Ato 5, 04
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇Ato 5: O Dever do Guia 04ִֶָ ་༘࿐
— Para um mestre como ele permitir um quarto bem ao lado do dele. Deve ser incômodo. Não consigo deixar de ficar surpreso.
Nine concordou com a cabeça. No entanto, ele estava relutante em ficar no quarto ao lado de alguém sensível. Se dependesse dele, teria pedido um quarto diferente.
Tendo testemunhado um colega de classe na academia arruinar as notas de um semestre inteiro devido à mudança de quarto no dormitório, Nine estava um pouco preocupado de que pudesse terminar na mesma situação em breve.
A pessoa que ocupava o quarto ao lado do seu colega no dormitório era extremamente sensível e obcecada por limpeza. Toda manhã, um bilhete era passado pela fresta da porta dizendo: “Sou do quarto ao lado. Está muito barulhento. Os barulhos de passos pesados não são humanos, então me desculpe, mas você está criando um elefante?”
Reclamações foram registradas através do supervisor do dormitório dezenas de vezes. Estressado, as notas do colega caíram, e ele chorava vendo tufos de cabelo caindo. Eventualmente, no semestre seguinte, ele acabou engatando um relacionamento amoroso com a pessoa do quarto ao lado.
Embora o motivo para tal desfecho fosse incerto, o ponto era que encontrar uma pessoa excessivamente sensível podia sugar toda a sua energia.
— Mas estou aliviado que o mestre finalmente tem um Guia. Para ser sincero, eu estava preocupado que pudesse falecer muito antes deste velho.
A preocupação sincera do mordomo fez Nine sentir uma ponta de culpa.
O contrato de parceria entre Ash e Nine não era puramente com o propósito de guiar. Por trás disso, havia uma troca equivalente de benefícios, e o contrato expiraria no momento em que Nine retornasse à sua dimensão original.
Nine podia ajudar Ash como Guia. Ele, que não encontrava um Guia adequado há mais de dez anos. Nine era o primeiro Guia que ele já tinha tido.
“Ainda não parece real, no entanto.”
Mas o que aconteceria com Ash depois que ele partisse? O pensamento cruzou sua mente brevemente.
— Eu tenho algo para lhe contar.
— Sim. O que é?
August respondeu com uma expressão gentil. Nine era fundamentalmente uma pessoa que sabia como respeitar os mais velhos. Ele não queria enganar alguém que o tratava de forma tão bondosa.
— Na verdade, eu sou um órfão espacial. O Ash me salvou.
Não era algo que ele pudesse esconder para sempre, de qualquer forma. Parecia melhor falar logo e tirar esse peso do peito. Era algo que todos no Centro sabiam e, dada a rapidez com que os rumores pareciam se espalhar, logo seria de conhecimento geral fora do Centro também. August seria capaz de descobrir sobre ele e Ash apenas ligando a internet, sem precisar perguntar por aí.
— Ah, a parte do Guia não é mentira. Eles disseram que eu tenho esse talento.
— …
— Eu irei para casa algum dia. Até lá, posso ajudar o Ash como prometi a ele, mas não posso garantir que serei responsável por ele pelo resto da vida.
Embora se sentisse mal por despedaçar o alívio de August sobre Ash em um instante, Nine priorizou aliviar sua própria culpa por enquanto. Que tipo de resposta ele receberia? Ele seria apontado e chamado de irresponsável? Ou ele sorriria com amargura e diria que não havia o que fazer? Nine olhou calmamente para August.
August, que tinha ficado em silêncio com a boca fechada como se estivesse ligeiramente surpreso, tardiamente balançou a cabeça.
— Entendo. Há quanto tempo você está aqui?
— Há cerca de um mês.
Um mês. August pausou por um momento antes de falar em voz baixa.
— Você está bem?
— Como?
— Não tem sido difícil?
— …?
— Um mês ainda é um período em que você está mais inclinado a observar os outros do que a se adaptar. Eu estava me perguntando se você também não estaria se sentindo um pouco sozinho, Guia.
— …
Assim que ele estava prestes a deixar para lá, dizendo que estava bem e agradecendo pela preocupação, ele de repente sentiu um nó na garganta e fechou a boca.
“Eu realmente estou bem, no entanto.”
Até um momento atrás, ele se sentia perfeitamente bem, mas de repente não conseguia continuar falando. August não achou estranho não receber resposta e simplesmente sorriu com naturalidade. As palavras de alguém que tinha caminhado através dos anos carregavam peso. Eram pessoas que podiam fazer até as mesmas palavras soarem mais profundas.
Na verdade, havia um vago sentimento de ansiedade. Não tinha como não ser difícil. Tudo era desconhecido e assustador. Nine às vezes se pegava sem saber o que fazer, observando aqueles ao seu redor, sentindo uma constante sensação de estar flutuando.
Ele estava certo. Não era que Nine já tinha se adaptado. Ele apenas tinha se tornado um pouco mais acostumado a esconder sua surpresa, tentando não parecer abalado.
As pessoas, o ambiente. Parecia que não havia ninguém neste mundo que estivesse verdadeiramente ao seu lado.
— Como deve ter sido difícil sem conhecer ninguém.
Mesmo se ele fizesse novos amigos. Mesmo se ele pensasse que tinha se adaptado um pouco, Nine ainda era um estrangeiro. Quando todos os outros voltavam para seus lugares, ele não tinha para onde voltar, razão pela qual ele não tinha escolha a não ser ser mais desesperado.
Não havia tempo para não estar bem. Ele tinha que fingir estar bem mesmo quando não estava.
August deu um tapinha silencioso no ombro de Nine, cujos olhos tinham ficado vermelhos, e calmamente lhe ofereceu um lenço. Depois de um tempo, lágrimas grossas caíram de sua cabeça baixa. Eu quero ir para casa. Estou com medo. A sensação de isolamento que ele tinha tentado tanto não perceber veio com tudo, pesando fortemente sobre seus ombros.
August consolou o jovem, que apenas encarava a mesa com os olhos avermelhados, simplesmente olhando para ele. O silêncio acariciou suavemente o coração de Nine.
Às vezes, o tempo consola as pessoas. Há momentos em que as coisas melhoram apenas deixando o tempo passar sem fazer nada.
Quanto tempo eles ficaram ali sentados? Os sentimentos tumultuados tinham se acalmado. Sua visão ainda estava embaçada e seu nariz queimava, mas sua mente estava muito mais calma do que antes. August, que tinha ficado em silêncio o tempo todo esperando que ele se acalmasse, quebrou o silêncio e falou.
— Eu já fui um órfão espacial também. Então eu entendo esses sentimentos melhor do que ninguém.
— …
Agora era a vez de Nine ficar surpreso. Era a história mais chocante que ele tinha ouvido recentemente. Nine experimentou mais uma vez que, quando as pessoas ficam surpresas demais, elas não conseguem dizer nada, seus lábios se movendo sem emitir som.
August contou sua história até tarde da noite. Nine escutou atentamente a história de um homem que tinha vivido uma vida muito parecida com a situação de Nine neste mundo.
O chá de leite, que estava quente o suficiente para queimar o céu de sua boca, tinha esfriado até ficar morno.
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— Bom dia.
— Ash?
Daniel, o médico responsável por Ash, desviou o olhar para o relógio. Ele franziu a testa como se nunca esperasse ver Ash na sala de exames antes mesmo de seu horário de trabalho começar. Ash era a própria pessoa que tinha feito não apenas o Centro, mas a internet inteira fervilhar o dia todo ontem. E com um órfão espacial que estava fazendo pequenos trabalhos no primeiro andar, nada menos.
Daniel também estava ciente de vários rumores circulando dentro do Centro.
“Você sabia que ele vai ver o rosto daquele órfão espacial todo dia?”
“Aquele desgraçado estava sorrindo. É macabro.”
“Dizem que ele está andando por aí chamando ele de Guia. Minha irmã disse que ouviu ele mesmo dizer isso.”
“Eu não consegui acreditar, então fui encontrar ele eu mesmo, mas acontece que ele nem é um Guia. O garoto parecia um pouco ingênuo, talvez por ser jovem. Eu até consegui entender.”
Daniel tinha ouvido todo tipo de rumor ao longo da última semana. As pessoas no Centro realmente amavam uma fofoca e gostavam de falar dos outros. Claro, ele não acreditava em todos os rumores, mas pensava que algumas partes poderiam ser verdade até certo ponto.
Afinal, ele tinha visto pessoalmente Ash ir direto para Nine assim que saiu do portal. Além disso, Daniel era a própria pessoa que tinha dito a Ash que Nine estava fazendo pequenos trabalhos no primeiro andar da ala hospitalar.
Mesmo entre a equipe do Centro, as opiniões eram tão divididas sobre Nine ser um Guia que era impossível saber se era verdade, mas Daniel tinha seus próprios pensamentos. Ele pensou: “Ash deve ter enlouquecido.”
Mas os eventos de ontem tinham provado que a maioria dos rumores era verdadeira.
“Por que com o Ash? Foi consensual? O órfão espacial usa drogas?”
E a partir de ontem, rumores começaram a circular de que Nine estava usando drogas. Como esperado de pessoas que não conseguiam viver sem espalhar falsos boatos nem por um dia. Que bobagem. Daniel apenas balançou a cabeça em descrença.
Quando ele ouviu sobre o contrato de par deles, ficou bastante surpreso também, mas após refletir, pensou que era uma sorte para pelo menos um deles.
“Deve ter sido instinto.”
Ele tinha se perguntado o porquê, mas parecia que Ash tinha reconhecido instintivamente seu Guia à primeira vista. Quando Ash estava andando por aí fazendo todo tipo de coisa estranha para se associar ao órfão espacial, Daniel tinha ficado perplexo, mas agora entendia o motivo.
Ele também pensou que não era à toa que a onda de habilidade de Ash tinha se estabilizado. No final, os resultados dos testes de Ash estavam corretos.
Claro, até mesmo Daniel achava que formar um contrato de parceria dentro de uma semana era precipitado demais. Aquele desgraçado está fora de si.
— O que você está fazendo aqui sem nem ligar?
Daniel perguntou a Ash com os olhos arregalados.
Agentes de Portal eram obrigados a frequentar a ala de exames hospitalares do Centro por uma semana inteira após saírem do portal. Isso acontecia porque o período de incubação da chamada “gripe do portal” era de cerca de três a sete dias.
Mas aqui estava Ash, que não precisava mais vir aqui já que o período de incubação já tinha passado, rastejando para a sala de exames por conta própria.
↫ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki