Capítulo 02.5
2. Cherry Whiskey Sour 5
Então, Cheriot agarrou o braço de Yurij, que examinava o homem em silêncio. Embora Yurij não estivesse desprevenido, a força da pegada foi tão forte que ele cambaleou. Cheriot era excepcionalmente forte, muito acima de um alfa comum, como era de esperar de um jogador de hóquei profissional.
Ao se virar para olhar Cheriot enquanto ainda o segurava, viu suas pupilas contraídas. Também percebeu sua temperatura corporal, elevada e tão quente que transpirava o tecido do casaco, e seus feromônios, que se agitavam de maneira instável. Não sabia exatamente o que tinha acontecido, mas parecia alterado pela briga.
— Há outro tipo no saguão do hotel que parece ser companheiro deste. A situação é perigosa, então mandei Heather de volta. Eu também não queria vir aqui. Foi a pedido de Heather.
— Posso resolver isso sozinho, então vá embora. Sabe disso só de ver aquele tipo.
Cheriot não baixava a guarda, como se lhe desagradasse enormemente que Yurij estivesse ali. Yurij o olhou fixamente com rosto impassível e disse:
— Poderia dizer o mesmo se ele tivesse tido uma arma?
Cheriot hesitou. Sobre seus olhos verdes, nublados pela perda de razão, cruzou um lampejo de dúvida.
— Desde o início, abrir a porta e deixar entrar um desconhecido foi um erro.
Aproveitando a abertura, Yurij apontou o erro de Cheriot. Embora fosse verdade, Cheriot, como se não quisesse admitir, replicou:
— Mas não posso chamar a polícia. Esqueceu do que estou fugindo?
— Isso não teria acontecido se você não estivesse flertando com aquele ômega.
— O quê?
Cheriot, que não cedia em sua atitude, piscou surpreso por um momento. Yurij só esperava que ele lembrasse e compreendesse seu próprio erro, mas Cheriot soltou uma resposta inesperada.
— Ainda está pensando nisso? Me rejeitou tão bruscamente, mas parece que no final gostou que eu flertasse com você.
Cheriot soltou uma risada zombeteira, soltou a mão que segurava Yurij e recuou.
— Droga, seu rosto eu gosto, mas não me envolvo com criminosos. Se soubesse que Samuel tinha vínculos com uma gangue, também não teria me envolvido com ele.
Yurij, sem palavras, o olhou fixamente e, em vez de perder tempo corrigindo seus disparates, decidiu tirá-lo dali primeiro.
— Troque de roupa e prepare suas coisas. Como podem nos rastrear, vamos sacar dinheiro no caminho e depois jogar fora os cartões. Será melhor também trocar de telefone.
— Espere, já disse que não penso em te contratar.
— Quer continuar perdendo tempo desnecessariamente aqui ou quer sair e contratar quem deseja?
Felizmente, Cheriot não era um completo idiota. Embora tenha franzido o cenho diante das palavras de Yurij, obedientemente voltou a arrumar sua mala. Enquanto isso, Yurij revistou os bolsos do homem caído e encontrou um telefone descartável. Não havia nada que pudesse identificá-lo.
Infelizmente, tinha senha, então era difícil que Yurij obtivesse informações por conta própria. Decidiu esconder o telefone em um lugar onde Alexei pudesse encontrá-lo no caminho e se virou para apressar Cheriot. Ele não estava à vista, talvez foi para o quarto. Em seu lugar, viu a mala fechada e os 1.300 dólares sobre a mesa.
“Quase os joga fora.”
Yurij, com um leve fastio pelo gasto excessivo e afortunado dele, recolheu o dinheiro. Com isso poderiam pagar a gasolina e a hospedagem por agora. Só restava escapar.
Ao sair da sala com a mala e entrar no quarto, a nudez branca apareceu diante dos olhos de Yurij. Desde as grossas coxas que se estendiam por panturrilhas longas e tonificadas, até as nádegas suaves e coladas e as costas largas que inspiravam opressão, ele não vestia nada.
“Maldição.”
Cheriot não vestia nada. Ao ver sem querer sua nudez total, nem mesmo com roupa íntima, Yurij, consternado, recuou. A mala que carregava bateu contra a parede produzindo um som surdo. Ao ouvir o barulho, Cheriot girou o corpo rapidamente e, graças a isso, Yurij foi testemunha involuntária de algo que não desejava ver.
Algo de um tamanho absurdamente grande balançava sob a cintura de Cheriot. A forma pesada projetava tal sombra entre suas coxas que seu olhar se dirigiu ali sem remédio por um instante. Yurij, amaldiçoando mentalmente, virou a cabeça de repente.
“Que coisa que tive que ver.”
O corpo de outro maldito alfa não era algo que quisesse ver nem pagando, mas justo teve que ser o daquele tipo. A cena que presenciou contra sua vontade foi tão impactante que ficou sem palavras.
— Estava me espionando?
Embora tivesse acabado de se mostrar nu diante de outro de repente, Cheriot não parecia tão consternado quanto Yurij. Não podia ver sua expressão, mas sua voz ao responder era mais serena do que o esperado. Como se estivesse acostumado.
— …Troque de roupa rápido. Não há tempo para isso.
Yurij, recompondo-se da desorientação, conseguiu abrir a boca e murmurou com a voz abafada. Sentiu que Cheriot o olhava fixamente enquanto ele respondia com a vista rigidamente desviada. Enquanto ignorava aquele olhar penetrante, Cheriot respondeu com um tom ligeiramente zombeteiro:
— Se já viu tudo o que havia para ver, por que desvia o olhar? Você não parece uma pessoa inocente.
Sua resposta, com um toque de brincadeira, relaxou a tensão que saturava o ambiente. Foi então que Yurij, que tinha se endurecido pela tensão, também recuperou a calma. Talvez porque Cheriot tinha se comportado assim o tempo todo desde o momento em que se encontraram, Yurij parecia ter se acostumado com sua atitude despreocupada. No entanto, a verdadeira forma de Cheriot com a qual teria que lidar a longo prazo não seria esta.
— Vamos. Devemos sair rápido para poder me separar de você.
Cheriot trocou de roupa no instante. Parece que pensou um pouco, porque era um traje diferente do que usava ao chegar ao hotel. Um moletom cinza discreto, calças pretas e um gorro preto. Embora fossem cores discretas, não lhe caíam bem e, pelo contrário, pareciam chamar mais atenção. Talvez porque fosse uma pessoa de cores tão vibrantes, quando usava o gorro e a jaqueta branca dava a sensação de se fundir com o ambiente.
— E a máscara?
— Joguei fora, não tenho.
— Pegue-a e use-a.
— É tarde. Derramei Coca-Cola no lixo antes e ficou suja.
Quem, a menos que seja uma criança, derrama Coca-Cola? Era uma razão absurda.
— Não tem uma de reposição?
— Até hoje não precisava me esconder.
Cheriot encolheu os ombros e respondeu com descaramento. Ao que parece, a Cheriot não incomodava que as pessoas o reconhecessem, como quando conhecia gente sem reservas no bar. Para Yurij era incompreensível. Ele preferia que ninguém o reconhecesse.
Em vez de continuar discutindo por algo sem sentido, Yurij abriu a porta da suíte. Cheriot o seguiu. Ao reduzir a distância, os feromônios de Cheriot trespassaram seu ombro. Talvez por ter estado tanto tempo em estado alterado, o aroma de seus feromônios era intenso. Era um odor acre como um licor com um toque doce, similar a um uísque sem o traço desagradável do álcool. Eram feromônios únicos.
Ao perceber que estava analisando os feromônios de outro alfa, Yurij franziu ligeiramente o cenho e mudou de pensamento. No caminho, escondeu o telefone do atacante em um lixo perto do hotel. Depois, seria melhor dirigir primeiro para um lugar pouco movimentado.
Não sabia quão extensa era a rede dos Guardiões do Inferno, mas pelo menos deviam evitar cidades grandes o suficiente para enviar gente imediatamente após revisar as redes sociais. Seria melhor uma zona onde as pessoas não estivessem interessadas em hóquei no gelo… Infelizmente, não existia tal lugar no Canadá.
Enquanto estava absorto em seus pensamentos, o elevador chegou. Quando Cheriot passou por Yurij para entrar primeiro, ele, por puro hábito, o deteve. No instante em que Cheriot se virou com expressão desgostosa, as portas se abriram. Entre a fenda que se abria, Yurij avistou alguém. Através da abertura gradual, seus olhares se cruzaram. Era o homem que tinha estado vigiando no saguão.
Os olhos do homem com boné de beisebol passaram rapidamente sobre Yurij e se fixaram em Cheriot, ao seu lado. Assim que confirmou o rosto de Cheriot, o homem levou a mão às costas. Ao ver esse movimento, Yurij empurrou Cheriot para o lado. O que se seguiu aconteceu em escassos 3 segundos.
Bang.
Uma arma com silenciador disparou e a bala roçou o lugar onde Cheriot estava para se incrustar no chão. Viu Cheriot, cambaleando pelo empurrão, abrir os olhos desmesuradamente, surpreso. Yurij, sem mais, atirou-lhe a mala que carregava.
Pá!
Ouviu-se um baque quando o homem bloqueou a mala com o antebraço. Yurij se atirou sobre ele, entrando no elevador, e gritou para Cheriot:
— Desça, agora!
Yurij chutou a mala caída em direção ao homem novamente e pressionou repetidamente o botão de fechar. Enquanto isso, o homem ergueu o braço para apontar-lhe novamente com o cano da arma. Yurij desferiu um chute em seu pulso e a arma girou no ar para cair no chão. Seus olhares se encontraram e ambos se atiraram um sobre o outro sem hesitar.
Desviando um soco dirigido ao seu estômago, Yurij golpeou diretamente o rosto do homem com o cotovelo. Uma dor surda se sentiu em seu cotovelo. O homem, cambaleando, em vez de cair, se apoiou contra a parede do elevador e voltou ao ataque.
Investindo contra Yurij com o tronco, aproveitou que Yurij recuperava o equilíbrio para golpear sua maçã do rosto. Com o impacto, os óculos que usava se quebraram e caíram no chão. Aproveitando que Yurij cedeu momentaneamente sob os golpes consecutivos, o homem segurou firmemente sua cintura com ambos os braços. Depois, com força implacável, golpeou seu flanco com o punho.
Apertando os dentes e aguentando o golpe, Yurij, em vez de tentar se livrar, torceu a orelha do homem com a mão.
— Aaah!
— O homem, atacado em um ponto vulnerável, mostrou uma abertura e soltou a força. Yurij não desperdiçou a oportunidade e desferiu um forte golpe no rosto do homem, depois agarrou por trás o homem, que inclinou a cabeça. Envolvendo o pescoço com seu braço grosso, Yurij colou seu próprio corpo à parede do elevador.
Seu pulso batia descontroladamente pela bruta luta em tão pouco tempo. Sentindo seus lábios secos e seu coração ofegante, Yurij apertou com mais força seu braço. O homem forcejou e golpeou forte o abdômen de Yurij com o cotovelo, mas ele não cedeu.
“Devo matá-lo?”
Yurij pensou, lembrando da faca escondida em sua manga. Aquele homem claramente tinha atirado em Cheriot. Era um ato com intenção homicida.
Mas…
Isso não era o que Cheriot queria. Ele disse que procurou Alexei para evitar problemas desnecessários.
Se o deixasse com vida, outros tipos certamente os seguiriam em breve. Como tinha visto seu rosto, se voltasse, testemunharia. Então, suas ações para proteger Cheriot também seriam limitadas. Alguém o reconheceria.
Yurij sabia bem, por longa experiência, que fugir deixando alguém com vida era muito mais difícil do que matá-lo. Especialmente quando o oponente era alguém que atirava sem hesitar, como agora, o risco aumentava ainda mais. Que ele saísse ferido não era o problema. O problema era que as pessoas a quem perdoava a vida nunca tentavam corresponder ao favor.
Enquanto Yurij pensava, o homem finalmente perdeu a consciência. Ao soltar lentamente a força em seu braço, o tipo desabou pesadamente contra o chão com um som pesado. Contendo um ofego áspero após seus lábios, Yurij o olhou fixamente um momento e depois, como fez antes no quarto, revistou seus bolsos, encontrou seu telefone e o guardou.
Sem olhar nem uma vez as câmeras de segurança sobre ele, Yurij só retirou o carregador da arma no chão e chutou a arma para um canto. Não queria dar nenhuma pista desnecessária quando se investigasse o relato.
Alguns segundos depois, o elevador chegou ao saguão. Engolindo qualquer sinal de fadiga, se endireitou, alerta para quem pudesse estar do outro lado das portas. Ao se abrir, ali estavam o casal de turistas que tinha visto antes. Pelas sacolas em suas mãos, parecia que tinham ido a um Seven-Eleven próximo.
— …Uh?
O homem e a mulher deram um pulo e recuaram. Yurij lançou-lhes um olhar rápido, depois recolheu lentamente a mala que jazia no chão. Passou por cima do corpo inconsciente do homem e os aconselhou:
— Será melhor chamarem a polícia. Estava bêbado e armou um escândalo.
Como se tinha disparado uma arma em um hotel de luxo, era inevitável que a polícia se envolvesse. Então era melhor que alguém de fora chamasse, e Yurij decidiu usá-los. O casal, sobressaltado, correu para a recepção, evitando Yurij.
Enquanto isso, as portas do outro elevador se abriram. Ao ver Cheriot saindo com passos apressados, Yurij sentiu alívio. Parecia que pelo menos tinha critério para segui-lo sem tomar outra rota.
— Que diabos aconteceu?
Cheriot se aproximou com passos largos, sussurrando.
— Exatamente o que você viu. Não há tempo para isso aqui. Devemos ir agora.
— Sei, sei, mas…
Yurij puxou Cheriot para si com a mão que não segurava a mala. No instante em que aplicou força, sentiu um ardor quente na parte superior de seu braço. Era uma sensação familiar. Costumava sentir quando uma bala o roçava. Pensou que a tinha esquivado bem, mas ao que parece a bala do homem o tinha roçado.
Caminhando quase correndo pelo saguão, viu o casal falando com o funcionário da recepção se virar e dizer algo. A mulher tinha visto Cheriot, como desejou antes, mas nesta situação não parecia ter tempo para reparar em quem ele era.
Acelerando o passo, Yurij saiu do hotel, dobrando por um beco até chegar a seu carro estacionado. Abriu rapidamente a porta traseira, jogou a mala dentro e depois abriu a do passageiro. Cheriot entrou imediatamente e Yurij, mal abriu a porta do motorista, ligou o motor.
Nem Yurij nem Cheriot falaram por um bom tempo. Yurij dirigiu a uma velocidade discreta, sem rumo fixo. Parecia correto pegar a rodovia 1 rumo ao norte, então se dirigiu ao leste por enquanto. Depois de quase uma hora dirigindo em silêncio, a paisagem urbana tinha desaparecido, substituída por florestas.
Só então Yurij pôde respirar um pouco, após verificar constantemente o espelho retrovisor para garantir que ninguém os seguisse. Não havia ninguém os perseguindo. Parecia que os que foram ao hotel eram todos por enquanto, e embora tivessem relatado o incidente, a polícia prenderia primeiro o homem armado, ganhando-lhes tempo. Não havia câmeras no corredor, e se apenas revisassem as do elevador, a presença de Cheriot não ficaria exposta.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna