Ato 4, 04
𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇 Ato 4: Guia Inútil 04 ִֶָ་༘࿐
Ash pegou o livro que Nine esteve lendo até momentos atrás. Era um presente de Esper, que tinha saído e trazido o que afirmava ser o romance mais vendido nas livrarias ultimamente. Ash ergueu a cabeça de repente e olhou para Nine. Seus olhos brilhavam de forma estranha. Ele respondeu antes que Ash pudesse abrir a boca.
— Pode ficar.
Ele já tinha terminado de ler o livro de qualquer forma e, mesmo que não quisesse doá-lo, não era como se pudesse fazer algo a respeito. Assim que Ash demonstrava interesse, era justo dizer que a posse já havia sido transferida.
Ash deu uma risada discreta enquanto guardava o livro no bolso.
— Eu não estava pedindo, mas já que está me dando, vou aceitar.
Seus olhos entreabertos se curvaram suavemente. Ash colocou a mão no bolso e jogou um punhado de doces bem na frente dos olhos de Nine. Era o pagamento pelo livro e um escambo indesejado para Nine. Para ele, que não gostava particularmente de doces, aquilo não passava de um lixo incômodo para descartar.
— Ah, abre a boca.
Ah? Nine abriu a boca, surpreso. Ash desembalou um pirulito e o colocou diretamente na boca de Nine. Um sabor artificial de fruta preencheu sua boca.
— Chega. Eu não quero.
Nine franziu a testa, empurrou o doce para fora com a língua e o cuspiu. Ash inclinou a cabeça, parecendo confuso.
— É sabor laranja.
— …
— Você não gostava disso?
Nine se sentiu um pouco estranho com o tom confiante. Era esquisito como Ash agia como se soubesse tanto sobre ele. Claro, era uma informação que qualquer um saberia se prestasse o mínimo de atenção. Nine ocasionalmente bebia suco de laranja espremido na hora no café subterrâneo, e parecia que Ash tinha feito essa suposição com base nisso. Até Chad, de quem Nine mais extraía sangue, costumava dizer: “Por que você sempre bebe essas coisas?”
— Eu posso até gostar de suco, mas não me importo muito com doces.
— Por que não?
— Não dá para comer rápido. Parece que está apodrecendo meus dentes.
Ash, que já tinha franzido a testa a essa altura, encarou Nine fixamente. Seu olhar era peculiar. Era a primeira vez que alguém olhava para ele daquela forma só por não comer um pedaço de doce. Nine engoliu em seco inconscientemente e até desviou o olhar dos olhos de Ash.
— Que desperdício. Então eu como.
Aproveitando o olhar distraído de Nine, Ash rapidamente pegou o doce descartado, colocou na própria boca e se levantou. A ação foi tão natural que nem deu tempo de apontar o que havia de errado naquilo naquele momento.
— …
Depois que Ash saiu, Nine suspirou diante dos vestígios que ele havia deixado em sua mesa mais uma vez. Não importava o que ele guardava tanto nos bolsos, toda vez que vinha, a mesa de Nine ficava acumulada com petiscos pelos quais ele não tinha o menor interesse. Não passavam de pedaços de açúcar.
Havia um problema ao tentar doá-los para outras pessoas. Assim que ele mencionava que eram de Ash, após perguntarem de onde vinham as guloseimas, ninguém mais queria aceitar. Diziam que podiam estar envenenadas. Era um absurdo, mas Nine não oferecia duas vezes.
Bem, elas não eram incômodas a ponto de forçá-las sobre pessoas que não as queriam. Os doces simplesmente continuavam se acumulando em sua gaveta.
A enfermaria tinha suas temporadas agitadas. Era assim quando havia feridos demais logo após os treinamentos ou quando uma gripe forte se espalhava pelo Centro. Quando havia um afluxo de pacientes e uma longa fila de espera para atendimento, os Espers com ferimentos leves às vezes recebiam primeiros socorros no saguão da enfermaria e eram mandados de volta.
No início, Nine, sendo o nível mais baixo de todos, só podia assistir do lado de fora. Mas quando a quantidade de pacientes aumentava, não apenas a equipe médica, mas também o saguão ficava tão movimentado que todos desejavam poder pedir qualquer ajuda extra.
— Com licença.
— …
— Acho que eu poderia ajudar um pouco com primeiros socorros básicos.
Nine aproveitou a oportunidade e deu um passo à frente silenciosamente. Todos achavam que não tinha nenhum conhecimento médico, então nem esperavam nada, mas Nine se destacou mostrando suas inúmeras certificações e o fato de ter cursado magia de cura por seis anos. O que deu mais credibilidade foi a menção de ter feito pequenos trabalhos durante alguns meses de treinamento prático em um hospital.
A equipe médica, é claro, hesitou no começo. Mas quando o deixaram tentar curar ferimentos leves durante o aperto, suas mãos se mostraram bastante habilidosas. Ele entendia com precisão onde doía e fornecia um tratamento impecável. Às vezes usava métodos de tratamento um pouco únicos, mas isso costuma acontecer.
Além disso, os Espers que recebiam tratamento dele não poupavam elogios a Nine. Foi assim que ele ficou encarregado de tratar ferimentos leves quando a enfermaria estava particularmente movimentada.
— Curiosamente, as feridas parecem cicatrizar rapidamente depois que o Nine as trata.
— …
A mão de Nine parou por um momento quando ele estava prestes a aplicar um curativo regenerativo no ferimento de um Esper cujo curativo leve ele tinha acabado de fazer. Mas ele prosseguiu calmamente para concluir o tratamento, como se nunca tivesse hesitado. Houve um breve intervalo entre suas ações, mas não o suficiente para o Esper achar estranho.
— Aconteceu antes também, quando ralei meu antebraço. Sabe como é, quando acordei e fui me lavar, tirei o curativo e não havia ferida alguma?
— Você deve ter capacidades de recuperação incríveis.
— Como se eu nem estivesse machucado desde o início.
— Uau.
Seu tom era tão rígido quanto se estivesse lendo um livro didático. Apesar da resposta bastante insincera, o Esper, absorto em seus próprios pensamentos, continuou a tagarelar sem prestar atenção.
— Mas mesmo assim, para uma ferida cicatrizar sem deixar vestígios em menos de um dia… Ah, verdade! Eu vi a ata da reunião, dizia que você era um mago, não é?
Será que ele é disléxico? Não é o caso. Nine respondeu calmamente.
— Eu disse que não era. Leia direito.
— Isso é realmente magia que você está usando? Ah! Então isso é uma poção mágica?
— …
O Esper pegou uma pomada comumente soldada em lojas e continuou a tagarelar.
— Elas são feitas por bruxas? É realmente possível voar em cabos de vassoura? Vocês usam gatos pretos como familiares? Por que não gatos brancos? E as maldições são reais? O poder mágico realmente aumenta em noites de lua cheia?
Do que ele está falando?
— Terminamos. Tente se levantar.
Nine ignorou suas palavras e o ajudou a se levantar. O Esper se levantou e desdobrou as barras das calças que havia puxado para cima. Era um caso em que ambos os joelhos foram ralados durante o treinamento ao ar livre. Ele se maravilhou, tocando desnecessariamente a área ferida sob as calças, dizendo que não o incomodava em nada.
— Parece que já curou.
— Você é realmente incrível.
— Não sou eu quem é incrível, é você.
Ele olhou para Nine com um rosto que parecia já saber de tudo e abriu um sorriso. A pomada em seus dedos balançava para frente e para trás.
— Isso é uma poção mágica, não é?
— Se você gosta tanto, pode levar.
— Ah, qual é. Não é isso? Me conta que tipo de magia você usou em mim.
— …
Nine encarou o Esper sem dizer uma palavra. As pessoas que estavam ouvindo a conversa por perto começaram a olhar para Nine com pena. Era um olhar como se estivessem vendo uma vítima que infelizmente tinha encontrado uma pessoa estranha.
— Se estiver pensando em vender poções mágicas, me avise!
— Claro.
— Ah, sério? Quer que eu te passe meu contato?
— Não. Por favor, vá embora.
Nine deu a desculpa de estar ocupado enquanto arrumava o kit de primeiros socorros espalhado no chão e rapidamente mandou o Esper embora.
Um paciente que esteve olhando para ele com pena durante todo o tempo o encorajou, dizendo: “Você deve estar passando por um momento difícil”. Nine sorriu sem jeito para ele e guardou o líquido translúcido que estava escondendo nas costas no bolso.
“Essa foi por pouco. Ele realmente entende de poções mágicas.”
Na verdade, metade do que aquele Esper disse estava certo e a outra metade estava errada. Não era a pomada, mas o líquido usado para desinfetar a ferida inicialmente que era a poção mágica especial de Nine. Mas…
“Ainda é uma falha.”
Nine suspirou e riscou a receita de combinação escrita em seu caderno.
O que ele originalmente queria criar era uma solução de reação de mana. Uma poção mágica que reage com a mana e visualiza os circuitos de mana emitindo luz.
“Eu estava planejando borrifar secretamente a solução de reação de mana por todo o corpo dos Espers e observar seus circuitos de mana…”
Mas ele falhava toda vez que tentava fazer. Era porque não conseguia obter facilmente os ingredientes necessários aqui como conseguia na academia.
Simplesmente combinar todos os ingredientes não produz o mesmo efeito de uma poção mágica. Um mago especializado nessa área precisa infundir sua própria mana enquanto fabrica a poção para que ela seja eficaz. Mas na situação de Nine, ele não podia usar manipulação de mana de forma alguma, então esse método era impossível.
“Claro, há uma solução alternativa.”
É simples. Basta usar poções mágicas já fabricadas por magos.
Uma vez infundidas com mana, as poções mágicas não perdem suas propriedades inerentes, mesmo quando misturadas com outros ingredientes ou remédios. No caso de Nine, como ele se formou em magia de cura, tinha uma quantidade bastante grande de poções para curar ferimentos. Se despejada sobre uma lesão, uma nova carne se formaria instantaneamente, e o simples fato de bebê-la poderia curar a maioria das lesões internas.
Ele não podia usar as poções mágicas em sua forma original. Não havia necessidade de anunciar que possuía tais coisas. Ele não queria se destacar aos olhos dos outros fazendo coisas que não eram consideradas normais pelos padrões deste mundo.
Dado que sua mera existência já o fazia se destacar, Nine achava que não era bom ser comentado pelas pessoas mais do que isso.
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࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki