Ato 7, 11
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇 Ato 7: Toque de orientação 11 ִֶָ་༘࿐
Quando o estado de um paciente piorava além da conta, uma névoa negra inchava como uma nuvem escura, finalmente envolvendo-o enquanto dava seu último suspiro. A névoa então se contorcia lentamente por todo o corpo, como se confirmasse a morte, antes de finalmente se descolar do cadáver por volta do momento do funeral.
Todos os pacientes que morriam dessa forma sofriam grandemente em seus momentos finais. No entanto, o homem diante dele vivia com uma névoa ainda mais negra e maior como se fosse algo normal, e nem sequer gemia quando ela engolia completamente seu corpo.
— Respire fundo.
— …
— Agora olhe nos meus olhos e me diga.
Só então Nine mal ergueu a cabeça para olhar para Ash, dando um leve sorriso. Sua palma áspera limpou suavemente os olhos de Nine, apagando os traços de lágrimas.
— …Não dói? — perguntou Nine.
Ash respondeu com indiferença:
— Nem um pouco.
— …
Enquanto Nine o encarava com o olhar vago, Ash se sentiu pego e mudou sua resposta.
— Você não está acreditando. …Bom, talvez um pouco?
Como esperado, não era que ele não sentisse dor, mas sim que tinha se acostumado a suportá-la. Era quase impressionante o quão calmamente ele estava agindo, no que era claramente uma situação grave.
— Nine, do que você tem tanto medo?
— …De que você morra.
— Quem? …Eu?
— Isso é ridículo… — ele murmurou com uma risadinha. Em seguida, abaixou-se para ficar na altura dos olhos de Nine e sussurrou suavemente:
— Eu não vou morrer, Nine.
— …
— Não importa o que aconteça, eu absolutamente não vou morrer.
Ele declarou com firmeza, mas Nine continuou balançando a cabeça, evitando o olhar dele enquanto este tentava fazer contato visual. Não havia absolutos neste mundo. Mentiroso. Ash não tinha ideia do quão danificado seu corpo estava. E estava completamente alheio ao fato de que o remédio estava destruindo seu corpo ativamente. Era por isso que ele conseguia engoli-lo tão descaradamente em sua frente.
O talento de Nine era intuitivo. Essas previsões nunca falhavam. Na verdade, mesmo quando Nine viu Ash pela primeira vez, ele se perguntou como ele ainda estava vivo.
— Não. Nesse ritmo, você vai morrer.
— Nine.
— Você com certeza vai morrer…
Nine murmurou com uma voz tensa. Ele não estava triste. Por que ficaria triste por um homem de quem nem gostava muito estar destruindo o próprio corpo? Se tanto, era patético. Que idiota. Bastardo estúpido. Agindo como se estivesse tudo bem, apesar das pessoas se preocuparem com ele. Nine se sentia magoado a ponto de morrer.
Ele não queria desperdiçar emoções com algo que não era de sua conta. Queria parar de se importar como Ash desejava… mas não era tão fácil quanto esperava. Os olhos de Nine tremiam de frustração por ver sua vida agitada sendo perturbada por esse homem que apareceu de repente e o fez se preocupar de maneiras que nunca tinha se preocupado antes.
Ninguém se acostuma com a morte. Mesmo que não fosse a primeira vez que a via, Nine lamentava cada morte e a temia todas as vezes. Fosse um estranho ou alguém próximo, não havia diferença no peso da morte. Mas a névoa negra que envolvia Ash parecia mais aterrorizante e assustadora do que qualquer morte que Nine já tivesse testemunhado antes.
— …!
O homem havia se aproximado sem que Nine percebesse e de repente ergueu seu queixo. Conforme seu rosto se aproximava, lábios quentes se pressionaram contra os dele. Com a cabeça forçadamente inclinada para cima, Nine piscou sem reação para o rosto tão próximo do seu. Com os lábios ainda se tocando, Ash murmurou:
— Pare de chorar. Eu não sei de que outra forma te consolar.
Ash limpou brutamente as lágrimas que haviam se acumulado nos olhos de Nine e rolado por suas bochechas. O homem lambeu a parte interna de seus lábios antes de se empurrar entre os lábios entreabertos dele, inclinando a cabeça lentamente. O beijo foi lento e suave. Nine sentiu sua mente consumida pelo medo se acalmar gradualmente. Quando seus lábios se separaram com um som suave, ele soltou um suspiro profundo.
— Ah, o que você está fazendo? Sério…
Nine limpou a boca com as costas da mão, encarando-o com raiva. Ash deu uma risadinha.
— Isso é sério. Você não se lembra do que aconteceu há alguns segundos? Nós nos beijamos.
— É por isso que estou perguntando por que tão de repente…
— Suas lágrimas pararam, não pararam?
— …
— Estou feliz.
Nine queria argumentar contra aquele tom suave de alguma forma. Mas era verdade – suas lágrimas pareciam ter se secado completamente, e ele não conseguia espremer mais nenhuma, não importa o quanto tentasse.
— O que você viu? — Ash perguntou suavemente, pegando gentilmente a mão de Nine e questionando sobre a visão que ele tinha tido. A mudança repentina para o afeto, depois de ter dito antes para ele cuidar da própria vida, era quase chocante.
— Você estava…
Sendo devorado. Nine sussurrou bem baixinho, com medo de que, se falasse mais alto, a névoa pudesse entender suas palavras e machucar o homem. Com certeza, a névoa presa à pele de Ash se inflou orgulhosamente, como se ostentasse sua presença. Era uma cena horripilante. Nine não queria ver mais nada. Não queria ver alguém que conhecia morrer diante de seus olhos… Nine evitou o olhar de Ash e acabou fechando os olhos com força.
— …
Observando Nine assim, Ash estendeu a mão e acariciou suavemente sua bochecha. Não era como se o próprio Nine fosse vulnerável à Pílula Guia, nem ele era um esper. No entanto, lá estava ele, tremendo de medo só por Ash tomar uma única pílula. Ele não conseguia empatizar com o medo de Nine. Não conseguia entender do que Nine estava tão aterrorizado.
Nine não era o único que tinha se preocupado com Ash todo esse tempo. Seu médico Daniel, e até a maioria das pessoas que testemunharam sinais de seus surtos de perto, empatizavam com a sensação de “dor” e se preocupavam com Ash com ternura, pelo menos nesses momentos.
Embora a reação de Nine não fosse tão diferente da dessas pessoas, por que Ash se sentia estranhamente satisfeito com a resposta excessiva dele? Seria porque Nine foi a primeira pessoa a derramar lágrimas por ele dessa forma? Não, Ash não costumava ser muito insensível às lágrimas ou emoções dos outros. Em vez de empatizar com as lágrimas ou sentimentos de Nine, ele apenas sentia as pontas dos dedos formigarem assim que percebia que Nine estava chorando.
Nine era uma existência extremamente especial na vida de Ash. Suas palavras sobre sentir que esteve procurando por Nine a vida inteira não eram mentira. Mas Ash não conseguia apontar a razão exata de por que apenas Nine parecia tão especial.
Ele achava que era porque gostava de Nine, que era amor como ele tinha adivinhado… Mas pensando bem, nem sempre tinha sido tão fraco por ele desde o início. Houve momentos em que ele foi completamente insensível às lágrimas ou palavras de Nine, e mesmo depois de perdê-lo, essa não foi a razão pela qual o procurou.
Ele simplesmente seguiu pistas por um longo hábito e, assim que finalmente encontrou Nine, manteve-o por perto como se fosse a coisa natural a se fazer. Porque Nine era seu, agora recuperado. Era por isso que o mantinha por perto. Não havia outra razão especial além dessa.
— Não sinta dor.
— …
Ash tinha pensado que seria suficiente apenas manter Nine ao seu lado, incapaz de partir. Mas em algum momento, Nine começou a parecer sutilmente diferente. Por exemplo, o toque suave dos dedos escovando sua franja mesmo enquanto resmungava sobre Ash roubar a cama sob o pretexto de pesadelos, ou as lágrimas se acumulando sob seus olhos enquanto sua expressão ficava séria por assuntos banais. Mesmo já tendo Nine, ele continuava querendo mais. O que era essa diferença sutil?
— …É isso mesmo. Agora eu tenho você, Nine.
Seja como for, Ash queria ficar bem aos olhos dele. Seria melhor agradá-lo na maior parte do tempo. Seu olhar preocupado não saía da cabeça redonda de Nine. Ele sabia que estaria longe de ser fácil dar a Nine o que ele queria. Largar as Pílulas Guia, e tão de repente assim.
Ainda assim, ele se perguntava se realmente precisava continuar fazendo algo que Nine temia tanto, a ponto de ter que esconder dele. Tendo chegado a uma conclusão, ele na verdade se sentiu muito mais aliviado do que antes.
Ele lutou para esconder o sorriso convencido que tentava se formar no canto de sua boca. Sabia que aquela não era uma situação para sorrir, mas se sentia estranhamente feliz. Ver o rosto derramando lágrimas por medo de sua morte fazia seu baixo ventre queimar de desejo, em vez de pensamentos de conforto. Um impulso destrutivo surgiu.
Se eu fingisse morrer, ele choraria por mim de novo…? Ash se entregou à fantasia agradável antes de finalmente concluir que não importava de um jeito ou de outro.
A mentalidade de Ash, que não tinha mudado nem um centímetro em 10 anos, não importava o quanto os outros o alertassem, mudou em um instante. Algumas lágrimas de seu Guia e um pedido para não sentir dor pareciam mais pesados do que todas as ameaças e súplicas que ele tinha suportado até agora.
— …O que é tudo isso?
Naquele mesmo dia, Ash reuniu todas as Pílulas Guia que tinha e as jogou fora.
— Aquele bastardo do Ash veio e se foi de novo!
Depois de se recusar a entregá-las antes, aquele desgraçado do caralho! Há um limite para fazer o que bem entende – como eu vou limpar toda essa bagunça sozinho…? Como um bônus adicional, Daniel segurou a cabeça e se enfureceu com a bagunça feita em seu consultório logo pela manhã.
↫ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki