Ato 1, 09
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇Ato 9: Criança Perdida no Espaço་༘࿐
— Nine, me desculpe, mas posso lhe perguntar uma coisa?
O homem que estivera acalmando a Esper do fogo tomou a palavra despreocupadamente. Nine, que estivera encarando a mesa incapaz de esconder sua expressão preocupada, finalmente ergueu o olhar para encontrar os olhos do homem.
— O que é?
— Estou curioso — a magia realmente existe na sua dimensão?
Em vez de responder, Nine lançou um olhar para a Esper do fogo.
“Não tem uma mágica bem ali…? Por que ele está perguntando isso?”
Nine inclinou a cabeça, intrigado com o motivo de estarem fazendo aquela pergunta.
— Magia… existe, não é?
Notando o tom cauteloso e a entonação ascendente de Nine, o homem adotou uma atitude mais gentil e disse:
— Não é nada sério, estou só perguntando por curiosidade, então você não precisa ficar desconfiado. Mais cedo, você mencionou algo sobre mágicos para a Flora, não foi?
Parecia que o nome da mulher que manejava o fogo era Flora. Quando seus olhos se cruzaram, ela disse — Sou eu — com um sorriso brincalhão. Nine sorriu de volta sem graça.
— Você também consegue usar magia, por acaso?
— …
Nine hesitou diante daquelas palavras, incapaz de responder de imediato. Seu olhar vacilou levemente.
— Nine?
Ah. Recobrando os sentidos tardiamente, Nine respondeu com um sorriso sem graça.
— Não. Eu não consigo usar.
Quando era mais novo, a ausência de uma habilidade que todos os outros membros da realeza pareciam possuir o tinha feito chorar amargamente às vezes, mas isso já era passado. Agora, tais palavras não doíam mais particularmente.
Nine não é um mágico. Mas aprendeu a amar a si mesmo mesmo sem ser um mágico. Foi graças às pessoas ao seu redor. Apesar da ausência de poder mágico, ele cresceu recebendo muito amor e naturalmente adquiriu a capacidade de superar suas deficiências.
Enquanto havia até conflitos sangrentos pelo trono na família imperial Seonson, os irmãos mais velhos de Nine e aqueles próximos a ele apenas o estimavam. As pessoas ao seu redor tiveram um papel enorme para que o menininho lento e desatento que era Nine crescesse tão íntegro.
Eles nunca traziam à tona a ausência de poder mágico e simplesmente tratavam Nine como ele era — como um irmãozinho fofo, como um filho, como um amigo. O próprio Nine tinha plena consciência disso, o que o fazia querer corresponder ainda mais às expectativas daqueles que o estimavam.
— …Eu quero ir para casa.
Quando Nine murmurou baixinho numa voz abatida, a sala de reunião inteira ficou em silêncio. Ninguém ousou oferecer palavras apressadas de consolo.
O resto da reunião foi inteiramente dedicado a discutir a situação dele. Nine agora conseguia entender por que o quarto que ele achara ser um quarto de hóspedes era tão pequeno.
Associação de Gestão dos Despertos.
Comumente chamado de Central dos Despertos, aquele lugar não era a mansão de um nobre com vários mágicos a serviço. Em vez disso, parecia mais uma instituição acadêmica onde mágicos se reuniam para trabalhar e conduzir pesquisas. Se era esse o caso, fazia sentido por que as condições eram tão precárias.
“Bem, é assim que funciona em situações de vida em grupo.”
De qualquer forma, o dormitório da academia que Nine frequentara também não era exatamente um ambiente confortável. A isolação acústica era péssima. Quando o cara do quarto ao lado roncava à noite, ele tinha que cobrir os ouvidos com um travesseiro e se forçar a dormir, então isso dizia tudo.
O diretor da central propôs providenciar acomodação para Nine perto da central de acordo com o programa de gestão de órfãos espaciais e ajudá-lo a se adaptar encontrando um emprego mais tarde, mas Nine recusou.
— Não há nenhum emprego disponível aqui?
— Como?
— Qualquer bico serve para mim. Limpeza, cozinha… Vou trabalhar duro no que quer que vocês me designem. Eu quero ficar e trabalhar aqui.
Nine falou com sinceridade, mas com entusiasmo ao mesmo tempo. Se ele fosse ficar naquela dimensão nem que fosse por pouco tempo, queria permanecer num lugar o mais próximo possível da essência da dimensão.
Era por isso. A causa de Nine ter caído naquele lugar desconhecido era o portal, e aquele era também o lugar que conduzia pesquisas sobre esse portal.
Fosse para se adaptar ao ambiente ou para se preparar para voltar, ele julgou que não havia lugar melhor do que ali. Embora tivesse motivos suficientes para sua decisão, Nine não explicou em detalhes tudo o que se passava em sua cabeça, então as pessoas pareceram um tanto surpresas com sua decisão.
— Não, não, nós podemos ajudar você a se adaptar o suficiente mesmo se você for para fora. Este lugar é onde os Despertos de fato vivem e treinam. É perigoso demais para um civil como você ficar…
— Não há nenhuma maneira? Eu gosto daqui.
— …
Ele não só disse que estava tudo bem, mas que de fato gostava. As expressões das pessoas ficaram estranhas diante das palavras de Nine de que ele queria ficar na Central de Gestão dos Despertos, disposto a fazer qualquer tipo de trabalho. Normalmente, eles deveriam ter recusado com firmeza, dizendo que não era possível, mas o órfão espacial se agarrava persistentemente ao seu ponto de vista. Com um olhar aturdido no rosto, ele estava desnecessariamente teimoso.
— Bem… é sem precedentes. Vamos analisar uma vez.
Trocando olhares entre si, eles se esquivaram da questão, dizendo que discutiriam para refletir a opinião de Nine tanto quanto possível e o avisariam mais tarde.
✦•┈๑⋅⋯ ⋯⋅๑┈·✦
A maioria das pessoas ou reverência ou se sente desconfortável com a existência dos Espers. É porque elas os consideram seres completamente diferentes de si mesmos.
“Iih! M-monstro…!”
Especialmente os órfãos espaciais, incapazes de compreender o conceito de habilidades sobrenaturais, frequentemente desmaiavam de medo dos Espers que tentavam ajudá-los.
— …
Mas o órfão espacial diante deles, longe de desconfiar dos Despertos, estava… mesmo depois de a reunião terminar, ele ficava grudado nos Espers e explorava suas habilidades com um rosto inocente.
— Então você espatifou isto só com força física pura?
Nine não conseguia esconder a empolgação enquanto olhava para a mesa grossa nitidamente partida em duas. O Esper que era o culpado por trás de espatifar a mesa disse com indiferença:
— Você mesmo viu.
— E você nem se machucou.
— Eu já falei, sou um Esper do tipo aprimoramento físico. Se eu me machucasse com uma coisa dessas, não seria diferente de um civil.
— Qual é o alcance possível do aprimoramento? Você consegue aplicá-lo ao corpo inteiro? Não força os seus ossos? Existe uma estrutura separada para absorver o impacto? Ah, então, se eu te acertasse com um martelo…
— …
— Estou brincando. Posso só te tocar?
Seus olhos azuis cintilavam incessantemente de curiosidade. Vendo-o tagarelar animadamente, era difícil acreditar que era a mesma pessoa que parecia tão deprimida mais cedo. Enquanto Nine se maravilhava mexendo no braço sólido, Flora disse:
— É a primeira vez que você vê algo assim? Você não disse que havia mágicos e tal de onde você vem?
— Ah, sim. Havia mágicos, mas…
— Mas?
— …Na verdade, essa era a minha área, então eu os via com bastante frequência. Ainda não me formei, no entanto. Eu deveria me formar no mês que vem, originalmente.
Enquanto Nine acrescentava, coçando a bochecha envergonhado, Flora perguntou:
— Qual era a sua área?
— A Escola de Magia.
— …
— Ah, mais especificamente, eu me especializei em magia de cura e aritmancia…
— O quê? Então você deve ter sido expulso por ser inútil como mágico!
A mal-humorada Flora resmungou irritada e chutou a perna da mesa. Assustado com o barulho alto, Nine piscou os olhos. Ela se inclinou para perto, encarando fixamente o rosto de Nine, e zombou:
— Isso é realmente tão incrível assim para você? Você está tirando sarro da gente?
A mulher de repente endureceu a expressão e perguntou num tom irritado. Por algum motivo, faíscas pareciam saltar de seus olhos também. Nine refutou suas palavras de olhos arregalados:
— É diferente! Mágicos naturais não são apenas mágicas comuns…
— O que você está dizendo?
— Especialmente o elemento do fogo é considerado o mais difícil de manejar, com apenas uma pessoa registrada na história.
Nine não conseguia tirar os olhos da bola de fogo que envolvia a mão da Esper, as bochechas coradas de vermelho.
— Eu não estou tirando sarro de você. Não é absolutamente esse o caso. Eu de verdade, sinceramente acho você incrível.
— …
Flora, que tinha se exaltado sozinha, finalmente sentiu um pouco de vergonha. Em vez de se desculpar por ter ficado brava, ela fez as chamas ainda maiores. Nine não conseguia esconder a empolgação, parecendo que venderia a própria alma.
— Ah, não toque. Pode ser tranquilo para mim, mas vai ser quente para você.
— É simplesmente fascinante demais.
— …Você disse que veio de um lugar com magia e tal, e mesmo assim acha isto incrível?
— É um milagre. Eu nunca vi nada parecido antes.
A expressão dela suavizou diante do elogio. Não parecia que ele estava apenas a bajulando falsamente. Embora ela não desgostasse dos olhos azuis cintilando de curiosidade, coçou a bochecha sem graça, achando que aquela habilidade não era digna de um elogio tão grande.
— Isto é um pouco constrangedor… É uma habilidade bem comum por aqui.
E não era uma habilidade tão útil, então, mesmo com um alto ranque, não era muito bem-vista. Talvez por causa disso, Flora tivesse um complexo de inferioridade, consciente ou inconscientemente.
— Isso é impossível. Você está dizendo que uma habilidade tão incrível é comum?
Enquanto Nine exclamava de olhos arregalados, os lábios de Flora se contraíram. Nine foi a primeira pessoa a elogiar sua habilidade como incrível. Ela se perguntou se era aceitável ficar tão feliz com palavras tão insignificantes. Quem no mundo não gosta de ser elogiado?
Na central cheia de Despertos, era muito raro ser elogiado por ter uma habilidade. Além disso, aquela 11ª filial fervilhava de monstros absolutos.
↫๋࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki