Ato 5, 02
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇 Ato 5: O Dever do Guia 02 ִֶָ་༘࿐
— Nine, você ainda não viu um portal, viu?
— Eu só vi fotos.
— Não parecia similar ao que você acabou de ver?
Será? O portal nas fotos tinha uma qualidade tão ruim que parecia apenas um círculo negro.
— Não parecia que um espaço diferente se moveu de repente bem na sua frente?
Nine acenou com a cabeça vigorosamente. Parecia que o espaço do corredor tinha sido transportado para dentro daquele quarto. Pensando por esse lado, ele conseguia entender um pouco por que Ash disse que parecia similar a um portal.
— Mas portais são diferentes de transferências espaciais. Não há conexão natural, é apenas desconectado de forma abrupta. Como uma baleia no deserto. Isso é tudo o que eu consegui entender sobre isso.
Ash apoiou o queixo no ombro de Nine e murmurou:
— …Depois disso, foi normal. Aquele treinamento especial foi a primeira e última vez. Acho que eles perceberam que não era o que queriam, mesmo que fosse parecido. Depois, aprendi coisas não muito diferentes de outros espers. Às vezes estudando escrita, treinamento de combate também. Quanto ao treinamento de habilidades individuais… quem poderia me ensinar? Sou o único com habilidades de manipulação espacial.
— Foi assim que eu vivi. – disse ele. – Bem normal, certo? – Ash perguntou com um sorriso profundo no rosto.
“Será que ele não sabe o que ‘normal’ significa?”
Nine ficou um pouco pasmo ouvindo uma história de vida que nunca tinha ouvido antes.
Pensando bem, considerando o que ele tinha vivenciado desde que caiu neste mundo, talvez os padrões fossem um pouco diferentes. Coisas que não eram nada de especial para as pessoas daqui pareciam tesouros para ele, e o modo de pensar delas também era muito diferente do processo de pensamento de Nine. Cada dia no Centro estava cheio de coisas estranhas e não familiarizadas.
E Ash disse que tinha crescido no Centro de Despertados desde novo. Ele devia ter vivido uma vida que Nine nem conseguia imaginar, entrando e saindo de “portais” tão facilmente quanto fazia as refeições. O extraordinário de Nine era o ordinário de Ash. Por outro lado, ocorreu-lhe de repente que o que parecia óbvio, irrelevante e até entediante para ele poderia soar fascinante para Ash.
— Então você faz treinamento de combate e esse tipo de coisa.
— É claro.
— …Mas o que exatamente vocês aprendem? Esgrima?
Pensando bem, ele não tinha visto ninguém carregando espadas aqui. Era uma cena muito comum de onde Nine vinha. As pessoas tinham que se proteger quando os monstros desciam da floresta, ou poderiam se machucar seriamente.
— Nem existem pergaminhos mágicos aqui. Como vocês lidam com situações perigosas?
— Nós não usamos espadas… mas temos armas no lugar. Aprendemos tiro ao alvo. Combate corpo a corpo também é essencial.
— Ah, atirar?
Certo, havia armas.
— Eu já aprendi isso antes.
Quando Nine tentou exibir seu conhecimento, Ash pareceu surpreso, como se fosse inesperado. Então ele perguntou:
— Por que você precisaria aprender uma coisa dessas?
Ele parecia pensar, assim como os outros, que Nine tinha sido criado como uma delicada flor em uma estufa.
— Você sabe como fazer todo tipo de coisa inesperada. Nine, o que mais?
— …Emm, eu sei andar a cavalo.
Nine percebeu que as “histórias interessantes” que Ash queria não precisavam ser tão especiais. Ele ouvia com interesse tudo o que Nine tinha a dizer. Os dois, que tinham vivido vidas tão diferentes, achavam as histórias um do outro estranhas e fascinantes. O dia a dia de Nine soava extraordinário da perspectiva de Ash.
Apenas quando sua garganta começou a doer de tanto falar é que Nine percebeu quanto tempo tinha passado. Ele esteve tão entretido na conversa com Ash que perdeu a noção do tempo.
Parecia que Ash não tinha intenção de deixá-lo ir a menos que ele falasse primeiro. Nine mexeu na manga sob sua mão e murmurou:
— Mas eu gostaria de ir me lavar agora…
— Ah, é mesmo? Vamos nos levantar então?
Àquelas palavras, Nine se levantou rapidamente. Liberdade finalmente! Ele não tinha percebido enquanto estava sentado parado, mas conforme se levantou e se espreguiçou, suas costas pareciam um pouco rígidas. Sua alegria durou pouco quando Ash se levantou sem pressa depois de Nine e se curvou para pegar a bolsa dele. Ele colocou as roupas que Nine tinha tirado de volta para dentro da bolsa.
Foi um momento de confusão sobre o porquê de Ash estar de repente arrumando seus pertences. Sua visão virou de cabeça para baixo em um instante, como se estivesse folheando fotos.
— …!
Quando um zumbido atingiu seus ouvidos, Nine reflexivamente cobriu a boca. Quantas vezes hoje…? Desta vez ele não sentiu vontade de vomitar. Mas, em vez de náusea, um xingamento escapou de seus lábios.
— Ugh!
Thump! Nine cotovelou Ash com força no estômago e se libertou do abraço dele. Ash soltou um gemido e agarrou o estômago. Julgando por suas queixas sobre a dor, ele parecia estar bem.
“Onde é aqui?”
Diferente da residência do Centro organizadamente disposta esperando pelos dois, este espaço era muito bagunçado. Estava cheio de sinais de vida, como se alguém estivesse morando ali até momentos atrás.
Conforme Nine olhava ao redor, ele ficou sem palavras ao notar alguns itens muito familiares colocados entre os móveis de madeira de aparência antiga.
— …?
Eram coisas que Ash tinha extorquido dele ao longo do tempo. Uma caneca com uma estampa de carinha sorridente amarela com um saquinho de chá seco e torcido deixado abandonado dentro, e o cobertor de Nine estava bagunçado sobre a cama. Guardanapos com o logotipo do Centro estavam espalhados de qualquer jeito pelo chão.
Era uma bagunça completa, mas todos os itens que compunham aquela bagunça pertenciam a Nine. Conforme ele identificava cada objeto, memórias dos dias em que os perdeu vieram à tona.
“Espere, se você não ia cuidar deles de qualquer forma, por que pegou…? Para que servem?”
Nine piscou devagar, confuso.
— Onde é aqui?
— É a minha casa. Fica a 30 minutos de carro do Centro.
— …?
— O mundo exterior.
Não um dormitório, mas uma casa? Até mesmo fora do Centro?
— E quanto ao dormitório?
— É barulhento demais para dormir lá.
— …?
— Com os sons de gemidos à noite… bem, não é muito diferente durante o dia. Não é diferente de um zoológico. Não é um lugar onde as pessoas consigam manter a sanidade.
Ah, aqueles sons… Sinceramente, Nine conseguia simpatizar até certo ponto. Ele tinha ficado brevemente no dormitório dos funcionários regulares, nem mesmo no dormitório dos Despertados, e mesmo naquele prédio havia pessoas que faziam sons bizarros de gemidos à noite sem consideração pelos outros.
O dormitório dos Despertados devia ser ainda pior. Era vergonhoso só de pensar nisso.
— De agora em diante, você vai ficar aqui comigo.
— …Isso é permitido?
— Não deveria ser.
Ele disse que estava descaradamente quebrando as regras sem a menor mudança em sua expressão. Seu tom era tão sem vergonha que Nine quase aceitou com um “Entendi”.
Quando Nine inconscientemente olhou para cima, a vista do lado de fora da janela veio à tona. Uma paisagem quieta e branca com neve acumulada no amplo jardim. Embora não houvesse uma única árvore à vista e estivesse desolado devido à falta de manutenção adequada… ele gostou apenas por sua imensidão.
E estava extremamente silencioso ao redor. A ausência de barulho humano por perto era uma vantagem maior do que se poderia pensar.
— Vamos limpar o quarto.
Mas Nine pensou que absolutamente não conseguiria viver em um lugar tão bagunçado. Se deixado assim por muito mais tempo, poderia até atrair insetos.
— Você vai usar o quarto ao lado.
— Nós vamos usar quartos separados?
— …
Ash encarou-o sem reação, e um silêncio constrangedor caiu entre os dois. Nine então percebeu que tinha falado algo errado. Um sorriso provocante se espalhou pelos lábios de Ash.
— Por quê? Sentindo-se um pouco desapontado agora que eu disse que usaremos quartos diferentes?
— Não é isso…
— Deveríamos dormir juntos? Eu não me importo se você estiver bem com isso.
— Eu não quero isso. Eu não quero.
Nine balançou a cabeça vigorosamente, desnorteado.
Foi então. O olhar de Ash, que parecia prestes a provocá-lo, mudou o olhar para atrás dele.
— Eles estão aqui…
— …?
— Eu vou guiar você quando você sair.
Uma força invisível empurrou Nine para fora, bem em frente à porta. Ele esteve grudado como uma sanguesuga momentos atrás, e agora recebia uma dispensa abrupta.
Ele é uma pessoa tão imprevisível. Nine se virou descontente enquanto segurava a maçaneta, pego de surpresa.
— …?
Ash já estava começando a se despir, puxando a parte de cima pela cabeça antes mesmo de Nine ter saído do quarto. Nine tomou um susto. Ver a ampla extensão de suas costas exposta o fez perceber que estava no espaço privado do homem.
“Huh?”
A cabeça de Nine se inclinou em confusão por um momento. Uma longa cicatriz nas costas do homem chamou sua atenção. A cicatriz, correndo diagonalmente de sua cintura até a escápula, já tinha desbotado o máximo possível. Julgando por seu estado, era mais provável ter ocorrido há muito tempo do que recentemente.
“Está no mesmo lugar.”
Era muito misterioso para ser uma coincidência. Nine tinha uma cicatriz similar na mesma posição em suas costas. Tinham lhe dito que era uma marca deixada de quando ele era novo, brincando perto de uma figueira e sem saber se arranhando em uma cerca de arame.
Embora ele próprio não conseguisse se lembrar de nada, não era comum ter cicatrizes de tamanho similar na mesma localização. Aquele homem também negligenciou um arranhão e acabou com uma cicatriz? Nine não conseguiu esconder sua fascinação enquanto encarava, perdido em pensamentos.
↫ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki