Ato 4, 06
𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇 Ato 4: Guia Inútil 06 ִֶָ་༘࿐
Uma semana se passou desde a promessa de Ash. Ele visitava Nine todos os dias para lembrá-lo de quantos dias faltavam para voltar.
— Faltam três dias.
— Dois dias. Você não esqueceu, esqueceu?
— Finalmente é amanhã, Nine. Estou ansioso por isso.
Com Ash o visitando diariamente dessa forma, era impossível esquecer mesmo se Nine quisesse. No fim das contas, Nine se pegava pensando em Ash constantemente, exatamente como o outro homem havia desejado. Na noite passada, seus pensamentos o fizeram rolar na cama até ele acabar passando a noite em claro.
“Mas há algum sentido em me preocupar com isso?”
Para voltar para casa, ele precisava da ajuda daquele homem, o que significava aceitar sua proposta. Embora parecesse que ele tinha uma escolha na superfície, a menos que encontrasse uma alternativa, a resposta já estava decidida.
“Mas por quê?”
Certamente Ash devia ter algo a ganhar ao fazer essa proposta, mas que benefício Nine se tornar um Guia poderia trazer a ele?
Nine não passou a semana apenas se agonizando sem fazer nada. Ele havia perguntado a Chad exatamente o que os Guias fazem. Ele pensou que haveria uma diferença entre as palavras açucaradas da equipe de recrutamento do RH e as histórias dos Espers que trabalham no campo, lidando com Guias de verdade.
E o julgamento de Nine estava razoavelmente correto. Ao contrário da equipe do RH, que tentava atrair com conversas sobre diferenças salariais, vida confortável e vários benefícios de bem-estar do Centro, os Espers deram explicações claras sobre o que os Guias realmente fazem.
O papel de um Guia é ajudar os Espers no uso de suas habilidades. Aqui estava o que Nine estava mais curioso para saber: como exatamente funciona a orientação?
Existem dois métodos principais de orientação: a orientação radiativa, que é feita sem contato físico, e a orientação por contato, que envolve contato direto com a pele.
A orientação radiativa tem a vantagem de ser capaz de guiar múltiplos Espers ao mesmo tempo, enquanto a orientação por contato foca em uma pessoa intensamente, permitindo uma supressão mais rápida de surtos. É claro que a última é mais eficiente.
Nine rapidamente percebeu que a orientação por contato não terminava apenas com um aperto de mãos. Os Espers davam risadinhas debochadas enquanto faziam gestos obscenos com as mãos ao falar sobre isso, e os despertados que eram próximos se beijavam apaixonadamente em locais públicos, sem se importar com quem estivesse olhando.
Acaso essas pessoas nascidas como humanas não têm nenhum senso de vergonha? Se tivessem qualquer consciência dos olhares alheios, não poderiam agir assim. Nine pensou que o mundo estava chegando ao fim enquanto os observava.
“Suspiro. Eu deveria ir trabalhar.”
Nine decidiu colocar suas preocupações intermináveis de lado por um momento. Ao abrir a porta um pouco mais cedo do que seu horário habitual de saída, ele encontrou um rosto familiar no corredor.
— Bom dia.
— …Ash?
Era alguém que não deveria estar ali. O homem que tinha vindo inesperadamente ao dormitório dos funcionários regulares cumprimentou Nine alegremente. No entanto, ele ficou mais chocado com a cena atrás de Ash do que com sua presença.
A maioria das portas na direção de onde Ash tinha vindo estava aberta. Nine nunca tinha visto tantas pessoas fora de seus quartos assim tão cedo. Olhares nada amigáveis estavam direcionados para a nuca de Ash desde o início da manhã. Não muito longe dali, um homem ainda com xampu no cabelo abriu a porta e gritou:
— Quem é? Quem tocou a campainha e correu?
Ash sorriu suavemente, como se nada estivesse errado.
— Vim para ouvir sua resposta.
— …
— Mas havia tantos quartos, e eu não sabia onde você estava…
Ele riu baixinho, quase com cócegas.
— P-por que ele está falando assim? — alguém murmurou para si mesmo.
Aqueles que testemunharam Ash sorrindo com uma expressão que nunca tinham visto antes fizeram, coletivamente, caras como se tivessem visto algo repugnante e voltaram para seus quartos, batendo as portas com força.
— …
Então ele havia tocado todas as campainhas no caminho até aqui. Nine aplaudiu internamente. Era impressionante em muitos aspectos como esse homem conseguia fazer tal coisa e ignorar completamente os olhares alheios sem um pingo de culpa.
— Você tomou sua decisão?
Ash inclinou a cabeça levemente.
— O que você decidiu fazer?
— …
— Nine, você ainda está meio dormindo?
Seu sorriso convencido, como se já soubesse a resposta, era irritante.
— …Eu tenho que fazer isso.
Nine murmurou timidamente, resignado. Foi “eu tenho que fazer” em vez de “eu vou fazer”. Sem outras alternativas, não havia escolha. Embora não soubesse exatamente o que esse homem queria, por enquanto, ele tinha que aceitar. Ouvindo a resposta imediata de Nine, os cantos da boca de Ash se esticaram em um amplo sorriso.
— Você tomou uma boa decisão.
Parecendo satisfeito, ele abruptamente colocou a mão no ombro de Nine.
— …!
Nesse momento, Nine experimentou uma sensação fora do corpo. Era como se seu corpo estivesse sendo sugado para algum lugar. Com a sensação de que o espaço ao seu redor estava ondulando, o cenário diante de seus olhos mudou em um instante.
Nine, que estava parado no corredor do dormitório, de repente se viu em frente à enfermaria onde trabalhava. Ele pensou que poderia ser um sonho, mas não era. O som dos pássaros cantando e o vento bagunçando seu cabelo pareciam reais demais.
Essa era, sem dúvida, a habilidade de Ash. Embora Nine já o tivesse visto remover outras pessoas ou usar a habilidade para desaparecer ele mesmo, essa era a primeira vez que experimentava isso diretamente.
“Eca, estou me sentindo enjoado.”
Nine cambaleou, cobrindo a boca com a mão. Seu estômago revirou. Uma onda de náusea acompanhada pela vontade de vomitar surgiu, como se ele tivesse suportado uma viagem de uma hora em uma carruagem por uma estrada esburacada. Sem nada no estômago, apenas saliva clara saiu.
Ash segurou o pulso de Nine enquanto ele tropeçava e entrou no prédio da enfermaria, arrastando-o para além de seu local de trabalho, em direção a outro lugar. Eles subiram as escadas em vez de pegar o elevador. Quando Nine caiu em si, eles haviam chegado a um lugar que ele já tinha visitado antes.
Era a sala de exame de compatibilidade.
— Por que estamos…
Antes que Nine pudesse terminar sua pergunta, sentindo algo nefasto, Ash entrou sem bater.
— …!
A mulher que estava cochilando no balcão deu um pulo de susto. Ela inconscientemente limpou a boca antes de reconhecer as pessoas paradas à porta.
— …
— …
Ela olhou de Nine para Ash e vice-versa com uma expressão vaga, como se estivesse vendo um fantasma. Então perguntou em um tom perplexo.
— O-o que traz vocês aqui?
Ela ainda está meio dormindo? Por que Ash viria aqui por vontade própria? Ela mexeu os lábios em silêncio. Ignorando a pergunta da mulher e entrando como bem entendia, Ash cantarolava uma melodia enquanto apoiava o braço no ombro de Nine, tratando-o como um descanso para o braço. A mulher beliscou a própria bochecha com força enquanto observava Ash caminhar para dentro da sala de exame por iniciativa própria.
— Ai…
A dor foi aguda o suficiente para trazer lágrimas aos seus olhos, confirmando que aquilo não era um sonho. Nesse caso… Ela correu para a sala de exame atrás dos dois, fazendo uma cara lastimável.
— Você não pode!
Aquele maldito Esper deve ter vindo para destruir o prédio de novo. Mas este lugar, que tinha acabado de ser reformado há uma semana, não era um alvo adequado para destruição.
“Eu não quero passar frio.”
Hueeung. Ela chorou por dentro. Ela estava tão feliz que o sistema de aquecimento quebrado tinha sido consertado, mas agora pensava em ter que trabalhar tremendo de frio novamente, e isso a dava vontade de chorar.
— Esper-nim!
Reunindo a coragem de uma semana inteira, ela bloqueou o caminho de Ash. Olhando para o rosto aterrorizado da mulher enquanto ela abria os braços, Ash perguntou em um tom intrigado.
— O que foi?
— Você não pode fazer isso aqui… Há muitos outros lugares com mais coisas para destruir.
A mulher, tendo percebido agudamente a importância de um sistema de aquecimento nas últimas semanas, escolheu parar o notório Esper em vez de trabalhar tremendo de frio.
— Destruir? O quê?
Nine olhou para Ash e perguntou. Ash olhou para ele uma vez, depois voltou seu olhar para a mulher. Consciente do olhar de Nine, Ash sorriu levemente, como se estivesse arrependido, e disse:
— Não invente histórias.
— O quê? Mas antes, Esper-nim…
— Quando foi que eu fiz alguma coisa, hm? E você me conhece? Sinto que estou vendo você pela primeira vez hoje.
— …
P-por que ele está agindo assim de repente? Por que ele está sorrindo tão docemente? A mulher estremeceu de medo com a voz gentil e não familiar que, de alguma forma, lhe causava arrepios.
Ash isolou momentaneamente os ouvidos de Nine do espaço ao redor, separando o ambiente. Só então ele voltou ao seu tom frio habitual e falou.
— Esta pode ser sua última chance, então aproveite enquanto pode.
Huuesung abaixou a voz e a avisou com calma. A temperatura de sua voz era claramente diferente de quando ele estava lidando com Nine.
— …Chance?
Que chance ele estava dizendo para ela aproveitar…
— …!
Ela encarou ele fixamente antes de se lembrar de repente de onde trabalhava.
“A sala de exame de compatibilidade!”
Só então ela percebeu o real propósito de os dois terem vindo até aqui, e seus olhos se arregalaram em choque.
— Vocês vieram para um exame de compatibilidade?!
Santo Deus. Isso era um sinal do fim do mundo!
Enquanto ela cobria a boca em grande surpresa, Ash também se encolheu e expressou seu descontentamento com um “Ah, você me assustou.”
Claro, ficar surpresa era uma coisa, mas trabalho era outra matéria. A mulher disse para eles esperarem um momento e se apressou. Mesmo que o mundo fosse acabar amanhã, o trabalho de hoje tinha que ser feito hoje. Antes que aquele homem imprevisível mudasse de ideia!
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࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki