Ato 5, 18
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇 Ato 5: O Dever do Guia 18
. ִֶָ་༘࿐
— Não, vamos pegar um atalho. Eu também estou ficando cansado.
Há um atalho aqui? Nine olhou para cima, confuso, e percebeu que Ash havia se aproximado bem na sua frente sem que ele notasse.
— …?
Não deu nem tempo de se surpreender. Ash ergueu o queixo de Nine com o dedo e pressionou seus lábios contra os dele. Aconteceu tão de repente que Nine nem conseguiu processar o que estava acontecendo.
— …!
O aroma de laranja o envolveu. Ao mesmo tempo, o espaço se deslocou e o mundo girou. Seu coração, que havia despencado até os pés pelo choque, agora começou a bater desordenadamente. Assim que sua visão embaçada se limpou, Nine instintivamente desferiu um soco e atingiu com força a bochecha de Ash.
*Thwack.* A cabeça de Ash virou bruscamente para a direita.
— Isso dói…
Ash resmungou em um tom inalterado. Ele esfregou a bochecha esbofeteada, resmungando que a massagem não tinha sido muito boa, mas que a mão era surpreendentemente forte. Sua expressão não mostrava nenhum sinal de remorso.
“O que diabos…?”
O beijo repentino deixou os pensamentos de Nine paralisados.
Em meio à confusão, ele ouviu murmúrios baixos. Feixes de lanterna se voltaram para os dois. O grupo que se reunira ali franziu a testa simultaneamente ao ver Ash.
Era o grupo de Chad. Ao avistarem Ash, soltaram suspiros profundos com olhares derrotados. Eles não pareciam dispostos a atacar ou agir de forma hostil, não demonstrando nenhum desejo de lutar.
— Ah, merda… Estamos ferrados.
— Eu disse para você ficar quieto. Falei que ele viria se nos ouvisse.
— Cala a boca. Se vai dizer essa besteira enquanto a garota está machucada, eu disse para você ir lá para dentro e se deitar.
Enquanto o grupo discutia entre si, Chad foi o primeiro a reagir.
— Você nunca dorme? Por que diabos está vagando por aí no meio da noite?
Ele tirou um pequeno dispositivo parecido com um interruptor do bolso e o arremessou com força. O objeto caiu precisamente aos pés de Ash; era um transmissor de sinal.
— Pegue isso e suma.
A implicação era para parar de incomodá-los. Apesar dos dentes mostrados por Chad e de sua atitude cautelosa, Ash permaneceu indiferente.
— Com prazer.
Ash sorriu como se estivesse satisfeito e esmagou o dispositivo sob o pé. Nine prendeu a respiração ao som do estalo dele se quebrando debaixo do pé de Ash.
A equipe de Chad não deu atenção à derrota no treinamento; em vez disso, cercou freneticamente uma jovem Esper que chorava alto. As prioridades deles pareciam estar em outro lugar que não aquele tipo de treinamento.
Nine olhou ao redor. Tudo estava em ruínas. Não importa o que tivesse acontecido, todas as tendas amontoadas estavam em um estado devastado.
E ali perto, cobrindo a boca e chorando, estava um rosto familiar. Era a Esper que estava vagando sozinha nesta manhã e que correu implorando por ajuda quando viu Ash. Seu cabelo ruivo estava grudado ao rosto pelo suor frio.
“Ela está machucada em algum lugar”
Nine passou por Ash em direção ao local onde as pessoas estavam reunidas. Ninguém prestou atenção à aproximação de um Guia de rank F de outra equipe.
Os Espers ignoraram Nine completamente e continuaram derramando água na perna da garota.
— Dói, *snif*, me solta!
Mesmo com a garota chorando e se debatendo, não havia nada que pudessem fazer. Chad a segurava, impedindo que ela se agitasse. Leon, que os observava com uma expressão preocupada, sem poder fazer muito mais, acenou levemente em saudação quando Nine se aproximou.
Ash o seguiu e abraçou Nine levemente por trás. Quando ele virou a cabeça para olhar para Ash, tudo o que pôde ver foram seus lábios novamente. Ele já estava mastigando outra coisa. Parecia ser uma bala. Era claramente a origem do aroma de laranja.
— …
Diante da memória desnecessária que permanecia, Nine cobriu sutilmente a própria boca com a mão. Ao contrário dele, cujo coração ainda estava disparado, Ash não mostrava sinais de ter sido afetado, o que era de certa forma irritante.
Como ele podia estar tão calmo depois de pressionar os lábios contra os meus daquele jeito?
— O que aconteceu aqui? Uma bomba explodiu?
Ash perguntou a Leon. Ela não era infantil a ponto de discutir naquela situação. Leon suspirou e disse:
— A garota se machucou. Como você pode ver, monstros atacaram as tendas de repente.
Leon franziu a testa e resmungou.
— É estranho. Nós tínhamos fogueiras acesas e borrifamos repelente perto das tendas, algo que os monstros deveriam evitar.
Ash olhou ao redor da cena enquanto ouvia Leon explicar os padrões de comportamento das criaturas e para onde elas haviam fugido. Então, notando que o olhar de Nine estava em outro lugar, ele perguntou:
— O que você está fazendo?
Nine estava olhando para a criança ferida e para os Espers ao redor dela com uma expressão descontente. Ou melhor, o rosto de Nine estava quase inexpressivo, mas era assim que parecia para Ash.
— …Por que eles estão agindo assim?
Nine, que estava inquieto esse tempo todo, soltou um suspiro profundo e se virou para se aproximar do grupo de pessoas. Ash o observou em silêncio, imaginando o que ele iria fazer.
— Deixe-me dar uma olhada.
Nine se sentou em frente à garota que soluçava. Ele olhou para a área ferida onde os Espers estavam derramando água. Uma névoa negra estava agarrada densamente à ferida. Não devia ter sido assim desde o início, mas a condição não era muito boa devido à falta de primeiros socorros adequados. Deveriam ser gratos por pelo menos o sangramento ter parado no corte razoavelmente longo, como se tivessem conseguido conter a hemorragia por conta própria?
Toda a panturrilha da garota estava coberta por bolhas transparentes e pegajosas. Por mais que lavassem com água e limpassem com um pano, o fluido continuava a jorrar e a cobrir o ferimento. A luz forte fazia a ferida parecer ainda mais evidente, fazendo os Espers soltarem suspiros baixos.
— Ei, não toque nisso com as mãos desnudas!
Alguém gritou urgentemente quando Nine aproximou os dedos das bolhas. Mas, apesar do aviso, Nine recolheu um pouco da espuma com dois dedos e a esfregou para verificar a viscosidade do líquido.
— Eu disse para não tocar…
“Está queimando.”
Uma sensação de queimação podia ser sentida onde a espuma tocava a pele. Logo, o fluido começou a se escorrer da ferida que havia se formado nos dedos de Nine, transformando-se rapidamente em uma espuma borbulhante para preencher a abertura. Após confirmar o líquido de viscosidade semelhante a um muco transparente, Nine disse:
— Afastem-se um pouco. Ela foi arranhada pelo espinho venenoso de um slime.
Chad, que a segurava, deu um olhar confuso diante das palavras dele. Ao mesmo tempo, Nine colocou a mão na pequena bolsa presa à sua cintura e tirou um frasco de vidro cheio de um líquido transparente.
Felizmente, essa não era uma situação inteiramente desconhecida. Era um caso comum o suficiente para que Nine pudesse lidar com ele sozinho.
Embora tais incidentes fossem raros nas cidades onde as pessoas viviam reunidas, frequentemente ocorriam em áreas adjacentes a florestas ou regiões conhecidas pelo aparecimento de monstros.
A própria Academia era apoiada por uma floresta onde surgiam monstros de baixo nível, e muitas vezes havia pessoas que se tornavam vítimas deles e viravam cobaias para magos curandeiros.
— Vocês fizeram bem em continuar lavando a ferida com água. Se deixado sem tratamento por uma hora, a área ferida começa a necrosar. Então, definitivamente deixará uma cicatriz.
Em casos graves, a perna poderia precisar ser amputada, mas, felizmente, a ferida não era tão profunda. Com essas palavras, a garota ruiva engoliu em seco. Parecia que ela não tinha percebido que o ferimento era tão sério.
Alguém poderia pensar assim sobre um slime. À primeira vista, eles não parecem ameaçadores.
Mas até mesmo monstros de baixo nível têm maneiras de se proteger. Especialmente no caso dos slimes, já que não possuem dentes afiados, eles escondem espinhos venenosos em forma de rabo de porco bem fundo em seus corpos.
Nine despejou toda a poção de cura em sua mão, cobrindo cuidadosamente a palma e as costas da mão, e então usou a gaze segurada por um Esper próximo para limpar a área ferida da garota ruiva, desimpedido sua visão. A poção de cura aplicada em suas mãos as protegia do líquido tóxico.
“Preciso remover o veneno primeiro.”
O veneno do slime ainda não tinha sido drenado, e era por isso que o fluido semelhante a um muco continuava a escorrer da ferida. O corte já tinha começado a se fechar. Nine estendeu a mão no ar e perguntou:
— Você tem uma faca?
— Uh, e-espere um momento.
Um Esper apalpou os bolsos. Ash, que naturalmente havia pegado o canivete preso no bolso traseiro daquele Esper, sentou-se ao lado de Nine e o entregou diretamente a ele.
— …?
Suas mãos se tocaram brevemente. Os dedos de Ash roçaram sutilmente a palma dele antes de se afastarem. Nine achou um pouco estranho, mas logo se esqueceu disso.
Embora não fosse uma ferramenta familiar, a lâmina bastante afiada parecia bem útil. Nine ajustou a pegada na faca e, sem aviso, a inseriu superficialmente na ferida e raspou a área afetada. A Esper ruiva engoliu em seco. Os rostos dos Espers se encheram de choque, como se não esperassem que ele fosse reabrir a ferida da garota. Consequentemente, o corpo dela tremeu de dor.
Foi quando aconteceu. Leon se aproximou rapidamente, agachou-se, inclinou o queixo da garota para cima e pressionou seus lábios contra os dela.
“…Ahn?”
Os pensamentos de Nine pararam. Se ele não estivesse enganado, os lábios de Leon e da garota estavam tocando-se precisamente.
— Está tudo bem.
Enquanto Leon sussurrava de forma reconfortante, a garota parou de choramingar e entreabriu os lábios. Leon segurou a bochecha da garota e inclinou, sugando seus lábios. O som úmido fez as orelhas de Nine ficarem vermelho-vivas.
↫ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki