Ato 6, 01
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇 Ato 6: Pesadelo 01 ִֶָ་༘࿐Ato
— …!
No meio da noite, Ash acordou num pulo, seu rosto pálido enquanto abria os olhos. Ofegante, ele se encolheu, segurando suas entranhas que se contorciam. Veias azuis saltavam no dorso de sua mão enquanto ele segurava o cobertor com força. Sua mandíbula doía de tanto ranger os dentes.
Seu corpo tremia, encharcado de suor frio, e sua cabeça latejava por inteiro. A superfície de sua pele queimava com uma sensação escaldante. Sua visão oscilava, alternadamente contraindo e expandindo.
Ele conseguia ver os grãos dos móveis distantes claramente em um momento, para logo em seguida sentir a poeira no ar como se estivesse bem diante de seu nariz. Ele percebia que sua condição física estava pior do que o normal. Era uma situação urgente que exigia guiamento.
— Ugh…
Engolindo um gemido, Ash estendeu a mão e vasculhou a gaveta. Barulho de objetos caindo. Vários itens se espalharam pelo chão em desordem. Entre eles, ele finalmente encontrou o frasco de pílulas e tomou uma pílula de guia. Sua condição se estabilizou gradualmente. A dor de cabeça que estava espremendo seu crânio desapareceu lentamente. A dor arrepiante que rastejava por sua pele diminuiu, embora ele ainda sentisse gosto de sangue no fundo da garganta.
Conforme Ash recuperava os sentidos, ele suspirou, recordando o conteúdo de seu sonho recente. Pesadelos do passado vinham prendendo seus tornozelos com bastante frequência ultimamente. Mesmo que ele não estivesse mais preso lá. Mesmo que estivesse seguindo em frente. Sensações que tinham sido embotadas na época agora o cortavam como lâminas.
— …
Ash encarou o vazio por um tempo, depois olhou para o relógio caído sobre a mesa. Era apenas duas da manhã.
Ele acordava e adormecia repetidamente várias vezes ao dia. A insônia de Ash era crônica. Mesmo com medicação, era raro ele manter um sono profundo por mais de duas horas, e a péssima qualidade do sono tornava Ash tão sensível que ele não conseguia deixar passar nem as pequenas coisas.
Estes dias, sua condição estava relativamente boa, graças a ter um Guia. Antes, havia muito mais dias em que ele não conseguia dormir devido a dores insuportáveis.
Todos os médicos que Ash conhecia apenas insistiam que, se ele recebesse guiamento, todas as suas doenças seriam curadas. Puros charlatães que não sabiam de nada. Ash debochava das opiniões deles todas as vezes.
Não que Ash não tivesse tentado. Ele havia tomado incontáveis medicamentos e até tentado receber orientação, o qual os médicos alegavam ser uma panaceia. Mas até as mais fracas ondas de guiamento emanadas por eles, sem falar no guia por contato, o deixavam enjoado e o faziam vomitar sangue.
— …
Sentado curvado na beira da cama com a cabeça baixa, Ash de repente se levantou como se estivesse possuído. Cambaleando até a porta, ele conseguiu segurar e girar a maçaneta. Virando à direita, dez passos. Logo, uma porta idêntica apareceu.
Clique. Inconscientemente abrindo a porta do quarto ao lado, Ash caiu em si quando viu uma figura encolhida sob o fraco luar perto da janela. Seus olhos vacilantes se aquietaram calmamente.
Era um ato sem sentido. Ele entendia que visitar Nine no meio da noite não pararia os pesadelos imediatamente. No entanto, seus pés se moveram por conta própria. Como se estivesse enfeitiçado, Ash se aproximou da cama e sentou-se no chão, apoiando a cabeça na beira. Nine estava dormindo profundamente bem na sua frente.
— Nine.
Chamando-o em voz baixa, Ash chamou seu nome mais uma vez.
— Nine, você está dormindo?
Naturalmente, não houve resposta. A respiração de Nine alcançava a testa dele. Ash estendeu a mão e entrelaçou seus dedos com a palma ligeiramente curvada de Nine. O fraco calor o confortou. Ele reajustou sua pegada várias vezes. Precisava reafirmar a presença de Nine repetidamente, temendo que o calor em sua mão pudesse desaparecer.
Finalmente, Nine se mexeu, suas pálpebras tremendo. Abrindo os olhos lentamente, ele piscou atônito para o homem que o encarava intensamente.
Pisca. Pisca. Os olhos azuis eram escondidos e revelados pelas pálpebras algumas vezes. Nine resmungou: — O quê? — com o rosto ainda sonolento. Um traço de desconfiança se misturou em seu olhar por um momento.
Era uma situação que qualquer um entenderia mal. Ash soltou a mão que estava segurando e apressadamente abriu a boca como se fosse se explicar.
— Eu não vou pular em cima de você.
— …Não é o que parece.
Nine respondeu em tom sarcástico. Sua voz estava mais lenta e grave do que o habitual, ainda embriagada pelo sono. Ele abriu a boca em um curto bocejo. Limpando as lágrimas transparentes nos cantos dos olhos com o dorso da mão, Nine perguntou:
— Por quê…
Pelo menos ele não estava olhando para Ash como se ele fosse louco. Ele parecia um pouco irritado, mas não bravo.
— Desculpe, mas posso pegar sua cama emprestada?
Ash fez audaciosamente um pedido irrazoável, já que as coisas tinham chegado a esse ponto. Nine, momentaneamente estupefato com aquelas palavras, soltou uma risada e disse:
— …O quê, você é um tarado habitual? Invadindo de repente e sendo tão cara de pau?
— Um tarado habitual?
— Não parece que esta seja sua primeira vez… Você sempre foi assim?
— Esta é a primeira vez.
— Sério?
— Sim.
— Então vou deixar passar só desta vez… Pare de falar bobagem e volte a dormir rápido.
Seu tom era estranhamente fraco. Graças à sua sonolência, Nine estava muito mais tolerante do que o habitual. Ash ficou tentado forçar a sorte um pouco mais, mas sentindo que cruzar a linha ainda mais tornaria as coisas irreversíveis, ele decidiu dar um passo atrás.
— Eu não quis dizer dormir juntos. Você vai dormir no meu quarto, e eu durmo aqui. Eu quis dizer literalmente pegar sua cama emprestada.
— …
— Claro, eu não me importaria de ficarmos juntos, mas achei que você ficaria desconfortável.
Mesmo com as palavras de Ash, acrescentadas com um sorriso, Nine estreitou ligeiramente os olhos e olhou para ele como se ele fosse algum tipo de canalha, mas Ash não estava dizendo aquilo por dizer.
Este lugar era verdadeiramente confortável. Ele tinha uma convicção sem fundamento de que, se dormisse na cama impregnada com o cheiro de Nine, poderia conseguir dormir profundamente sem nenhum sonho. Ele queria apenas abraçar Nine com força e fechar os olhos, mas não deu voz a esse pensamento.
Nine, que havia se levantado para se sentar de forma incômoda, estendeu a mão e tocou a testa de Ash. Então, franzindo a testa seriamente, ele inclinou a cabeça.
— Você não está com febre.
— Febre?
— Achei que você pudesse estar doente, já que estava falando bobagens… Mas por que você quer trocar de quarto de repente?
— Eu não consigo dormir.
— …?
— Pensei que mudar de lugar para dormir pudesse ajudar… Não vou fazer nada de estranho no seu quarto. Eu realmente só vou dormir.
— O que você quer dizer com coisas estranhas?
— …
Ash apenas sorriu em silêncio sem dizer nada, e Nine também manteve a boca fechada. Parecia que trazer palavras desnecessárias à tona poderia levar a uma situação constrangedora, caso não fosse o que estavam pensando.
— Mas Ash…
Nine olhou para Ash intensamente e inclinou a cabeça.
— Você teve um sonho ruim?
— …
Acertou em cheio. Como ele sabia sem que dissesse nada era um mistério. Ash afirmou as palavras de Nine com o silêncio.
— Suba.
Nine segurou a mão de Ash e o puxou para cima. Então ele empurrou os ombros de Ash, deitando-o na cama. Nine pegou uma bolsa antiga que havia colocado no parapeito da janela e a desamarrou. O braço dele afundou até o cotovelo na bolsa de expansão espacial que havia aberto sua boca. Enquanto ele alcançava o interior, lembrando-se dos itens que havia guardado, as pontas de seus dedos tocaram uma embalagem crocante. Houve um som de franzir de papel.
— …Isso é sempre fascinante de ver.
Ash, que estava observando a cena em silêncio, resmungou. Em vez de responder, Nine desembalou o doce e empurrou o conteúdo com firmeza em direção à boca dele.
— Ah.
Aquelas palavras fizeram Ash abrir a boca reflexivamente.
— …
Um sabor artificial de fruta encheu sua boca. Ash, que pensou que pudesse ser algum tipo de remédio, inclinou a cabeça. O gosto era estranhamente familiar. Alguns dias atrás, ele havia acordado brevemente e encontrado um doce com o mesmo gosto em sua boca. Foi provavelmente durante o treinamento ao ar livre.
— Achei que você não gostasse de doces.
— O quê?
— Você disse que não gostava. Que é como apodrecer.
— Então por que você carrega isso por aí? Você até cuspiu o que estava comendo daquela vez. – Ash perguntou.
Nine, que esteve sentado olhando para o nada por um momento, abriu bem os olhos e perguntou de volta:
— Você se lembra disso?
Foi apenas um comentário passageiro durante uma conversa. Era algo irrelevante assim. Lembrar dos detalhes das preferências de outra pessoa não é fácil, a menos que você seja uma pessoa excepcionalmente atenta.
— Não há nada sobre você que eu não me lembre.
— …
Pensar que ele se lembraria até mesmo de coisas tão triviais sem esquecer. Na verdade, não era a primeira vez, parando para pensar.
Ash era sempre um homem que considerava as circunstâncias de Nine, exceto quando estava sendo deliberadamente travesso. Para alguém agir antes que a outra pessoa sinta desconforto, é impossível sem observá-la constantemente ou conhecer bem suas preferências e hábitos.
↫ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki