⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 22
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 22
* * *
O lugar aonde foram era o terraço do prédio. O lugar onde Ji Hyeon às vezes fumava e onde Eunho, ao lado dele, contemplava o céu. Diante do parapeito havia uma lixeira e um cinzeiro, e além do parapeito se estendia um céu vasto.
—…….
—…….
Quem fumava naquele dia não era Ji Hyeon, e sim Eunho. Assim que subiu ao terraço com ele, Eunho apenas disse pra ele ficar ali e foi até o cinzeiro. Enquanto ele punha o cigarro na boca e acendia, Ji Hyeon não se moveu do lugar onde Eunho mandara ficar, como se congelado.
—Você voltou a fumar?
Do outro lado da fumaça esbranquiçada, Ji Hyeon perguntou. Eunho soltou a fumaça e respondeu de leve: “Às vezes.” Diante daquela resposta, a expressão de Ji Hyeon mudou sutilmente.
—E por que você foi fumar de repente?
—Bom…
Que palavras seria bom dizer? Ele não podia dizer que, de tão inquieto, lhe voltara a vontade de fumar, que nem lhe passava pela cabeça. Não queria demonstrar que estava inquieto, e nem queria dizer por que estava inquieto.
—Parece que eu não sou tão durão quanto você pensava.
O Kwak Eunho é durão, viu. Era uma fala que Ji Hyeon dissera. Ou seja, que por isso ele conseguia ser seu Manager — ele dissera aquilo meio que admirado.
—…….
Ji Hyeon não conseguiu dizer nada e ficou olhando pra Eunho. Por causa da fumaça esbranquiçada, não dava pra ver bem que expressão ele fazia. No instante em que Eunho puxava a fumaça mais uma vez, chegou uma voz quase inaudível:
—…Eu parei.
—Você parou de fumar?
Era uma fala inesperada. Quando ele mandava parar, ele não conseguia; e agora, sem que ele estivesse vendo, que mudança de espírito teria acontecido? Eunho, que examinava Ji Hyeon com rosto surpreso, confirmou o gesso enrolado no braço dele e acenou com a cabeça.
—Fez bem, com o osso ainda sem colar, que cigarro o quê.
Provavelmente, mesmo querendo fumar, ele não teria conseguido. Ficou semanas internado; onde arranjaria brecha pra fumar?
Mas Ji Hyeon retrucou, como se não fosse isso:
—O osso já colou. Isso aqui é só porque eu saí.
Ou seja, ele não parou de fumar por causa do acidente. Ele se perguntou então qual era a ideia, mas Eunho não perguntou essa parte especificamente. Apenas esfregou a bituca já curta no cinzeiro e tirou o último cigarro restante.
—Esse também é o meu último.
—…….
—Comprei um maço da última vez e é o que estou fumando até agora.
No caminho de volta do hospital de Ji Hyeon. O cigarro que ele comprara então ele ainda estava fumando. Uma vez a cada poucos dias, dois cigarros por vez. Fumando assim, o que ele tirou agora era o último.
Bom, era coisa boa. Porque, voltando agora como Manager, ele não poderia ficar fumando na frente de um ator. Desde o início nem era muito gostoso; ele só fumara uma ou duas vezes porque tinha pena de ter comprado.
Naquele dia também ele não pretendia fumar, mas estava ganhando tempo à toa porque precisava se preparar mentalmente.
—Kwak Eunho.
Nesse momento, Ji Hyeon o chamou. Eunho parou os movimentos por um instante e o encarou. Porque aquelas três sílabas banais, naquele dia, tocaram seu coração de um jeito estranho. E, como se não bastasse, também aquela frase entregue com cautela:
—Aquilo que eu agarrei agora há pouco… seu braço não ficou roxo, né?
A imagem dele franzindo o canto dos olhos não lhe era estranha. Aquela expressão que ele fazia quando falava fingindo desinteresse, mas que na verdade era quando estava preocupado. Aquele gesto de, quando errava alguma coisa, não conseguir mencionar diretamente e ficar dando voltas.
—Não a esse ponto.
De repente ele pensou. Que talvez, só um pouco, ele tivesse sentido saudade. Daquele olhar que o alcançava, e daquela voz, ou da própria pessoa chamada Ji Hyeon.
—Não doeu a ponto de ficar roxo.
Mesmo excluindo o sentimento de gostar dele, ele era amigo. Era sua única salvação, foi o primeiro amor que chegou de repente e foi um término que ele nem chegou a pôr pra fora. Talvez o sentimento tenha se embotado por ser antigo demais, mas ele não estava sempre pensando nele sem se dar conta?
Na verdade, sim, Eunho também sofreu. Largando o cargo de Manager, mandando de volta o moleque que fora até ele, ouvindo a notícia do acidente e espiando-o pela fresta da porta do quarto. E, enfim, vindo até ali com os próprios pés.
Se todo esse processo pudesse ser indiferente, isso é que seria estranho, não?
—…Então tá bom.
Ji Hyeon baixou os olhos com um ar realmente aliviado. Como ele ficou tempo demais aéreo, as cinzas caíram da ponta do cigarro. Eunho esfregou no cinzeiro o cigarro ainda longo e abriu a boca devagar:
—Chegou proposta de participação fixa no ‘AME’ pra você.
Por que diabos ele enrolou por causa disso? Depois de dizer, era uma frase que não era nada de mais.
—O diretor me pediu pra gravar isso.
—…Ah, essa intromissão de velho.
Assim que ouviu aquilo, Ji Hyeon amassou o rosto de vez. Mesmo sem explicações longas, parece que ele imaginou perfeitamente o processo. Ji Hyeon ajeitou o boné com irritação e falou num tom despreocupado:
—Não precisa dar ouvidos ao diretor. Por que você faria isso?
De qualquer forma você nem é mais Manager. Ji Hyeon acrescentou isso. Que a expressão dele fosse de algum modo autodepreciativa não era, com certeza, impressão só de Eunho. E também a voz firme que veio em seguida:
—Eu também não vou gravar essa porcaria.
—…É mesmo?
Seria mentira dizer que não previa. Eunho sabia perfeitamente que reação ele mostraria. Porque, se ele topasse de bom grado, isso é que seria estranho.
Só que ele não sabia que reação ele mostraria a esta frase:
—Mas eu disse que topo.
—…….
Um olhar aéreo se voltou pra Eunho. Os olhos de pálpebras duplas tremeram, e os lábios bem-desenhados se mexeram quase imperceptivelmente. Eunho continuou sem mudar uma linha da expressão:
—Se você não quiser, eu desisto.
—…!
Os olhos de Ji Hyeon se arregalaram. Em vez de dizer qualquer coisa, ele deu um passo largo em direção a ele. Olhou pra Eunho com olhar espantado, abriu e fechou os lábios algumas vezes. Piscando devagar, ele perguntou com uma voz esganiçada:
—Você vai gravar aquilo?
Quanto ele se assustou pra mostrar uma reação tão intensa? Ele tinha um gênio infernal, mas era um sujeito de pouca variação emocional. Como alguém que atuava desde que nascera, era hábil também em controlar a expressão e, mesmo desconcertado, nunca deixava transparecer.
—Por quê?
Naturalmente, aquilo também era inédito pra Eunho. Nem quando ele disse que ia largar o cargo Ji Hyeon se assustara tanto. Não, naquela hora parece que ele se assustou tanto que, ao contrário, não conseguiu dizer nada.
—Por que você… não, não tem motivo pra você fazer isso.
—…….
Mas, quando ele cobrou até esse ponto, a sensação ficou estranha. A ponto de lhe ocorrer que talvez ele simplesmente não quisesse gravar. Eunho, que ia retrucar num estouro, mudou de ideia e abriu a boca devagar:
—…Eu larguei o trabalho e fui estudar pra concurso.
As sobrancelhas de Ji Hyeon se ergueram. Como quem pergunta “que concurso é esse?”. Eunho deu de ombros e acrescentou:
—Não combinava comigo.
Era uma desculpa colada de qualquer jeito. Não era mentira, mas também não havia como Ji Hyeon aceitar. Naturalmente, Ji Hyeon falou sem mudar uma linha da expressão:
—Você estuda bem.
—…….
Isso é o que importa agora? Parece que aquela expressão de quem não compreende não era por causa da volta ao cargo de Manager, e sim pela parte do “não combina comigo”. Diante da perplexidade que veio em cheio, Eunho deixou escapar um riso vazio.
—Isso foi de quando…
De qualquer forma, era tudo glória de um tempo. Ele não tinha objetivo, só desespero, e a partir do instante em que desistiu não olhou pra trás. Depois disso passou um tempo incontável; achar vagamente que daria certo já era arrogância. Não, desde o início ele não tinha vontade de se sair bem, então era natural.
Ji Hyeon, olhando pra esse Eunho, puxou o assunto devagar:
—…Se não combina, é só fazer outra coisa.
O ar de espanto sumira todo, e no lugar restara apenas aquela expressão dura de antes. Dos lábios levemente abertos saiu aquela voz suave característica.
—Aos vinte, vinte e um anos, tão novo, você já fazia tudo bem. Não é possível que, só porque isso não combina, você não consiga fazer outra coisa. Um cara que nem gasta dinheiro não vai passar aperto financeiro, e, se for urgente, dá pra entrar em outra agência.
Era uma fala extremamente racional e serena. Como Ji Hyeon disse, Eunho era alguém que, em caso de urgência, encontraria um jeito de sobreviver. Agora que não havia mais nem despesas de hospital, o que teria de difícil em se sustentar?
—Mas o que você tá precisando pra…
O resto da frase, mal interrompido, trouxe silêncio. Nessa quietude, Eunho fitou Ji Hyeon com firmeza e perguntou:
—Então é não?
—Não.
—…….
—…Não é não.
Então tá tudo certo, não? Se ele responde com essa firmeza, é porque realmente não desgosta. Mas Ji Hyeon, com os dois olhos serenamente baixos, murmurou baixinho:
—É que eu não entendo.
De onde teria surgido essa insegurança? Ele não esperava que ele pulasse de alegria, mas nunca imaginou que ele fosse cobrar cada detalhe. Ele achou que ele responderia que tudo bem e entenderia que a raiva de Eunho tinha passado. Se ele fizesse isso, ele já tinha até pensado no que lhe dizer.
—Ji Hyeon.
Eunho primeiro chamou seu nome baixinho. Foi um chamado banal, mas Ji Hyeon reagiu de forma visível e estreitou o meio das sobrancelhas. Aquele olhar todo tenso parecia, naquele dia, especialmente cru.
—Eu não estou voltando de vez.
—…….
Era uma expressão de “eu sabia”. Parecia resignação e, à primeira vista, parecia também alívio. Como ao menos a insegurança parecia ter sumido, Eunho falou sentindo algo estranho:
—Quando o programa acabar, eu largo de novo.
Chamavam de fixo, mas no fim existia um prazo de contrato. Considerando a agenda e a condição física de Ji Hyeon, por mais que se estendesse, não passaria de meio ano. Se desse certo, não se podia descartar a possibilidade de ser até menos.
—E eu tenho condições.
—Eu não vou surtar.
A resposta saiu na hora. Sem sequer perguntar quais eram as condições, Ji Hyeon emendou o resto como se tivesse decorado:
—Não vou implorar pra você dormir aqui, não vou deixar pote de remédio vazio na mesa, e sonífero… tomar só um comprimido eu sinceramente não tenho muita confiança…
—…….
—Enfim, eu vou me esforçar.
Era mesmo a mesma pessoa que até pouco antes cobrava por que ele voltaria? Como no momento em que ele explicava as circunstâncias do acidente, nas palavras que saíam em fila transparecia a ansiedade. Enquanto Eunho ainda não conseguia reagir, Ji Hyeon desviou o olhar de forma desajeitada e acrescentou:
—Eu fiquei bem mais próximo dos colegas atores também.
Isso é mentira. Externamente ele pode ter ficado próximo, mas por dentro parece que não. Bom, com aquele gênio, se ele tivesse aberto o coração tão rápido, isso é que seria mais estranho.
—Daqui pra frente também não vou ligar de madrugada nem aparecer de repente. Agora eu não vou esperar nada de você além de ser meu Manager, então…
Falando até ali, Ji Hyeon fechou a boca por um instante. Provavelmente não encontrou uma conclusão adequada, mas, da parte de Eunho, não havia resposta a dar. Você ainda espera muita coisa de mim. Engolindo essa frase, ele apenas puxou o assunto em que vinha pensando o tempo todo.
—Vai ao médico.
—…….
Não era preciso dizer que médico. Terá sido uma fala direta demais? Ji Hyeon fitou Eunho com um rosto sem palavras. Sob a aba do boné, as pupilas sombreadas se encheram de perplexidade. Felizmente, a resposta que veio foi racional.
—…Ir a mais médicos?
Era natural que ele estranhasse. Ji Hyeon já tinha um médico que frequentava e tomava remédios psiquiátricos prescritos periodicamente. Soníferos, ansiolíticos ou antidepressivos. De remédio ele já andava empanturrado, mas a história que Eunho queria contar não era essa.
—Não é o remédio que você vem pegando… é fazer terapia junto.
Era isso que ele pretendia dizer desde o início. Aquilo que até agora ele não ousara sugerir por achar que seria abuso. Aquele problema fundamental que ele vinha pesquisando sozinho durante o tempo em que não o via.
—Isso não se resolve só tomando remédio, né?
Se tomar remédio é tratamento, fazer terapia é uma espécie de reabilitação. Assim como pra não pegar gripe é preciso desenvolver imunidade, o importante era, desde o início, desenvolver forças pra superar.
—Eu te ajudo a procurar um médico.
Não era esperar uma solução, era tentar encontrar pra ele um caminho de solução. Depois de encontrar a direção, o estado de Ji Hyeon também melhoraria bastante. A não ser que ele fosse viver instável a vida inteira, ele achava que era um processo absolutamente necessário em algum momento.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna