou vai comer?
Eunho perguntou passando a sacola que segurava pra outra mão. Como a conversa se estendera à toa, eles estavam conversando havia um bom tempo com ele de pé, meio sem jeito.
Ji Hyeon, que continuava sério até então, olhou pra Eunho, aéreo, e disse:
—Hoje não tenho compromisso.
—…….
—E também não é dia de hospital.
E daí? Como se Eunho, sendo Manager dele, não soubesse da agenda dele. Diante desse silêncio, Ji Hyeon perguntou com voz afundada:
—Se eu dormir e acordar, você ainda vai estar aqui?
—…….
Ah, eu não posso ficar achando ele digno de pena.
Será que o motivo de ele hesitar tanto era o medo de que ele fosse embora no meio? Mesmo ficando juntos, eles não iam brincar de mãos dadas; ele não entendia que diferença fazia ele estar ali ou não. O problema é que, sempre que ele fazia isso, no fim o coração de Eunho amolecia.
—Sobe e dorme primeiro.
Diante da frase entregue com secura, Ji Hyeon moveu as sobrancelhas. Eunho, com um suspiro profundo, acrescentou numa voz mais branda:
—Eu não vou embora, então dorme na cama. Depois, quando você acordar, a gente come junto.
Como ele normalmente não dormia muito, provavelmente daria pra almoçarem quando ele acordasse. Seria bom preparar ao menos um ensopado e fazê-lo comer uma refeição decente depois de tanto tempo. Ele não deixaria de comer por aí, mas era certo que, mesmo diante de um banquete, ele tomaria só uma bebida proteica.
—…….
Mas Ji Hyeon, em vez de subir pro segundo andar, ficou só olhando pra Eunho. Não piscava e não demonstrava nem vontade de responder. Diante disso, Eunho franziu o canto dos olhos e perguntou:
—O que foi, de novo, o quê. Quer que eu cante uma canção de ninar?
—…Você canta mal.
—Ei.
Quando ele falou baixando o tom de voz, só então Ji Hyeon recolheu o olhar. Fez um som de ar escapando e se ergueu devagar do sofá. Entrelaçando as duas mãos, se espreguiçou por cima da cabeça, inclinou o pescoço pros lados e se virou pra Eunho:
—Se você ficar com fome, me acorda. Não almoça sozinho.
—Você vai dormir quantas horas?
—Hoje eu acho que vou dormir bastante, por isso.
Dormir muito não é bom? Ele não ficaria com fome a ponto de não aguentar e, mesmo que ficasse, não pretendia acordar Ji Hyeon. Porque, se ele não dormisse quando podia, era certo que depois ele sofreria muito de novo.
—Se você ficar entediado… vê TV ou algo assim.
Ele tá me tratando como visita. Eunho pensou o mesmo que Ji Hyeon pensara um dia e deu um riso vazio. Não era a primeira vez que ele vinha àquela casa, nem a primeira vez que ficava sozinho enquanto Ji Hyeon dormia. Era engraçado ele agora se preocupar com ele ficando sozinho.
—Entendi, então vai dormir.
Parece que ele está mesmo com sono atrasado, pensou Eunho, e foi pra cozinha. Pretendia organizar na geladeira o que comprara e, como ele dissera, ver um pouco de TV. Vasculhando a Newflix, onde seria exibida, o tempo passaria rápido até o almoço.
—Me acorda, viu.
Nem era preciso responder àquilo. Quando Eunho saiu em silêncio, só então Ji Hyeon subiu pro segundo andar. O som dos chinelos se arrastando ficou estranhamente em seus ouvidos.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna