Ato 1, 07
ִֶָ𓂃 ࣪˖ ִֶָ⏱️🐇Ato 7 Criança Perdida no Espaço ִֶָ་༘࿐
— Você pode pensar num Portal como uma passagem conectando um espaço a outro.
Em outras palavras, é uma porta ligando a dimensão de Nine ao nosso mundo.
Ele bateu as mãos uma na outra para ilustrar dimensões entrando em contato.
— Uma passagem…
Era uma história interessante. Chae Chae tinha dito que os viajantes aparecem quando a “parede” entre as dimensões enfraquece, mas na verdade havia uma passagem entre essas dimensões. Aquilo era uma informação nova. Nine se perguntou sobre sua estrutura.
— O nosso lado detectou a ocorrência de um Portal e um Esper foi enviado. Ele trouxe você para fora depois de encontrá-lo desmaiado lá dentro.
— …
Alguém tinha me resgatado? Pensando bem, Nine agora se lembrava de ter visto alguém tossindo sangue sendo levado quando abriu os olhos pela primeira vez. Na ocasião, aquele homem parecera estranhamente familiar. Mesmo com o reconhecimento facial sendo difícil e ele sendo claramente um estranho, Nine tinha sentido como se já o tivesse visto em algum lugar antes.
— Então não foi um sonho, afinal…?
Nine murmurou para si mesmo. Tinha parecido tão irreal e suas memórias eram tão fragmentadas que ele achara que fora apenas um longo sonho, mas se aquele homem o tinha resgatado da “passagem”, fazia sentido.
— Onde está essa pessoa agora?
— Ele está internado na enfermaria, mas ainda inconsciente.
— Ainda?
Os olhos de Nine se arregalaram. O fato de a pessoa que salvara sua vida ainda estar inconsciente depois de um dia inteiro o encheu tanto de gratidão quanto de culpa. Nine pensou que deveria perguntar por aí e ir agradecer àquela pessoa logo.
— A propósito, esse tipo de coisa é comum aqui?
O fato de haver um número considerável dos chamados órfãos espaciais parecia um tanto incomum para Nine. Segundo Chae Chae, nem mesmo transcendentes como ela conseguiam atravessar dimensões livremente. A Dragoa tinha dito que só vira um em mil anos…
Então por que tantos órfãos espaciais eram descobertos ali?
Segundo Chae Chae, os “viajantes” que conseguiam atravessar as paredes dimensionais se limitavam a três tipos: espíritos, pássaros e alguns humanos.
Do ponto de vista de um dragão, os humanos eram seres verdadeiramente insignificantes, mas, paradoxalmente, os humanos às vezes eram capazes de coisas que os transcendentes não conseguiam fazer. Era por isso que Chae Chae se referia à humanidade como uma raça de potencial infinito.
Ela estava sempre falando sobre viajantes de quem ouvira falar por outros dragões, e por causa disso, Nine sem querer tinha memorizado histórias sobre viajantes do passado.
Chae Chae ficaria radiante ao saber que ele tinha viajado entre dimensões. E provavelmente se gabaria por mais mil anos de ser amiga de um viajante dimensional.
“Isso seria… um tanto irritante.”
Nine não estava empolgado em se tornar matéria-prima para as histórias dela mais tarde. Sua expressão azedou.
— Acontece ocasionalmente. Cerca de uma ou duas vezes por ano.
— …Então não é tão raro.
Era estranho. Por algum motivo, coisas sobre as quais Nine nunca tinha ouvido de ninguém a não ser dos dragões em toda a sua vida estavam acontecendo ali anualmente. Viajantes dimensionais…
— Não há outros viajan… quero dizer, órfãos espaciais além de mim no momento?
— Não. O mais recente foi provavelmente no outono passado? Aquele foi descoberto pela filial do Pacífico…
O homem deixou a frase morrer quando alguém pigarreou. Nine piscou, notando a atmosfera estranha. Por algum motivo, eles pareciam relutantes em discutir esse assunto.
— …De qualquer forma, não há órfãos espaciais restantes agora. Todos voltaram, e você é o único que sobrou.
O homem tentou mudar de assunto e disfarçar, mas quando Nine o encarou e perguntou — E quanto ao do ano passado? —, ele relutantemente continuou numa voz muito baixa.
— Ele foi transferido para a nossa filial e cometeu suicídio depois de uma semana.
— …
O ar ficou pesado assim que a menção à morte de alguém surgiu. Então era por isso que Nine era o único órfão espacial restante. Seu rosto empalideceu. O homem lançou um olhar para ele e murmurou.
— Aquela pessoa estava mentalmente instável desde o momento em que foi descoberta. Ela tinha se envolvido no Portal enquanto tentava tirar a própria vida. Pode soar como uma desculpa para você, mas vamos administrar as coisas com rigor para evitar tais incidentes no futuro. Então, por favor, Nine, nos avise se houver qualquer coisa que o deixe desconfortável.
Nine pensou por um momento antes de assentir lentamente. Ele não confiava plenamente naquelas palavras. Ainda não conseguia confiar completamente naqueles estranhos. Mas uma coisa estava clara — eles estavam lhe demonstrando boa vontade e não tinham motivo para prejudicá-lo. Acima de tudo, Nine no momento não tinha praticamente nada e teria dificuldade em se adaptar àquele ambiente desconhecido sozinho. Então, por ora, parecia aceitável aceitar a ajuda deles.
— Por que vocês estão me ajudando?
Nine perguntou. Ele estivera curioso o tempo todo. Tanta gente tinha se reunido em prol dele. Onde ficava aquele lugar? Qual era o propósito deles? Que benefício obtinham ao ajudá-lo?
O homem ajeitou os óculos com o dedo indicador e respondeu à pergunta de Nine.
— Porque é o nosso dever.
Nine inclinou a cabeça. Dizer que resgatar vidas era o dever deles… Soava bastante grandioso. Seriam eles algum tipo de organização em busca de justiça?
Vendo a perplexidade de Nine, as pessoas decidiram que seria mais rápido explicar com materiais do que com palavras. Uma luz disparou de um projetor, exibindo dados na parede branca.
“Magia…”
Nine hesitou por um momento.
Parecia que a magia existia naquele mundo também. Luz emanando de paredes e muitos itens mágicos desconhecidos.
Pensando bem, o lugar onde ele abriu os olhos pela primeira vez também estava cheio de coisas estranhas. Além do péssimo controle de temperatura da água, era como um mundo totalmente novo. No dia anterior, ele devia ter acionado o interruptor de parede umas cem vezes, maravilhado por as luzes acenderem só de tocá-lo.
Os olhos de Nine se arregalaram de admiração conforme as informações necessárias eram exibidas simplesmente projetando luz na parede branca em branco. Letras nítidas estavam gravadas como se impressas na parede.
[Programa de Contramedidas para Órfãos Espaciais]
Abaixo disso, num texto um pouco menor, lia-se:
[Central de Gestão dos Despertos]
Eles deram a Nine uma explicação geral sobre as coisas que compunham aquele mundo.
O dia anterior tinha sido o primeiro dia de janeiro e o dia em que Nine caiu do Portal. Ali, o primeiro dia do ano novo é chamado de Dia do Desperto. Isso porque, cem anos atrás, no dia 1º de janeiro, uma criança com poderes sobrenaturais nasceu num país peninsular no continente asiático.
O primeiro humano desperto da história foi um que conseguia manipular o ar para controlar o vento.
— Vento? Vocês têm certeza de que era mesmo humano? Não um transcendente, ou talvez um invocador de espíritos…?
Nine perguntou com as sobrancelhas franzidas. Era difícil de acreditar. Ele ficou grandemente surpreso ao ouvir sobre a habilidade do primeiro desperto.
O elemento do vento pertencia unicamente à natureza. Se tivessem dito que a pessoa movia objetos para criar vento, ele não teria se surpreendido, mas os registros mostravam que ela conseguia criar enormes redemoinhos usando apenas o próprio poder.
— Não sei o que é um invocador de espíritos… mas temos certeza de que o primeiro desperto era humano.
— Isso é impossível.
Nine franziu a testa ao questionar de novo. Os elementos naturais eram complicados demais para os humanos manejarem… Se não era um invocador de espíritos, será que poderia ter sido um transcendente disfarçado?
Nine pensou que talvez houvesse dragões ou seres equivalentes naquele mundo também. Os transcendentes sabem muitas coisas de suas longas vidas. Talvez ele pudesse perguntar sobre uma forma de voltar para casa?
— Você nunca viu algo assim antes?
Foi então que aconteceu.
A mulher sentada em frente a Nine, que estivera observando-o atentamente, finalmente abriu a boca e falou despreocupadamente. Ao mesmo tempo, chamas de um azul vivo irromperam de seu corpo. O queixo de Nine caiu.
— …!
Nine arfou e pôs-se de pé num salto, mas a mulher riu e fez um gesto para que ele voltasse a se sentar. As chamas que tinham se enrolado em torno de seu corpo como cobras desapareceram sem deixar vestígio.
Agora que reparava, Nine era o único que tinha se levantado — todos os outros permaneciam calmamente sentados. Suas orelhas de repente ficaram quentes de vergonha. Nine respirou fundo e sentou-se de volta em silêncio, embora seu coração assustado ainda estivesse disparado.
O homem de meia-idade sentado ao lado dela a repreendeu suavemente.
— Esper, esta não é a hora para brincadeiras. Não assuste o órfão espacial.
— Por quê? É engraçado.
A mulher riu alto sem sequer cobrir a boca. Nine tentou acalmar o coração que batia acelerado com respirações profundas.
Estava tudo bem. Ele só tinha se assustado um pouco porque algo inesperado aconteceu de repente. S-sim, isso pode acontecer… Não é grande coisa se o corpo de alguém pega um pouco de fogo… De qualquer forma, era uma sorte que aquela pessoa estivesse ilesa.
Conforme o tempo passava, seu coração disparado gradualmente foi se acalmando. Nine tentou esconder seu estado desconcertado e serenou a respiração com calma. Ele cuidadosamente perguntou à mulher:
↫๋ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki