⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 20
⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 20
O diretor Byeon também devia saber. Que recusar aquilo não causaria nenhum grande problema a Ji Hyeon. E também o quanto se apegar agora a um programa de variedades pareceria estranho aos olhos de Eunho.
—Eu te dou as melhores condições possíveis. Claro que o cachê sai à parte, e você não precisa trabalhar como Manager fora das gravações. Eu assumo tudo, então…
Ele sabe o que aquele olhar suplicante carrega. Se ele realmente o tivesse chamado por cálculo, ele não o teria chamado de “Eunho” no telefone. Teria dito “ator Ji” em vez de “Hyeon” e teria tentado negociar primeiro, em vez de implorar.
—Então, pela última vez, vamos gravar.
Portanto, no fim, isso era preocupação embrulhada em negócio. Ele não sabia os detalhes, mas provavelmente o diretor Byeon sentia que o estado de Ji Hyeon estava no limite. Que, durante o tempo em que ele não fora ao hospital, em que Ji Hyeon não aparecia e em que ele se dedicava ao tratamento, o estado dele foi piorando aos poucos, ou algo assim.
—Eu peço assim, tá?
—…….
Que resposta ele deveria dar? Eunho hesitou um instante. Na verdade, era uma conclusão definida desde o instante em que ele atendeu a ligação do diretor Byeon. Enquanto se arrumava pra sair, enquanto pegava o ônibus e enquanto sentia algo complicado por Ji Hyeon não estar ali.
—…Quando eu disse que largava o cargo de Manager, não foi da boca pra fora.
Diante da primeira frase, o rosto do diretor Byeon foi tomado por um ar de derrota. Eunho continuou com um tom sereno, pausadamente:
—E o fato de o senhor não ter processado a demissão me coloca em situação complicada. Há a questão dos impostos, mas, se eu tivesse tentado me recolocar, também teria dado problema de duplo vínculo.
—…É, é isso, sim. Verdade, nisso eu errei mesmo.
A confiança sumiu do olhar do diretor Byeon. Parece que ele achou que estava tudo perdido ao ouvir aquela voz firme. Como quem sente muito, ou como quem não tem cara pra encarar. A figura desviando o olhar de forma desajeitada parecia bastante acuada.
—A gravação do ‘AME’ em si não é problema, mas, se eu fizer o papel de Manager só nas gravações, as pessoas ao redor vão perceber logo. E, se descobrirem, a posição do ator Ji também vai ficar bem complicada.
—…….
Como não havia uma única palavra errada do começo ao fim, o diretor Byeon também não conseguiu dizer nada. Vendo os ombros encolherem cada vez mais, Eunho parou de falar por um instante e baixou os olhos. Porque ficou momentaneamente confuso se não se arrependeria dessa escolha depois.
Mas, no fim, a resposta que ele emendou não mudou em relação à que ele pensara desde o início.
—Mas eu topo.
—…Hein?
O diretor Byeon arregalou os olhos. Como quem não consegue entender o que acabou de ouvir. Eunho, deixando uma pequena pausa, cravou o prego com aquele tom seco característico:
—Eu volto temporariamente como Manager, apenas durante o período de gravação do ‘AME’.
Se lhe perguntassem o motivo, havia muitas coisas que ele podia dizer. Primeiro, a preparação pro concurso não combinava com ele e, de fato, ele vinha passando um tempo sem sentido nenhum. Além de ficar inseguro só descansando daquele jeito, ao pensar em procurar outro trabalho não lhe ocorria nenhuma vaga adequada.
—Como o senhor disse, tem a questão da imagem do ator, e as condições também não parecem ruins. Eu me senti mal por ter largado de repente, e, como o senhor pediu desse jeito, eu também acho que é uma boa oportunidade.
Não, no fim eram tudo desculpas de fachada. Se fosse só por esse tipo de motivo, ele não teria largado o trabalho desde o início. Não teria ido fazer entrevista numa cafeteria, nem teria comprado de cara uma coletânea de provas, nem teria mandado embora daquele jeito o Ji Hyeon que fora até a frente de sua casa.
Portanto, isso também era, no fim, uma hipocrisia embrulhada em negócio. O resultado de não conseguir esquecer a imagem de Ji Hyeon que vira naquele dia e de ter refletido dias e noites em meio à imagem residual que insistia em voltar. Uma conclusão arrogante nascida de ver Ji Hyeon cavando estupidamente o terreno errado e de pensar que não podia deixá-lo assim.
—Em compensação, quando essa gravação terminar, eu gostaria que o senhor processasse a demissão.
Se ele não consegue organizar, então que alguém o faça organizar. Desatando o nó emaranhado, ou então cortando-o de vez. Ou, ainda, entregando-lhe um nó novo e indo embora sozinho.
—O “não consigo mais” foi sincero.
Não era uma promessa de acolhê-lo pela metade. Também não era dizer que serviria a ele de perto e compartilharia cada movimento como antes. Ele faria o que tinha de ser feito, mas não pretendia se preocupar com nada além das funções de Manager. Se ele se acostumasse ainda mais com a atitude cega de Ji Hyeon, era certo que não só ele, mas até o próprio Eunho perderia seus critérios.
—…Você vai mesmo gravar o ‘AME’?
—Sim.
—Puxa…
Parece que aquela resposta de Eunho foi bem inesperada pro diretor Byeon. Dava pra saber vendo-o soltar uma voz atônita, ainda com o rosto surpreso. Parece que, mesmo tendo proposto ele mesmo, ele nunca imaginara que ele aceitaria.
O diretor Byeon, que ficou um bom tempo assim, aéreo, logo se levantou de um pulo e procurou o telefone atarantado.
—E-e-então eu já ligo pro Hyeon…!
—Não.
Eunho primeiro o conteve e conferiu as horas. Como ele viera desde cedo, ainda nem era meio-dia. Quando o diretor Byeon, de pé meio sem jeito, olhou pra ele, Eunho mexeu na nuca, constrangido.
—Pro ator Ji… eu falo.
Não era por outro motivo; era porque ele tinha algo a dizer também, de quebra. Porque, em vez de ouvir do diretor Byeon um “o Manager Kwak voltou”, seria melhor ouvir do próprio interessado. Claro, também era preciso deixar claro que ele não voltara por completo.
—Já saiu o cronograma de gravação?
—Ah, sim, olhando por alto aqui…
O diretor Byeon voltou a se sentar e lhe estendeu os documentos, remexendo. O contrato viria depois; por ora bastava dar uma olhada no conteúdo geral.
—Quando o ator Ji recebe alta?
—A previsão é essa semana, mas depois disso ele ainda vai ter que fazer tratamento ambulatorial. Provavelmente, quando você voltar, vão gravar focando na reabilitação e na volta ao set.
Voltar a ser Manager era possível já agora, e assumir o que o diretor Byeon vinha fazendo também não era difícil. Como por acaso a agenda estava vazia por causa do acidente, não havia muitas mudanças novas que Eunho precisasse aprender.
—Por ora precisamos negociar as condições, então…
Eunho ouvia as palavras do diretor Byeon e acenava com a cabeça. Tardiamente se perguntou se o interessado sabia que o diretor Byeon estava fazendo aquilo, mas ao menos tinha certeza de que ele não recusaria. Se ele dissesse que não ia gravar… bom, então não teria jeito.
—Por acaso o Manager Kwak precisa de alguma coisa?
—Não, bom… nada em especial.
—…Quer que eu aumente ao menos o salário?
Diante da pergunta feita de leve, Eunho deixou escapar um risinho. Aumentar seria bom, claro, mas a intenção da pergunta era evidente. E, além disso, assim como o cachê de Ji Hyeon, o que Eunho recebia também era muito maior do que o dos Managers em geral.
—Mesmo que o senhor aumente, em alguns meses eu vou embora.
—…….
Como era esse o motivo mesmo, o diretor Byeon fechou a boca com um rosto de quem foi pego. Eunho, só depois de confirmar que todos os assuntos tinham terminado, bebeu o café já frio. Era o café em que ele não dera um único gole durante toda a conversa.
—Quando você vai contar pro ator Ji?
—Ainda esta semana.
Deve ser melhor contar depois que ele receber alta. Não, ou talvez seja melhor fazer ao menos uma visita antes. Ele já fora uma vez, mas provavelmente Ji Hyeon não sabia que Eunho estivera lá.
—Falando nisso, ouvi dizer que você foi ao hospital.
—…….
Eunho estremeceu e quase deixou a xícara cair; pousou-a com cuidado. Ele se perguntou como ele soubera, e o diretor Byeon falou como se nada fosse:
—A equipe de segurança me contou. Que o Manager tinha vindo e ido embora na hora.
Era um motivo óbvio. Se ele tivesse ido e voltado escondido, tudo bem; mas Eunho até trocou cumprimentos com o segurança que estava lá. Se aquilo não chegasse aos ouvidos do diretor Byeon é que seria estranho.
—Você ouviu o que o Hyeon estava falando, né?
—…Hm.
Em vez de negar, ele simplesmente ficou calado. Metade constrangimento, metade “e daí?”. Ter escutado escondido pesava um pouco na consciência, mas nem por isso ele ouvira algo que não podia ouvir.
—Ele fala que é pra não te chamar… mas você também sabe, Eunho. Se disserem que você voltou, ele vai ficar mais feliz que qualquer um.
O diretor Byeon se justificou de leve, examinando o rosto de Eunho. Provavelmente estava preocupado se Eunho não teria se ofendido com as palavras de Ji Hyeon. Naturalmente, não havia nada que Eunho pudesse dizer.
—Eu não sei por que vocês brigaram… não, com certeza o Hyeon é que errou. É, isso eu também sei.
Era uma avaliação fria em relação ao próprio sobrinho e ator. Em certo sentido, dava pra encarar como confiança.
—Mas, Eunho.
Eunho endireitou a postura sem perceber e olhou pro diretor Byeon. O diretor Byeon, com um rosto de algum modo amargo, baixou os dois olhos e mexeu os lábios. Era a expressão que ele fazia sempre que falava de Ji Hyeon.
—Não odeie muito o Hyeon. Ele realmente só tem você, Eunho.
—…….
Mas foi por isso que a gente brigou. Porque ele só tem a mim. Porque, sendo obcecado pra caramba com a relação de amizade, pelo que ele faz era fácil demais o outro entender errado.
—…O senhor está aqui, por que só eu?
Diante daquela frase meio bajuladora, o diretor Byeon não se alegrou muito. Apenas deixou escapar um riso de algum modo autodepreciativo e deu de ombros. Em vez de perguntar mais alguma coisa, Eunho mudou o assunto de leve.
—O Ji Hyeon sabe que eu fui ao hospital?
—Não, não comentei nada.
—Então, por favor, não comente daqui pra frente também.
—Bom, isso não é difícil, mas…
Se ele não tivesse ido, tudo bem; mas, se disser que ele foi e voltou, ele vai ficar curioso pra saber o motivo. Eunho não queria que Ji Hyeon soubesse que ele ouvira o que ele disse. E muito menos que, ao ouvi-lo, ele sentira, mesmo que só um pouco, pena dele.
—Obrigado. Fica o pedido.
Terminada a fala, Eunho organizou as coisas ao redor. Embora “organizar” fosse só guardar direito os documentos recebidos. Na prática, bastaria receber os arquivos por e-mail, então nem isso precisava levar.
—Se terminamos a conversa, eu já vou indo.
—Ah, tá bom. Eu te ligo de novo.
Eunho se levantou e fez uma reverência ao diretor Byeon. O diretor Byeon não se levantou e, em vez disso, apenas acenou com a cabeça dizendo pra ele ir com cuidado. Quando Eunho, com os documentos debaixo do braço, virou o corpo, ele acrescentou como quem fala consigo:
—Eu sempre fico sem jeito com o Manager Kwak.
Bom, por esse raciocínio ele também estaria. Ele entrou por uma via que era praticamente apadrinhamento e já vinha recebendo favores havia anos. Era fato que o trabalho combinava com ele, mas, se o diretor Byeon não tivesse feito vista grossa em várias situações (especialmente as relacionadas ao gênio de Ji Hyeon), ele não teria conseguido trabalhar por tanto tempo.
—Que sem jeito o quê.
Então Eunho apenas respondeu de leve e seguiu em frente. Não havia necessidade de negar categoricamente, e ele também não tinha o tipo de temperamento que criaria um clima caloroso dizendo que quem recebera mais favores era ele. Se muito, aceitar com humildade e deixar passar com uma atitude educada.
Mas, antes que Eunho chegasse à porta, a maçaneta se abaixou com um estalo.
—…?
Quem entra na sala do diretor sem bater? Esse pensamento durou pouco. No instante em que ergueu a cabeça com um “não pode ser”, pela fresta lentamente aberta entrou alguém que Eunho conhecia muito bem.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna